O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e o Naufrágio do Titanic

A farsa do Protocolo de Kyoto e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, ambos inventados sob o alto patrocínio dos economistas burocratas do Banco Mundial, já vem fazendo água há bastante tempo.  Mas agora toma ares de Titanic colidindo com o iceberg, já que o modelo de desenvolvimento  econômico e os esforços para mitigar as mudanças climáticas entraram em colisão frontal.  Enquanto isso, as ONGs, burocratas de todos os tipos e empresas de consultoria internacional bailam nos salões do Titanic.

Na Alemanha, durante um recente encontro entre representantes do Ministério do Meio  Ambiente e da Autoridade de Comércio de Emissões, de um lado, e empresários, do outro, a cobra fumou e a vaca foi para o brejo.  Os mecanismos de mercado são totalmente inadequados e mesmo inúteis para solucionar os problemas globais.  Os tais mecanismos de mercado servem ao mercado, e o que o mercado quer é produzir mais e gerar mais riqueza.

Os preços das emissões de carbono cobrados pelo governo da Alemanha de maneira a atingir as metas do Protocolo de Kyoto vêm se elevando tanto que os empresários reagiram de forma vigorosa durante o tal encontro: se as regras são essas, mudaremos as nossas atividades para a Ucrânia ou para um outro país onde não existam restrições às emissões de carbono.

Em palavras mais simples, os empresários mandaram o governo e os tais interesses globais da humanidade às favas, como não poderia deixar de ser.  Nos últimos 12 meses, o preço da emissão de cada tonelada de carbono na Bolsa Européia de Energia subiu de 23 para 30 Euros, um aumento de quase 30%.  O impacto direto sobre os preços da energia tornou-se excessivo para as indústrias eletrointensivas.  Um analista do setor estima que no  caso de unidades de geração de energia à carvão mais antigas esse aumento nos preços cobrados pelas emissões é igual ao custo marginal da geração de eletricidade.  Para as modernas usinas a gás, o aumento nos preços do produto final – isto é, a eletricidade – atingirá o percentual de 30%.

“Se a indústria do cimento for gradualmente arrastada ao comércio de permissões de emissões de carbono, as empresas transferirão sua produção para países que não participam do esquema”, afirmou Andreas Kern, presidente da Federação da Indústria do Cimento Alemã.  Se vierem para o Brasil, arrisca serem brindadas com isenções tributárias, empréstimos subsidiados do BNDES, e até com a presença do presidente Lula tirando uma casquinha política do “quem dá mais” que é o Brasil de hoje.  Se pedirem vistos de trabalho aqui, obterão quantos quiserem.  Sem qualquer compromisso da tal responsabilidade social e ambiental, e sem gerar impostos para os seus produtos exportados.

Para que se aponte o dedo no fato mais do que evidente de que o rei está nu, é preciso que a contabilidade das emissões de carbono mude de lado e não seja feita no país onde se dá a emissão, mas no país onde se dá o CONSUMO dos produtos.  Se o governo brasileiro, através do já cambaleante Itamaraty, não tem coragem de defender essa radical mudança conceitual, a China e a Índia o farão, em breve.

Com as atuais regras da União Européia, as emissões globais não ser reduzirão, mas a Europa terá atingido as suas metas e ainda fará cara de boa moça.

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Seria útil se a imprensa mais equipada de bons profissionais comparasse o rigor do licenciamento de Angra III com o rigor de qualquer outra usina nuclear licenciada nos EUA ou em outro país sério nas últimas décadas.  Só assim será possível saber quais as exigências de controle ambiental “monstruosas” de pelúcia e quais os avanços reais.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?