Políticas Ambientais e Trapaças Globais

De que valem os tratados internacionais? Para proteger os interesses dos mais ricos!

Agora, o escândalo ocorre na aplicação dos tratados destinados à proteção dos estoques pesqueiros do planeta. Cientistas da Universidade de British Columbia denunciam o fato de, ao longo dos últimos 50 anos, as estatísticas da FAO subestimaram amplamente os verdadeiros volumes capturados. Há sérios indicadores de que esses volumes são três vezes superiores àqueles reportados.

Essa distorção nas estatísticas se deve ao fato de que são contabilizadas apenas as pescas comerciais – o que é bem mais confortável para os bem pagos e bem sentados burocratas dos organismos internacionais.

Com essa preguiçosa prática de coletar apenas números oficiais para fazer estatísticas, o panorama se agrave muito, em especial porque fica evidente que a trapaça é geral: alguns países pobres que reportam volumes de pesca muito inferiores aos reais vendem as suas cotas – estabelecidas em tratados internacionais –  para os países ricos.

Nas palavras de um dos cientistas da equipe liderada pela Universidade de British Columbia, Daniel Pauly, essa é a antítese da parábola de Robin Hood, já que as omissões da FAO possibilitam que se roube dos pobres para dar aos ricos.

Mas, afinal, não foi sempre assim?

O relatório da Universidade de British Columbia pode ser encontrado em www.seaaroundus.org.
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A Agência Espacial Européia alerta para o fato de que é iminente o desprendimento de uma placa de gelo do Ártico com cerca de 14.500 quilômetros quadrados. Essa área da calota polar é equivalente à área do desmatamento ocorrido na Amazônia em 2007.

Os cientistas da Agência Espacial Européia esperavam que essa placa de gelo ao sul da península do Ártico – conhecida como Wilkins Shelf – só se desprenderia em torno de 2020 e mostraram-se surpresos com o fato de que o seu degelo e “descolamento” tenha se acelerado tanto.

É um gravíssimo sinal da aceleração do aquecimento global, mas é mais confortável para os países ricos e para os Greenpeaces da vida falar apenas da Amazônia.  E o Brasil entra no jogo.

Essa será a oitava gigantesca placa de gelo a entrar em colapso nos últimos anos.  Uma versão animada desse fenômeno pode ser encontrada na página da Agência Espacial Européia, em www.esa.int/esaCP/SEM2U5THKHF_index_0.html.

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A única maneira justa de estabelecer metas para as emissões de gases causadores das mudanças climáticas não é a prevista pelo fracassado Protocolo de Kyoto.  As metas não podem ser por país, o que congelaria a desigualdade entre eles nos níveis de 1990.   Tais metas podem e devem considerar níveis máximos de emissões per capita.

Além disso, as emissões devem ser calculadas com base na produção ou no consumo?  Quem fica com a responsabilidade: os paises produtores ou para os países consumidores?

Para o Brasil, essa questão é crucial, já que há muito as multinacionais transferiram para cá as indústrias intensivas no uso de energia que exportam para lá.

Estabelecer uma referência para as emissões por país em 1990 simplesmente “congela” as desigualdades naquele ano, dada a elevada correlação entre consumo de energia e desenvolvimento econômico.

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O ministro Carlos Minc dá indícios de que não será refém de ONGs de fundo de quintal ou de grifes gringas como foi Marina Silva.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

3 comentários em “Políticas Ambientais e Trapaças Globais”

  1. Luiz Prado, bom dia. Sou ouvinte da Bandnewsfm, e estou sempre ligado nos seus comentários, pois sou muito interessado e preocupado com o meio ambiente. Gostaria que fosse feito um comentário por você a respeito do Canal do Cunha. A Rede Globo fez uma grande reportagem sobre uma parceria com a Petrobras para fazer a dragagem do canal, mas o que posso observar é que até hoje, não tiraram uma pá de lama daquele canal. Se fosse possível pedisse ao Boechat, para que fosse feito uma matéria de jornal cobrando isso dos responsáveis.

    Resposta:

    Assunto já repassado à Band News FM. Grato por sua colaboração.

  2. Os países ricos, que também emitem mais gases causadores de mudanças climáticas, sempre mentiram e sempre mentirão sobre dados e estatísticas ambientais para não nos alarmar, porque as responsabilidades deles são crônicas, não querem mudar os seus padrões de consumo. Se escondem até dados pesqueiros, imagina o resto!

  3. Luis sou ouvinte da Band News, gostaria de instalar um sistema de coleta de agua de chuva no meu condomínio de 09 unidades , colocando duas cisternas de 100 litros enterradas no jardim da frente do prédio . Posso fazer isso, pergunto isso em relação a CEDAE , ou ao estado? Serei multado por estar esgotando essa agua que não pode ser medida para cobrança? Moro na Ilha do Governador, é vantajoso ? O meu custo não é elevado para instalação.

    Grato,

    Vitor

    Vitor,

    Ser vantajoso ou não do ponto de vista $ depende de alguns fatores.
    Primeiro – a conta minima da CEDAE já é tão absurdamente alta que em muitos condomínios mesmo regando jardim e lavando carros o consum premanece dentro do valor dessa conta.
    Se ela é ultrapassada, sugiro proucarar a Acqua Brasilis (busque no Google) e mandar as informações para eles (a cisterna voce mesmo pode instalar e eles farão a engenharia e o sistema de coleta).
    \Com um prédio já construído, o custo para o reuso dessa água para vasos sanitários seria elevado, já que implicaria em fazer um sistema hidráulico adiconal. Se o uso é para lavar carros e regar jardins, provavelmente é uma instalação fácil e barata – sem dispenar a engenharia.
    Nesse caso, a CEDAE não pode cobrar nenhum adicional, se é que ela tem coleta de esgotos aí onde voce mora – porque é comum a CEDAE cobrar pela coleta inexistente.

O que você pensa a respeito?