Green-Washing, Mal Uso da Proteção Ambiental na Publicidade e Jornalismo de Excelente Qualidade

“Há algum tipo de investimento que a Shell se recusará a fazer com base em princípios éticos ou ambientais?”

Essa é uma das muitas perguntas incômodas que o jornalista George Monbiot faz ao presidente da Shell, Jeroen Van de Veer, durante uma entrevista na qual não consegue responder sequer qual o valor total dos investimentos da empresa em energias renováveis.

A curta  mas excelente entrevista – com edição de excepcional qualidade – pode ser vista no link abaixo.

www.guardian.co.uk/environment/video/2009/jan/06/george-monbiot-jeroen-van-de-veer

Nela, o jornalista explode com a farsa da Shell de que ela é uma empresa preocupada com o meio ambiente e com as mudanças climáticas.  O que a Shell fez – como fazem todas as outras petroleiras, inclusive a Petrobras – é denominado “geeen-washing” em inglês.  Green = verde, washing – lavagem.  Essa é a expressão na língua inglesa para as publicidades que pegam uma carona nas preocupações ambientais das pessoas ainda quando estejam muito longe de corresponder à realidade das empresas.  A Petrobras vai bastante além e silencia ONGs da área ambiental com seus patrocínios.

George Monbiot, do The Guardian, tem se destacado por suas reportagens e artigos sobre meio ambiente, ainda que não se restrinja a esse tema.  No último artigo, Monbiot lembra que em 2006 a Shell despejou dinheiro em publicidade verde que não tinha qualquer fundamento na realidade das operações da empresa.  Em pouco tempo, ela foi advertida ou condenada duas vezes pela Autoridade de Normas Publicitárias da Inglaterra, correspondente ã Comissão de Auto-Regulação Publicitária – CONAR do Brasil, só que bem mais séria.  Então, a Shell optou por parar de mentir.

A diferença é que, lá, o presidente da Shell recebe um jornalista conhecido por suas perguntas diretas.  Aqui, Sérgio Grabrieli, o presidente da Petrobras que induziu Lula a fazer um intenso programa de animação cultural com um pré-sal cuja extração ninguém nunca soube se pode ser tecnológica e economicamente viável, certamente não responderia a questões tão incômodas ou politizaria as questões acusando um jornalista desse tipo de ser anti-Lula.

Afinal, qual o valor total dos contratos que a Petrobras assinou para a exploração do pré-sal – cujos royalties redimiriam “um dia”o mais do que vergonhoso sistema educacional brasileiro – e que agora não tem como ou não quer descumprir para não pagar pesadas multas e para não se desmoralizar?

Sergio Grabrieli deve ao Brasil explicações mais detalhadas sobre a situação financeira da Petrobras, já que em matéria de meio ambiente a empresa não se diferencia ou perde de goleada das suas similares em todo o mundo.

O artigo de Monbiot desmascarando a Shell, em inglês, pode ser acessado em www.monbiot.com:80/archives/2009/01/06/shells-game.

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Noo Brasil, uma expressão tão simples e contundente como green-washing é maquiagem verde, utilizado ainda de maneira restrita para designar as muitas falcatruas do mercado publicitário.  Em breve, mais sobre o tema, a começar pela Coca-Cola.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Green-Washing, Mal Uso da Proteção Ambiental na Publicidade e Jornalismo de Excelente Qualidade”

  1. É isso aí! Pura verdade! Na cara e no tapa!
    Eu mesma já soube de trabalhos de biólogos que tiveram palestras e as palavras censuradas em encontros em que havia a representação da Petrobrás!

    Que se estipulem leis para isso! Se é que já não existam leis para tal nesse país burrocrático!

    E quanto a expressão que representa esta manobra que acoberta as ações prejudiciais aos meios sócio-ambiental eu iria mais além, trata-se de crime verde, de assassinato verde…e como toda ação a natureza retorna, obviamente de suicídio verde!

O que você pensa a respeito?