Monthly Archive for janeiro, 2009

Inglaterra – O Movimento Ambientalista em Crise ou Colapso?

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O governo da Inglaterra assumiu o compromisso com a União Européia de gerar 20% da energia consumida no país através de fontes renováveis até 2020.  Esse percentual corresponde a 40% da energia consumida no aquecimento e no transporte, ou cerca de 10 vezes os 4,5% de energias renováveis utilizadas atualmente para essas finalidades.

Ontem, um projeto que causará imensos impactos para a biodiversidade foi incluído numa lista curta de cinco opções para cumprir com essa meta: a construção de uma barragem de 15 km para gerar eletricidade com energia das marés.

Se aprovado, o projeto gerará eletricidade suficiente para atender a 5% da demanda da Inglaterra – eletricidade equivalente a 8 termelétricas a carvão.  Mas causará impactos considerados sem precedentes sobre uma imensa área estuarina onde se alimentam e reproduzem dezenas de milhares de pássaros – entre os quais gansos, cisnes e pássaros migratórios -, além de bloquear a migração de grande número de espécies de peixes.   Há poucas dúvidas de que o projeto causará mais dano à vida silvestre do que qualquer outro implantado na modernidade.

O projeto será submetido à consulta pública e, se aprovado, começará a ser implantado em 2010.  O dilema não poderia ser maior para o movimento ambientalista inglês.

A Comissão de Desenvolvimento Sustentável, organização não-governamental independente, apóia o projeto.  Outras organizações não governamentais discordam, mas não chegam a apresentar alternativas concretas.  Enquanto isso, o Ministério da Energia e das Mudanças Climáticas já fala em várias outras barragens do mesmo tipo.

A escolha, que é apenas uma amostra para muitas outras, similares, que logo se apresentarão em outros países, merece ser acompanhada com atenção.  Colocará à prova a hipótese acadêmica conhecida como  ”teoria biocêntrica do direito ambiental”.  De acordo com ela, o direito ambiental teria deixado de ser antropocêntrico, isto é, não priorizaria mais o ser humano em relação a outras espécies.  A conferir.

O Governo Lula e a Amazônia – Enfim Uma Ecologia Humana

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Finalmente, o governo federal resolveu interpretar a expressão “Amazônia sustentável” como algo que inclui o ser humano.  Parabéns ao governo Lula, que foi, assim, mais corajoso que o governo FHC, que aumentou, por Medida Provisória, a área de reserva legal na Amazônia de 50% para 80% apenas para dar uma satisfação fajuta à imprensa internacional, sem nenhuma base técnica, colocando milhões de proprietários e posseiros na ilegalidade da noite para o dia.  Com a decisão, poderão ser legalizadas posses de até 400 hectares através de procedimento sumário, e posses de até 1.500 hectares em geral (ainda não se tem uma redação do projeto de lei ou MP, mas apenas a decisão política e os parâmetros citados).

A população da Amazônia é, hoje, de 25 milhões de habitantes.  Mesmo que 80% vivam em áreas urbanas – dos quais uma parcela com atividades agro-pecuárias -, restam, ainda, cerca de 5 milhões vivendo no meio rural, sempre sob o risco de serem expulsos de suas terras por grandes latifúndios e grileiros, atividades de mineração e outras.  Consideradas famílias de 5 pessoas, cerca de 1 milhão de famílias serão beneficiadas.  Esse número é bem maior do que os 290.000 títulos de propriedade sobre módulos de até 400 hectares que o governo afirma que serão concedidos no curto prazo.  Qualquer política para a região deve considerar, além disso, que os que vivem em áreas urbanas precisam se alimentar e os suprimentos não podem vir de longe.

Esses números iniciais totalizarão 116 milhões hectares ou 1,1 milhão de km2  de áreas de posse a serem regularizadas.  O Brasil que tem pouco mais 8,5 milhões de km.  Se o número de posses a serem regularizadas for bem maior, a coisa se complica bastante para aqueles que propõem o desmatamento zero.

