O Rio Feio – A Grande Gambiarra Urbana

O Rio de Janeiro tem o céu mais bonito do mundo! Esse foi o resultado de uma pesquisa feita ao longo de anos, em cidades de muitos países, com base na percepção que os residentes e visitantes têm de várias características do céu – cor, luminosidade, transparência.

Agora, fica uma pergunta: quem enfeia mais a vista que o carioca pode ter do céu da cidade? A Light ou a Rio Luz?

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A foto acima foi tirada na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, um bairro considerado “nobre” e certamente um dos mais modernos da cidade! Ela não representa uma exceção, mais uma regra! Mesmo no canteiro central, onde a fiação dos postes de iluminação é subterrânea, há um sem número de postes abandonados, com ou sem transformadores, em muitos casos com a fiação dependurada que evidencia ser tudo uma grande gambiarra.

Para não falar no fato de que o canteiro central e mesmo os terrenos privados onde não há construções se enchem de gigantescos luminosos que fazem os motoristas se sentirem “abduzidos” pela publicidade que os distrai e talvez aumente o número de acidentes. Há, certamente, mais luminosos de publicidade do que sinalização de trânsito.

A sujeira da Light e/ou da Rio Luz – a Companhia Municipal de Energia e Iluminação – não termina aí! Vai até as calçadas, como se pode ver na foto abaixo. Gambiarra total!

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De uma “instalação elétrica” desse tipo certamente decorrem muitas perdas, seja como conseguência dos famosos gatos – mas aí seriam gatos de ricos – ou dos fios mal conectados, desencapados, ou simplesmente abandonados, por onde a eletricidade se vai numa sangria desatada.

Eles enfeiam a cidade, desperdiçam eletricidade, e depois colocam toda a “culpa” nos gatos das favelas para conseguir melhores reajustes de tarifas na ANEEL. Quem sabe há gatos nas grandes obras de prédios e condomínios ricos, gatos para as imensas e horrorosas publidades luminosas, gatos, gatilhos, e uma infinidade de gambiarras. Pode?

Ah – vale dizer que boa parte dessa “esculhambação” foi feita pela EDF – Elétricite de France, uma estatal francesa que comprou a Light com dinheiro do BNDES durante as privatizações ocorridas na dinastia FHC. Na França, é claro, a EDF não emporcalha a paisagem!

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

7 comentários em “O Rio Feio – A Grande Gambiarra Urbana”

  1. Não pode. Não deve.
    E tá mais que na hora de se cobrar essa beleza de volta. Este é um bom começo… retratar o feio na intenção de transformá-lo em complemento à maravilhosa natureza do Rio.

    Ficou lindo o design do blog, parabéns!

  2. Boa essa descrição de uma parte da imensa bagunça em que se encontra a cidade!
    Acho que seria legal retratar a sujeira e o abandono do Parque Chico Mendes, uma unidade de conservação que parece um lixão. Umas poucas fotos seriam suficientes para mostrar mais essa “vadiagem” da prefeitura.

  3. Uma “coisinha” que também passa despercebida é a quantidade de imensos anúncios luminosos que, sem nenhum critério urbananístico, estético ou qualquer outro de bom senso, empesteiam as nossas vias. Aqui cabe uma perguntinha: o espaço não é público? Em sendo, porque não somos consultados sobre a conveniênncia ou não da instalação dessas aberrações ditas urbanas. Para não fugir muito do assunto em referência, cabe também a constatação das verdadeiras “arapucas” que são as instalaçõeses estruturais e elétricas dessas “coisas”. Gostei do tema. Parabéns.

  4. Com a aquisição da Light pela Cemig (que se diz “a melhor energia do Brasil”), em consórcio com a Andrade Gutierrez e outros, valeria a pergunta: a “melhor energia do Brasil” se presta a ter seu nome vinculado a estas gambiarrras?

  5. Bom dia Luiz,

    Gostaria de parabenizá-lo pelo trabalho e dizer que em obras modernas como o BRT entre a Barra e o Aeroporto deveria dar uma aparência melhor para o rio,e onde se concentra os maiores defeitos e mazelas.

    Vale a pena conferir.

  6. Prezado Sergio,

    Grato!

    Penso que já é um descaso a mera ideia de fazer o BRT até o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro descartando o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos). Não ouve nenhum estudo comparativo de custos e benefícios (custos de investimento e custos operacionais)

    Em visita a qualquer grande capital da Europa é possível ver que a ligação entre os aeroportos internacionais e o Centro das cidades é feita por VLT ou similar, integrando esse tipo de transporte diretamente com os demais (em particular o metrô).

    O BRT Terminal Alvorada-Galeão nunca será utilizado por passageiros de vôos internacionais ou mesmo locais, em particular nos horários de pico, já que a parada em Vicente de Carvalho deixa os ônibus mega-lotados, para não falar na inexistência de um espaço para a colocação de bagagens.

    Isso para não falar no fato de que no Terminal Alvorada é proibida a entrada de veículos particulares e de táxis, até mesmo para deixar ou apanhar passageiros. Como faz alguém com bagagem, até mesmo uma carry-on mais avantajada? Sobe e desce aquela passarela absurda que deixa as pessoas em locais onde a parada – ainda que para carregar e descarregar essa bagagem – é difícil e perigosa?

    E aí, passageiro de um vôo internacional vai do Aeroporto até o Terminal Alvorada e lá pega um… õnibus camum para ir para a Zona Sul?

    O BRT foi o projeto das empresas de ônibus, ao menos no caso da conexão Aeroporto – algum lugar da cidade!

  7. De meu ponto de vista, a aquisição da Light pela CEMIG em consórcio com empreiteiras foi uma “estrepolia”, com grande prejuízo para o Rio de Janeiro. Aliás, dar concessões de serviços públicos a empreiteiras já é, em si, um absurdo, nunca ocorreria num país minimamente sério. Mas o maior prejuízo foi a inclusão da conta de iluminação pública no IPTU (de quem paga IPTU), porque aí não há clareza sobre quanto se está gastando de energia e quanto se está perdendo com gatos, e nenhum interesse em aumento da eficiência na iluminação pública (São Paulo e Belo Horizonte já avançam rapidamente na substituição por LED na iluminação pública), investimentos dissipados e sem planejamento na área de redução de perdas técnicas e comerciais.

O que você pensa a respeito?