O Governo Lula e a Amazônia – Enfim Uma Ecologia Humana

Finalmente, o governo federal resolveu interpretar a expressão “Amazônia sustentável” como algo que inclui o ser humano.  Parabéns ao governo Lula, que foi, assim, mais corajoso que o governo FHC, que aumentou, por Medida Provisória, a área de reserva legal na Amazônia de 50% para 80% apenas para dar uma satisfação fajuta à imprensa internacional, sem nenhuma base técnica, colocando milhões de proprietários e posseiros na ilegalidade da noite para o dia.  Com a decisão, poderão ser legalizadas posses de até 400 hectares através de procedimento sumário, e posses de até 1.500 hectares em geral (ainda não se tem uma redação do projeto de lei ou MP, mas apenas a decisão política e os parâmetros citados).

A população da Amazônia é, hoje, de 25 milhões de habitantes.  Mesmo que 80% vivam em áreas urbanas – dos quais uma parcela com atividades agro-pecuárias -, restam, ainda, cerca de 5 milhões vivendo no meio rural, sempre sob o risco de serem expulsos de suas terras por grandes latifúndios e grileiros, atividades de mineração e outras.  Consideradas famílias de 5 pessoas, cerca de 1 milhão de famílias serão beneficiadas.  Esse número é bem maior do que os 290.000 títulos de propriedade sobre módulos de até 400 hectares que o governo afirma que serão concedidos no curto prazo.  Qualquer política para a região deve considerar, além disso, que os que vivem em áreas urbanas precisam se alimentar e os suprimentos não podem vir de longe.

Esses números iniciais totalizarão 116 milhões hectares ou 1,1 milhão de km2  de áreas de posse a serem regularizadas.  O Brasil que tem pouco mais 8,5 milhões de km.  Se o número de posses a serem regularizadas for bem maior, a coisa se complica bastante para aqueles que propõem o desmatamento zero.

Lula cumpre, assim, uma promessa que fez logo no início de seu primeiro mandato: a de que a Amazônia não seria tratada como um santuário.  E foi preciso chegar um esquisito ministro gringo,  Roberto Mangabeira Unger, para devolver a Amazônia aos brasileiros, retirando-a da tutela mal disfarçada dos interesses das grandes potências responsáveis pelas mudanças climáticas e de ONGs ambientalistas de algibeira.  Ou a opção seria mandar esses 5 milhões de brasileiros morarem com o príncipe Charles, no palácio de Buckingham, onde ele engana os ingleses falando na necessidade de proteger as florestas amazônicas?

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Abaixo, uma imagem da margem do rio Tapajós, no lado oposto a Santarém, uma cidade de 300.000 habitantes, que precisam de alimentos que não venham de regiões muito distantes.  Como em toda a Amazônia, só existem duas estações: a cheia e a vazente.  Na cheia, o nível do rio sobre cerca de 5 metros, com vastas planícies de alagamento.  Difícil dizer onde se inicia a faixa marginal de proteção, já que a população ribeirinha se adaptou construindo casas sobre palafitas e cultivando a terra ou criando gado nas áreas alagadas durante a cheia mas disponíveis para usos agro-pecuários na vazante.

 FMP - Amazônia - Cheia ou Vazante

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

Um comentário em “O Governo Lula e a Amazônia – Enfim Uma Ecologia Humana”

  1. Bravo governo lula, primeiro soubemos que os maiores indices de desmatamento do Brasil era decorrente do Incra atraves da politica de reforma agraria, ajudaram a uma base importante do governo, o MST (que nem existe oficialmente) porem trouxe apenas pontos negativos ecologicamente falando.
    Depois viemos a saber da ideia de transposicao do rio sao francisco, que o proprio Ministério da Integração Nacional atraves do relatorio RIMA, colocou mais pontos negativos com esta ideia do que positivos e os positivos eram em maioria FINANCEIROS e nao ecologico.
    Depois a Medida dos Grilheiros que simplesmente reconhece a posse de terras de invasores de terras publicas e santuarios ecologicos, como se coroando uma atitude ilegal e anti-ecologica (seringeiros, indios mortos e ate religiosos, como aquela freira americana que o digam) e vem coroar a visao miope de comerciantes da terra que NECESSITAM de terra pois são primitivos com relação a tecnologia de plantio e pecuaria, não conseguindo produzir mais com o que ja possuem.
    E falar de ecologia humana chega a ser uma incongruencia, a ecologia deve ser animal…deve ser botanica…quanto daramos conta que devemos preservar estes paraisos ecologicos senao para nosso bem, para o bem dos que viram, daremos conta disto quando? quando nao houver mais o que salvar? claro os grilheiros de hoje sendo anistiados e GRATIFICADOS podem tentar REINVESTIR novamente, tendo em mente novamente serem anistiados ate por fim nao se ter mais o que salvar…?
    Lula, lulinha…acho que ter filho ter saido de um emprego no zoo para comprar nao se sabe como uma imensa fazenda lhe fez a cabeça…
    Chico Mendes deve-se revoltar em sua sepultura…
    Mas isto tem explicação, eu nunca tinha ouvido falar que LULAS fazem parte da fauna nativa da amazonia…

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    Nota do autor do artigo – Os abundantes erros de português são de responsabilidade do autor do comentário. Os conceituais, ainda mais.

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