Monthly Archive for fevereiro, 2009

Rio de Janeiro – Choque de Ordem e Gambiarra Total

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Em pouco mais de 50 metros de caminhada por um dos locais considerados “nobres” no Rio de Janeiro, a Avenida das Américas, é possível ver a grande gambiarra em que se transformou a cidade, com incômodos e riscos para os transeuntes.  Nas duas fotos abaixo, um cabo de telefonia pende dos postes e se arrasta pelo chão há pelo menos uma semana sem que as autoridades que cuidam do “choque de ordem” percebam.

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A gambiarra total em que se transformou o cabeamento aéreo da cidade também pode ser vista numa imagem de um transformador que já vazou o seu óleo e nos equipamentos de controle de semáforos e radares instalados ao léu enquanto as autoridades fingem que não vêem… ou não vêem mesmo poque esse tipo de feiúra ainda não dá mídia.

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Também a Light resolveu se “modernizar” enfeiando a cidade, com o beneplácito do poder público.

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Parte da esculhambação pode ser atribuída à RioLuz, a Companhia Municipal de Energia e Iluminação da Prefeitura, que sem dó e nem piedade contribui para enfeiar o Rio de Janeiro, fazendo gatilhos a torto e a direito.

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Alguém consegue imaginar algo assim numa cidade qualquer de um país sério?  Esses são problemas de fácil solução – fácil até demais – com investimentos mínimos.  Mas não para a esculhambação que se tornou a administração do Rio de Janeiro – e não apenas a atual -, que abunda em belezas naturais e se transformou numa cidade engatilhada – em ambos os sentidos – com o beneplácito do poder público.

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Ah… todo o cabeamento de eletricidade do canteiro central da Avenida das Américas é subterrâneo.  O cabeamento aéreo da orla sofre do mesmo mal: subterrâneo no canteiro central e essa bagunça horrorosa ao longo das calçadas do lado oposto às praias.  Quanta ironia!

Fome e Segurança Alimentar – Novos Alertas

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Num recente encontro para discutir segurança alimentar, o diretor da FAO Jacques Diouf informou que em 2008 mais 40 milhões de pessoas foram adicionadas ao número daqueles que passam fome.  Nada mal, como sinal de progresso da nossa civilização.

Pouco antes das eleições norte-americanas que levaram Obama ao poder, Michael Pollan, autor de “Em Defesa da Comida: Um Manifesto Dos Que Comem”, escreveu uma carta aberta aos então candidatos à presidência dos EUA lembrando-os de que o sistema de produção de alimentos desse país está na contra-mão da história por ser o maior consumidor de combustíveis fósseis depois dos automóveis: 19% de toda a gasolina e óleo diesel.  “Hoje, são necessárias 10 calorias de combustíveis fósseis para colocar uma caloria de comida nas prateleiras dos supermercados”.

Entre as muitas propostas de Pollan estava a introdução de técnicas agrícolas conservacionistas nas faculdades, exatamente como faz Nono Pereira, um expoente do plantio direto no Paraná que nunca consegue uma audiência com o presidente da EMBRAPA e nem encontra receptividadade nas faculdades de agronomia para que  essa disciplina em seus currículos.  O Brasil é um dos líderes mundiais em práticas de recuperação e conservação dos solos por iniciativa e esforço dos próprios produtores rurais e o governo federal deveria ser menos arrogante – e menos superficial – na disseminação dessas tecnologias aqui conhecidas como plantio direto na palha.

Para atender ao aumento da população mundial – que atingirá 9 bilhões de habitantes em 2050 – seria necessário dobrar a produção de alimentos.  Mas, ao contrário, o rápido aumento da fome é uma tendência que se agravará, em vez de se reduzir.  Hoje, em 17 de fevereiro de 2009, especialistas da ONU reunidos em Nairóbi estimaram que até 2050 a produção de alimentos se reduzirá em 25%.  As principais causas dessa redução serão as mudanças climáticas, as perdas de solos por erosão e más práticas agrícolas, e a escassez de água.  Outros especialistas apontaram para a rápida mudança na dieta dos países em desenvolvimento, com maior consumo de proteína animal, e a competição pelo uso dos solos agrícolas com os combustíveis renováveis e da madeira “certificada” para os seus diversos usos entre as razões da queda da produção de alimentos.

Novamente, já é mais do que tempo do Brasil pensar em segurança alimentar no plano regional e mesmo micro-regional, em vez da mera bolsa-família.  Se o governo federal não cuida disso – como ocorreu na “administração” de George W. Bush -, os governos estaduais e municipais podem e devem fazê-lo, como ocorreu nesse mesmo período em muitas regiões dos EUA sob administrações democratas.

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Para quem lê inglês, sugere-se a excelente carta de Michael Pollan ao futuro presidente eleito dos EUA, publicada em 9 de outubro de 2008, no seguinte link:

http://www.nytimes.com/2008/10/12/magazine/12policy-t.html?_r=3&oref=slogin&ref=magazine&pagewanted=all

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No caso Paula Oliveira, que aparentemente se auto-mutilou, fica uma pergunta: o que se pode esperar do governo de um país cuja principal atividade econômica é a lavagem de dinheiro?  Se fosse um cidadão suíço, o governo moveria um processo ou o enviaria para psiquiatras?

