Estudos de Impacto Ambiental “Escangalhados” e (Outros) Desmandos da Petrobras

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Já se disse, aqui, que o Estudo de Impacto Ambiental – EIA que levou ao licenciamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ foi a pá de cal na validade desse dispositivo da legislação ambiental brasileira.  Entre outras coisas, por não conter uma definição final de dois pilares imprescindíveis para o licenciamento até mesmo de uma oficina mecânica de pequeno porte: a fonte de abastecimento de água e o local de descarga dos efluentes.

O responsável por este “desmanche” da gestão ambiental no Brasil tem nome e endereço.

A partir daí, o COMPERJ tornou-se objeto de escândalos diversos, entre os quais a elevação do orçamento original de R$ 8,4 bilhóes para R$ 47,7 bilhões, segundo dados de relatório do Tribunal de Contas da União – TCU divulgados pela imprensa.  E isso para não falar nos lucros cessantes não contabilizados em decorrência do imenso atraso nas obras: previsto para entrar em operação em setembro de 2013, agora já se fala em agosto de 2016, esculhambando o município de Itaboraí, em vez de estruturá-lo.

Mas a bagunça não termina aí: só agora aproxima-se a fase final de licenciamento do gasoduto que levará a matéria-prima até o COMPERJ, gasoduto cuja construção pode levar alguns anos.  Seria essa uma das muitas caras da má gestão nos projetos da Petrobras?

Os documentos do EIA-RIMA encontram-se disponíveis na pagina da Rede Ambiente Participativo – RAP (mês de dezembro), o correto seria realizar mais de uma audiência pública (e não apenas uma, em Maricá, já que o gasoduto atravessa mais de um município), e o Grupo de Apoio Técnico – GATE do Ministério Público do Rio de Janeiro deu, há algum tempo, um parecer técnico bastante contundente contra o traçado originalmente proposto (além de apontar diversas outras insuficiências críticas no próprio EIA).

O essencial do parecer técnico é a total omissão de alternativas tecnológicas: por que passar pela bucólica praia de Jaconé e como?  Por algum costão, com tubulações enterradas, ou talvez por outra localização.  Um estudo de impacto ambiental elaborado “nas coxas” não vai considerar esses “detalhes” e nem a redução de valor turístico/paisagìstico potencial da praia ou das propriedades na praia.  Que se dane quem ali investiu para ter algum tipo de “aposentadoria” no futuro ou o fato do Município não conter previsões de uso do solo para esse tipo de ocupação.

A desconsideração de alternativas tecnológicas e locacionais é com frequência desconsiderada, ainda que exigida pela Resolução 001/86 do CONAMA.  Ou alguém ja ouvir falar de alguma licença ambiental – ao menos com base em EIA-RIMA – que tenha sido recusada no Brasil, ou forçada a considerar, de fato, alternativas tecnológicas e locacionais.

Fora essa parte do engodo, vale mencionar que o parecer do GATE ressalta a inexistência de análise de risco, também obrigatória em casos desse tipo.

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Aqui, o inteiro teor de uma petição inicial contra a Petrobras, ação já ajuizada nos EUA, e na qual se menciona claramente Sergio Grabrielli  e Graça Foster como tendo assinado documentos contendo informações falsas para os investidores (parágrafo 5).  A Odevrecht é mencionada na petição como tendo superfaturado contratos no valor de US$ 835 milhões (parágrafo 8). O  COMPERJ é mencionado no parágrafo 35 como objeto de superfaturamentos.

Note-se, esta é apenas a petição inicial, não um julgamento.  Há outras petições similares já ajuizadas pedindo que os acionistas norte-americanos – individuais ou fundos de investimento – sejam compensados pelas perdas.  E os brasileiros, onde ficam?

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Como perguntar não ofende, quais as razões de tão estrondoso silêncio por parte do sindicato dos petroleiros diante de tantos escândalos, quando fizeram tanto  barulho no passado denunciando supostas tentativas de privatização da Petrobras?  Silêncio obtido em troca de cargos e contratos?

 

 

 

Concessão de Unidades de Conservação em Minas Gerais- Iniciativas Obscuras, Mal Ajambradas, ao Apagar das Luzes

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Ao apagar das luzes da administração estadual e após as eleições o Governo do Estado de Minas Gerais publicou o edital de licitação para a concessão, por 25 anos, da Rota das Grutas Peter Lund, que inclui “três áreas estaduais protegidas: o Parque Estadual do Sumidouro, o Monumento Natural Estadual Peter Lund e o Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato.  O edital, publicado em 4/11/2014 estabelece o prazo para entrega de propostas até 13/1/2015, ou seja, inclui o período de festas de final do ano ao longo do qual dificilmente alguma empresa ou consórcio trabalhará na análise de viabilidade econômica e financeira da concessão.

E, como se não bastasse, em seu Anexo XI – Plano de Negócios Referencial, estabelece como “custos de atividades comuns a todas as unidades de conservação: portaria, estacionamento, transporte interno, restaurante, lanchonete, pousada, loja, foto e filmagem, caminhada, cicloturismo, rapel, tirolesa, arvorismo, observação de vida selvagaem, aluguel de equipamentos e aluguel de cicloturismo”  (ítem 5 do assim chamado “Plano de Negócios Referencial”), e como “Cuistos de atividades exclusivas do Parque Estadual do Sumidouro: quiosque, albergue, escalada, espeleoturismo, aventura, espeleoturismo vertical e aluguel de cavalgada”.

