Monthly Archive for dezembro, 2008

Inglaterra e EUA – As Novas Repúblicas de Bananas

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Na Inglaterra e nos EUA, as festividades de fim de ano foram precedidas de grandes desastres ambientais decorrentes da geração e da estocagem de cinzas por termelétricas que usam carvão como fonte de energia primária.

Na Inglaterra, tradicionalmente predadora de recursos (inclusive naturais) alheios, a polícia passou a usar da força contra manifestantes pacíficos de pequenas cidades de seu próprio interior.  Eles protestavam contra a drenagem do lago Thrupp, no Condado de Oxfordshire, que sempre foi usado para fins recreativos.  O objetivo da drenagem é simples: o lago é a alternativa mais interessante economicamente  para que a RWE – empresa de geração de eletricidade – coloque as cinzas resultantes da queima de carvão de uma usina térmica situada nas proximidades.  Informações podem ser encontradas em http://www.cpreoxon.org.uk/campaigns/oxon/vale/radley/srl_9_february_2007.htm.

As manifestações eram pacíficas, até que os advogados da RWE entenderam que poderiam usar uma lei bastante genérica, de 1997, contra o assédio, para ameaçar os manifestantes.  E obtiveram nos tribunais uma decisão que favorável à suspensão de qualquer manifestação sob a alegação de que a empresa estava sendo assediada e constrangida em suas atividades legais.  A partir dessa decisão, qualquer manifestante pode ser condenado a até 5 anos de cadeia.  A RWE é certamente detentora de algum certificado de boas práticas sócio-ambientais, desses emitidos por ONGs inglesas de comercialização desses papéis.

A bela e democrática Inglaterra, orgulhosa do direito anglo-saxão baseado nas tradições, mostrou, assim, a verdadeira face do poder, agora contra os seus próprios cidadãos, já classificados de “extremistas” pelas autoridades policiais.  Nada muito diferente de qualquer tribunal do Acre ou do Pará julgando assassinos de sem-terra a soldo de grandes fazendeiros.

Ao apagar das luzes de 2008, com pressões crescentes ganhando as páginas da imprensa em todo o país, a RWE resolveu enfiar as cinzas de seu carvão em outro lugar e fingir-se alinhada com os interesses da população local, abandonando os planos de aterrar o lago com o seu lixo.

Já nos EUA, os moradores de pequenas cidades do Tennessee receberam um belo presente de Natal: um gigantesco derramamento de lama tóxica – desses que acontecem  a torto e a direito em Minas Gerais, atingindo o Rio de Janeiro, sem que nenhuma iniciativa concreta, punição ou indenização resultem dessas ações e omissões (inclusive das omissões das autoridades). 

Lá, como aqui, a ruptura do dique de contenção não pode ser chamada de “acidente”.  Trata-se de crime ambiental mesmo, de omissão da empresa proprietária e da operadora da termelétrica.  E também de omissão das autoridades.

Casas foram destruídas por 2 milhões de metros cúbicos de lama formada pelas cinzas estocadas ao longo de muitos anos.  Se fosse por aqui, algum palhaço logo transformaria a informação em número de “maracanãs” com o pretexto de facilitar o entendimento dos “expectadores” da vida política.

Com a deterioração da qualidade da imprensa que marcou a era Bush, os jornais – inclusive o New York Times, que publicou a notícia em primeira página – não enfatizaram o nome dos responsáveis pelo crime e até mesmo fingiram acreditar que não houve qualquer impacto substancial na qualidade das águas dos rios atingidos.

De fato, essa foi a versão dos órgãos ambientais e outros, inclusive aqueles que no passado já tiveram merecida reputação de seriedade, como a Agência de Proteção Ambiental – EPA –e a Autoridade do Vale do Tennessee (TVA).  Ambas insistem na versão de que tudo não passou de “um acidente provocado pelas fortes chuvas”.  Assim, já preparam o terreno para que não sejam identificados ou punidos os responsáveis, caindo tudo na vala comum da “força maior”, conhecida como “atos de Deus” na língua inglesa.