Lula cumpre, assim, uma promessa que fez logo no início de seu primeiro mandato: a de que a Amazônia não seria tratada como um santuário.  E foi preciso chegar um esquisito ministro gringo,  Roberto Mangabeira Unger, para devolver a Amazônia aos brasileiros, retirando-a da tutela mal disfarçada dos interesses das grandes potências responsáveis pelas mudanças climáticas e de ONGs ambientalistas de algibeira.  Ou a opção seria mandar esses 5 milhões de brasileiros morarem com o príncipe Charles, no palácio de Buckingham, onde ele engana os ingleses falando na necessidade de proteger as florestas amazônicas?

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Abaixo, uma imagem da margem do rio Tapajós, no lado oposto a Santarém, uma cidade de 300.000 habitantes, que precisam de alimentos que não venham de regiões muito distantes.  Como em toda a Amazônia, só existem duas estações: a cheia e a vazente.  Na cheia, o nível do rio sobre cerca de 5 metros, com vastas planícies de alagamento.  Difícil dizer onde se inicia a faixa marginal de proteção, já que a população ribeirinha se adaptou construindo casas sobre palafitas e cultivando a terra ou criando gado nas áreas alagadas durante a cheia mas disponíveis para usos agro-pecuários na vazante.

 FMP - Amazônia - Cheia ou Vazante

Legislação Ambiental – Santa Catarina Ousa e Lidera

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Com base numa proposta cuidadosamente elaborada pela Organização de Cooperativas – www.ocesc.org.br -, o governo do estado de Santa Catarina passou a liderar o Brasil na proposição de leis ambientais inovadoras.  A aprovação do projeto de lei no 238/2008 pode, na verdade, dar início a um processo que conduza ao respeito aos princípios federativos sempre atropelados pela truculência autoritária da União, tão característica da história do Brasil.

Uma das inovações mais necessárias do projeto de lei catarinense é a redefinição do conceito de área de preservação permanente em faixa marginal de proteção dos rios.  Esse é um caso típico em que, abusando de seu direito de estabelecer normas de caráter geral, a União contrabandeou para dentro da lei vários parâmetros de interesse local, isto é, que não são e nem podem ser, em nenhuma hipótese, de caráter geral.  A aprovação do projeto pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina – ALESC é um importante passo para que se questione a constitucionalidade e a legalidade desses dispositivos do Código Florestal junto aos tribunais superiores.

Assim, por exemplo, a dinâmica hidrológica dos rios da Amazônia e das serras gaúchas são tão completamente diferente que não há qualquer vaga razão para que sejam iguais as faixas marginais de proteção nas duas regiões.  O mesmo vale para muitas outras definições do Código Florestal que, na visão de ambientalistas de algibeira deve ser considerada uma lei perfeita e, portanto, imutável.  É preciso, urgentemente, federalizar a gestão ambiental no Brasil, em particular naquilo que se refere à definições relacionadas a ecossistemas tão diversos, incluindo geologia, hidrologia, clima e outros aspectos físicos.

O apelo emocional que agora tenta atribuir as inundações ocorridas em Santa Catarina ao desrespeito a leis ambientais não se sustenta ou é mal intencionado.  Inundações cíclicas ocorrem até mesmo na Alemanha, onde as grandes obras hidráulicas de contenção de cheias foram feitas já a partir do século XIX e o planejamento da ocupação do solo urbano – e do território em geral – é exemplar.

O que se espera, agora, é que a Assembléia Legislativa de Santa Catarina tenha a coragem de aprovar o projeto de lei em tramitação e, na seqüência, outros estados façam o mesmo, questionando na prática e no Judiciário tanto a legitimidade quanto a legalidade e a constitucionalidade dessa espúria mistura entre as regras legais de caráter geral e as de interesse puramente estadual ou municipal.

É preciso ousar como fez o governo do estado de Santa Catarina e muito mais, para que se comece a ter, no Brasil, uma ecologia humana.  Não se podem definir faixas marginais de proteção que não levem em conta não apenas a largura de um córrego, por exemplo, o regime de chuvas da região e, também, a estrutura fundiária ou a ocupação urbana.

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A versão integral do corajoso projeto de lei pode e deve ser utilizado como exemplo por outros estados, pode ser encontrada em http://www.alesc.sc.gov.br/proclegis/tramitacao.php

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Só acadêmicos que nunca foram ao campo e ecochatos que cafetinam vagas percepções acham que as grandes perdas econômicas causadas pelas enchentes em Santa Catarina decorrem da “ocupação ilegal” das faixas marginais de poreteção e similares.  Em particular quando os dois estados vizinhos – Rio Grande do Sul e Paraná – sofreram, no mesmo período, de secas, com grandes perdas na agricultura.

