Pesticidas – Boas Notícias da União Européia

O Parlamento Europeu aprovará nos próximos dias uma nova legislação sobre a produção e o uso de pesticidas objetivando reduzir drasticamente os riscos e danos para a saúde humana e para o meio ambiente.

Os pesticidas altamente tóxicos – ou seja, aqueles que têm potencial carcinogênico, mutagênico e teratogênico – serão banidos, o mesmo acontecendo com as substâncias persistentes no meio ambiente (que se degradam muito lentamente) e bioacumulativas.  Exceções poderão ser feitas nos casos em que a exposição humana for considerada desprezível, Mas critérios mais rigorosos serão adotados para as substâncias consideradas neurotóxicas ou imunotóxicas (as que causam danos ao sistema neurológico ou imunológico dos seres humanos).  E pesticidas danosos às abelhas também serão banidas.

As estimativas são de que a produção de 22 pesticidas atualmente fabricados nos países membros da União Européia será suspensa.  As regras entrará em vigor na medida em que as licenças atuais desses pesticidas expirarem, o que ocorrerá em poucos anos.

Além da questão específica da fabricação dos pesticidas, a nova lei faz referência ao uso dos mesmos, proibindo a sua aplicação em jardins públicos e na proximidade de escolas ou de unidades de conservação.  A aplicação de pesticidas por via aérea será igualmente proibida, podendo ser abertas exceções locais caso a caso.  Simultaneamente, serão estimuladas práticas agrícolas que reduzem a incidência de pragas, como a rotação de culturas.

O Parlamento Europeu entendeu que essas medidas estimularão a competição entre os produtores pelo desenvolvimento de novos produtos.  Livre mercado uma ova – cria-se um mercado para novos produtos.

A essas novas regras, adicionam-se as pressões para que não sejam permitidos traços de pesticidas em alimentos processados industrialmente.  Um estudo publicado no mês passado pela revista Analytical Chemistry (Química Analítica) indicou níveis considerados “signficativamente altos” de pesticidas em diversas bebidas à base de frutas, o que aumentou a preocupação da população e acelerou a decisão do Parlamento Europeu.

Ao contrário do que fariam aqui, os fabricantes de pesticidas e de bebidas feitas com frutas apressaram-se a declarar que cumpririam todas as novas regras.  Países sérios são outra coisa.

Seria bom que o Brasil estivesse atento a essa legislação, já que a importação de frutas e outros produtos agrícolas pelos países europeus continuará sujeita às mesmas regras neles em vigor.  E também, quem sabe, até mesmo para proteger a saúde dos brasileiros e o meio ambiente no país.

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A crise financeira internacional que segundo Lula era “a crise lá do Bush, ele que a resolvesse”, e que depois “chegaria no Brasil como uma marolinha”, já atingiu em cheio o Vale do São Francisco, onde o emprego era assegurado pela exportação  de frutas.  Trabalhadores estão sendo demitidos em massa.  Só no setor do cultivo de uvas, 10.000 já foram demitidos, o que corresponde a 1/3 dos empregos fixos.  Novamente, é hora de pensar em segurança alimentar brasileira.

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Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?