Ou seja, em ambos os casos nada diferente do que se passa em qualquer república de bananas, dessas que o Brasil se propõe a liderar.  Lá, como aqui, crimes financeiros e crimes ambientais, entre outros, permanecem impunes.

Privatização Lixo Nuclear X Corrupção Bem Educada

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Os assim chamados ambientalistas de ONGs estrangeiras costumam protestar contra as usinas nucleares nos países em desenvolvimento e silenciar diante dos arsenais nucleares com fins militares de seus países de origem.  Questões de conveniência.  A ética humanista vale para os outros.

Historicamente, as imensas quantidades de resíduos gerados na produção e na disposição final – sempre temporária – dos armamentos nucleares militares contaminaram solos e águas.   Os especialistas falam em “centenas de milhares de toneladas” desses resíduos só nos EUA.

E toda essa esbórnia sob gestão privada.  A privatização do monopólio do uso da força – ou, melhor dizendo, da violência -, já amplamente utilizada pelos EUA na ocupação do Iraque com a presença dos soldados da Blackwater e similares, é um contundente indicador do colapso do estado como mediador de conflitos e de interesses.

Aos fatos.  Em 1993, o governo da Inglaterra contratou um consórcio de empresas para geria o seu arsenal militar nuclear: Esse consórcio era formado pela Hunting Engineering, Brown and Root, e AEA Technology.  Em 1998, o consórcio perdeu o contrato para um outro, formado pela Lockheed Martin, BNFL e Serco.  Este último formou uma empresa chamada AWE Management.

A Lockheed também gerencia arsenais nucleares do governo dos EUA onde muitas vezes se defrontou com revelações de falsificação de informações sobre a segurança e o manuseio de combustíveis nucleares.

Agora, jornais britânicos revelaram que, na calada da noite, os ministros ingleses concordaram a venda da AWE para a Jacobs Engineering, empresa norte-americana baseada na Califórnia.  Isso foi feito no dia anterior ao início do recesso parlamentar da Inglaterra, bem ao estilo das repúblicas de bananas.

À corrupção pura e simples usual nesse tipo de negociações soma-se a corrupção moral que sempre foi uma marca registrada da Inglaterra.

Em recente artigo publicado no The Guardian, George Monbiot chama a atenção para o fato de que mais de 25% dos paraísos fiscais existentes no mundo são colônias inglesas.  Mais da metade dessas colônias são paraísos fiscais.  E se da lista de colônias forem retirados os territórios ingleses na Antártida, as bases militares, os rochedos no meio dos mares com população escassa, e as ilhas Falkland (que são mantidas pelo potencial de petróleo na região), todas as outras 10 colônias são paraísos fiscais, concebidos e mantidos para que os bancos, as corporações e os muito ricos em geral possam fazer evasão de impostos de maneira legal.

É essa a Inglaterra que, como os EUA, se pretende guardiã da moral e da democracia do Ocidente cristão.  God bless the Queen!  E que se dane o resto do mundo.

Ah – são eles que têm um príncipe que se diz muito preocupado com a proteção das “nações” indígenas, das florestas Amazônicas, e de suas reservas estratégicas de minérios.

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Registre-se os parabéns do autor deste blog ao jornalista Muntazer al Zaidi que atirou o sapato em Bush.

Ártico Sem Gelo: Novos Dados Mostram Fenômeno Irreversível

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Cientistas da União Geofísica dos EUA apresentam, hoje, um aprofundado estudo mostrando inequívocas evidências de as temperaturas no Ártico estão se elevando muito mais rapidamente do que se previa até agora.  Antes, esperava-se que o primeiro verão totalmente sem gelo no Ártico ocorresse por volta de 2070.  Agora, com base nas medições feitas ao longo dos últimos 5 anos, os modelos computacionais indicam que o verão sem gelo na região ocorrerá já nos próximos 20 anos.

