Ártico Sem Gelo: Novos Dados Mostram Fenômeno Irreversível

Cientistas da União Geofísica dos EUA apresentam, hoje, um aprofundado estudo mostrando inequívocas evidências de as temperaturas no Ártico estão se elevando muito mais rapidamente do que se previa até agora.  Antes, esperava-se que o primeiro verão totalmente sem gelo no Ártico ocorresse por volta de 2070.  Agora, com base nas medições feitas ao longo dos últimos 5 anos, os modelos computacionais indicam que o verão sem gelo na região ocorrerá já nos próximos 20 anos.

O Centro de Dados Sobre a Neve e o Gelo dos EUA confirmou que as anomalias nas temperaturas da região são muito maiores do que as previstas.  As medições mais recentes indicaram aumentos de temperatura de 3 a 5 graus em toda a região do Ártico, chegando a 7 graus acima da média no Mar de Beaufort, ao norte do Alasca.

Os cientistas que conduziram os estudos afirmam que a única explicação é que aquilo que denominam “amplificação Ártica” – que, segundo previsões, começaria a ser notada “nas próximas décadas” já está ocorrendo.  Ou seja, o calor acumulado pelos oceanos durante o verão está sendo liberado para a atmosfera antes que o gelo do  inverno possa ser formar novamente.

Embora uma perda de gelo no Ártico considerada “catastrófica” pelos cientistas já venha sendo detectada ao longo dos últimos 20 anos, ainda não havia indicadores de que essa perda pudesse estar ligada às emissões de gases causadores do efeito-estufa.  Agora, com os novos dados, a União Geofísica dos EUA afirma que não há mais dúvidas de que o aquecimento do Ártico continuará a se acentuar no futuro previsível de maneira muito mais rápida do que no resto do mundo.

Essas últimas medições de temperatura na região indicam que foi ultrapassado o ponto de não-retorno que fará com que en breve não haverá mais gelo no Ártico durante os verões.  O Ártico é considerado uma das regiões mais sensíveis às mudanças climáticas e essa transição terá impactos diretos em outras partes do hemisfério norte e indiretos em outras regiões do mundo – afirmam os cientistas dessas duas instituições.

Enquanto isso,  a turma do tapetão não chega a conclusões sobre quem vai pagar a conta dos esforços para conter as mudanças cllimáticas, os juristas acadêmicos fazem elocubrações sobre a “teoria biocêntrica”, o CONAMA mantem a relevante definição de “topo de morro” como os 2/3 superiores de qualquer elevação com mais de 50 metros de altura, o MP da área ambiental assina novos Termos de Ajuste de Condutam encaminha o milionésimo pedido de informações aos órgãos de meio ambiente e delicia-se com a “doutrina” formulada por ele mesmo sobre a aplicabilidade do Código Florestal em áreas urbanas (só mesmo no Brasil!).  E a manada segue, bovinamente.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

Um comentário em “Ártico Sem Gelo: Novos Dados Mostram Fenômeno Irreversível”

  1. Caro Luiz Prado.

    Fica cada vez mais difícil refutar as evidências de que o mundo esta esquentando acima do que foi previsto. Porém, sinto que entre o grande público o assunto não desperta mais interesse, tanto quanto foi à dois anos atrás (vide Al Gore e Di Caprio).
    Espero que essa notícia sirva para mobilizar mais o grande público em promover atitudes sustentáveis, e dar — infelizmente — para quem milita pela causa ambiental mais um dado na argumentação de que não é mais possivel empurrar com a barriga. Porque antes pensava-se que o prejuízo ficariam com os netos ou bisnetos… agora é preciso pensar na nossa própia velhice.

O que você pensa a respeito?