Como se não bastassem esses termos vagos, genéricos, que permitem ao vencedor da licitação cobrar dos visitantes pelas atividades que bem quiserem, o edital deixa em aberto, para decisões futuras, outras importantes fontes de receita consideradas “atividades acessórias” (item 4.1).

“Cabe ao parceiro privado estabelecer quais serão as atividades de exploração
comercial das UCs, que gerarão as receitas das atividades acessórias. Dentre
as possibilidades de exploração comercial foram elencados quatro macro
grupos; (a) atividades de ecoturismo, (b) hospedagem, (c) alimentação e
serviços e (d) visitação. Por estarem diretamente atreladas à projeção da
demanda de visitação, essas receitas apresentam tendência de crescimento.”

Nesse modelo, o visitante pode preparar-se para ser achacado se quiser visitar qualquer dessas unidades de conservação.  O consórcio vencedor primeiro gerará caixa (dinheiro) para depois decidir se e em que vai investir – ou fazer parceria – em termos de instalações de recepção, como pousadas e campings.  Além disso, considerada a modelagem financeira primária incluída no edital – sem os usuais variados cenários de um trabalho profissional de empresas -, se não alcançada a receita prevista na simulação de “equilíbrio econômico-financeiro”, o estado de aportar os recursos para tanto.  Ou seja, um presente para empresários (amigos?) que não querem realmente investir, ao menos numa primeira etapa.  Poderão cafetinar as unidades de conservação sem riscos.

Ainda que a participação da iniciativa privada na geração de receitas que requerem investimentos nas unidades de conservação brasileiras seja altamente recomendável e até urgente, recomenda-se à nova administração estadual a suspensão do edital e a sua reavaliação.

O modelo alternativo – mais aconselhável para assegurar a visitação às unidades de conservação – consiste na concessão de atividades específicas no seu interior, em particular daquelas que envolvam maiores investimentos, como a construção de pousadas, campings, restaurantes, etc.  Neste caso, mantem-se o controle das tarifas de ingresso e estacionamento, de maneira a impedir que se repitam os altos preços para a mera entrada e estacionamento no Parque Nacional do Iguaçu – R$ 31,20 por brasileiro que não resida nos municípios do entorno, valor ao qual devem ser acrescidos R$ 17,00 para o estacionamento, totalizando R$ 141,80 para uma família de 4 pessoas… apenas para chegar até o mirante e contemplar as cataratas!

Além disso, os preços mais elevados para estrangeieoa do Mercosul e ainda mais escorchantes para estrangeiros de outros países do mundo – R$ 52,20 por pessoa – é coisa que faz com que os visitantes de fora do país se sintam discriminados de maneira negativa, ou achacados.  Os preços para o acesso ao Parque Nacional do Iguaçu, sendo necessário consulta direta aos diversos “sub-concessionários” para verificar os preços praticados para atividades como rafting ou passeios de helicóptero (que tanto incomodam os visitentes “comuns” e os hóspedes do hotel).

Um grande contranste com os preços de acesso praticados, por exemplo, no Parque Nacional de Yellowstone – US$ 25 para veículos de passeio, não importando quantas pessoas estejam em seu interior, US$ 12 por visitante que prefira entrar caminhando ou de bicicleta, ou US$ 50 por um passe anual para veículos não comerciais (tampouco importando quantos passageiros neles se encontrem – como se pode ver na página desse parque.

Isso para não falar na arquitetura no caso da implantação de hotéis, pousadas, campings ou estacionamento de motorhomes com sistemas de fornecimento de energia, água e coledta de esgotos - instalações de recepção de turistas que realmente promovem a visitação, aos parques, de pessoas de todas as idades e outras características – como mulheres em estado de gravidez mais avançada, crianças de colo e similares.

Finalmente, mas não menos importante, vale notar que a licitação cumpre o prazo mínimo necessário estabelecido em lei.  Mas, se há o desejo de atrair mais concorrentes, por que não ampliar esse prazo e fazer maior divulgação – pelo menos em todo o território nacional, para que outros interessados possam visitar a área, conhecer as partes cuja regularização fundiária já foi feita (esse é o nome dado para a imprescindível aquisição dos imóveis dentro do parque), preparar verdeiros “planos de negócios”, em lugar do simulacro de análise de viabilidade que se encontra no edital?

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No grande loteamento que caracterizam a administração pública no Brasil, vale notar a abertura da convocação para a licitação: “O Instituto Estadual de Florestas – IEF, com a interveniência do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD…”

 

Floresta da Tijuca – O Bom, o Mau e o (Muito) Feio

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A restauração e reforma do Açude da Solidão no Parque Nacional da Floresta da Tijuca foi uma excelente iniciativa.  Ninguém sabe qual a destinação da imensa quantidade de areia dragada do fundo do açude – areia com valor comercial -, mas esse tipo de sonegação de informação é mais a regra do que a excessão.  Fora isso, dois pontos merecem destaque.  O primeiro é que ainda faltam mais bancos e locais para que as pessoas realmente desfrutem da tranquilidade do local.  O segundo é que ficou claramente demonstrado – dentro de um Parque Nacional! – que a regra da “área de preservação permanente” às margens de reservatórios naturais e artificiais é uma tolice arrematada.