O Centro de Dados Sobre a Neve e o Gelo dos EUA confirmou que as anomalias nas temperaturas da região são muito maiores do que as previstas.  As medições mais recentes indicaram aumentos de temperatura de 3 a 5 graus em toda a região do Ártico, chegando a 7 graus acima da média no Mar de Beaufort, ao norte do Alasca.

Os cientistas que conduziram os estudos afirmam que a única explicação é que aquilo que denominam “amplificação Ártica” – que, segundo previsões, começaria a ser notada “nas próximas décadas” já está ocorrendo.  Ou seja, o calor acumulado pelos oceanos durante o verão está sendo liberado para a atmosfera antes que o gelo do  inverno possa ser formar novamente.

Embora uma perda de gelo no Ártico considerada “catastrófica” pelos cientistas já venha sendo detectada ao longo dos últimos 20 anos, ainda não havia indicadores de que essa perda pudesse estar ligada às emissões de gases causadores do efeito-estufa.  Agora, com os novos dados, a União Geofísica dos EUA afirma que não há mais dúvidas de que o aquecimento do Ártico continuará a se acentuar no futuro previsível de maneira muito mais rápida do que no resto do mundo.

Essas últimas medições de temperatura na região indicam que foi ultrapassado o ponto de não-retorno que fará com que en breve não haverá mais gelo no Ártico durante os verões.  O Ártico é considerado uma das regiões mais sensíveis às mudanças climáticas e essa transição terá impactos diretos em outras partes do hemisfério norte e indiretos em outras regiões do mundo – afirmam os cientistas dessas duas instituições.

Enquanto isso,  a turma do tapetão não chega a conclusões sobre quem vai pagar a conta dos esforços para conter as mudanças cllimáticas, os juristas acadêmicos fazem elocubrações sobre a “teoria biocêntrica”, o CONAMA mantem a relevante definição de “topo de morro” como os 2/3 superiores de qualquer elevação com mais de 50 metros de altura, o MP da área ambiental assina novos Termos de Ajuste de Condutam encaminha o milionésimo pedido de informações aos órgãos de meio ambiente e delicia-se com a “doutrina” formulada por ele mesmo sobre a aplicabilidade do Código Florestal em áreas urbanas (só mesmo no Brasil!).  E a manada segue, bovinamente.

Crise, Consumismo, Nadismo e Mudanças Climáticas

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Com bom humor, vale lembrar que neste sábado, 13 de dezembro, é o Dia Nacional do Nadismo – de não fazer nada mesmo (www.marboh.com.br/clubedenadismo).  Esse  interessante movimento pode ser comparado às propostas de adoção do “ócio criativo”, sistematizadas pelo italinao Domenico de Masi, e tem pontos em comuns com o muito mais sofisticado movimento denominado Comida Lenta (Slow Food) e outros tantos, até bastante mais profundos, alguns com vigorosas conotações religiosas.

Em todos os casos, o objetivo é uma redução drástica do consumo, elevado a consumismo e transformado em dogma pela assim  chamada civilização contemporânea.  E um aumento do tempo disponível para coisas mais valiosas, como conviver com familiares e amigos, ouvir música, contemplar a paisasgem – entre outras coisas que os economistas não valorizam nada.

Nos EUA, ao longo do mês de outubro, com os preços da gasolina em queda livre, os norte-americanos dirigiram muito, muito menos, algo como 13 bilhões de quilômetros.  Os números são Departamento de Transportes do governo dos EUA (equivalente ao nosso ministério) e mostram tendências interessantes.  Entre novembro de 2007, quando a queda na quilometragem percorrida se iniciou, e outubro de 2008, os norte-americanos dirigiram cerca de 140 bilhões de quilômetros a menos.  E isso num período em que os preços dos combustíveis caíram 25%, o que, em tese, estimularia o aumento do consumo.

