Shenandoah – Exemplo de Parque Nacional – I

Você já passeou por trilhas num parque nacional sem  ter que ser um Indiana Jones, atlético e obtendo a sua comida da produção do filme?  Ou sem ter que ser um alpinista carregando uma mochila com alimentos e equipamentos para dormir? Se nunca o fez, visite Shenandoah, um belíssimo parque nacional no estado de Virginia, não muito longe de Washington, capital dos Estados Unidos.  A idéia de uma trilha ampla e bem cuidada, com se fazia na Idade Média com os caminhos que ligavam um vilarejo ao outro, é quase totalmente desconhecida no Brasil.  A imagem abaixo dá uma idéia de como são as muitas trilhas de Shenandoah – concebidas para assegurar os mais lindos passeios em diversos níveis de dificuldade, inclusive sem nenhuma dificuldade, isto é, para quem quer fazer apenas uma belíssima caminhada no convívio com a natureza, independentemente da idade.  Para percorrê-las, não há necessidade de nenhuma autorização especial e nem de estar acompanhado de um incômodo  guarda-parque ou guia, já que elas são bem definidas e sinalizadas.

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Se você quer fazer um passeio de carro ou de bicicleta com a sua família até chegar a um lugar para repousar, também é possível usar Skyline Drive (em tradução livre, a Estrada da Linha do Céu).  A estrada foi concebida para propiciar a mais ampla visão das paisagens, e assim o seu traçado foi feito pela parte mais alta da montanha (o tal do “topo de morro”, que no Brasil é considerado intocável por razões tão genéricas quanto misteriosas, perdidas nas raízes dos tempos coloniais).  A estrada foi uma das primeiras iniciativas objetivando a implantação do parque.  Uma imagem do mapa distribuido nos pontos de acesso dá bem a noção do percurso e dos diversos acessos, que permitem que que os visitantes cheguem de todas as direções.

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Skyline Drive é o que os norte-americanos (inclusive canadenses) e os europeus denominam uma estrada cênica.  No caso, serpenteando ao longo das montanhas, essas estradas nos parques são perfeitamente asfaltadas e com as pistas de rolamento bem demarcadas, com várias áreas de estacionamento para que os visitantes desfrutem da paisagem num mirante, ou para que possam caminhar numa trilha na qual está claramente indicada a distância entre os locais de saída e de chegada, ou para fazer um picnic com a família e os amigos, ou ainda para simplesmente sentar-se embaixo de uma árvore e ler um livro. 

Se o visitante quiser ficar alguns dias com a sua família dentro do parque, há vários tipos de hospedagem, todas com arquitetura compatível com a natureza e a ocupação histórica da região.  As instalações não se reduzem, assim, a um centro de visitantes, mas são confortáveis e permitem o convívio com o parque em diferente estações e condições do tempo.  Em Shenandoah, como nos parques dos países desenvolvidos em geral, nã0 é necessário “dormir com as galinhas”, sendo possivel conviver com outros visitantes nas salas de estar e restaurantes.

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 Os visitantes podem ter acesso, também, a instalações para comprar alguns gêneros de primeira necessidade, incluindo medicamentos que não requeiram prescrição médica, e até a um posto de gasolina.

O parque foi criado na década de 20, já com a alocação de recursos para a aquisição das terras.  Depois, foi visitado com frequência por Franklin Roosevelt, que gostava de permanecer nele por alguns poucos dias.  Durante a Grande Depressão, Roosevelt alocou os famosos Corpos Civis – criados para dar emprego digno aos desempregados – para trabalhar na abertura e consolidação das estradas, trilhas e outras facilidades para os visitantes do Parque Nacional de Shenandoah.

A página do Parqne Nacional de Shenandoah na internet merece ser visitada em www.nps.gov/shen/, tanto pela linda galeria de fotos históricas e atuais, quanto pelas informações sobre o sistema de planejamento.  A administração é, evidentemente, privada, ainda que o planejamento necessite da aprovação de um conselho de administração, que delibera sobre diretrizes e metas, supervisionando as formas de obtenção e aplicação dos recursos financeiros, bem como todo o conjunto do regulamento do parque.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?