A semana que passou foi de notícias sombrias. Reúne-se o Grupo dos 8 países mais ricos nesta segunda-feira em Hokaido, no Japão, para discutir mudanças climáticas e crise de alimentos, entre outras coisas. A imprensa e o público em geral não parecem ter qualquer expectativa de que alguma decisão minimamente séria sobre saia de mais esta reunião sobre temas que já parecem desgastados. Nos países sérios, o blá-blá-blá sobre desenvolvimento sustentável já foi substituido pela pela formulação de políticas de adaptação às mudanças climáticas e de garantia da segurança alimentar de suas populações. Os demais, que se virem.
O presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, informou que a humanidade tem apenas sete anos – até 2015 – para estabilizar a emissão de gases causadores de mudanças climáticas. Ou seja, para que a emissão desses gases pare de aumentar, o que significa que cesse o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e da aviação comercial, e também que os países muito ricos mudem de atitude (há exceções honrosas, como a Alemanha). A inércia do sistema econômico, político e social é de tal ordem que não há a mais vaga possibilidade de que essa estabilização das emissões ocorra.
Pachauri ressaltou que as mudanças climáticas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que a prevista pelos cientistas até recentemente, e ressaltou algo também noticiado pela imprensa nos dias anteriores: pela primeira vez na história da humanidade é provável que o Ártico fique sem gelo neste verão. E ainda que isso não aconteça totalmente, o gelo que lá estará será de formação recente, e não aquele formado ao longo de centenas ou milhares de anos, como ocorria até recentemente.
Na mesma semana, o governo da Inglaterra admitiu que a contribuição do país para as mudanças climáticas é bem maior do que antes de afirmava. O documento com a informação de que as emissões da Inglaterra são 37% maiores do que antes se afirmava, recebeu um título calhorda que não revela o seu conteúdo: Desenvolvimento de Indicadores de Emissões Ocultas de Carbono. O governo inglês havia informado até o momento que as emissões do país tinham sido reduzidas em 5% – comparadas com as emissões de 1990. O novo documento mostra que, na verdade, elas subiram 18%. A diferença se deve ao fato de que até agora não se contabilizavam as emissões inglesas decorrentes da aviação e do transporte marítimo internacional, e nem as emissões decorrentes da produção de bens produzidos em outros países e consumidos pela Inglaterra. Esse é um novo conceito que merece análise mais aprofundada.
O cinismo e a mentira dominam o cenário político da Inglaterra, quando isso é de interesse do poder. Nada muito diferente do que acontece em outros países.
Na mesma semana, o pesquisador George Monbiot (www.monbiot.com) publicou no The Guardian um artigo com uma proposta radicalmente inovadora sobre as formas de contabilizar e responsabilizar os países por suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas: cada país deve ter a mesma cota de emissão per capita. Se os países em desenvolvimento adotarem esse conceito, as possibilidades de um consenso planetário cairão a zero. E abaixo de zero se as emissões oriundas de produtos de exportação forem levadas à conta dos países importadores, muito mais ricos e que consomem muito mais.
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O fim da era do petróleo está mais próximo do que se pensa. Uma pesquisa com grande número de especialistas da área de petróleo publicada pela revista New Scientist concluiu que a maioria acredita que a produção desse combustível fóssil atingirá o seu pico máximo em 2010.
Todo o lero-lero em torno do petróleo de águas profundas pode resultar em muito pouco ou nada, em decorrência de um simples balanço energético: se a extração de cada barril desse petróleo consumir a energia de um barril de petróleo, ou pouco mais, ou pouco menos, a economia não poderá girar na base de trocar 6 por meia dúzia. Já se sabe que a extração de petróleo das areias xistosas no Canadá tem um balanço energético precário: consome a energia de 1 barril para extrair 2 barris.
Ainda assim os tolos tentam atribuir a rápida elevação dos preços do petróleo à mera especulação financeira.
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