George W. Bush e a Nova Onda Armamentista Nuclear

Depois de abrir um rombo nas contas do país e levar o dólar norte-americano a fazer água pelos quatro costados, a administração George W. Bush decidiu lançar um plano de modernização do arsenal nuclear dos EUA.  E tudo isso com a máscara de aumentar a segurança.  A proposta ainda esbarra na obrigatoriedade legal de apresentar um… estudo de impacto ambiental.

Vale conter as risadas… mas não a repulsa causada pela iniciativa.  Em janeiro de 2008 a Administração da Segurança Nacional do Departamento de Energia do governo norte-americano, encarregada de implementar o programa, publicou uma minuta para comentários do Estudo Programático Suplementar de Impacto Ambiental das Trnasformações Complexas.  Com esse nome de fantasia, não é difícil de entender que uma primeira versão, publicada em 2006, tenha passado desapercebida do grande público.

Agora, com a nova versão, a verdade começa a aparecer: trata-se de expandir a potência nuclear dos EUA, bem como de restabelecer a infra-estrutura necessária à pesquisa, ao desenvolvimento e à fabricação de novas armas nucleares.

Visitando a página do Departamento de Energia na internet é dificil até mesmo acreditar que as intenções sejam outras que não o oposto, isto é, a redução da capacidade nuclear.  O alerta foi divulgado por uma associação de cientistas e cidadãos preocupados com as questões ambientais – www.ucsusa.org – e pode ser encontrado na área da página na internet que convida todos a agirem, clicando no ícone Take Action, na parte superior direita da página.

O documento completo, colocado na internet em dezembro, está disponível em www.eh.doe.gov/nepa/docs/deis/deis0236S4/index.htm.  Essa versão para comentarios do estudo de impacto ambiental foi divulgado no mês do Natal e o  alerta da Union of Concerned Scientists foi distribuído hoje, dois dias antes da Páscoa, através de mala direta.  Ou seja, em ambos os casos às vésperas de datas supremas da cristandade, datas que enfatizam a paz na Terra aos seres humanos de boa vontade.

Talvez, na visão da Casa Branca, a nova onda armamentista unilateral seja interpretada como medidas de adaptação às mudanças climáticas…

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Dizem alguns que George W. Bush integra uma ala radical religiosa que acredita que o mundo terá que passar por um grande colapso para renascer só com os bons.  Nesse caso, os bons são eles mesmos, e os escolhidos por eles, que têm linha direta com Deus.

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Há que admitir que lá, ao menos, o estudo de impacto ambiental é obrigatório até para essas iniciativas militaristas, desde que envolvam a geração de resíduos nucleares.  Aqui, a repotencialização de uma das usinas nucleares passou em brancas nuvens – ao contrário do que aconteceu com Diablo Canyon, na Califórnia – e se bobear Angra III  saí no tapa.   Afinal, até hoje o Brasil  não tem uma destinação minimamente segura para os rejeitos de usinas nucleares e a única rota de evacuação para casos de acidentes em Angra I e II, a Rio-Santos, continua sendo parcialmente interditada em decorrência de deslizamentos de terra a cada estação de chuvas ou chuviscos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?