A alegação dos defensores dessa regra otária sempre foi a de que a manutenção da vegetação nativa é o único caminho para a estabilização das margens de rios, lagos, lagoas e reservatórios.  Isso contra toda a experiência existente no Brasil e, muito mais, no exterior.

 

Açude da Solidão - Plantas na Contenção.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A foto abaixo mostra uma das melhores técnicas de contenção dos processos erosivos, amplamente adotada nos países sérios, em particular em lagos e lagoas.

Ah – mas se um proprietário privado tenta fazer algo assim aqui, logo aparecem os “ambientalistas” e algum promotor de mentalidade mais “literal” – sem qualquer conhecimento técnico ou capacidade de buscar uma opinião especializada – para impedir, bloquear, processar até mesmo os especialistas do setor público que tenham concedido a autorização, num verdadeiro ataque de hidrofobia.

 

Açude da Solidão - Contenção das Margens com Talvegue.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pontilhão abaixo – feito com estrutura de concreto, pedras e madeira (não necessariamente certificada, um requisito igualmente tolo quando uma árvore tombou naturalmente ou mesmo alcançou a sua plena maturidade) obedeceu a um projeto um tanto exagerado – podia ser algo mais leve, com algum senso arquitetônico -, mas merece elogios.

 

Açude da Solidão - Pontilhão.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há, no entanto, constrastes bastante marcantes com essas melhorias, entre os quais o total abandono da edificação onde durante muito tempo funcionou o restaurante Cascatinha, edificação situada no local original da residência de Nicolas Antoine Taunay.  Uma lástima, ainda que um abandono não maior do que os marcos em homenagem a Taunay e ao Barão d’Escragnolle, o mapa da floresta feita com ladrilhos portugueses que se encontra na área do estacionamento em frente ao antigo restaurante, ou mesmo a lindíssima banheira em mármore de Carrara.

 

Restaurante Cascatinha - Prédio Abandonado.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Numa demonstração do desinteresse pela estética da Cascatinha e do Parque, ao lado da queda d´água há uma horrenda instalação da CEDAE (ops, da “Nova” CEDAE), que poderia simplesmente ser oculta com alguma pequena edificação em pedra com uma entrada pela parte não visível para os visitantes.

 

Cascatinha CEDAE.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O tipo de sinalização colocado bem diante da Cascatinha é outra demonstração do descaso com o bom senso e a estética do local.

Sinalização na Cascatinha.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Porém,  maior do que todas as agressões à paisagem como as citadas, destaca-se a horrenda sinalização ao longo de todo o longo percurso de um cabo de alta tensão colocado às margens das vias de circulação de pedestres e veículos.

 

Sinalização cabos de alta tensão.webpequena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desnecessários outros comentários sobre esse emporcalhamento do Parque, fruto do descaso, do desrespeito aos visitantes e da falta de cultura de seus administradores.

O Parque precisa de um novo Escragnolle e de outro Raimundo Castro Maya.

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Aliás, quanto se pretende arrecadar anualmente com a concessão dos serviços de acesso ao Cristo Redentor e quais os planos de aplicação desses (certamente vultosos) recursos?

Fora isso, quanto recebe o Parque pela existência das 10 horrendas torres de sustentação de antenas variadas que poderiam ser no mínimo disfarçadas na paisagem que agridem?

 

 

 

Sobre as Origens das Emissões de Gases Causadores de Mudanças Climáticas

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Apenas 90 empresas e países produtores de petróleo geraram 2/3 das emissões humanas de gases causadores de mudanças climáticas.  A conclusão é de um estudo publicado pelo “jornal” Mudanças Climáticas (com 4.399 artigos publicados em 353 edições cobrindo o período 1978-2014).  O estudo, de autoria de Richard Heed, intitulado Rastreando as Emissões Antropogênicas de Dióxido de Carbono e de Metano Provenientes dos Produtores de Combustíveis Fósseis e de Cimento, 1854 – 2010 mostra que 50 empresas privadas, 31 estatais e 9 nações produtoras de petróleo, gás, carvão e cimento foram “responsáveis” fizeram esse estrago todo (“responsáveis” entre aspas porque não haveria produção sem consumo).

Cerca de 30% das emissões foram resultado das atividades de apenas 20 empresas.  A estatal soviética que atua nessa área foi responsável por 8,9% das emissões, seguida de perto pela sua similar chinesa, com 8,6%.  Entre as empresas privadas, a “liderança” fica com a Chevron-Texaco – 3,5% das emissões totais -, seguida pela Exxon – 3,2% dessas emissões.

“Há milhares de produtores de petróleo, gás e carvão no mundo.  Mas aqueles que decidem – os CEOs das empresas e os ministros do petróleo e do carvão, podem todos caber em um ou dois ônibus de passageiros” – afirmou o autor do estudo e pesquisador do Instituto de Contabilidade Climática, do Colorado, EUA.

