Fome e Segurança Alimentar – Novos Alertas

Num recente encontro para discutir segurança alimentar, o diretor da FAO Jacques Diouf informou que em 2008 mais 40 milhões de pessoas foram adicionadas ao número daqueles que passam fome.  Nada mal, como sinal de progresso da nossa civilização.

Pouco antes das eleições norte-americanas que levaram Obama ao poder, Michael Pollan, autor de “Em Defesa da Comida: Um Manifesto Dos Que Comem”, escreveu uma carta aberta aos então candidatos à presidência dos EUA lembrando-os de que o sistema de produção de alimentos desse país está na contra-mão da história por ser o maior consumidor de combustíveis fósseis depois dos automóveis: 19% de toda a gasolina e óleo diesel.  “Hoje, são necessárias 10 calorias de combustíveis fósseis para colocar uma caloria de comida nas prateleiras dos supermercados”.

Entre as muitas propostas de Pollan estava a introdução de técnicas agrícolas conservacionistas nas faculdades, exatamente como faz Nono Pereira, um expoente do plantio direto no Paraná que nunca consegue uma audiência com o presidente da EMBRAPA e nem encontra receptividadade nas faculdades de agronomia para que  essa disciplina em seus currículos.  O Brasil é um dos líderes mundiais em práticas de recuperação e conservação dos solos por iniciativa e esforço dos próprios produtores rurais e o governo federal deveria ser menos arrogante – e menos superficial – na disseminação dessas tecnologias aqui conhecidas como plantio direto na palha.

Para atender ao aumento da população mundial – que atingirá 9 bilhões de habitantes em 2050 – seria necessário dobrar a produção de alimentos.  Mas, ao contrário, o rápido aumento da fome é uma tendência que se agravará, em vez de se reduzir.  Hoje, em 17 de fevereiro de 2009, especialistas da ONU reunidos em Nairóbi estimaram que até 2050 a produção de alimentos se reduzirá em 25%.  As principais causas dessa redução serão as mudanças climáticas, as perdas de solos por erosão e más práticas agrícolas, e a escassez de água.  Outros especialistas apontaram para a rápida mudança na dieta dos países em desenvolvimento, com maior consumo de proteína animal, e a competição pelo uso dos solos agrícolas com os combustíveis renováveis e da madeira “certificada” para os seus diversos usos entre as razões da queda da produção de alimentos.

Novamente, já é mais do que tempo do Brasil pensar em segurança alimentar no plano regional e mesmo micro-regional, em vez da mera bolsa-família.  Se o governo federal não cuida disso – como ocorreu na “administração” de George W. Bush -, os governos estaduais e municipais podem e devem fazê-lo, como ocorreu nesse mesmo período em muitas regiões dos EUA sob administrações democratas.

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Para quem lê inglês, sugere-se a excelente carta de Michael Pollan ao futuro presidente eleito dos EUA, publicada em 9 de outubro de 2008, no seguinte link:

http://www.nytimes.com/2008/10/12/magazine/12policy-t.html?_r=3&oref=slogin&ref=magazine&pagewanted=all

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No caso Paula Oliveira, que aparentemente se auto-mutilou, fica uma pergunta: o que se pode esperar do governo de um país cuja principal atividade econômica é a lavagem de dinheiro?  Se fosse um cidadão suíço, o governo moveria um processo ou o enviaria para psiquiatras?

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Fome e Segurança Alimentar – Novos Alertas”

  1. In view of your interest in food security, you may like to know that our new 273-page book: “Philippines: Mining or Food?” (2009) with Clive Wicks is available at: http://www.piplinks.org/miningorfood.

    I hope you find the book useful, especially in your Indigenous Peoples, extractive industries and deforestation work. Feedback welcomed. UK’s Minister of International Development started it all. We have just completed 12 launches in various mining-affected provinces, and two in Manila, with a final one earlier this week in the Houses of Parliament. The Roman Catholic Bishop and the Anglican Bishop also came.

O que você pensa a respeito?