Inglaterra – O Movimento Ambientalista em Crise ou Colapso?

O governo da Inglaterra assumiu o compromisso com a União Européia de gerar 20% da energia consumida no país através de fontes renováveis até 2020.  Esse percentual corresponde a 40% da energia consumida no aquecimento e no transporte, ou cerca de 10 vezes os 4,5% de energias renováveis utilizadas atualmente para essas finalidades.

Ontem, um projeto que causará imensos impactos para a biodiversidade foi incluído numa lista curta de cinco opções para cumprir com essa meta: a construção de uma barragem de 15 km para gerar eletricidade com energia das marés.

Se aprovado, o projeto gerará eletricidade suficiente para atender a 5% da demanda da Inglaterra – eletricidade equivalente a 8 termelétricas a carvão.  Mas causará impactos considerados sem precedentes sobre uma imensa área estuarina onde se alimentam e reproduzem dezenas de milhares de pássaros – entre os quais gansos, cisnes e pássaros migratórios -, além de bloquear a migração de grande número de espécies de peixes.   Há poucas dúvidas de que o projeto causará mais dano à vida silvestre do que qualquer outro implantado na modernidade.

O projeto será submetido à consulta pública e, se aprovado, começará a ser implantado em 2010.  O dilema não poderia ser maior para o movimento ambientalista inglês.

A Comissão de Desenvolvimento Sustentável, organização não-governamental independente, apóia o projeto.  Outras organizações não governamentais discordam, mas não chegam a apresentar alternativas concretas.  Enquanto isso, o Ministério da Energia e das Mudanças Climáticas já fala em várias outras barragens do mesmo tipo.

A escolha, que é apenas uma amostra para muitas outras, similares, que logo se apresentarão em outros países, merece ser acompanhada com atenção.  Colocará à prova a hipótese acadêmica conhecida como  “teoria biocêntrica do direito ambiental”.  De acordo com ela, o direito ambiental teria deixado de ser antropocêntrico, isto é, não priorizaria mais o ser humano em relação a outras espécies.  A conferir.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?