Cerca de metade das emissões totais ocorreram nos 25 anos anteriores a 2010, e essas empresas ainda têm como ativos reservas tão grandes de petróleo, gás e carvão que, se exploradas, aumentarão de maneira decisiva os impactos das mudanças climáticas.

Para não responsabilizar apenas as empresas, vale dizer que os países altamente desenvolvidos subsidiam a exploração de petróleo, gás e carvão com isenções tributárias que totalizam US$ 88 bilhões por ano!  Esse valores foram resultado de estudos feitos por uma tradicional e robusta organização inglesa ODI e pela norte-americana Oil Change International, e se encontra disponível para download nas páginas de ambas na internet.

A governo da Inglaterra – que tanto fala na necessidade de proteção das florestas tropicais – tem sido um dos mais generosos na concessão desses incentivos tributários, com isenções que totalizaram US$ 4,5 bilhões para empresas de diversas nacionalidades atuarem na exploração do petróleo do Mar do Norte, que declina rapidamente.  Desse total, US$ 1,2 bi foram concedidos a duas empresas francesas – GDF-Suez e Total -, US$ 450 milhões para empresas norte-americanas – incluindo a Chevron – e US$ 992 milhões para empresas britânicas.  O governo da Inglaterra também deu incentivos com recursos públicos para que empresas ampliassem as suas atividades de sondagem e exploração em países como o Azerbaijão, o Brasil, Ghana, India, Indonesia, Guiné, Rússia, Uganda e Qatar.

O relatório também critica os países do G-20 por permitirem que dinheiro subsidiado seja canalizado para a exploração de petróleo, gás e c carvão através do Banco Mundial e outras organizações financeiras multi-laterais, num total de $ 520 milhões por ano – quatro vezes mais do que para energias renováveis.

A total divergência entre os dicursos oficiais e a realidade é escandalosa!

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Atenção, turma que tenta atribuir a seca em São Paulo e em outros estados ao desmatamento na Amazônia (hoje com área total no Brasil já protegida em mais de 40%, com unidades de conservação e terras indígenas: os regimes de chuva e hidrologia da Amazônia dependem em grande parte do degelo nos Andes, que continuará aumentando em decorrência das emissões globais dos gases causadores de mudanças climáticas.

 

 

 

Racionamento de Água – Como os Cidadãos Podem se Proteger dos Abusos das Concessionárias

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Umas das preocupações dos cidadãos diante do racionamento de água – que já vem ocorrendo e pode atingir o Rio de Janeiro e muitas outras cidades – deve ser como se proteger contra os abusos e a obsolescência das concessionárias dos serviços de água e esgoto.

Já que não vão resolver mesmo as elevadas perdas técnicas e comerciais, é necessária uma especial atenção para a absurda cobrança por área construída ou por consumo estimado, em particular quando considerada a precariedade dos sistemas de medição (hidrômetros).  Se não estiverem atentos, os consumidores acabarão pagando por um serviço que não é prestado, como já vem ocorrendo em Itu, onde a concessão dos serviços foi feita ao Grupo Bertin, que consegue a mágica de atuar nas áreas de infraestutura, energia, equipamentos de proteção, agronegócio, alimentação e hotelaria.  Se fallta água, a Aguas de Itu deveria aceitar que isso faz parte do “risco de negócio” e não cobrar por um serviços que não está sendo prestado.

Pouco afeitas às inovações tecnológicas, as concessionárias de água e esgoto continuam a usar hidrômetros antiquados, com grande número de componentes – do tipo relógios antigos, mecânicos -, sem os ganhos de precisão das informações em tempo real que pode ser propiciada por medidores mais modernos, eletro-magnéticos e de outros tipos.  Os avanços nesse campo nos últimos tempos permite uma visualização precisa da ocorrência de vazamentos no interior das edificações e simplifica a leitura para emissão da conta por parte das concessionárias.

Como exemplo, vale citar uma pequeníssima empresa de água, esgoto e eletricidade, de propriedade dos próprios usuários, a Modern Electric Water Company, que em 2008 substituiu todos os seus hidrômetros por medidores automáticos que permitem a leitura remota.  Para que não se diga que isso é impossível de ser feito por uma concessionária que atende a uma população muito maior, que tal visitar a página do Departamento de Proteção Ambiental da Cidade de Nova York que, num programa de substituição de todos os hidrômetros com mais de 13 anos de uso – ou seja, com prazo de vida útil terminado ou próximo do término – por medidores de leitura automática, que permitem economias na prestação dos serviços e melhor controle dos usuários.  Em três anos, foram 834.000 medidores desse novo modelo.

Aqui, recomenda-se que os usuários guardem as suas contas de água e esgoto, e desde já se organizem para os casos de racionamento e outros, de maneira a questionar judicialmente a cobrança indevida.

Se não, as concessionárias vão continuar inventando grandes obras – com os correspondentes longos prazos e aditivos aos contratos -, divulgando informações não comprovadas sobre a substituição de redes de distribuição antigas mas mantendo elevadas perdas técnicas e comerciais, e sem cuidados efetivos com seus clientes.

