Sistemas de Estocagem de Energia em Grande Escala – Avanços Decisivos para Solar e Eólica

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Reduz-se rapidamente um dos principais obstáculos à disseminação ainda maior das fontes de energias renováveis tais como eólica e solar: a estocagem de energia em escala comercial nos horários em que a oferta é maior do que a demanda.  Atualmente, uma parte dessa energia é simplesmente desperdiçada.

O mais recente notícia nessa área foi o anúncio feito pelo grupo Alevo de que implantará uma fábrica de “bancos de baterias” do tamanho de conteineres com capacidade unitária de estocar 2 MW de eletricidade.  O grupo não entra em detalhes sobre a composição química de sua baterias mas assegura que sua nova fábrica será capaz de produzir 480 bancos de baterias desse tipo por ano a partir de meados de 2015.

Ainda sob o impacto desse anúncio, o mercado vem se ampliando rapidamente.  Num relatório publicado recentemente, a empresa Navigant Research estima que os novos sistemas de estocagem de energia  totalizaram 362,8 MW só no ano fiscal 2013-2014, com 103,3 MW na América do Norte, 100,5 MW na Ásia e no Pacífico, e 91,1 MW na Europa Ocidental.  A distribuição regional dos novos projetos pode ser vista na página 3 do Sumário Executivo do relatório da Navigant (que cobra caro por seus relatórios completos).

O assunto não se esgota nesse relatório.  Recentemente, criou-se a Aliança Global de Estocagem de Energia, fundada por organizações semelhantes existentes nos EUA, na Alemanha, na China, na Índia e na Califórnia (com participação individual, além da nacional), além da Aliança para Eletrificação Rural dos EUA.  Grandes avanços científicos e tecnológicos para a disseminação das energias limpas como, também, vê nessa área um conjunto de oportunidades de negócios.

Segundo outras fontes confiáveis de informação, a capacidade dos variados sistemas de estocagem de energia crescerá para 6 GW por ano em 2017, atingindo 40 GW por ano em 2022.

Segundo a Base de Dados Global de Estocagem de Energia do Departamento de Energia dos EUA, 104 projetos desse tipo encontram-se em fase de planejamento ou de implantação, além de 158 outros em diversos países.

A forma mais antiga de estocagem de energia é o retorno da água das grandes hidrelétricas através de bombeamento, mas na maioria dos países avançados essa alternativa já se encontra praticamente esgotada (o que será do Brasil?).

Agora, o que está em questão são as novas tecnologias, que não se limitam às baterias “gigantes” e com novos materiais, maior ciclo de vida e menor tempo de recarga.  A compressão do ar durante os períodos em que há excesso de geração em relação à demanda para posterior liberação e movimentação de turbinas nos horários em que aumenta a demanda, líquidos especiais com alto teor de sal aquecidos para gerar eletricidade através de trocadores de calor e outras tecnologias vêm sendo testadas de maneira a reduzir o desperdício e ampliar a utilização da energia gerada por usinas eólicas e solares.

Na Califórnia, uma lei estadual determinou que as três maiores concessionárias incorporem uma capacidade de estocagem de 1,3 GW até 2020.  No Arizona, o projeto Solana de estocagem de energia solar já permite que a eletricidade continue a alimentar as redes de transmissão e distribuição durante seis horas após o pôr do sol.

E no Brasil, onde estamos para aumentar a eficiência e reduzir os preços da geração de energia solar e eólica?

Vale esperar, pelo menos, que no futuro próximo não apareçam ec0-fascistas e “esquerdistas” dizendo que “o capitalismo é ganancioso” por deter novas tecnologias que os cidadãos das economias periféricas desejam ou mesmo necessitam.  Ganância de conhecimento e da capacidade de fazer acontecer é algo muito bom!

 

 

Agência Nacional de Águas – ANA: a Mentira e a Fragmentação das Informações – II

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Uma das formas de mentir é fragmentar a informação de maneira a que se evite a compreensão ou sequer a percepção do conjunto de uma situação qualquer.

Desta vez, a mentira foi tentar evitar os problemas da seca – cuja responsabilidade foi atribuída pela “tal da ANA” à má gestão do governo de São Paulo – fosse percebidos em sua totalidade.  Assim, a “tal da ANA” – presidida por um sindicalista que do assunto só entende a oportunidade eleitoral – deixou parte fundamental do problema maior por conta do Operador Nacional do Sistema – ONS (que a esmagadora maioria da população não conhece mesmo, e sequer usa a palavra “água”: o nível crítico de muitos reservatórios, que pode comprometer não apenas o abastecimento humano como também a geração de eletricidade, levando a um “apagão” como ocorreu no passado.

E aí, “dona ANA”. de quem seria a responsabilidade, por exemplo, se a Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes tiver que ser desligada?  De Furnas, do Operador Nacional do Sistema, do governo federal ou da própria ANA?

E os níveis baixíssimos ou críticos de algumas usinas do rio São Francisco, assunto sobre o qual a grande imprensa governista (O Globo e Folha de São Paulo) tem silenciado, é de responsabilidade de quem?   O fato do reservatório da Usina de Três Marias, cuja capacidade de geração corresponde a 31% da região nordeste, estar com apenas 3,37% de sua capacidade será levado à conta de um partido político, “dona ANA”?