Será que os hábitos norte-americanos estão mudando?  E será que eles conseguirão dar continuidade à mudança de maneira a deixar de consumir toda a imensa quantidade de produtos inúteis e lixo tecnológico que se misturam às inovações realmente úteis?  Ou será que continuarão invadindo e cometendo genocídios em busca de petróleo ou pelo simples prazer de guerrear?

O fato é que se os hábitos de consumo do mundo dito desenvolvido e dos países em fase de acelerado crescimento econômico não mudarem, nenhuma medida para conter as mudanças climáticas será efetiva.  E não se trata apenas das mudanças climáticas, mas do consumo de muitos outros recursos naturais, hoje mais rápido do que a capacidade de recomposição até mesmo dos recursos renováveis – como já se disse aqui nos artigos intitulados Limites para o Crescimento I e II.

Disso já se sabe desde o início da década de 1980.  Mas só agora a mídia, ainda que timidadmente, começa a falar sobre a necessidade premente de um redirecionamento radical dos hábitos de consumo e de vida para conter tanto as mudanças climáticas, quanto o colapso dos recursos naturais. 

A crise atual certamente não é apenas financeira.  Decorre, também, da percepção de que a economia não voltará a crescer como no passado.  Não se integrarão 3 bilhões de novos consumidores ao mercado.  Nas palavras de Herman Daly, um dos raríssimos economistas que vêm alertando para essa realidade há algum tempo, ”o custo moral da atual crise dos mercados será muito mais elevado do que os seus custos financeiros”.

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Na saída dos banheiros de um bar em San Francisco, entre aqueles cartões nos moldes de postais distribuidos gratuitamente para os cllientes, um trazia a seguinte frase: “venda o lixo velho, compre lixo novo”.

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As fantasias de um convívio harmônico entre o ser humano e a natureza – algo sem precedentes históricos de realização efetiva - sempre existiu.  Mas as possibilidades de que haja algum avanço nesse sentido são praticamente nulas quando a população do planeta chegou a 6,7 bilhões em 2008, com previsões de 1,2 bilhões adicionais até 2025.  Mas os “ambientalistas” e os políticos não gostam de falar em programas de controle da natalidade.

Energia Eólica – Avanços e Atrasos

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O governo da Inglaterra deu, ontem, o sinal verde para a implantação da maior “fazenda de ventos” já construída em mar aberto no mundo.  O novo projeto, situado a 15 quilômetros da costa do País de Gales, tem capacidade para suprir de energia cerca de 500.000 casas.  Esse não é o primeiro grande projeto de energia eólica já implantado na Inglaterra e outros já se encontram em análise para aprovação.

Os projetos europeus de energia eólica são voltados tanto para reduzir as emissões de gases causadores de mudanças climáticas quanto para garantir a segurança energética dos países.  Projetos desse tipo – ainda que até agora não em mar aberto – há muito são incentivados nos EUA, com isenções de tarifas, com regulamentação apropriada e apoio massivo apoio governamental à pesquisa e ao desenvolvimento (uma forma de subsídio não considerado nos tratados de livre comércio).

Nos EUA, que é uma república de verdade, onde estados e cidades tomam as suas decisões sem esperar pelo governo federal e sem as chatices de um Ministério Público o tempo todo nos calcanhares da administração, há muitos grandes projetos de energia eólica em andamento.    A cidade de Nova York terá 25% de sua energia elétrica proveninete dessa fonte já em 2013.

O Brasil não tem tecnologia própria para a geração eólica de energia, avança a passos de cágado na sua adoção, e a sociedade acabará pagando o usual “pedágio” aos países sérios para usar o vento incidente em seu território e litoral.  Parte desse atraso de deve, talvez, ao fato de que parques eólicos não dão dinheiro para empreiteiras.  Mas o fato é que educação e tecnologia não recebem a necessária ênfase no país, que está longe de se constituir numa sociedade de conhecimento distanciando-se cada vez áté mesmo de países como China e Índia.