 

 

 

 

 

 

Racionamento de Energia Elétrica e Graves Insuficiências de Políticas Públicas

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Coube ao obscuro Operador Nacional do Sistema – ONS anunciar a possibilidade de “apagões” no sistema elétrico nacional no verão 2014/2015.  Omitiram-se as autoridades superiores do ministério de Minas e Energia. e tentaram amenizar o racionamento apenas dando-lhe outro nome: “cortes seletivos“.  O pensamento mágico parece a acreditar que muda a realidade com o mero jogo de palavras.

Esse risco já havia sido mencionado neste blog em artigo sobre o uso eleitoral das informações sobre a seca pela abúlica Agência Nacional de Águas – ANA.

Também, em diversos artigos anteriores aqui publicados, foram analisadas as debilidades das políticas públicas brasileiras na área da segurança energética.  Debilidades ou monótona subserviência às grandes empreiteiras com sua natural preferência pela construção de novas hidrelétricas de grande porte e linhas de transmissão de longa distância.

Em palavras simples, o abusivo reajuste nos preços da eletricidade – aprovados a toque de caixa pela infame Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL logo após as eleições e para entrarem em vigor em 72 horas (no caso da Light, concessionária de boa parte do estado do Rio de Janeiro), empresa de estrutura acionária no mínimo divertida, com dois acionistas amplamente desconhecidos.  Apenas por curiosidade: quais foram os ganhos de eficiência da Light (e de outras) na qualidade da energia que fornece, a redução de perdas técnicas e comerciais, os investimentos em energias renováveis ou a disseminação de medidas de eficiência energética para os consumidores?

O Brasil vem patinando na adoção de iniciativas amplamente disseminadas nos países sérios até mesmo na área de grandes hidrelétricas!  Não investe na repotencialização – troca de turbinas antigas por outras mais modernas e eficientes -, na automação – que permite a abertura e o fechamento das comportas em função da demanda, em “tempo real” -, ou mesmo na acumulação de energia sob a forma de bombeamento da água de volta para os reservatórios fora dos horários de pico.  Nada!  Eles gostam mesmo é de contratar empreiteiras, e com a adoção dessas alternativas tecnológicas não há necessidade delas.

Os atrasos são igualmente graves no que se refere aos incentivos à micro-geração distribuída de energia solar e eólica.  As autoridades do setor não tiveram iniciativas orientadas para o domínio das novas tecnologias nessas áreas, à produção nacional dos equipamentos, ao treinamento de equipes de instalação (que pesa nos custos finais das mesmas), à facilitação dos procedimentos para a venda de energia assim gerada à rede (o que inclui mas não se limita à fabricação e à disseminação de medidores apropriados para que isso aconteça, isto é, de medidores de entrada e saída de energia), e por aí afora.  Um oceano de mesmices e lentidões!

Tampouco investiu massivamente em “linhas inteligentes” de transmissão e distribuição de energia elétrica, uma área na qual verificam-se,  já há algum tempo, avanços significativos nos países sérios, onde tais sistemas são conhecidos como smart grids (o link leva ao Departamento de Energia dos EUA mas os exemplos estendem-se à União Européia, à China, ao Japão e a outros países com políticas públicas sérias na área de eficiência e de segurança energéticas).

As perdas médias no sistema de distribuição de eletricidade dos países europeus são de 4%.   Qual é mesmo a perda média das distribuidoras brasileiras, uma por uma, descontadas as assim chamadas perdas comerciais decorrentes da perseverante omissão das concessionárias e do poder público?

Finalmente, vale dizer, ainda é tempo de colocar em marcha um plano emergencial de geração térmica, ainda que para tanto seja necessário importar gás liquefeito.  Alguns terminais de regaseificação foram implantados pela Petrobras, pelo menos um – em Pernambuco – encontra-se atrasado, mas de toda forma a iniciativa privada ainda não foi convidada a implantar usinas de geração térmica com gás importado.  A alegação para mais essa omissão pode ser o maior preço da geração térmica.  No entanto, de fato, os maiores danos econômicos decorrem do mal disfarçado racionamento, já anunciado.

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Ainda sendo muito capenga o federalismo no Brasil, estados e mesmo municípios poderiam e deveriam tomar várias iniciativas para a redução do consumo sem prejuízo aos cidadãos e à economia.  Mas esse é um outro assunto, outro tipo de omissão ou de abulia.

 

 

 

 

 

 

Sistemas de Estocagem de Energia em Grande Escala – Avanços Decisivos para Solar e Eólica

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Reduz-se rapidamente um dos principais obstáculos à disseminação ainda maior das fontes de energias renováveis tais como eólica e solar: a estocagem de energia em escala comercial nos horários em que a oferta é maior do que a demanda.  Atualmente, uma parte dessa energia é simplesmente desperdiçada.

O mais recente notícia nessa área foi o anúncio feito pelo grupo Alevo de que implantará uma fábrica de “bancos de baterias” do tamanho de conteineres com capacidade unitária de estocar 2 MW de eletricidade.  O grupo não entra em detalhes sobre a composição química de sua baterias mas assegura que sua nova fábrica será capaz de produzir 480 bancos de baterias desse tipo por ano a partir de meados de 2015.

