Mudanças Climáticas, "Chaminés de Metano" e Políticas de Adaptação

A essas alturas, falar num ranking mundial de países responsáveis pelas emissões de gases causadores de mudanças climáticas já é coisa do passado.  E o presente está passando cada vez mais rapidamente.  A formulação de políticas de adaptação a essas mudanças é cada vez mais urgente.

Um estudo que será publicado em breve pela Associação Geofísica dos EUA trará as conclusões de uma extensa pesquisa que vem sendo realizado há anos na região do Ártico, indicando que imensos estoques de metano estão sendo liberados de maneira acelerada em decorrência do aquecimento dos oceanos.

O metano tem impactos sobre as mudanças climáticas 20 vezes maiores do que o carbono.  A quantidade total de metano estocada sob o Ártico – estimam os cientistas – é muito maior do que aquela contida no conjunto das reservas mundiais de carvão.

Num correio eletrônico enviado do navio de pesquisas Jacob Smirmitskyi por um dos coordenadores do projeto, o doutor Orjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo, na véspera do término da coleta de dados, ele afirma:

“Uma extensa área de liberação de metano foi encontrada.  Em amostras anteriores, medimos níveis elevados de metano dissolvido.  Ontem, pela primeira vez, documentamos emissões tão intensas que o metano não se dissolvia na água do mar e subia até a superfície sob a forma de bolhas.”

Na década de 90, não houve qualquer detecção desse tipo de anomalia nas muitas expedições realizadas por cientistas da Academia Nacional de Ciências da Rússia.  A partir de 2003, altas concentrações de metano começaram a ser detectados na região, o que levou à realização de novas medições, com instrumentos mais sofisticados e sensíveis.

Agora, concentrações de metano até 100 vezes superiores aos níveis normais foram detectadas em dezenas de milhares de quilômetros quadrados na região.  “Ninguém sabe em quantas outras áreas emissões similares podem estar acontecendo na extensa costa do Sibéria”, afirmou o doutor Gustafsson.
 
“Nós detectamos elevados níveis de metano logo acima do oceano e ainda muito mais nas camadas superficiais de água.”
 
As temperaturas do Ártico elevaram-se 4º. C nas últimas décadas, reduzindo de maneira acentuada a cobertura de gelo da região durante os períodos de verão.  Os cientistas temem uma aceleração rápida das mudanças climáticas em decorrência do fato de que sem a cobertura de gelo os oceanos absorvem muito mais calor do que ocorre quando o gelo reflete a luz solar de volta para o espaço.

Comprova-se, assim, a existência de um feed back positivo que tende a acelerar as mudanças climáticas de maneira exponencial.   Mas não faltarão aqueles que dirão que os fatos constatados por cientistas da melhor reputação e de diferentes nacionalidades são apenas “catastrofistas”.

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Fonte: http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/exclusive-the-methane-time-bomb-938932.html

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?