Degelo de Glaciais na Europa e nos Andes

A Itália e a Suíça resolveram redefinir as suas fronteiras, fixadas em 1861, em decorrência do rápido recuo das neves dos Alpes.  Esses limites foram estabelecidos em função das geleiras ou glaciais, bem como de rios formados pelo degelo que estão mudando de lugar.  As mudanças já foram aprovadas pelo governo Suíço e na Itália devem ser submetidas ao Parlamento.

Os europeus parecem mais conscientes dos problemas com os quais se defrontarão e já estão se defrontando, mas o problema não é muito diferente em países da América Latina.  Não menos do que 99% do glacial andino de Chacaltaya, glacial formado há 18.000 anos e situado a 30 km de La Paz.

A retração dos glaciais andinos coloca em risco o abastecimento de água de pelo menos 30 milhões de pessoas.  Alguns, de mais baixa altitude, podem desaparecer em menos de 10 anos.  Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru, desde 1970 a perda dos glaciais no país alcança 20% de seu volume total.  Mas nos últimos anos essa perda vem se acelerando.

Além do abastecimento de água, essa rápida redução dos glaciais coloca em risco a agricultura e a geração de eletricidade.

Mais de 70% desses glaciais estão no Peru, e 22% na Bolívia.  As águas de degelo abastecem La Paz, Quito e Lima, assegurando, também, 60% da capacidade instalada de geração de eletricidade.  A irrigação também é assegurada em grande parte do território pela mesma água de degelo.

A Comunidade Andina já sabe que isso está acontecendo, mas, como em quase todo lugar  mas, como em quase todos os países, há um enorme hiato entre a percepção e a tomada de decisões.

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No Brasil, que nunca teve uma estratégia clara para a preservação de seus mananciais, cuja qualidade piora a cada dia, seria conveniente que os municípios começassem a demarcar no campo as suas áreas de mananciais usando estudantes de geografia e similares com simples aparelhos de GPS, de maneira a sair das generalidades do Código Florestal.  Nada melhor do que o conhecimento da realidade local para esse tipo de trabalho.

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Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?