Pesticidas – Boas Notícias da União Européia

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O Parlamento Europeu aprovará nos próximos dias uma nova legislação sobre a produção e o uso de pesticidas objetivando reduzir drasticamente os riscos e danos para a saúde humana e para o meio ambiente.

Os pesticidas altamente tóxicos – ou seja, aqueles que têm potencial carcinogênico, mutagênico e teratogênico – serão banidos, o mesmo acontecendo com as substâncias persistentes no meio ambiente (que se degradam muito lentamente) e bioacumulativas.  Exceções poderão ser feitas nos casos em que a exposição humana for considerada desprezível, Mas critérios mais rigorosos serão adotados para as substâncias consideradas neurotóxicas ou imunotóxicas (as que causam danos ao sistema neurológico ou imunológico dos seres humanos).  E pesticidas danosos às abelhas também serão banidas.

As estimativas são de que a produção de 22 pesticidas atualmente fabricados nos países membros da União Européia será suspensa.  As regras entrará em vigor na medida em que as licenças atuais desses pesticidas expirarem, o que ocorrerá em poucos anos.

Além da questão específica da fabricação dos pesticidas, a nova lei faz referência ao uso dos mesmos, proibindo a sua aplicação em jardins públicos e na proximidade de escolas ou de unidades de conservação.  A aplicação de pesticidas por via aérea será igualmente proibida, podendo ser abertas exceções locais caso a caso.  Simultaneamente, serão estimuladas práticas agrícolas que reduzem a incidência de pragas, como a rotação de culturas.

O Parlamento Europeu entendeu que essas medidas estimularão a competição entre os produtores pelo desenvolvimento de novos produtos.  Livre mercado uma ova – cria-se um mercado para novos produtos.

A essas novas regras, adicionam-se as pressões para que não sejam permitidos traços de pesticidas em alimentos processados industrialmente.  Um estudo publicado no mês passado pela revista Analytical Chemistry (Química Analítica) indicou níveis considerados “signficativamente altos” de pesticidas em diversas bebidas à base de frutas, o que aumentou a preocupação da população e acelerou a decisão do Parlamento Europeu.

Ao contrário do que fariam aqui, os fabricantes de pesticidas e de bebidas feitas com frutas apressaram-se a declarar que cumpririam todas as novas regras.  Países sérios são outra coisa.

Seria bom que o Brasil estivesse atento a essa legislação, já que a importação de frutas e outros produtos agrícolas pelos países europeus continuará sujeita às mesmas regras neles em vigor.  E também, quem sabe, até mesmo para proteger a saúde dos brasileiros e o meio ambiente no país.

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A crise financeira internacional que segundo Lula era “a crise lá do Bush, ele que a resolvesse”, e que depois “chegaria no Brasil como uma marolinha”, já atingiu em cheio o Vale do São Francisco, onde o emprego era assegurado pela exportação  de frutas.  Trabalhadores estão sendo demitidos em massa.  Só no setor do cultivo de uvas, 10.000 já foram demitidos, o que corresponde a 1/3 dos empregos fixos.  Novamente, é hora de pensar em segurança alimentar brasileira.

CEDAE – Performance Insatisfatória e Reinauguração da ETE Alegria

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Nos próximos dias, será reinaugurada a Estação de Tratamento de Esgotos - ETE de Alegria, a maior do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – PDBG, financiado pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento - BID e pelo Banco Japonês de Cooperação e Desenvolvimento – JBIC (na sigla em inglês).  A ETE Alegria já havia sido inaugurada em 2001.  Neste momento, vale uma revisão das informações sobre o PDBG, que fracassou ou alcançou resultados pífios, como tantos similares no Brasil. 