Diante de um quadro de extremos climáticos que já ocorre no mundo inteiro, o Brasil se preparou muito mal no que se refere à segurança energética, em particular micro-geração distribuída com tecnologias que vâo da energia solar fotovoltaica às células de combustível.  E a responsabilidade principal é do governo federal, via ANEEL, que só recentemente permitiu a alimentação de redes de baixa e média tensão com eletricidade gerada com o uso dessas tecnologias, sem estabelecer regras e procedimentos administrativos claros, ou seja, deixando o micro-gerador refém das concessionárias.

“Dona Ana” – pede para sair!

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Essa parcialidade eleitoreira de um órgão que deveria ser exclusivamente técnico não exime os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro de responsabilidades, a maior delas sendo deixar a questão da meteorologia e das abordagens inovadoras para o uso eficiente da água por conta das concessionárias estaduais retrógradas, pesadas, habituadas apenas à mesmice.

 

 

 

 

 

Agência Nacional de Águas – ANA – Símbolo Maior de Inércia na Gestão de Águas e Uso Eleitoral do Órgão Público

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O obscuro sindicalista Vicente Andreu tornou-se presidente da abúlica Agência Nacional de Água – ANA apenas em função de indicações partidárias.  Compadrio 10, qualificações zero!

Agora, às vésperas das eleições para a presidência da república, ele resolveu fazer uso de seu cargo para tentar atribuir ao governo de São Paulo a responsabilidade por uma seca que coloca o abastecimento público de água em grave risco – com iguais riscos para a ordem social e econômica.  Alguns, como ele, acreditam que o cargo lhes dá dignidade e não que lhe caberia dar dignidade ao cargo.  Tecnicamente inerte e à frente de uma agência abúlica, o “presidente” da ANA criticou a gestão do “sistema Cantareira” pelo governo estadual de São Paulo.  Leu alguns números pinçados por seus assessores e mais não disse, até porque mais não sabe.

Não sabe, por exemplo, explicar o que fez a ANA quando os níveis dos reservatórios desse sistema começaram a cair, isto é, se sob a sua “liderança” a ANA cooperou com o governo do estado na elaboração de um plano B, de um plano de contingência para uma situação emergencial, ou se usou de seus conhecimentos para prever o que iria acontecer no caso de uma estiagem mais prolongada.

A gestão da crise pelo governo de São Paulo foi e continua sendo péssima porque conduzida pela concessionária de água e esgoto que, como no Rio, faz apenas o arroz com feijão, muito mal e porcamente: captam água para vender e tentam cobrar atitudes dos consumidores, ainda que seus níveis de perdas técnicas e comerciais sejam elevadíssimos.

Nada de equipes de hidrólogos, engenheiros com visões de alternativas diversas, e ainda menos de meteorologistas.  Afinal, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, que poderia fazer alguma previsão sobre chuvas no médio prazo ou dizer algo sobre a duração da estiagem, ao que parece anda proibido de falar.  E o “cumpanhero” Vicente Andreu não deve sequer saber de sua existência, de suas atribuições, do nome de seu presidente – e assim não conseguirá mostrar uma troca de emails entre ambos ou indicar a ocorrência de um encontro ou telefonema para pedir apoio.  Se não tem política eleitoreira em jogo, não interessa que existam outros órgãos do governo fedearal que deveriam ser ouvidos.

Se o uso da segunda cota do sistema Cantareira pode ser classificada como uma pré-tragédia, a falação vazia do “seu Vicente” e a omissão persistente da ANA em questões de previsão de disponibilidades hídricas e de conservação desse recurso no Brasil não a credencia para fingir que está dando assistência a países caribenhos.  “Seu Vicente” – para quando está previsto o colapso dos primeiros reservatórios responsáveis pela geração de energia elétrica no Brasil se a atual seca se prolongar?  Ou qual foi a assistência prestada aos governos estaduais e à iniciativa privada brasileira no que se refere às restrições à navegação para escoamente de produtos em decorrência desses extremos climáticos?

“Seu Vicente”, o sindicalista, nesse cargo, o senhor não é a “pré-tragédia”, mas a tragédia em marcha.  Afinal, a seca já se estende a várias regiões de Minas Gerais – incluindo as nascentes do rio São Francisco – e logo se ampliará no Rio de Janeiro.  Fora as centenas de municípios do Nordeste com secas que se repetem em ciclos cada vez mais curtos.

Isso para não falar na anemia administrativa aguda da pesada estrutura do tal Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH!

Nenhum deles deve saber – ou prefere ocultar – que a California encontra-se em crise semelhante há três anos, que os cientistas convocados pelo governador desse estado norte-americano para examinar a crise já declararam que eles não sabem quanto tempo ela poderá durar (quem não sabe alguma coisa entre os especialistas como seu Vicente?), que os EUA realizaram em setembro o seu 29º Simpósio Anual Sobre Reuso de Água e a página para o próximo simpósio já está ativa (esses são simpósios nacionais – há, também, os estaduais, os por setor da indústria de mais alto consumo de água e os voltados para os avanços tecnológicos).  Não devem saber, tampouco, talvez por se orgulharem de serem “monoglotas”, que diante dos extremos climáticos simpósios sobre reuso de água estão sendo realizados em muitos países, entre os quais o Vietnam, o Chile, a China e a Índia.

Dilma Pena, presidente da SABESP, já pediu sua exoneração.  Agora é a sua vez, seu Vicente!  Seu Vicente, pede para sair (desse “emprego”)!

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Já é tempo dos governos estaduais e municipais agirem sem ficar esperando pela ANA e por seu Vicente.  Uma rápida articulação para a importação de equipamentos de osmose reversa para purificação de água potável -, para a produção em escala comercial da máquina brasileira que “fabrica água” e outras iniciativas simples podem evitar que os chineses dominem rapidamente esse mercado e acabemos pagando royalties e aumentado o deficit da balança comercial.