Plantio Direto – Produtores Rurais Protegem Solos e Resgatam a Gestão Ambiental

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Surgiram há tempos nos Campos Gerais e difundem-se rapidamente a partir de Ponta Grossa, no Paraná, importantes notícias para a gestão ambiental no Brasil e para os esforços para conter as mudanças climáticas: a tecnologia agrícola conhecida como plantio direto na palha, que conserva e recupera solos agrícolas, reduzindo drasticamente impactos ambientais de todos os tipos, entre os quais o uso de pesticidas e os processos erosivos que causam sedimentação nos rios e reservatórios de todos os tipos.  E, como se não bastasse, mais recentemente o uso da técnica de plantio direto demonstrou ser uma importante forma de captura de carbono, cujas emissões são as principais causadoras das mudanças climáticas.

A tecnologia consiste em não remover a cobertura dos solos de maneira a não prejudicar e mesmo aniquilar com as suas propriedades físicas, químicas e micro-biológicas, aposentando os equipamentos que o revolvem e toda a chamada “revolução verde” que, no passado e ao longo do tempo, consagrou o uso intensivo de métodos de destruição daquilo que a natureza levou séculos para constituir – os solos agrícolas.  Ao contrário, são utilizados até mesmo culturas de inverno com a única finalidade de manter a cobertura dos solos e a sua fertilidade.

Conhecida no exterior como agricultura de conservação (conservation agriculture) ou sem revolvimento do solo (no-till), essa abordagem foi trazida para a região de Ponta Grossa por produtores agrícolas como única forma de evitar a perda total da produtividade dos solos pela erosão que se acentuava de maneira acelerada e visível.  “Durante chuvas mais fortes, podíamos ver o solo e até mesmo as sementes serem carreados pela água de escorrimento superficial” – afirma Manoel Pereira, mais conhecido como Nonô, um dos líderes do movimento que se transformou numa referência nacional e internacional.

Hoje, produtores e agrônomos do mundo inteiro visitam a fazenda de Nonô, no município de Palmeira, vizinho a Ponta Grossa, e a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha – www.febrapdp.org.br – já organizou inúmeros cursos e visitas de estudo a pedido do Banco Mundial para produtores e representantes de governos africanos.  Enquanto isso, o professor João Carlos de Moraes Rego, especialista em matéria orgânica e gestão da fertilidade do Departamento de Ciência do Solo e Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Ponta Grossa, e seus alunos finalizam importantes trabalhos sobre o potencial de sequestro de carbono da agricultura feita com base nos princípios do plantio direto.  Enquanto isso, numa fazenda exprimental, a agrônoma Lutécia expõe a técnica a centenas de produtores com notável habilidade para a comunicação daquilo que conhece profundamente.  Esses são exemplos de um trabalho que envolve dezenas de pesquisadores e de milhares de produtores rurais que são, hoje, um exemplo de gestão de recursos naturais que deveria ser seguido pelas autoridades dos mais diversos setores.

A FAO já reconheceu a importância do plantio direto como feito no Brasil desde 2001 – www.fao.org/docrep/004/y2638e/y2638e00.htm (em inglês e em espanhol) e já é tempo do governo federal começar a dar um maior apoio a essa iniciativa a esse magnífico trabalho que surgiu por iniciativa dos produtores rurais e revoluciona a gestão dos recursos naturais no Brasil e no mundo.

A EMATER-PR anda fazendo excelente trabalho de disseminação das técnicas de plantio direto para os pequenos produtores rurais.  São significativos tanto o aumento da produtividade das áreas agrícolas quanto a redução de custos e do tempo de trabalho dispendido por hectare.   Da mesma forma, toda uma indústria de equipamentos para o plantio direto se desenvolveu no sul do Brasil.  Já é hora do governo federal e de outras unidades da federação apoiarem de forma decisiva as iniciativas de plantio direto, que começam a chegar à Amazônia.

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O plantio direto protege muito mais os recursos hídricos do que as genéricas faixas marginais de proteção (FMPs) que a lei mal feita tenta definir como sendo a mesma para a Amazônia e para as serras gaúchas.  O plantio direto não protege apenas os solos, mas assegura a lenta infiltração da chuva, recarregando aquíferos subterrâneos e regularizando a vazão dos rios.

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Evidentemente, os países mais desenvolvidos têm as suas próprias políticas de conservação dos solos há décadas.  A Lei de Conservação dos Solos dos EUA, que criou o Serviço de Conservação dos Solos, foi aprovada pelo Congresso em 1936 por unanimidade.  O Canadá tem, hoje, a quase totalidade de sua área agrícola produzindo com técnicas que incorporam pelo menos alguns dos conceitos do plantio direto.  No Brasil, estranhamente, o governo estabeleceu que o dia 15 de abril seria o Dia da Conservação dos Solos por ser a data de nascimento de  americano Hugh Hammond Bennett (1881- 1960), que foi o primeiro chefe do Serviço de Conservação dos Solos dos EUA.  Mas, para valer, o importante é o Plantio Direto conforme concebido pelos próprios produtores agrícolas, com pouca interferência do governo do estado do Paraná e quase nenhuma do governo federal.