Ainda sob o impacto desse anúncio, o mercado vem se ampliando rapidamente.  Num relatório publicado recentemente, a empresa Navigant Research estima que os novos sistemas de estocagem de energia  totalizaram 362,8 MW só no ano fiscal 2013-2014, com 103,3 MW na América do Norte, 100,5 MW na Ásia e no Pacífico, e 91,1 MW na Europa Ocidental.  A distribuição regional dos novos projetos pode ser vista na página 3 do Sumário Executivo do relatório da Navigant (que cobra caro por seus relatórios completos).

O assunto não se esgota nesse relatório.  Recentemente, criou-se a Aliança Global de Estocagem de Energia, fundada por organizações semelhantes existentes nos EUA, na Alemanha, na China, na Índia e na Califórnia (com participação individual, além da nacional), além da Aliança para Eletrificação Rural dos EUA.  Grandes avanços científicos e tecnológicos para a disseminação das energias limpas como, também, vê nessa área um conjunto de oportunidades de negócios.

Segundo outras fontes confiáveis de informação, a capacidade dos variados sistemas de estocagem de energia crescerá para 6 GW por ano em 2017, atingindo 40 GW por ano em 2022.

Segundo a Base de Dados Global de Estocagem de Energia do Departamento de Energia dos EUA, 104 projetos desse tipo encontram-se em fase de planejamento ou de implantação, além de 158 outros em diversos países.

A forma mais antiga de estocagem de energia é o retorno da água das grandes hidrelétricas através de bombeamento, mas na maioria dos países avançados essa alternativa já se encontra praticamente esgotada (o que será do Brasil?).

Agora, o que está em questão são as novas tecnologias, que não se limitam às baterias “gigantes” e com novos materiais, maior ciclo de vida e menor tempo de recarga.  A compressão do ar durante os períodos em que há excesso de geração em relação à demanda para posterior liberação e movimentação de turbinas nos horários em que aumenta a demanda, líquidos especiais com alto teor de sal aquecidos para gerar eletricidade através de trocadores de calor e outras tecnologias vêm sendo testadas de maneira a reduzir o desperdício e ampliar a utilização da energia gerada por usinas eólicas e solares.

Na Califórnia, uma lei estadual determinou que as três maiores concessionárias incorporem uma capacidade de estocagem de 1,3 GW até 2020.  No Arizona, o projeto Solana de estocagem de energia solar já permite que a eletricidade continue a alimentar as redes de transmissão e distribuição durante seis horas após o pôr do sol.

E no Brasil, onde estamos para aumentar a eficiência e reduzir os preços da geração de energia solar e eólica?

Vale esperar, pelo menos, que no futuro próximo não apareçam ec0-fascistas e “esquerdistas” dizendo que “o capitalismo é ganancioso” por deter novas tecnologias que os cidadãos das economias periféricas desejam ou mesmo necessitam.  Ganância de conhecimento e da capacidade de fazer acontecer é algo muito bom!

 

 

Agência Nacional de Águas – ANA: a Mentira e a Fragmentação das Informações – II

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Uma das formas de mentir é fragmentar a informação de maneira a que se evite a compreensão ou sequer a percepção do conjunto de uma situação qualquer.

Desta vez, a mentira foi tentar evitar os problemas da seca – cuja responsabilidade foi atribuída pela “tal da ANA” à má gestão do governo de São Paulo – fosse percebidos em sua totalidade.  Assim, a “tal da ANA” – presidida por um sindicalista que do assunto só entende a oportunidade eleitoral – deixou parte fundamental do problema maior por conta do Operador Nacional do Sistema – ONS (que a esmagadora maioria da população não conhece mesmo, e sequer usa a palavra “água”: o nível crítico de muitos reservatórios, que pode comprometer não apenas o abastecimento humano como também a geração de eletricidade, levando a um “apagão” como ocorreu no passado.

E aí, “dona ANA”. de quem seria a responsabilidade, por exemplo, se a Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes tiver que ser desligada?  De Furnas, do Operador Nacional do Sistema, do governo federal ou da própria ANA?

E os níveis baixíssimos ou críticos de algumas usinas do rio São Francisco, assunto sobre o qual a grande imprensa governista (O Globo e Folha de São Paulo) tem silenciado, é de responsabilidade de quem?   O fato do reservatório da Usina de Três Marias, cuja capacidade de geração corresponde a 31% da região nordeste, estar com apenas 3,37% de sua capacidade será levado à conta de um partido político, “dona ANA”?

Diante de um quadro de extremos climáticos que já ocorre no mundo inteiro, o Brasil se preparou muito mal no que se refere à segurança energética, em particular micro-geração distribuída com tecnologias que vâo da energia solar fotovoltaica às células de combustível.  E a responsabilidade principal é do governo federal, via ANEEL, que só recentemente permitiu a alimentação de redes de baixa e média tensão com eletricidade gerada com o uso dessas tecnologias, sem estabelecer regras e procedimentos administrativos claros, ou seja, deixando o micro-gerador refém das concessionárias.

“Dona Ana” – pede para sair!

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Essa parcialidade eleitoreira de um órgão que deveria ser exclusivamente técnico não exime os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro de responsabilidades, a maior delas sendo deixar a questão da meteorologia e das abordagens inovadoras para o uso eficiente da água por conta das concessionárias estaduais retrógradas, pesadas, habituadas apenas à mesmice.