Além disso, o que é mesmo que a tal da ANA, MMA, a CETESB e a SABESP fizeram nos últimos anos para melhor conhecer, proteger, e utilizar ou considerar a possibilidade de utilização do Aquífero Guarani num ciclo de extremo climático como o que está castigando algumas das regiões que talvez pudessem ter acesso a essas reservas?

Avanços Tecnológicos na Área de Transportes – Amplia-se Rapidamente a Dependência Tecnológica do Brasil – Não Há “Fuga para o Passado”

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Os países sérios avançam rapidamente no aperfeiçoamento e na disseminação das células de combustível, bem como dos sistemas de estocagem e uso de hidrogênio.  Tais sistemas já estão sendo utilizados em veículos automotores mais eficientes e sem emissão de poluentes quanto em imóveis que, assim, podem se tornar independentes da rede de distribuição de energia).  Alemanha, EUA, Austrália – são apenas alguns exemplos.

Nos EUA, o Ministério dos Transportes tem mesmo um Programa Nacional de Células de Combustível para Ônibus – uma parceria entre o governo e a iniciativa privada para aperfeiçoar e disseminar o uso desse tipo de tecnologia.

Lá, os primeiros protótipos de ônibus híbridos utilizando células de combustíveis entraram em circulação em 1991.  Desde então, um único fabricante, Ballard, colocou em circulação veículos de transporte público com esse tipo de tecnologia.  Há alguns anos, essa empresa associou-se à canadense New Flyer num projeto de demonstração com o apoio da Autoridade de Trânsito da Província de British Columbia.  Juntas, colocaram em circulação uma frota de 20 ônibus movidos a células de combustível que entraram em circulação em 2009 e até 2014 rodaram cerca de 4 milhões de quilômetros.

Esse é apenas um entre muitos exemplos do que está acontecendo nesses países e em outros.  Emissões zero.

Recentemente, em outubro de 2014, um consórcio de 150 empresas anunciou que recebeu autorização da Autoridade Federal de Trânsito dos EUA (vale visitar a página dessa agência governamental para ver como opera) para desenvolver um ônibus sem nenhuma emissão de poluentes.   Um primeiro ônibus com 20 metros de comprimento e um sistema de propulsão apoiado numa nova geração de células de combustível deverá entrar em operação já em meados de 2015.  O objetivo do projeto é aumentar a durabilidade e reduzir os custos desses ônibus de maneira a assegurar avanços na direção do transporte automotivo de massas com poluição zero.  O consórcio – Calstart – é uma organização sem fins lucrativos formado por montadoras e fornecedores de sistemas/componentes para esses veículos.

Um vídeo de 11 minutos ilustra os avanços do uso de células de combustível no transporte público de Colônia, na Alemanha.  Programas semelhantes avançam rapidamente nos países sérios

Células de combustível já estão sendo utilizadas também para a geração descentralizada de energia, em níveis de eficiência que já são superiores aos da eletricidade de origem fotovoltaica no que se refere à conversão da fonte de energia primária – que pode ser gás natural ou a luz solar – para energia elétrica ou mecânica.  Com elas, ampliam-se em muito as garantias de segurança energética e para a redução da emissão de poluentes.

É fascinante a persistência desses países no desenvolvimento e na aplicação e na disseminação de células de combustível – que requer da formação de bons cientistas à aplicação de seus conhecimentos em tecnologia e, depois, na produção em escala para alcançar preços compatíveis com as possibilidades do mercado e dos sistemas concorrentes.

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Entre tantos outros, aí está um bom exemplo de como o Brasil caminha de maneira acelerada em direção ao subdesenvolvimento (já que o desenvolvimento é sempre relativo).   O país anda à matroca, à toa, sem rumos além de uma hipotética salvação através da ampliação do consumo – na esmagadora maioria de bens importados ou com elevados conteúdo de componentes e sistemas importados.    Não se gera – e até se despreza – o conhecimento.  Logo estará pagando royalties e importando os principais componentes – além da embalagem – para uso dessas novas tecnologias.

Enquanto isso, alguns falam em “sustentabilidade” sem terem os necessários elementos para explicar em que consiste essa proposta?  Um retorno ao estilo de vida de Xapuri nos anos 50?  A mera coleta seletiva e reprocessamento de latinhas de alumínio, vidro e papel (desconsiderados os custos da tal “logística reversa” nesses casos)?  O combate ao “consumismo” (ainda que as ONGs ambientalistas também usem laptops e sistemas de comunicação de última geração)?

Papo-furado, ar quente.  Não há futuro nas propostas de “fuga para o passado”, ainda que o mito do eterno retorno (às origens) tenha estado sempre presente na história da humanidade.

As diretorias de sustentabilidade das grandes corporações multinacionais e todo o pensamento sobre científico sobre meio ambiente nos países avançados já deixaram de lado a sustentabilidade – considerado um conceito obsoleto – e a substituiram pela ideia de resiliência, mirando a capacidade de adaptar-se a realidades totalmente novas que já estão delineadas para um futuro bem próximo.

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O Rio de Janeiro, cujo prefeito no momento “preside” uma organização de municípios voltada para a eficiência energética e para a redução das emissões de gases causadores das mudanças climáticas, não conseguiu colocar nem ônibus híbridos já fábricados no Brasil como parte dos milionários investimentos em BRTs.