Aqui, vale lembrar um episódio curioso.  Há alguns anos, propôs-se o uso de energia eólica em Fernando de Noronha, onde os ventos são abundantes.  O suprimento de energia elétrica da ilha é feito, hoje, por uma usina térmica a óleo lá deixada pelas tropas norte-americanas em meados da década de 40 e “recondicionada” pela concessionária local.  As emissões de gases causadores de mudanças climáticas são óbvias, mas o grave mesmo é o custo do transporte de óleo de continente à ilha, uma distância de 540 quilômetros.  A empresa que tinha (ou tem) o contrato de transporte do óleo não gostou nada da proposta de implantar turbinas eólicas, espalhou que isso resultaria na morte de pássaros, alguns ambientalistas otários acreditaram na lorota ou ganharam um jabá, e a proposta caiu no esquecimento.

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Um belo projeto de energia eólico que seria implantado em Arraial do Cabo foi vetado pelas autoridades aeronáuticas sob a medíocre alegação de que seria um risco para o semi-paralisado aeroporto de Cabo Frio.  O então secretário de estado de Meio Ambiente e hoje ministro Carlos MInc conseguiu negocia uma relocalização de algumas torres de turbinas de maneira a permitir que não interferissem no cone de aproximação das aeronaves.  Os ventos da região de Cabo Frio e Arraial do Cabo são extremamente favoráveis a projetos de energia eólica.  Espera-se, agora, que o “ambientalismo” ocorrido em Fernado de Noronha não leve o MP a atropelar o avanço das energias renováveis com base em apelos sem fundamentos de ONGs.

A Petrobras e a Estratégia do Mimetismo na Gestão Ambiental

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A Petrobras desligou-se do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.  Bom para o Instituto Ethos, que pode, agora, pensar em critérios de aceitação e de afastamento de empresas associadas que tenham um comportamento tão enfaticamente irresponsável do ponto de vista ambiental quanto sempre teve a Petrobras.  Tentar comprar a opinião pública e as ONGs com apoios financeiros a projetos ambientais não é uma boa forma de compensação para as debilidades na gestão ambiental da empresa.

Recentemente, a Petrobras foi excluída do Índice de Sustentabilidade Empresaria – ISE da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo – BOVESPA, que refletiu, no Brasil, um pacto internacional envolvendo transparência e responsabilidades éticas nas relações com os fornecedores, consumidores, funcionários e acionistas, aí incluídas a responsabilidade social e ambiental.

A Petrobras foi, também, proibida pelo Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária – CONAR de fazer propaganda de suas práticas ambientais.  O CONAR decidiu que esse tipo de publicidade da Petrobras era propaganda enganosa.

Com uma notável monografia sobre esse tipo de marketing da Petrobras, em fase de conclusão, a jovem Raquel Valentini Bastos fez uma extensa pesquisa sobre os “acidentes” ambientais causados pela Petrobras.  A lista é impressionante.  A monografia faz um notável paralelo entre os esforços da Petrobras para tentar associar o seu nome a práticas de gestão ambiental sérias ao que, no mundo animal, denomina-se mimetismo.  Ou seja, tentar parecer algo diferente daquilo que se é verdadeiramente.

Desmascarada, a Petrobras talvez comece a repensar as suas práticas de gestão ambiental.  E, quem sabe, até mesmo a evitar os vínculos entre os seus pirotécnicos anúncios de descobertas de jazidas de petróleo ultra-profundas das conveniências eleitorais de ocasião. 

Até lá, talvez a Petrobras possa começar a divulgar índices de desempenho no campo da sustentabilidade, informando, por exemplo, quanto consome de água em cada uma de suas refinarias, por tonelada de petróleo processado, e comparando os seus números com refinarias de países sérios.