Na avaliação dos projetos financiados pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento são utilizadas as seguintes classificações: Insatisfatório (I), Pouco Efetivo (PE), Muito Efetivo (ME), Satisfatório (S) e Muito Satisfatório (MS).  Outras classificações utilizadas são Relevante (R), Pouco Relevante (PR), Provável (P), Pouco Provável (PP), 

Em seu relatório final, de avaliação, datado de novembro de 2006, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento sobre o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara dá ao projeto as seguintes classificações:

Efetividade do Desenvolvimento – Pouco Efetivo; Implementação do Projeto – Insatisfatória; Desenvolvimento Institucional – Pouco Relevante; Sustentabilidade – Pouco Provável; Desempenho do Executor – Insatisfatório.  Ou seja, o projeto levou bomba!  Mas, convidada a fazer a sua própria avaliação pelos mesmos critérios, a CEDAE se deu nota máxima como executora do projeto. 

Essa disparidade de avaliações está página 3 do documento final que pode ser encontrado na íntegra, em português, no link abaixo:

http://idbdocs.iadb.org/wsdocs/getdocument.aspx?docnum=928277

O projeto, nascido de um encontro do governador Leonel Brizola com o presidente do BID em Montevideo um ano antes da Rio-92, foi aprovado em novembro de 1993 e o contrato foi assinado alguns meses depois.  Mas a implantação com o apoio do BID e do Banco Japones para a Cooperação Internacional – JBIC arrastou-se até 2006, quando encerram-se os desembolsos do BID…. sem que o programa estivesse efetivamente concluído.  O custo estimado do projeto era de US$ 793 milhões, mas em janeiro de 2006 esse valor já havia ultrapassado US$ 1.169.304.335.  A baía de Guanabara não parece ter sequer sido informada disso, da mesma forma que ocorre com o Tietê em relação ao seu programa de despoluição, que consumiu ainda muito mais dinheiro.

Agindo como fazem os políticos de quinta categoria, os bancos estiveram mais atentos às estações de tratamento, que são visíveis.  É bom dizer que foram construídas estações de tratamento, mesmo quando elas não tratam nada, ou captam água do rio que passa mais perto para não ficarem visivelmente paralisadas, ou tratam apenas uma pequena fração de sua capacidade instalada.

De toda forma, o relatório final do projeto afirma que foram implantados 126 km de coletores troncos e interceptores, além de 1.104 km de redes de esgoto, e feitas 136.100 ligações domiciliares de esgotos.  Essa é a parte mais questionável, já que a fiscalização do BID ou do Tribunal de Contas do Estado não envia técnicos a campo durante essa fase.  Só uma cuidadosa auditoria independente pode determinar se os contratos de implantação de troncos coletores e redes, bem como aqueles assinados para a realização de ligações domiciliares tiveram desempenho satisfatório, isto é, se essa quilometragem de redes e troncos foi fisicamente implantada.  Nos últimos anos do projeto, muitos foram os clamores por uma auditoria, depois esquecidos.

Agora, 14 anos depois de iniciados os desembolsos do projeto, será reinaugurada a estação de tratamento de esgotos de Alegria, a maior de todas, com capacidade teórica para 5 metros cúbicos por segundo (m/s).  Só um método permite saber que percentual da capacidade instalada de cada estação de tratamento está sendo efetivamente utilizado: a colocação de hidrômetros eletrônicos na entrada das mesmas, com a disponibilização das informações em tempo real.  Não vale bombear água de rio para dentro das ETEs e para dizer que elas estão funcionando a plena capacidade, ou que estão funcionando, como tem ocorrido no Rio de Janeiro.

O relatório, é claro, é pródigo na listagem de graves problemas na implantação do projeto.  Por exemplo:

“A Estação de Tratamento de Esgotos - ETE de São Gonçalo  apresenta sérios problemas no tratamento secundário e nos digestores de lodo.  Apesar de recentemente construída, a ETE opera de forma precária.  (…) A ETE precisa de investimentos significativos em obras de complementação e melhorias para normalizar a sua operação.  A meta de implantação de redes coletoras e ligações domiciliares em áreas atendidas pela ETE São Gonçalo foi prejudicada pela não implantação de 14.139 ligações de esgoto, 19,5 km de redes e coletores e 3 estações elevatórias.”