 

 

 

Greenpeace – Quando o Rabo Sacode o Cachorro

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Novamente, o Greenpeace foi atingido por um escândalo na Europa, não divulgado no Brasil: perdas milionárias com especulação financeira, desta vez no cassino do jogo com taxas cambiais.  No ano fiscal de 2013, o Greenpeace terá acumulado um deficit de cerca de R$ 21 milhões, levantando quuestionamentos sobre a capacidade de gestão financeira da organização.  De fato, os problemas de gestão financeira do Greenpeace já se arrastam há anos.

Comparadas com o seu orçamento anual – algo como R$ 227 milhões -, as perdas recentemente descobertas não parecem ser tão grandes – cerca de R$ 11,6 milhões, ou 5% da receita anual.  Qualquer coisa semelhante resultaria na demissão de executivos de uma empresa séria, mas na sede do Greenpeace em Amsterdam ocorreu apenas a responsabilização de um funcionário de segundo ou terceiro escalão que teria feito previsões erradas sobre oscilações de câmbio.  Ou seja, um bode expiatório.

No entanto, o problema não se limita à persistência da má gestão financeira, mas no tipo de aplicação dos recursos -, isto é, a mera especulação no mercado cambial,  que pode impactar a percepção dos doadores (90% dos quais são pessoas físicas ou considerados pequenos doadores).

Para minimizar os danos à sua imagem, o Greenpeace apressou-se a apresentar o seu pedido de desculpas ao “distinto público” e assegurar que o funcionário responsável pelo “deslize” não teve “interesses pessoais” nas operações financeiras realizadas e que ele havia sido demitido (ainda que as operações desse tipo requeiram o consentimento de diretores) e tentar reassegurar os doadores de que “todos os esforços serão feitos para que algo similar não volte a acontecer no futuro”.  Business as usual.

O Greenpeace tem cerca de 2.000 empregados em 28 escritórios espalhados por diferentes países.

Essas informações inicialmente divulgadas pelo Der Spiegel logo repercutiram nos principais órgãos de imprensa europeus.  Na sequência, o presidente de uma ONG criada para monitorar a qualidade da gestão de outras ONGs – a NGO – Monitor – declarou: “eles pedem transparência, consistência e boa gestão nas ações dos governos, coisas que eles próprios não têm sob muitos aspectos”.

E prosseguiu: “Essas ONGs ainda se vêem como insurgentes contra o establishment,  mas agora elas são o establishment, e devem ser vistas como organizações corporativas sem as estruturas necessárias para administrar organizações desse porte.

O Greenpeace ainda tem a maior parte de seus fundos oriunda de pequenos doadores.  Mas outras organização – como o WWF-US - têm a maior parte de seus fundos oriunda de grandes doadores e de investimentos no mercado financeiro.  O WWF-US tem, hoje, cerca de R$ 60 bilhões de “capital próprio” (lá sob a denominação de endowement, o valor total doado ao longo do tempo).

Uns e outros são casos típicos do rabo sacudindo o cachorro.

ONGs financiadas pelo poder público são comuns no Brasil – não apenas e nem principalmente na área das causas ambientais – merecem auditorias ainda mais atentas.  Não apenas p0rque a mera ideia de organizações não-governamentais sustentadas com dinheiro do governo é um contra-senso, como também  porque é imensa a falta de prestação de contas e os escândalos de corrupção.

A gestão das “compensações ambientais” no Brasil – desde a sua criação, em 2000 -, com arrecadação média de 1% dos valores de todos os investimentos em grandes projetos públicos e privados, é no mínimo altamente questionável tanto em seus aspectos técnicos quanto financeiros.

E isso para não falar das “compensações ambientais” não previstas em lei mas apenas impostas, na prática, como condição para a liberação de licenças.

Ao trabalho!

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Outro bom exemplo do grau de comprometimento de grandes ONGs ambientalistas com os projetos de corporações até mesmo na área do petróleo encontra-se num recente livro de autoria de Naomi Klein intitulado “Isso Muda Tudo: Capitalismo X Clima” (que provavelmente não será publicado no Brasil.   A resenha do livro chama a atenção para algo já muito conhecido: a Nature Conservancy, que já aprontou muitas estrepolias no Brasil, com os seus R$ 15 bilhões em caixa, faz “qualquer negócio por uns dólares a mais” (desde que não perca a clientela e a máscara, é claro).  Naomi Klein cita-a apenas como um de muitos exemplos daquilo que diz ser “o fracasso catastrófico” de algumas organizações ambientais.

 

 

 

 

 

 

 

Solar no Brasil – Engatinha, Mas….. Aprenderá a Andar?

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O Brasil engatinha na energia fotovoltaica, que difundiu-se bastante em outros países.   Aqui, não temos a tecnologia e nem fábricas de paineis solares.  Nada muito diferente do que acontece com a energia eólica.

Em 2013, de maneira um tanto displicente, o governo realizou um leilão para aquisição de energia de diversas fontes renováveis, mas a energia fotovoltaica não teve sequer chances de entrar na disputa seriamente.  A energia eólica conseguiu um preço médio de pouco mais da metade do valor que viabilizaria a energia solar por mega-watt-hora.

Antecipando-se à expectativa de novos leilões, a Tractbel, do grupo francês GDF Suez, em parceria com outras 12 empresas, implantou, na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, a maior usina solar do país até o momento, com capacidade de geração de apenas 3 MW, o suficiente para abastecer não mais do que 2,5 mil residências.  Prevê-se para agosto de 2015 uma central fotovoltaica ainda maior no semi-árido baiano um central fotovoltaica um pouco maior, com capacidade instalada de 4,8 MW.

