Carl Sagan – Sobre a Relevância da Humanidade

Conta-se que em recente encontro internacional de Física, Stephen Hawkins teria feito uma curta intervenção durante uma sessão sobre mudanças climáticas: “Não há razões para tanta aflicão.  Afinal, é só a espécie humana que está em risco.”  Do ponto de vista de um físico renomado, incansável em sua luta contra doença – ou seja, um homem cheio de esperança -, essa observação parece apenas natural.  De fato, para as ciências exatas, o ser humano não é o centro da criação e não desempenha qualquer papel especial no universo, como ocorre em boa parte das religiões.

Num outro recanto do planeta, o Brasil, um país no qual o presidente parece cada vez mais desnorteado no autismo da continuidade do poder, Blairo Maggi, odiado pelas seitas ambientalistas por ser um hábil representante dos grandes produtores de soja, torna-se o primeiro governador a enviar para a Assembléia Legislativa do Estado (de Mato Grosso) um projeto de zoneamento ecológico-econômico que amplia as áreas protegidas e desagrada de forma contundente a sua base de apoio.  Talvez o tenha feito para demonstrar que um projeto desse tipo não passa em lugar nenhum do Brasil.  Dias depois, Blairo Maggi diz com todas as letras o que os mais rigorosos especialistas já sabem há décadas: não é possível alimentar as pessoas sem desmatamento.

Mudando de hemisfério, na Califórnia, que é quase um país, já que se encontra usualmente pelo menos uma década à frente do restante dos EUA, a coisa toma o mesmo rumo.  Um comissão multidisciplinar de altíssimo nível formada para debater os graves problemas ambientais do estado – denominada Visão do Delta (Delta Vision) escolhe um cientista para apresentar o primeiro relatório dos estudos que incluem investimentos de bilhões de dólares para assegurar o abastecimento de água, a navegabilidade dos rios e canais, a proteção dos diques feitos desde o início do século XX para “ganhar terras agrícolas”.  Questionado por um “ambientalista” sobre a sobrevivência de uma espécie de peixe sem valor comercial, o cientista responde com um frase seca: “estamos, aqui, tratando da sobrevivência de um ecossistema humano“.

Afinal, a espécie humana é compatível com a proteção da biodiversidade?  Se considerarmos casos particulares, como os gorilas, sim.  No geral, em nenhuma hipótese.  Dado o crescimento populacional e o afã de governos e corporações imersas em “responsabilidades sociais e ambientais” objetivando a incorporação de 1, 2, 3 bilhões de novos consumidores ao mercado da mesmice, não existe qualquer chance de se alcançar um desenvolvimento sustentável em escala global.  Mudar os padrões de consumo?  Bom, é melhor deixar esse assunto de lado.

No YouTube, pode-se encontrar um pequeno filme narrado pela voz de Carl Sagan, um dos mais renomados astrônomos de nossa era.  O vídeo foi feito ao contrário, buscando encaixar as últimas palestras, já que Carl Sagan faleceu em 1995.

Vale dedicar uns 5 ou 6 minutos para vë-lo em http://www.youtube.com/watch?v=EjpSa7umAd8&eurl.

A astronomia é um ciência que nos dá a dimensão de nossa verdadeira importância.

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Uma coisa é mais do que certa.  O último estadista a colocar forte ênfase no controle do crescimento demográfico foi Mao-Tsé-Tung.  Por que será que não se toca mais nesse assunto, tão fundamental para as dimensões da inevitável crise em escala planetária?

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Vale, também, saber um pouco sobre a grandeza – amplitude e profundidade -, bem como sobre os notáveis esforços de Carl Sagan para acender uma vela na escuridão em que vive a humanidade em http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Carl Sagan – Sobre a Relevância da Humanidade”

  1. Brilhante, como sempre, este novo artigo.
    Porque mostra a diferença entre uma legítima preocupação com meio-ambiente, biodiversidade e sustentabilidade e o populismo das metas inalcançáveis porque irreais.
    E ainda ilustra com um filminho muito a propósito, do nosso notável pensador-cientista que, bem produzido, é um agradável caminho visual de promoção da humildade , condição de qualquer ética eficaz, para esta espécie que é a nossa onde modéstia não é examente uma característica muito presente…
    Parabéns!

O que você pensa a respeito?