As Enganações da Coca-Cola e Outros Produtos "Caseiros" Industrializados – II

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Esta campanha publicitária seria uma gostosa brincadeira caso a informação fosse verdadeira.

Os anúncios teimam em persistir no “gominhos” mencionados na embalagem . A existência de gominhos (pelo menos não é dito se é natural) é um ponto forte, pois se diferencia dos outros sucos por parecer mais “natural”, afinal, possui gominhos.  Não é!  Como já dito em artigo anterior, o processo de produção desse produto “caseiro” envolve a transformação do suco em concentrado, o congelamento e, ao final, a adição de água. 

Minute Maid pode ser traduzido como: feito no minuto, feito na hora, feito pela empregada.   Os anúncios e a embalagem mostram que o consumidor não tem o trabalho de fazê-lo e também obtém um suco recém espremido da laranja.  A relação mais do que confirmada com o suco caseiro.  Quando essa comparação é proibida…

Para reforçar, o atual código respeitado pela classe publicitária e não passível de penalidade – por isso não respeitado na prática, somente no discurso – o Código de auto-regulamentação publicitária descreve já no início:

Artigo – Todo anúncio deve ser respeitador e conformar-se às leis do país;  deve, ainda, ser honesto e verdadeiro.

O que é preciso fazer para que as regras passem a ser respeitadas no Brasil?  Como ninguém neste mundo gosta de mentiras (ou será que os consumidores preferem as mentiras desse tipo?), seria melhor que simplesmente parassem de mentir!

É verdade que os sucos de caixinha ajudam os consumidores na otimização do tempo na cozinha, que pode ser desfrutado junto com a família, como mostra o anúncio. Mas, compará-lo implicitamente a algo saudável (bem descrito na embalagem) é desconsiderar a inteligência do consumidor.

http://www.minutemaid.com.br/hotsite/laranjacaseira/index.html

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Na Austrália, tem-se um bom exemplo de que a verdade deve ser dita.  Segundo a Folha de São Paulo, a Coca-Cola foi forçada a retificar um anúncio qualificado de inaceitável por autoridades australianas.  A propaganda mostrava uma famosa atriz, apresentando como mitos as alegações de que o refrigerante engorda, estraga os dentes e tem alto teor de cafeína.

A ACCC (Comissão de Competição e Consumo da Austrália, em inglês) forçou a empresa a publicar comunicado de correções em jornais do país ja que a publicidade poderia induzir os consumidores a pensar:  “os pais podem incluir a Coca-Cola na dieta familiar” sem qualquer outra consideração.

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Conforme o Código de Ética de 1957 (base da legislação publicitária no Brasil):

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III – O profissional da propaganda, para atingir aqueles fins, jamais induzirá o povo ao erro; jamais lançará mão da inverdade; jamais disseminará a desonestidade e o vício.

Como pode ser resolvido esse caso?  Através da auto-regulamentação ou será necessária a presença do Ministério Público e dos órgão de defesa do consumidor?

 Raquel Valentini

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?