Apenas para comparação, as quatro maiores centrais fotovoltaicas do mundo têm 290 MW, no Arizona, 250 MW na Califórnia, 210 MW em no estado de Gujarat, na Índia, e 200 MW na China.  Em termos de distribuição percentual por países, em 2013 a Alemanha tinha 27% da capacidade mundial instalada, a China (incluindo Taiwan) 13%, a Itália 12% (os demais países da Europa, excetuados Alemanha e Itália, 19%, os EUA 11%, o Japão 10% e o restante do mundo 8%.

Esses números estão mudando rapidamente, já que Índia e China estão implantando programas muito ambiciosos de energia solar – em grande parte para lidar com a poluição gerada pelas termelétricas a carvão.  Só em 2013, a capacidade instalada de geração fotovoltaica na China ampliou-se em 12.000 MW (muito mais do que a maioria das hidrelétricas brasileiras, cerca de 2/3 da capacidade de Itaipu Binacional).  Sempre é bom lembrar que a Índia, além de colocar satélites em órbita, já colocou um em Marte – ou seja, a diferença tecnológica é devastadora).

Agora, o governo brasileiro marcou para 31 de outubro de 2014, um leilão para aquisição de energia solar fotovoltaica.  Certamente, o governo poderia conceder um prazo maior e exigir que os painéis solares fossem fabricados no Brasil, mas esse tipo de decisão de assegurar a transferência de tecnologia – a prática usual da China à Califórnia, quando se trata de compras governamentais – não consta do contrato elaborado pela ANEEL.  Seria uma boa oportunidade de assegurar a absorção e a disseminação da tecnologia, já que as grandes centrais solares são apenas uma fração do mercado, e painéis mais baratos poderiam ajudar a energizar edificações de todos os tipos com esse essa tecnologia, incluindo as grandes cidades, onde abundam os amplos telhados.

No edital, o governo poderia, também, assegurar que fossem transferidas para o Brasil as melhores tecnologias de fabricação de painéis solares, mais eficientes e com tendências à redução nos custos por unidade de eletricidade gerada (já existem pelo menos 3 gerações de tecnologias para painéis solares), de maneira a que o Brasil não se tornasse um mercado para tecnologias obsoletas ou a caminho de se tornarem obsoletas.

De fato, a possibilidade da micro-geração descentralizada com venda da eletricidade para a rede já existe, mas esse dispositivo do regulamento do mercado de eletricidade ainda não “pegou”.  Sabe-se que na Alemanha, como em outros países, quando o governo decidiu estimular essa fonte de energia cuidou de aspectos econômico-financeiros – como a possibilidade de amortização nos mesmos prazos dados ao financiamento das edificações -, além de incentivos tributários para fortalecer a indústria local.  E, além disso, há necessidade de  treinamento dos instaladores, já que esse custo é bastante significativo na composição do preço final.

Ainda há muito por fazer, e uma grande parcela desse “muito” pode depender dos governos estaduais e até mesmo municipais, com isenções de ICMS (na venda dos painéis e na venda da energia gerada por essa fonte) e de ISS (na instalação).   Estudos recentees mostram que os custos de instalação nos EUA vêm caindo bastante,  mas continuam muito superiores aos da Alemanha.  No Brasil, os vários níveis de governo não gostam muito de isenções tributárias usualmente utilizadas nos países avançados para “criar mercados” para novas tecnologias, talvez porque sequer pensem que tais isenções são concedidas por períodos limitados, ao final dos quais a sua necessidade é reavaliada.

Há que dinamizar o conjunto do mercado e, para isso, os exemplos externos não deveriam ser desconsiderados.  Assim, poderiam ser bastante reduzidos os riscos de “apagões” decorrentes da baixa disponibilidade de água nos reservatórios das hidrelétricas.

Ao trabalho!

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Para os mais interessados, encontra-se disponível um excelente relatório da Agência Internacional de Energia sobre a evolução das tecnologias, tendências e composição de preços da energia fotovoltaica.

 

 

 

 

 

 

 

O preço-teto deve ser divulgado a partir desta semana. “Estamos dispostos a pagar mais caro para desenvolver uma massa crítica em termos de indústria e fornecedores. Assim, à medida que o preço cai, teremos uma estrutura montada”, diz Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), braço de planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME).

 

Neste ano, pela primeira vez, o Plano Decenal de Expansão de Energia, que está em consulta pública, incluiu a energia solar na matriz energética brasileira. A previsão é de que até 2023, a capacidade instalada da energia solar no Brasil saia do zero para 3,5 mil MW, de um total de 195 mil MW. Na Alemanha, país que virou referência na geração de energia renovável, a capacidade já supera, hoje, os 25 mil MW.

Cidades, Eficiência Energética e Mudanças Climáticas – Palavras ao Vento X Ações Concretas

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, conquistou algum espaço na imprensa internacional afirmando, num encontro paralelo ao da ONU sobre mudanças climáticas, em Nova York, que as cidades “deveriam ter mais autonomia” para estabelecer políticas de energia”.

“Os governos nacionais tomam decisões e não consideram o que as cidades estão fazendo (na área de energia e mudanças climáticas)”.

A reportagem publicada pelo The Guardian foi escrita por Fiona Harvey, cuja viagem a Nova York foi paga pela Siemens.

