Transporte Fluvial e a Dinâmica Retrógrada do Setor Elétrico

Durante um recente seminário sobre “A Nova Matriz Energética Brasileira”, o presidente da Empresa de Planejamento Energético – EPE, Maurício Tolmasquim, ao fazer duras críticas ao sistema de licenciamento ambiental e aos órgãos de meio ambiente mostrou que a usual truculência do setor elétrico em nada mudou.  Com a cara mais lavada, Tolmasquim que a ótica do sistema de licenciamento ambiental é “segmentada”.   Boa piada, quando se sabe que, com os usuais antolhos, o setor elétrico persiste na ótica de apropriar-se dos recursos hídricos sem pensar em seus usos múltiplos.

Falando a seguir, o ministro Carlos Minc rebateu às críticas com elegância: o setor elétrico é ineficiente.  De fato, a repotencialização e a automação das hidrelétricas mais antigas permitiria um aumento significativo da capacidade de geração de eletricidade por uma fração do custo de implantação de novas hidrelétricas.  Mas, aí, não há contratos com empreiteiras!

Além disso, o ministro Carlos Minc afirmou que os novos licenciamentos de hidrelétricas estarão condicionados à viabilização de eclusas e hidrovias, tradicionalmente desconsideradas pelo setor elétrico.  A conferir!  Nessa áreas, o ministro pouco poderá fazer diante da lerdeza do Ministério dos Transportes – que gosta mesmo é de rodovias, frequentemente investigadas pelo TCU por superfaturamento, e na moda das concessões à iniciativa privada, e da Agência Nacional de Águas – ANA, que mais parece um braço do setor elétrico.

O transporte fluvial, amplamente utilizado nos países sérios, tem custos significativamente inferiores e é ambientalmente muito mais saudável, aspectos que estão associados.  A comparação inevitável é simples: com um litro de combustível, considerado o transporte de uma tonelada, um caminhão percorre 25 km, um trem percorre 86 km, e um comboio fluvial percorre 219 km.  Um típico comboio de transporte fluvial, com 10.000 toneladas faz o serviço de 278 caminhões de 36 toneladas cada.  E isso sem considerar os custos públicos de implantação e de manutenção de estradas de rodagem.

Diante desses fatos, seria altamente recomendável que o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA saísse da mesmice e deliberasse no sentido de determinar o licenciamento das hidrelétricas implantadas no passado de forma a assegurar que fossem elaborados planos de usos múltiplos.

Afinal, as indústrias implantadas antes do sistema de licenciamento ambiental foram chamadas a fazer o seu licenciamento.  Então, por que não as hidrelétricas?  Num licenciamento desse tipo, seria obrigatória a construção de passagens para peixes (algo simples e de baixo custo), a utilização dos reservatórios para lazer e para piscicultura, a formulação de planos (com cronograma de implantação) para a efetiva recomposição das matas ciliares dos reservatórios e dos trechos mais sensíveis da bacia drenante à montante desses reservatórios de maneira a reduzir os processos erosivos e a aumentar a vida útil dos reservatórios.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Transporte Fluvial e a Dinâmica Retrógrada do Setor Elétrico”

  1. Olá!
    Fico feliz de ouvir que o nosso ministro meio ambiente falou algo sobre as hidreletricas. Como atingidos e como ambientalistas estamos todos em Goiás arrasados com o descaso ….Agora já estão enchendo os reservatorios. Nossa região foi represada pelas gigantes no Paraná nos anos 70 e agora pelas PCHs. nos afluentes … Até na foz mesmo já constroem as barragens pra matar logo o rio ..e que rios !… Aquela que rompeu outro dia no rio Correntes fica ao lado. A hidrovia no Tietê Paraná-Paranaiba, nunca serviu para nada a não ser alguns esmagadoras de soja…que têm licença para usar a hidrovia Tiete-Parana, em Sào Simão Goias , porto final. Nào há possibilidade de transporte de mercadorias para o sul., A luz que é gerada na gigante e nessas pchs nào virá para a região . A unica coisa que vem é os ICMA para as prefeituras. O que gera o mesmo fenomeno que nas cidades do Rio que recebem os royaltys do petroleo . Construiram uma praia artificial , em vez de um porto para o comercio com São Paulo que faria florescer a economia da região. Uma praia de areia branca…tres andares de areia que já virou barro . Agora com as PCHs, só as siderúrgicas vão usar a energia. São parte da matriz energética para que exportemos aço de graça para a China e depois importar aquela porcariada que eles nos vendem de inox!!!!

    O que sempre trouxe progresso para a região foi a agropecuaria intensiva …agora a cana de açucar e as hidreletricas criaram para nos moradores dali um filme de horror como nos anos 70…puteiros …construtoras …mundo de trabalhadores que migram com as empresas construtoras..o calote nas desapropiações..imagine pagam em juizo e o que quiserem avaliar e nos que nos danemos…E uma devastação sem precedentes . mata atlantica corredores cerrado e pantanal tudo indo para o fundo . Os produtores são humildes , sabem o país que habitam ..abaixam a cabeça e dizem que é o preço do progresso . Sào tratados como ralé pelas empreiteiras que tem a certeza que sua impunidade e prepotncia não tem páreo pra ninguem no interior. O estado esta sempre contra os produtures, nunca os defende .

    Ver aqueles corredores de mata atlantica cheios de dourados pulando na piracema onça e pássaros ..tudo afundando e apodrecendo….paineras centenarias ipes sucupiras e aroeiras…tudo ou afundando ou sendo devastado pelos canaviais . So entrou na cana o produtor falido ferrado.. grande roubada ..depois dos bancos acabarem com o empresario do campo..agora as hidreletricas e a cana…Depois quando falta comida ninguem sabe porque…País exepcional que tem 3 safras por ano ..jogamos tudo fora , né? Terra roxinha que ta afundando … Nem a possibilidade de utilizar e usufruir das hidrovias comercialmente temos . Só serve pra andar de jetski. Todos os anuncios de belas lagoas em goias veiculados pelas filiais da globo escondem uma bela cachoeira e rio represada em baixo.

    Cansamos de chamar a atenção de vcs e de tudo mais que são ongs…mas produtor rural não dá ibope…O INPE fez estudo. .. Nem a agencia ambiental de Goiás tomou conhecimento…A expedição do Lauri Cullem de barco a vela no Paraná chegou pertinho, a 100 km….olha que loucira .. êles procurando fragmentos remanescente de passagem de onça …Nos pedindo a eles atenção para os corredores de onça REAIS que estão afundando hoje ..nadica… assim caminha o Brasil.

O que você pensa a respeito?