 

 

 

 

 

Agência Nacional de Águas – ANA – Símbolo Maior de Inércia na Gestão de Águas e Uso Eleitoral do Órgão Público

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O obscuro sindicalista Vicente Andreu tornou-se presidente da abúlica Agência Nacional de Água – ANA apenas em função de indicações partidárias.  Compadrio 10, qualificações zero!

Agora, às vésperas das eleições para a presidência da república, ele resolveu fazer uso de seu cargo para tentar atribuir ao governo de São Paulo a responsabilidade por uma seca que coloca o abastecimento público de água em grave risco – com iguais riscos para a ordem social e econômica.  Alguns, como ele, acreditam que o cargo lhes dá dignidade e não que lhe caberia dar dignidade ao cargo.  Tecnicamente inerte e à frente de uma agência abúlica, o “presidente” da ANA criticou a gestão do “sistema Cantareira” pelo governo estadual de São Paulo.  Leu alguns números pinçados por seus assessores e mais não disse, até porque mais não sabe.

Não sabe, por exemplo, explicar o que fez a ANA quando os níveis dos reservatórios desse sistema começaram a cair, isto é, se sob a sua “liderança” a ANA cooperou com o governo do estado na elaboração de um plano B, de um plano de contingência para uma situação emergencial, ou se usou de seus conhecimentos para prever o que iria acontecer no caso de uma estiagem mais prolongada.

A gestão da crise pelo governo de São Paulo foi e continua sendo péssima porque conduzida pela concessionária de água e esgoto que, como no Rio, faz apenas o arroz com feijão, muito mal e porcamente: captam água para vender e tentam cobrar atitudes dos consumidores, ainda que seus níveis de perdas técnicas e comerciais sejam elevadíssimos.

Nada de equipes de hidrólogos, engenheiros com visões de alternativas diversas, e ainda menos de meteorologistas.  Afinal, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que poderia fazer alguma previsão sobre chuvas no médio prazo ou dizer algo sobre a duração da estiagem, ao que parece anda proibido de falar.  E o “cumpanhero” Vicente Andreu não deve sequer saber de sua existência, de suas atribuições, do nome de seu presidente – e assim não conseguirá mostrar uma troca de emails entre ambos ou indicar a ocorrência de um encontro ou telefonema para pedir apoio.  Se não tem política eleitoreira em jogo, não interessa que existam outros órgãos do governo fedearal que deveriam ser ouvidos.

Se o uso da segunda cota do sistema Cantareira pode ser classificada como uma pré-tragédia, a falação vazia do “seu Vicente” e a omissão persistente da ANA em questões de previsão de disponibilidades hídricas e de conservação desse recurso no Brasil não a credencia para fingir que está dando assistência a países caribenhos.  “Seu Vicente” – para quando está previsto o colapso dos primeiros reservatórios responsáveis pela geração de energia elétrica no Brasil se a atual seca se prolongar?  Ou qual foi a assistência prestada aos governos estaduais e à iniciativa privada brasileira no que se refere às restrições à navegação para escoamente de produtos em decorrência desses extremos climáticos?

“Seu Vicente”, o sindicalista, nesse cargo, o senhor não é a “pré-tragédia”, mas a tragédia em marcha.  Afinal, a seca já se estende a várias regiões de Minas Gerais – incluindo as nascentes do rio São Francisco – e logo se ampliará no Rio de Janeiro.  Fora as centenas de municípios do Nordeste com secas que se repetem em ciclos cada vez mais curtos.

Isso para não falar na anemia administrativa aguda da pesada estrutura do tal Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH!

Nenhum deles deve saber – ou prefere ocultar – que a California encontra-se em crise semelhante há três anos, que os cientistas convocados pelo governador desse estado norte-americano para examinar a crise já declararam que eles não sabem quanto tempo ela poderá durar (quem não sabe alguma coisa entre os especialistas como seu Vicente?), que os EUA realizaram em setembro o seu 29º Simpósio Anual Sobre Reuso de Água e a página para o próximo simpósio já está ativa (esses são simpósios nacionais – há, também, os estaduais, os por setor da indústria de mais alto consumo de água e os voltados para os avanços tecnológicos).  Não devem saber, tampouco, talvez por se orgulharem de serem “monoglotas”, que diante dos extremos climáticos simpósios sobre reuso de água estão sendo realizados em muitos países, entre os quais o Vietnam, o Chile, a China e a Índia.

Dilma Pena, presidente da SABESP, já pediu sua exoneração.  Agora é a sua vez, seu Vicente!  Seu Vicente, pede para sair (desse “emprego”)!

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Já é tempo dos governos estaduais e municipais agirem sem ficar esperando pela ANA e por seu Vicente.  Uma rápida articulação para a importação de equipamentos de osmose reversa para purificação de água potável -, para a produção em escala comercial da máquina brasileira que “fabrica água” e outras iniciativas simples podem evitar que os chineses dominem rapidamente esse mercado e acabemos pagando royalties e aumentado o deficit da balança comercial.

