Guerreiro do Lixo – Arquitetura Para Um Planeta em Colapso

Ziggurats eram enormes construções feitas de terra (adobe) erguidas desde 3.000 anos AC, ou seja, há cerca de 5.000 anos, originalmente na Suméria, e depois na Assíria e na Babilônia. A Suméria pode ser considerada o berço da civilização humana, ou pelo menos um dos berços da civilização humana, já que ali foram encontrados os mais antigos escritos, em caracteres cuneiformes, e um clássico da literatura mundial, O Épico de Gilgamesh. Gilgamesh tornou-se herói por conduzir o seu povo através das florestas de cedro e estabelecer uma cidade. Já nesse texto se encontram referências ao grande dilúvio, depois incorporado pela Bíblia cristã.

Como ziggurats modernos, o arquiteto Michael Reynolds já no início da década de 70 começou a construir “casas do futuro”, feitas de “lixo”: pneus cheios de terra, latas, garrafas de plástico.

Reynolds deu uma designação genérica ao seu conceito: “Navio-Terra Biotectura”, e as construções aos poucos incorporaram painéis solares e energia geotérmica para assegurar o aquecimento e o resfriamento das casas, além de coleta de água e reciclagem de água da chuva, bem como instalações sanitárias.

Contestado várias vezes pelas associações de arquitetos e pelas leis que estabelecem padrões de arquitetura dos EUA, Michael Reynolds viu diversas de suas construções serem interditadas por não disporem de meras instalações de água quente.

Mas Reynolds prosseguiu seu trabalho.  No início de 2005, foi para a ilha de Nicobar, no oceano Índico, que acabava de ser devastada por um tsunami, na esperança de que a calamidade e a falta de infraestrutura fizessem com que as “sutilezas burocráticas” pudessem ser postas de lado.

Hoje já existem mais de 1.000 “navios-terra” no estado do Novo México, nos EUA.  Centenas de outros “navios-terra” estão sendo construídos nos EUA, na Escócia, na França, na Espanha e até na Sibéria. Em 2007, a cidade de Brigthon, na Inglaterra, concedeu licenças para a construção de 16 “navios terra”.

No momento, Reynolds dedica-se a um projeto denominado Fênix – nome do pássaro que na mitologia grega renasceu das cinzas: uma casa para quatro pessoas capaz de mantê-las vivas “em quaisquer circunstâncias”.

“Em minha opinião, a situação do planeta é tão crítica que temos que fazer tudo o que pudermos” – ele afirma.

Agora, um documentário sobre a sua trajetória e a sua obra já se encontra nos cinemas dos países desenvolvidos: Guerreiro do Lixo. Um trailer do filme pode ser visto em www.garbgewarrior.com, onde também há muitas informações sobre a trajetória e a obra de Mike Reynolds (em inglês).  A página do filme na internet merece uma visita.

A seguir, outros links interesssantes para compreender o assunto:

www.mesopotamia.co.uk/ziggurats/home_set.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Mike_Reynolds_(architect)

http://www.unb.br/fau/pos_graduacao/paranoa/edicao2005/kalunga.pdfhttp

www.unb.br/fau/pos_graduacao/paranoa/edicao2005/adobe.pdf

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?