Aceleram-se as Mudanças Climáticas

“A aceleração da subida do nível do mar – duas vezes mais rápida do que o previsto até agora –  ameaça a vida de pelo menos 600 milhões de pessoas que vivem em deltas, terras baixas e ilhas” – afirmaram ontem, conjuntamente, cientistas dos EUA, Alemanha, França e Austrália, numa entrevista coletiva descrita por alguns como “dramática”.

Os cientistas afirmaram que novas medições permitem prever uma subida do nível do mar de 1 metro até 2100 ou mais, muito superior ao pior cenário do relatório oficial do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas divulgado há apenas dois anos.

“A cobertura de gelo da Groenlândia, em particular, não está apenas dissolvendo-se, mas dissolvendo-se de uma maneira dinâmica, entrando em colapso à medida que a água proveniente desse derretimento flui pelas fendas acelerando a desintegração de toda a cobertura de gelo da região.”

A entrevista foi dada durante a abertura dos trabalhos científicos da Conferência Global Sobre Mudanças Climáticas que ocorrerá em dezembro deste ano, em Copenhague, capital da Dinamarca, e com as afirmações nela feitas concordam a maior parte dos cientistas especializados no assunto, com base nas informações mais atualizadas.

http://climatecongress.ku.dk/newsroom/rising_sealevels

O resumo/sumário executivo dos trabalhos e sessões pode ser encontrado em
 http://www.iop.org/EJ/volume/1755-1315/6.

Em 3 semanas começam, em Boon, as reuniões preparativas para a próxima conferência mundial sobre mudanças climáticas que deverá conduzir a algum tipo de acordo para substituir o naufragado Protocolo de Quioto.

Recentemente, ao final de uma palestra sobre o assunto, perguntaram ao jornalista Washington Novaes se ele não estava sendo “pessimista”, e a resposta foi tão simples quanto sábia: “Isso não importa, já que não altera os fatos”.

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Apesar dos estudos e alertas de muitos de seus mais notáveis cientistas, o Brasil continua imune – ou omisso – em relação aos esforços no sentido de formular políticas de adaptação às mudanças climáticas, como vêm fazendo os países sérios.  Parte do problema é o falta de percepção de que muito antes de 2100 já teremos consequências gravíssimas dessas mudanças climáticas para as populações costeiras, para o regime de chuvas do nordeste e outras.  Essas políticas de adaptação não cabem, evidentemente, apenas ao Ministério do Meio Ambiente, mas ao conjunto do governo.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?