Além disso, o que é mesmo que a tal da ANA, MMA, a CETESB e a SABESP fizeram nos últimos anos para melhor conhecer, proteger, e utilizar ou considerar a possibilidade de utilização do Aquífero Guarani num ciclo de extremo climático como o que está castigando algumas das regiões que talvez pudessem ter acesso a essas reservas?

Avanços Tecnológicos na Área de Transportes – Amplia-se Rapidamente a Dependência Tecnológica do Brasil – Não Há “Fuga para o Passado”

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Os países sérios avançam rapidamente no aperfeiçoamento e na disseminação das células de combustível, bem como dos sistemas de estocagem e uso de hidrogênio.  Tais sistemas já estão sendo utilizados em veículos automotores mais eficientes e sem emissão de poluentes quanto em imóveis que, assim, podem se tornar independentes da rede de distribuição de energia).  Alemanha, EUA, Austrália – são apenas alguns exemplos.

Nos EUA, o Ministério dos Transportes tem mesmo um Programa Nacional de Células de Combustível para Ônibus – uma parceria entre o governo e a iniciativa privada para aperfeiçoar e disseminar o uso desse tipo de tecnologia.

Lá, os primeiros protótipos de ônibus híbridos utilizando células de combustíveis entraram em circulação em 1991.  Desde então, um único fabricante, Ballard, colocou em circulação veículos de transporte público com esse tipo de tecnologia.  Há alguns anos, essa empresa associou-se à canadense New Flyer num projeto de demonstração com o apoio da Autoridade de Trânsito da Província de British Columbia.  Juntas, colocaram em circulação uma frota de 20 ônibus movidos a células de combustível que entraram em circulação em 2009 e até 2014 rodaram cerca de 4 milhões de quilômetros.

Esse é apenas um entre muitos exemplos do que está acontecendo nesses países e em outros.  Emissões zero.

Recentemente, em outubro de 2014, um consórcio de 150 empresas anunciou que recebeu autorização da Autoridade Federal de Trânsito dos EUA (vale visitar a página dessa agência governamental para ver como opera) para desenvolver um ônibus sem nenhuma emissão de poluentes.   Um primeiro ônibus com 20 metros de comprimento e um sistema de propulsão apoiado numa nova geração de células de combustível deverá entrar em operação já em meados de 2015.  O objetivo do projeto é aumentar a durabilidade e reduzir os custos desses ônibus de maneira a assegurar avanços na direção do transporte automotivo de massas com poluição zero.  O consórcio – Calstart – é uma organização sem fins lucrativos formado por montadoras e fornecedores de sistemas/componentes para esses veículos.

Um vídeo de 11 minutos ilustra os avanços do uso de células de combustível no transporte público de Colônia, na Alemanha.  Programas semelhantes avançam rapidamente nos países sérios

Células de combustível já estão sendo utilizadas também para a geração descentralizada de energia, em níveis de eficiência que já são superiores aos da eletricidade de origem fotovoltaica no que se refere à conversão da fonte de energia primária – que pode ser gás natural ou a luz solar – para energia elétrica ou mecânica.  Com elas, ampliam-se em muito as garantias de segurança energética e para a redução da emissão de poluentes.

É fascinante a persistência desses países no desenvolvimento e na aplicação e na disseminação de células de combustível – que requer da formação de bons cientistas à aplicação de seus conhecimentos em tecnologia e, depois, na produção em escala para alcançar preços compatíveis com as possibilidades do mercado e dos sistemas concorrentes.

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Entre tantos outros, aí está um bom exemplo de como o Brasil caminha de maneira acelerada em direção ao subdesenvolvimento (já que o desenvolvimento é sempre relativo).   O país anda à matroca, à toa, sem rumos além de uma hipotética salvação através da ampliação do consumo – na esmagadora maioria de bens importados ou com elevados conteúdo de componentes e sistemas importados.    Não se gera – e até se despreza – o conhecimento.  Logo estará pagando royalties e importando os principais componentes – além da embalagem – para uso dessas novas tecnologias.

Enquanto isso, alguns falam em “sustentabilidade” sem terem os necessários elementos para explicar em que consiste essa proposta?  Um retorno ao estilo de vida de Xapuri nos anos 50?  A mera coleta seletiva e reprocessamento de latinhas de alumínio, vidro e papel (desconsiderados os custos da tal “logística reversa” nesses casos)?  O combate ao “consumismo” (ainda que as ONGs ambientalistas também usem laptops e sistemas de comunicação de última geração)?

Papo-furado, ar quente.  Não há futuro nas propostas de “fuga para o passado”, ainda que o mito do eterno retorno (às origens) tenha estado sempre presente na história da humanidade.

As diretorias de sustentabilidade das grandes corporações multinacionais e todo o pensamento sobre científico sobre meio ambiente nos países avançados já deixaram de lado a sustentabilidade – considerado um conceito obsoleto – e a substituiram pela ideia de resiliência, mirando a capacidade de adaptar-se a realidades totalmente novas que já estão delineadas para um futuro bem próximo.

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O Rio de Janeiro, cujo prefeito no momento “preside” uma organização de municípios voltada para a eficiência energética e para a redução das emissões de gases causadores das mudanças climáticas, não conseguiu colocar nem ônibus híbridos já fábricados no Brasil como parte dos milionários investimentos em BRTs.