Avança o Controle Sobre o Transporte Internacional de Carga

 

Numa decisão um tanto imperial, mas útil, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA informou que nos próximos quatro anos estabelecerá padrões de emissão de poluentes atmosféricos para os navios que quiserem trafegar em suas áreas territoriais, ou seja, até 370 quilômetros da costa do país.

As empresas brasileiras de navegação que se cuidem, porque a União Européia já anunciou que fará o mesmo.  E com razão!  Uma pesquisa recente estimou que a poluição atmosférica emitida pelos navios equivale à metade do total emitido por toda a frota de carros do mundo.

O maior impacto da poluição emitida pelos navios se dá sobre a população costeira, já que 75% do tráfego marítimo ocorre numa faixa de 400 quilômetros da região costeira no mundo.

Outro estudo recentemente concluído pela Universidade de Oslo, na Noruega, indicou impactos significativos das emissões dos navios sobre as chuvas ácidas.  Essas emissões são, também, causadores de mais de 25% do ozônio ao nível do solo em várias regiões costeiras.

Os investimentos para adequar os navios aos novos padrões serão elevados, já que mesmo os navios dos EUA terão que reduzir as suas emissões atmosféricas em cerca de 98%, com o uso de combustível mais limpo e a instalação de catalisadores.

Com a palavra a Petrobras, que descumpriu resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente sobre a redução dos teores de enxofre no diesel brasileiro, e o Ministério Público Federal, que contribuiu de forma decisiva para essa agressão à saúde pública, à agricultura (chuvas ácidas) e ao meio ambiente.  Ou, melhor dizendo, ambos sem a palavra!  Ficam com o troféu “omissão ambiental” do ano passado.

Noves fora os controles sobre as emissões, já é tempo de pensar na própria estrutura da economia internacional, que gera uma demanda crescente de transporte de carga entre os países.  Mas sobre isso os economistas dos bancos mundiais da vida nem se atrevem a falar.  Eles continuam querendo mais do mesmo, mais crescimento puro e simples.

Para arrancá-los do pensamento convencional – ou da ausência de pensamento – só mesmo medidas severas para permitir a disseminação do consumo consciente. Mas, há ainda pouca esperança de que sejam feitos avanços relacionados à legislação sobre obrigatoriedade da informação sobre a pegada carbônica dos produtos no momento em que chegam às mãos dos consumidores finais.  Assim, os consumidores dos países ricos poderiam saber, por exemplo, que o alimento orgânico que consomem viajou 3.000 quilômetros e com uma enorme demanda de refrigeração, aumentando a emissão de gases causadores de mudanças climáticas.

 “É a economia, seus imbecis”, que precisa mudar.

*** 

Aqui, na Terra de Santa Cruz, continuamos nos debatendo contra a lavagem dos tanques dos navios nas proximidades da costa e até mesmo nas baías, gerando considerável poluição das águas territoriais por óleo e outras sujeiras.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Avança o Controle Sobre o Transporte Internacional de Carga”

  1. O mar é cheio de fontes alternativas de energia, energia solar, eólica, ondas. Será que nemhuma delas ou todas juntas não poderiam substituir o diesel? O ato de sujar as mãos com o óleo do pré-sal feito pelo Lula também é um desrespeito, já que ele terá que lavá-las. Será que a água usada na lavagem é estocada em algum lugar da plataforma ou vai para o mar? Se for para o mar então já é mais uma imagem do tratamento que o governo dá ao ambiente.

O que você pensa a respeito?