Palavras vazias, ao vento, para transferir responsabilidades.   Nada, absolutamente nada, impede a prefeitura – nenhuma prefeitura brasileira – de, por exemplo, planejar e iniciar num prazo curtíssimo a substituição de todo o seu sistema de iluminação pública por lâmpadas LED, de muito menor consumo de energia e maior durabilidade.  O único obstáculo é a inércia – em particular quando a conta de iluminação pública é incluída no IPTU… daqueles que pagam esse imposto, como um percentual do mesmo, independentemente da qualidade da iluminação pública no trecho em que se situa o imóvel.

Ou de estimular o reúso de água, através do simples cumprimento de regulamentos municipais hoje largamente desconsiderados pelo Executivo do Rio de Janeiro,  como é o caso do Decreto 2.340/2004, que prevê a contenção (para reduzir inundações) e o reúso de água, e da Lei 5279/2011 , que estabelece o Programa de Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações (ambos com impactos sobre o consumo de energia).  Listem-se 10 grandes empreendimentos/edificações – inclusive os da Copa e os orientados para os Jogos Olímpicos – que tenham cumprido com esses dispositivos legais, e já se teria caso flagrante de descumprimento de regulamentos locais básicos, elementares, relacionados à gestão ambiental da cidade.

Da mesma forma, nada impede a prefeitura – qualquer prefeitura – de dotar gradativamente a cidade de pontos de tomada de energia para carros elétricos através de simples alteração das normas de edificação e até retroativamente, no caso dos grandes estacionamentos públicos e muitas outras medidas de estímulo à eficiência energética.  Assim viabilizou-se a disseminação de veículos elétricos em cidades de países sérios geridas por prefeitos que realmente têm visão de futuro e de mudanças climáticas.  Quantos pontos de recarga existem, hoje, no Rio de Janeiro, para a meia dúvida de táxis em teste como “marketing verde” do prefeito?  Quatro?  Além disso, por que “em teste” se tais veiculos – além dos híbridos – já se disseminaram nos países avançados.  Ah – a explicação deve estar em tardia experiência semelhante em curso em Nova York.  Eles só não dizem que já em 2012 haviam, nessa cidade, 8.000 táxis híbridos em circulação (a diferença entre o veículo totalmente elétrico e o híbrido é que o segundo pode circular sem parar para recarregar o banco de baterias, mas as emissões e os níveis de ruídos dos híbridos são muito menores).

Sim, as cidades e os prefeitos podem fazer muito e ainda muito mais quando se dizem “alinhados” com a administração estadual e federal.  Desde que tenham propostas consistentes, é claro!

E tanto é assim que no mesmo encontro foi divulgado um relatório bastante interessante pelo enviado especial da ONU para Cidades e Mudanças Climáticas, o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.  O inteiro teor do relatório encontra-se na parte inferior esquerda do link, em inglês, e supõe-se que o prefeito do Rio de Janeiro não se dará ao trabalho de disponibilizá-lo em português para agilizar o debate na cidade.  O download do relatório também pode ser feito aqui.

Em resumo, o que o relatório enfatiza é que 70% da população mundial viverão em cidades em 2050, 78% das cidades têm controle sobre as emissões urbanas de gases causadores de mudanças climáticas, os prefeitos têm controle sobre os sistemas de transporte, o uso da terra em áreas urbanas e a gestão de resíduos (três áreas-chaves para a questão das mudanças climáticas).  No conteúdo, o relatório enfatiza, também, a necessidade de normas para edificações e reabilitações (retrofit programs) que incluam requisitos que vão da iluminação aos incentivos ao uso de energia fotovoltaica em prédios residenciais e comerciais, a adoção de dispostivos para a eletrificação da frota de veículos (muito diferente do nati-antiquado BRT), a adoção de melhores sistemas de logística para veículos de distribuição de bens e a captura do metando emitido por aterros sanitários.

No caso da cidade do Rio de Janeiro, muitas outras medidas podem ser adotadas, incluindo o estabelecimento de um programa incentivos à adoção de materiais com boas propriedades de isolamento térmico, de maneira a reduzir o consumo de ar condicionado.

Ao contrário do que diz o prefeito Eduardo Paes, o relatório afirma que as autoridades locais têm uma “forte e única influência influência sobre as políticas e medidas acima citadas, ainda quando políticas nacionais possam complementar ou apoiar a ação local.” (página 3, último parágrafo).

Ao trabalho, portanto!

 

Crise e Reuso de Água – A Imprensa Começa a Despertar, as “Autoridades” Prosseguem Letárgicas

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Pela primeira vez, optei por transcrever um reportagem integralmente, por sua excelente qualidade.  Talvez a grande imprensa tenha começado a despertar para a falta de políticas públicas de reúso de água e seu potencial.  Mas certamente os altos escalões do poder público continuam imersos em seu usual entorpecimento, omissos, tentando dar a impressão de que não há um racionamento de fato ou mesmo uma crise, tentando passar a impressão de que a responsabilidade é de São Pedro.  Parabéns à jornalista Heloisa Brenha!

 

Com água de reúso, Grande São Paulo teria mais dois sistemas Cantareira, por Heloisa Brenha, na Folha de São Paulo, (infelizmente) na seção Cotidiano, em lugar da primeira página.

 

Na Grande São Paulo, um estoque de água equivalente a dois sistemas Cantareira, capaz de sanar a crise de abastecimento, é ignorado.

Essa é a visão do professor de engenharia hidráulica da USP Ivanildo Hespanhol sobre os cerca de 60 mil litros de esgoto que calcula serem produzidos na região metropolitana a cada segundo.