“Apesar da disponibilidade de recursos ter possibilitado um aumento de 45% no número inicial de ligações domiciliares de esgoto, s concretização dessa meta tem sido dificultada pela lentidão no avanço das obras relativas à implantação de redes coletoras de pequeno porte.  Esse fato é mais acentuado nas áreas de influência das ETEs de Sarapuí e Pavuna,, onde menos de 15% das ligações de esgoto foram executadas.  Vale ressaltar que além do aspecto social e ambiental, a quantidade de ligações de esgoto tem impacto direto na sustentabilidade do Programa devido à relação direta entre o número de ligações ativas e o faturamento/arrecadação da empresa.”

À CEDAE e ao governo do estado cabe prestar contas sobre a situação dessas outras ETEs que, certamente, serão inauguradas mais de uma vez.

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Na entrada do Barra Shopping há uma placa de bronze comemorativa de sua inauguração pelo governador Chagas Freitas, da qual constam os nomes do então presidente da república – João Figueiredo - e do prefeito, que não compareceram.  Brasileiro gosta um bocado de inauguração!  

Green-Washing, Mal Uso da Proteção Ambiental na Publicidade e Jornalismo de Excelente Qualidade

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“Há algum tipo de investimento que a Shell se recusará a fazer com base em princípios éticos ou ambientais?”

Essa é uma das muitas perguntas incômodas que o jornalista George Monbiot faz ao presidente da Shell, Jeroen Van de Veer, durante uma entrevista na qual não consegue responder sequer qual o valor total dos investimentos da empresa em energias renováveis.

A curta  mas excelente entrevista – com edição de excepcional qualidade – pode ser vista no link abaixo.

www.guardian.co.uk/environment/video/2009/jan/06/george-monbiot-jeroen-van-de-veer

Nela, o jornalista explode com a farsa da Shell de que ela é uma empresa preocupada com o meio ambiente e com as mudanças climáticas.  O que a Shell fez – como fazem todas as outras petroleiras, inclusive a Petrobras - é denominado “geeen-washing” em inglês.  Green = verde, washing – lavagem.  Essa é a expressão na língua inglesa para as publicidades que pegam uma carona nas preocupações ambientais das pessoas ainda quando estejam muito longe de corresponder à realidade das empresas.  A Petrobras vai bastante além e silencia ONGs da área ambiental com seus patrocínios.

George Monbiot, do The Guardian, tem se destacado por suas reportagens e artigos sobre meio ambiente, ainda que não se restrinja a esse tema.  No último artigo, Monbiot lembra que em 2006 a Shell despejou dinheiro em publicidade verde que não tinha qualquer fundamento na realidade das operações da empresa.  Em pouco tempo, ela foi advertida ou condenada duas vezes pela Autoridade de Normas Publicitárias da Inglaterra, correspondente ã Comissão de Auto-Regulação Publicitária – CONAR do Brasil, só que bem mais séria.  Então, a Shell optou por parar de mentir.

A diferença é que, lá, o presidente da Shell recebe um jornalista conhecido por suas perguntas diretas.  Aqui, Sérgio Grabrieli, o presidente da Petrobras que induziu Lula a fazer um intenso programa de animação cultural com um pré-sal cuja extração ninguém nunca soube se pode ser tecnológica e economicamente viável, certamente não responderia a questões tão incômodas ou politizaria as questões acusando um jornalista desse tipo de ser anti-Lula.

Afinal, qual o valor total dos contratos que a Petrobras assinou para a exploração do pré-sal – cujos royalties redimiriam “um dia”o mais do que vergonhoso sistema educacional brasileiro – e que agora não tem como ou não quer descumprir para não pagar pesadas multas e para não se desmoralizar?

Sergio Grabrieli deve ao Brasil explicações mais detalhadas sobre a situação financeira da Petrobras, já que em matéria de meio ambiente a empresa não se diferencia ou perde de goleada das suas similares em todo o mundo.

O artigo de Monbiot desmascarando a Shell, em inglês, pode ser acessado em www.monbiot.com:80/archives/2009/01/06/shells-game.

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Noo Brasil, uma expressão tão simples e contundente como green-washing é maquiagem verde, utilizado ainda de maneira restrita para designar as muitas falcatruas do mercado publicitário.  Em breve, mais sobre o tema, a começar pela Coca-Cola.

Um Plano B Para As Mudanças Climáticas

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Os cientistas tardaram um tanto para admitir – ao menos publicamente – que as mudanças climáticas são irreversíveis. 

