CEDAE – A Maior Poluidora do Estado do Rio de Janeiro Segue Impune

No Rio, o jogo de cena da CEDAE consiste em chamar a imprensa uma vez por semana para apontar o dedo na direção de algum bode expiatório para esconder as infindáveis mazelas do abastecimento público de água e da coleta e tratamento (quase inexistente) de esgoto nas áreas em que a empresa é concessionária dos serviços.

Com um marketing de 5ª categoria, quando se refere a ligações clandestinas de água, a CEDAE fala de um programa denominado “gato gordo”, ou seja, o gato feito por qualquer um que não esteja numa favela ou região mais pobre da cidade. O alarde é grande, os impactos financeiros positivos nas contas da empresa são quase nulos e nunca apresentados. As imensas perdas “técnicas”, na rede – da ordem de 25% – nunca são sequer mencionadas. Técnicas entre aspas mesmo, porque se devem à má gestão.

Agora, dentro da mesma linha – a linha de quem nunca teve linha (e nem compostura), a linha do improviso e da tentativa de se manter no noticiário com notícias sobre ações irrelevantes, a Delegacia de Crimes Ambientais foi convidada a participar de vistorias em estações compactas de tratamento de esgotos em hotéis na Barra da Tijuca.

A notícia é acompanhada da informação de que cerca de 80% dos condomínios já estão conectados à rede de coleta, sem que sejam apresentados dados concretos, mensuráveis na vazão de esgoto que chega à “estação de tratamento” que, abandonada, e não trata nada. Mas nela é possível e em outros pontos é possível medir a vazão de esgotos encaminhada sem tratamento ao emissário submarino da Barra.

Já existem – e há muito tempo – medidores de vazão com sensores que transmitem os dados em tempo real para uma base de dados. E com as informações sobre a vazão é possível estimar o número de habitantes cujo esgoto está sendo coletado. Bingo! Mas isso a CEDAE não faz, não quer fazer porque não lhe agrada a transparência. A CEDAE continua sendo a maior poluidora do estado do Rio de Janeiro.

Além disso, e apenas para citar alguns exemplos de comunidades sem nenhuma rede de coleta e cujos esgotos são lançados nas ruas, em pequenos canais, ou nas galerias de águas pluviais que os conduz às lagoas, aqui vão algumas áreas que merecem a atenção da imprensa e da própria Delegacia de Crimes Ambientais: Cidade de Deus, Jacarepaguá, Taquara, Rio das Pedras, Muzema, Freguesia, Gardênia, Itanhangá e Vila da Paz.

Para fazer uma operação “rato gordo”, o Ministério Público pode abrir um inquérito contra a CEDAE, solicitar a licença ambiental do sistema de coleta que abrange a bacia drenante que deságua no sistema lagunar da região, e quem sabe até chegar ao indiciamento criminal dos responsáveis por essa grande cagada, entre outras, em outras áreas da cidade e em outros municípios.

De fato, “é possível mentir para alguns durante muito tempo; é possível mentir para muitos durante algum tempo; mas não é possível mentir para todos durante todo o tempo”.

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É difícil saber se Eduardo Paes é candidato de Sergio Cabral, de Cesar Maia ou de ambos. Afinal, ele foi durante bons anos um péssimo vice-prefeito exatamente de Cesar Maia em seus piores momentos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

3 comentários em “CEDAE – A Maior Poluidora do Estado do Rio de Janeiro Segue Impune”

  1. Que coisa boa ver alguem escrevendo essas verdades sobre a Cedae e o estado lastimável de todo o seu sistema de coleta e tratamento de esgotos. Como funcionário de um orgão público, mais precisamente da Feema, sempre fiquei horrorizado com o tratamente que era dado ao esgoto sanitário na Lagoa Rodrigo de Freitas. Acredito que o caos que existia desde 1980 ainda permanece no local, com as suas cinco malfadadas estações de bombeamento ao redor a lagoa. A cada mortandade de peixes na lagoa, o vento, a maré, os usuários e até os barcos a remo eram colocados como responsáveis. Pena que o próprio Ministerio Publico é conivente com este governo e não fara nada para acabar com essa farra da mentira sobre esta Companhia de Arraque.

  2. Amigo, não é bem verdade que é facil estimar as pessoas que tem seu esgoto tratado pela companhia. São necessárias várias incógnitas. Veja apenas uma delas: o cliente tem tratamento de água mas não aderiu ao tratamento de esgoto. Visto que não compete à concessionária fiscalizar a adesão não há como a concessionaria fiscalizar. Não existe um numero grande de medidores de vazão de ESGOTO(existe para ÁGUA), logo não há como mensurar exatamente este valor. Além das outras variaveis envolvidas na coleta e transporte de esgoto sanitário. Não é tão simples assim.

  3. É bem mais do que simples: é simplícissimo. Só quem tiver uma margem signficativa de incorporação de água ao produto ou de reuso/reciclagem após o tratamento se interessará pela medição do esgoto. E, nesses casos, seria só fazer a instalação do equipamento padronizado de acordo com a NBR ou similar.

O que você pensa a respeito?