Uma das maiores autoridades do país em reúso, ele defende que a técnica seja usada para “reciclar” a água, tornando-a própria. Compartilham dessa perspectiva especialistas como a relatora da ONU para a questão da água, Catarina de Albuquerque, para quem é preciso “olhar o esgoto como recurso”.

Editoria de Arte/Folhapress

No Brasil, a água de reúso não é usada para beber, mas para processos como limpeza de calçadas, irrigação de jardins e na produção industrial.

Ainda falta regulamentar seu emprego no abastecimento, como em cidades inteiras de países como EUA, Austrália e Bélgica –muitas delas misturando a água de reúso com a convencional.

“Temos cinco estações que tratam esgoto em nível inicial. Poderíamos completar o tratamento incluindo mais etapas, capazes de tornar a água potável”, diz o professor, que comanda o Cirra (Centro Internacional de Referência em Reúso de Água), da USP.

Ele afirma que só nessas cinco estações, seria possível obter mais 16 mil litros de água potável por segundo para a Grande São Paulo, o suficiente para abastecer cerca de 4,8 milhões de pessoas.

Segundo o professor, não há estimativas dos custos para implantar o reúso potável na região metropolitana, mas cerca de 2/3 dos gastos referem-se à rede distribuidora –que já existe e poderia incorporar a água “reciclada”.

Ele diz que o custo de produção é mais alto –nos EUA, mil litros de água de reúso potável saem por cerca de US$ 3, mais que o triplo da comum– mas compensa se comparado à construção de sistemas de abastecimento.

Para efeito de comparação, o sistema São Lourenço, uma obra de R$ 2,2 bilhões, que trará água de uma represa a quase 100 km da capital, produzirá 4.700 l/s a partir de 2017.

“A tecnologia do reúso já é avançada o suficiente para produzir água limpa e segura para beber. Há parâmetros para controlar sua qualidade, que pode superar a da água captada dos rios”, diz.

Ele cita o caso da represa Billings (zona sul), de onde são retirados 4.000 litros de água por segundo para abastecer a Grande São Paulo –o suficiente para atender cerca de 1,2 milhão de pessoas.

“A Billings recebe esgoto de uma sequência de rios muito poluídos: Tamanduateí, Tietê e Pinheiros. E sua água já é captada para abastecimento”, afirma.

A Sabesp tem gastos altos para preservar a represa e monitorar a qualidade de sua água. Segundo seu último relatório de sustentabilidade, em 2013, foram R$ 48,4 milhões em um programa envolvendo a Billings e sua vizinha Guarapiranga -onde até há remoção de plantas e lixo.

Segundo Hespanhol, a poluição de cursos d’água pode encarecer o tratamento convencional e gerar um “reúso inconsciente e não planejado” em diversas regiões do país.

Água – Agrava-se a Escassez – Avanços e Mesmices

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A crise de água se estende a outros municípios de São Paulo.  Agora, estendeu-se de maneira acentuada a Bauru, gerando protestos bastante preocupantes.  Já são 13 os municípios de São Paulo em que está sendo feito o racionamento de água, que se estende, até agora, a 142 municípios no país., desde a região nordeste até o Paraná, além de Porto Velho, capital de Rondônia.  Isso tudo diante da quase total abulia das autoridades públicas em todos os níveis, apesar de muitos bons exemplos da iniciativa privada para contornar os problemas gerados pela escassez de água.  O ataso tecnológico do Brasil na área de reuso é evidente, mas não justificativa para a inação, em particular quando o pretexto é usado pela maior empresa estadual de águas do país.

Além disso, municípios podem e devem tomar muitas iniciativas para incentivar a captação de água de chuva – até mesmo para evitar a sobrecarga das redes de drenagem – e o reúso dessas águas e de muitas outras.  Afinal, o que um município como Bauru, que tem quase 100% de coleta de esgotos e todo o sistema na administração direta – Departamento de Água e Esgoto – e onde se pretendem implantar estações de tratamento de esgoto em parceria com a iniciativa privada, está esperando para incentivar o reúso e para projetar as novas ETEs já com previsão de reúso?

De fato, apenas como exemplo, na Califórnia, que já experimentou secas de até 50 anos – mesmo antes dos atuais extremos climáticos -, o pensamento e as iniciativas avançam em todas as frentes, desde avanços tecnológicos (ainda que seja com a redução de custos de tecnologias já disponíveis, para disseminá-las – até a implantação de projetos variados mesmo que “apenas” usando um elevado nível de tratamento de esgotos domésticos para a recarga do lençol freático.

Em abril deste ano, o Centro para Ciências de Bacias Hidrográficas da Universidade da Califórnia coordenou um concorrido encontro intitulado “Cúpula da Seca“, numa excelente interação entre cientistas, pesquisadores e autoridades públicas.

“Nós não podemos fazer chover, mas estamos fazendo todo o possível para responder à seca”, afirmou Barbara Allen-Diaz, vice-presidente da Universidade da California para agricultura e recursos naturais.  Já a SABESP contratou, por duas vezes, uma empresa para “fazer chover“.

Lá, os cientistas já avançaram na direção da paleontoclimatologia – o estudo do clima no passado remoto – e recuaram no tempo por 1.000 anos.  A análise das taxas de crescimento e vida das árvores os permitiu saber que no século XII ocorreu uma seca que durou 50 anos.

