CEDAE é a sigla da companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro que de um dia para o outro adotou um logotipo com slogan Nova CEDAE. Poderia, com muita propriedade, ter incluído a imagem do Pinocchio. já que só é “nova” na mentira institucional. CEDAE é, também, sinônimo de infração anunciada às normas ambientais. Aos costumes, pois!
Há alguns anos, a CEDAE esteve por trás de um projeto de lei redefinindo a expressão tratamento primário – que se pode encontrar em qualquer manual de saneamento – de maneira a não fazer tratamento nenhum nos esgotos que são lançados nas águas costeiras da ex-cidade maravilhosa. A Constituição do Estado, promulgada em 1999, determina que seja feito, no mínimo, o tratamento primário completo na forma da lei e foi mais fácil mudar a lei aprovada alguns anos depois.
Agora, a CEDAE quer dar um nome de fantasia para a já contumaz incompetência para realizar a coleta de esgotos na maior parte da cidade. Para isso, resolveu apelar para a mesma tática da manipulação de expressões. No caso, tenta fazer a imprensa engolir o uso da expressão sistema de coleta em tempo seco para mascarar a sua crônica incompetência, institucionalizando o lançamento de esgotos brutos em rios e canais.
Já há alguns anos que a CEDAE capta água de rios poluídos para que as estações de tratamento não fiquem totalmente paralisadas, e agora talvez tenha decidido pela adoção da expressão captação em tempo seco para poder aparecer nas estatísticas como uma das concessionárias com mais elevados índices de tratamento em sua área de cobertura na cidade ex-maravilhosa, e ainda com a máscara de uma contribuição para os jogos olímpicos previstos para 2016.
Se bobear, a concessionária ainda vai tentar melhorar a sua situação de caixa cobrando por esse pretenso tratamento de esgotos!
É realmente inovadora, a CEDAE, na mentira descarada. Sistema de coleta em tempo seco é a denominação usada para sistemas de coleta através de uma única rede em cidades situadas em regiões de baixíssimos índices pluviométricos e chuvas concentradas em curtos períodos do ano. E mesmo nesses casos as boas práticas de gestão recomendam a existência de tanques de acumulação das águas de chuva durante suficientes para reter o equivalente aos primeiros 20 minutos de chuvas máximas, que lavam o esgoto acumulado nas redes, encaminhando essa água suja para posterior tratamento, lentamente.
Espera-se que o Ministério Público e as ONGs que tantam defendem os remanescentes disso e daquilo despertem para a necessidade de caracterizar esse desmando como infração e mesmo crime ambiental.
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No início do século, o ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt veio ao Brasil para fazer uma expedição pela Amazônia, e para acompanhá-lo as autoridades designaram Cândido Rondon, que já trabalhava na coordenação da implantação de linhas de telégrafo no Pantanal e nas florestas amazônicas. Partiram em busca de um rio que então foi denominado Rio da Dúvida, porque ninguém sabia ao certo onde desaguava. O Rio de Janeiro pode, agora, mudar de denominação e passar a chamar-se Rio da Mentira.
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Sugere-se que se encontre denominação similar para a coleta de lixo de maneira a melhorar as estatísticas. A população poderá, assim, jogar o seu lixo nos rios e canais para a “coleta” através das barreiras flutuantes que receberam o nome dea fantasia de eco-barreiras.
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A notícia, que já corria nos bastidores antes das eleições municipais, foi feita no dia seguinte às mesmas.
Esta foi uma das soluções que o Governo do Estado da Bahia encontrou para ludibriar o Tribunal de Contas do Estado e foi chamada na época de Captação em Tempo Seco: Solução Provisória.
Só que isto já tem mais de 8 anos e já se tornou definitiva.
Com ela, além dos esgotos que eles deixam ir para os rios, ainda captam a própria água do rio, esgotando a capacidade do único emissário que Salvador-BA tinha.
Agora, a EMBASA conseguiu um projeto que está sendo anunciado como a primeira PPP do Saneamento, que se Chama Emissário Submarino do Jaguaribe. Uma obra obsoleta, desnecessária e cara. E, é claro, quem está por traz deste empreendimento, ninguém menos que a ODEBRECHT.
Vamos pra frente…..
Comentário do autor:
Será que vão pagar à Odebrecht por metro cúbido de água de rio lançada no emissário?
Morei 15 anos na cidade do Rio de Janeiro e nunca vi tamanho descaso com o tratamento de esgoto e de água como o da CEDAE.
O Rio Guandú recebe uma carga de poluição enorme e os habitantes recebem uma água tratada de péssima qualidade.
O tratamento de esgoto sempre foi inexistente, já que a maioria dos dejetos sempre foram lançados dos emissários submarinos em alto mar, na melhor das hipóteses, ou na Baía de Guanabara, nos rios e lagoas.
É uma pena que a CEDAE vá contra tudo o que existe de moderno. A SANEPAR, só para dar um exemplo, está vendendo energia elétrica e créditos de carbono através da queima de metano proveniente do tratamento de esgoto.
Bom, para um governo que não consegue oferecer segurança mínima para a população, jogar esgoto in natura nos rios não é algo para se espantar.
O mais estranho é que eu sempre ouvia dizer que a cidade do Rio de Janeiro contava com um grande número de habitantes com diploma de nível superior, com mestrado, doutorado e pós-doutorado. E parece que é verdade.
Resposta do autor:
De fato, não se pode comparar a total incompetência da CEDAE com o notável – ainda que apenas em termos de Brasil - desempenho da SANEPAR.
Pena que estes intelectuais não conseguem resolver os problemas de saneamento ambiental, segurança e, os piores de todos, honestidade e competência.
Sou engenheira sanitarista e acho um absurdo o sofisma que é a utilização de ” captação em tempo seco”, sendo pior ainda a justicatifiva de que é “por tempo provisório”. Peraí, por que se investir em uma coisa provisória, que não soluciona nem um pouco um problema??
É um engodo muito grande! É malversação de dinheiro público! É tapar o sol com a peneira, perfeito… mas em dia de chuva não tem como esconder a porcaria que eles vão fazer.
Do autor:
E, além de tudo isso, proibido pelo CONAMA, na norma que estabelece diretrizes para o lançamento de efluentes.