O Protocolo de Kyoto naufragou graças aos economistas e seus Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL, concebido por economistas devotos do tal livre mercado.  Os MDL permitiram que os ricos comprassem certificados de redução de emissões dos pobres, fazendo com que ao final todos se tornassem igualmente ludibriados e com as consciências tranquilas.  Os níveis de emissão de CO2 continuaram subindo ao longo da última década e, agora, aumentam com uma velocidade muito superior a dos piores cenários concebidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC.

Aos poucos, tornam-se mais contundentes os indícios de que os próximos acordos serão forjados com a mesma matéria prima da enganação acadêmica, burocrática e diplomática.  Em conseqüência, os cientistas já começaram a viajar na maionese com propostas pirotécnicas tipo Guerra nas Estrelas.

Numa enquete realizada pelo jornal inglês The Independent com 80 expoentes do mundo científico na área de mudanças climáticas, mais da metade admitiu que já é hora de pensar num plano B para compensar o fracasso nos esforços para simplesmente reduzir as emissões de CO2.

Consultado, James Lovelock, autor da Teoria de Gaia e sempre devoto de sua própria hipótese de que a Terra teria mecanismos de auto-regulação, afirmou que a concepção de um Plano B é, agora, urgente.

“Eu nunca pensei que o Protocolo de Kyoto resultaria numa redução significativa das emissões de gases causadores do efeito-estufa.  Então não estou mais otimista e nem mais pessimista do que há 10 anos atrás.  No entanto, estou menos otimista em relação à capacidade da Terra para compensar as excessivas emissões de carbono e, portanto, eu concordo enfaticamente com a necessidade de um Plano B que inclua medidas de geo-engenharia a serem implementadas em paralelo com os esforços para reduzir as emissões de carbono.”

As propostas pirotécnicas – altamente controvertidas e que até recentemente seriam consideradas fantasiosas – incluem, entre outras:

- O bombeamento de partículas de sulfato na estratosfera para refletir a luz do sol de volta para o espaço;
- A criação de nuvens artificiais de baixa altitude sobre os oceanos de maneira a encobri-los parcialmente;
- A colocação de espelhos na órbita da Terra para desviar a luz do Sol;
- A fertilização dos mares com ferro, que é o fator limitante para a reprodução de fitoplancton nas “áreas mortas” dos oceanos de maneira a aumentar a fixação de carbono, e;
- A colocação de gigantescos tubos nos oceanos para levar a água das superfícies, com maiores concentrações de carbono, para níveis mais profundos, onde são menores as concentrações de carbono (esta, do próprio Lovelock que, pelo jeito, já não é tão acredita tanto no poder de sua própria teoria de Gaia).

Entre os que se opõem a esses malabarismos cientificistas, destaca-se o professor David Archer, geo-físico da Universidade de Chicago e especialista em química oceânica.  Ele enfatiza que o carbono já despejado na atmosfera continuará a impactar o clima durante milênios e que “acreditar em esquemas como os aerossóis de sulfatos seria como colocar o planeta numa UTI”.  Se a humanidade não se decidir a “pagar a conta das mudanças climáticas, terá que arcar com o efeito devastador dessas mudanças dentro de muito pouco tempo.” – afirma Archer.

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A NASA acaba de divulgar um estudo sugerindo que o melhor caminho para que a humanidade “ganhe tempo” para desenvolver e disseminar tecnologias capazes de conter as mudanças climáticas é o controle de emissões de… fuligem.  Esse tipo de material particulado é emitido tanto pela queima de combustíveis fósseis – fonte de mais fácil controle – quanto pelo uso, nos países mais pobres, de carvão e madeira para cozinhar – uma fonte fora de controle.  No estudo, a NASA sugere que os sistemas de preparação de comida utilizados nas regiões mais pobres sejam substituídos por fogões solares.  Nessa linha de pensamento, os gringos logo, logo conseguirão transferir responsabilidades para os que quase não têm comida e cozinham com lenha.  Felizmente, essa é a última molecagem de George W. Bush e sua canalha, que conseguiu politizar até a NASA, depois de conseguir afastá-la das pesquisas mais sérias sobre o tema.