Mas não ficam por aí!  Um dos cientistas do Centro de Ciências de Bacias Hidrográficas da Universidade da California declarou, durante a Cúpula da Seca que “não conseguiremos fazer com que a Califórnia seja à prova de secas e para conviver com elas teremos que conviver com elas e aprender a tirar o máximo de cada gota de chuva”.

A gestão das águas subterrâneas está entre as prioridades.  “A Califórnia deve começar a pensar na recarga dos aquíferos subterrâneos durante os anos chuvosos” – afirmou Ruth Langridge, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que está conduzindo estudos sobre a criação de áreas para a recarga desses aquíferos em Sonoma, Monterrey e Santa Cruz.

Na Alemanha, os primeiros sistemas de recarga dos aquíferos subterrâneos começaram a ser projetados logo após a II Guerra Mundial.   Atualmente, já se encontra implantado no município de Orange, na California, um sofisticado sistema desse tipo, conhecido pela sigla GWRS, capaz de abastecer uma população de 600.000 habitantes (para os interessados, vale uma visita à página na internet, clicando sobre a sigla).

A agricultura é a atividade econômica que mais consome água – cerca de 40%, quando considerados os grandes usuários -, mas aí não há mais muito espaço para ganhos de eficiência, já que a maioria dos produtores agrícolas já utilizam sistemas de irrigação por gotejamento.

No Brasil, há muito o que fazer em todas as áreas relacionadas à conservação e ao uso eficiente da água.   O país pode e deve abrir-se mais à experiência internacional e agir em todas as frentes, já que não há uma solução única.

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Para os mais interessados, recomenda-se visitar com regularidade a página da Associação de Reuso de Águ e de sua Fundação de Pesquisa em Reuso da Água.

 

 

 

Mineração – Destruição e Recuperação de Áreas (Muito) Degradadas

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Enquanto o Brasil se dilacera no debate sobre a mineração em terras indígenas – onde estão algumas das maiores reservas de nióbio do planeta, sem qualquer benefício para essa gente -, amplos trechos das últimas áreas até agora intocadas do norte da Finlândia, da Noruega e da Suécia começam a ser alvo da mineração de urânio, ferro, níquel, fósforo e terras-raras de alto valor , cuja demanda mundial cresce rapidamente.  Até a presente data, 349 requerimentos de licenças para mineração nessa região já foram feitos, 243 dos quais na Finlândia, que já definiu as áreas que serão abertas a esse tipo de atividade (correpondendo a 1/8 da área total do país).

Ao que tudo indica, serão inúteis as alegações – justificadas – de grupos conservacionistas de que o licenciamento dessas atividades de mineração colocará em risco rios, lagos e montanhas onde se encontram comunidades nativas que ainda sobrevivem da caça e da pesca, além de serem o habitat natural de grandes mamíferos como o lince, lobos, ursos e wolverines (denominação em inglês para uma família de mamíferos na qual se encontram a lontra, a doninha e o texugo.

As informações são de artigo assinado por John Vidal, editor de meio ambiente do jornal inglês The Guardian.

A Constituição brasileira de 1988 permite a mineração em terras indígenas desde que haja regulamentação pelo Congresso, mas os grupos indigenistas e conservacionistas continuam fazendo um grande esforço para que o Congresso não cumpra a sua função de fazer essa regulamentação, sem consultarem os indios sobre as compensações que possam advir dessa regulamentação (ainda que tenham sempre aplaudido as assim chamadas “compensações ambientais”).

A mineração envolve, sem dúvida, grandes problemas e riscos ambientais.  Mas há exemplos bem sucedidos da devastação provocada pela mineração.  O mais recente deles é a criação de uma região (distrito) de lagos na região de Lusatia, na Alemanha onde a mineração de linhito, um tipo de carvão com alto teor de carbono, iniciou-se em 1844.  Pouco a pouco a mineração se expandiu, até que em 1975 a Alemanha já liderava a produção mundial de carvão e, em poucos anos, 136 pequenas e médias cidades foram totalmente demolidas para continuar ampliando essa mineração na região, com o reassentamento ou a remoção de cerca de 25.000 pessoas.

Os conflitos se intensificaram, já que antes da mineração a região de Lusatia era extremamente pobre.  Com a reunificação da Alemanha, essas minas foram simplesmente fechadas.  Para resolver o problema das imensas cicatrizes por elas deixadas, o governo criou uma unidade especial da administração pública em 1994, e depois de um cuidadoso planejamento iniciou-se o processo de inundação das maiores áreas de escavação.  Até o presente, 24 lagos artificiais foram criados com uma área total de 140 km² que já são utilizados para esportes aquáticos, incluindo a natação (aqui chamada de “recreação de contato primário).  Nesses lagos, mesmo a vida aquática já está reaparecendo, com espécies de peixes se reproduzindo.

Essa mesma autoridade administrativa do governo também trata a água poluída pelas minas, replanta florestas, vende áreas para a implantação de centrais de geração fotovoltaica e eólica, incentiva a agricultura.

A reportagem sobre o tema, publicada pelo mesmo The Guardian inclui algumas imagens bem interessantes sobre o processo de recuperação anda em andamento.

No Brasil, para que se iniciasse a recuperação de uma das maiores áreas degradadas pela mineração de carvão – na região de Criciúma, em Santa Catarina – foi necessária a longa tramitação e o julgamento final de uma Ação Civil Pública – ACP.  Mas alguns resultados já se fazem sentir e o acesso às informações ou a imagens pode ser obtido utilizando as palavras “ACP mineração Criciuma”.  Além disso, a sentença original da Justiça Federal também encontra-se disponível para download.