“A Amazônia inteira quer derrubar a floresta. Principalmente o pessoal que vive lá mesmo. O único jeito seria diminuir a população. Não existe desenvolvimento sustentável. É uma besteira completa. Enquanto a população crescer, você não vai negar comida. Enquanto tiver gente e gente fazendo mais gente, como você vai comer sem plantar, sem matar os bichos que estão por lá?”
“A equipe dessa ministra é muito ruim. Você conhece o Capobianco (secretário-geral do Ministério do Meio Ambiente)? É o pior que tem. Agora ele inventou essa história de gestão do patrimônio genético.”
Enfim, um renomado cientista brasileiro disse a verdade no que se refere à Amazônia.
Primeiro, que o declínio ambiental decorre das atividades humanas, e não há como evitar a humanidade. Evidentemente, não existiria problema ambiental sem a excessiva população do planeta. A Terra é, hoje, um ecossistema humano. Ninguém vai salvar um calango, ainda que seja o último da espécie, diante de uma criança com fome. E ninguém vai preservar nada enquanto houver necessidade de mais mineração, mais espaço para habitação. Em breve as unidades de conservação se assemelharão aos museus.
Evidentemente, os esforços de proteção dos recursos hídricos são fundamentais, da mesma forma que o contingenciamento da pesca ocêanica e outras iniciativas destinadas a encontrar soluções, mesmo quando representem apenas um adiamento de uma crise mais profunda. Mas desenvolvimento sustentável não passa de um jogo de palavras para os países que buscam o crescimento econômico puro e simples. A proposta pode até funcionar em países muito ricos, com a população já estabilizada, e que sabem que a tal da globalização só existe para para proteger os interesses deles. Ah, essa tão decantada globalização, que permite o fluxo de capitais mas não o de trabalho, de gente.
Paulo Vanzolini, numa entrevista à imprensa, disse a verdade nua e crua: os assim chamados povos da floresta, bem como “o pessoal que vive lá”, na Amazônia, quer mesmo é derrubar a floresta. A imprensa até enfatizou uma expressão brincalhona do cientista: “há que fechar a Amazônia e perder a chave”. Bricalhona simplesmente porque impossível.
Dentro dessa perspectiva, as leis feitas em Brasília perdem a legitimidade. Ninguém pergunta aos cidadãos que vivem na região ou nas várias micro-regiões o que exatamente eles querem. Alguém já chegou lá com um projeto consistente do tal desenvolvimento sustentável? “Olha, se vocês protegerem as árvores nessa região, vocês terão uma renda mensal que lhe permitirá desfrutar de todo o conforto da civilização e poderão consumir todo esse lixo que ela nos enfia goela abaixo cotidianamente” – seria a única proposta aceitável.
A repressão policial do corte ilegal de madeira tem apenas o valor de espetáculo para a imprensa. E serve como tática diversionista, para evita que se torne visível a total falta de políticas ambientais sérias em todas as outros áreas da gestão ambiental.
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Paulo Vanzolini é médico, doutorado em zoologia pela Universidade de Harvard, e autor da “teoria dos refúgios”, baseado em trabalhos conjuntos com o igualmente renomado geomorfologista Aziz Ab’ Saber. Em suas expedições pela Amazônia, Paulo Vanzolini descreveu como extremos de temperatura liquidam toda uma formação vegetal, criando vazios no meio da mata densa. Paulo Vanzolini é também sambista e autor de músicas famosas, entre as quais Ronda.
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Nunca é demais relembrar que 70% das florestas amazônicas são de propriedade do governo, que prefere não divulgar quais as taxas de desmatamento especificas nas terras sob o seu domínio.

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