Novas Visões do Combate ao Aquecimento Global: Telhados Brancos

Steven Chu, prêmio Nobel de Física e ex-diretor do Laboratório de Radiação da Universidade de Berkeley, designado ministro da Energia dos EUA por Barack Obama, declarou, ontem, numa conferência sobre mudanças climáticas em Londres, que pintar os telhados e pavimentos de branco (ou de cores claras) é uma iniciativa com imenso potencial para reduzir o consumo de energia e o aquecimento global.

Esas iniciativa serviria para refletir a radiação solar de volta ao espaço, com o efeito equivalente a retirar de circulação toda a frota de carros do mundo por 11 anos.

O Dr. Chu foi um dos 20 cientistas distinguidos com o Prêmio Nobel que participaram de um encontro sobre as mudanças climáticas organizado pela Universidade de Cambridge.  Ninguém imagina que essa “turma da pesada” está brincando com assunto tão sério!

De fato, a proposta está sendo tão veementemente defendida pela nova equipe de Barack Obama que o conselheiro-chefe para assuntos científicos do governo dos EUA recebeu, nos últimos dias, um memorando da comunidade científica norte-americana sobre o tema.

Os cientistas norte-americanos estimam que pintar os telhados de branco e o pavimento das ruas de cores mais leves contrabalançaria o aquecimento global com uma “força de radiação negativa” – reflexão da luz de volta ao espaço – equivalente à redução das emissões de 44 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.

No mesmo memorando, os cientistas ressaltam que a medida reduziria de forma significativa o consumo de eletricidade por sistemas de ar-condicionado, bem como a formação de “ilhas de calor nas cidades”, oriundas do excesso de concentração de concreto nas áreas urbanas.

As estimativas da redução do aquecimento global tomaram por base a adoção da medida tanto em países de climas temperados quanto nas regiões tropicais.

Como os cientistas reunidos em Londres consideram que as mudanças climáticas em curso são uma ameaça à humanidade igual ou maior do que uma guerra nuclear, vale arregaçar as mangas e iniciar ações massivas para efetivar uma proposta de tão grande simplicidade.

Além disso, sempre é bom notar que exatamente por questões de eficiência energética, já foram desenvolvidas e se encontram no mercado tintas claras à base de materiais cerâmicos concebidas exatamente para reduzir o calor no interior dos prédios e, em consequência, o consumo de energia com o uso de sistemas de ar condicionado.

Essa proposta não exclui os imensos avanços que estão sendo considerados pela administração de Barack Obama na área de combate às mudanças climáticas e que muito provalmente levarão os EUA a liderarem uma nova revolução tecnológica.

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Essa é uma medida que já pode ser objeto de legislação federal, estadual e municipal, através da criaçao de estímulos tributários, além de uma exigência para a prometida construção de 1 milhão de casas populares de maneira a tornar o seu interior menos quente, em particular nas regiões norte e nordeste, alvos principais – ao menos em tese – desse programa.

O desenvolvimento de materiais de cor branca para os telhados não requer tanto conhecimento cientifico e está ao alcance da indústria brasileira, se forem dados estímulos adequados.   Além disso, uma pequena redução no IPTU, no ICMS e no IPI dessas tintas e materiais pode resultar em mais geração de emprego do que a mera concessão de uma linha de crédito de R$ 100 milhões para a aquisição de motocicletas fabricadas no Brasil por empresas estrangeiras.   Mas, em se tratando de Brasil, a pergunta é: será que iniciativas relacionadas a telhados brancos dão votos?

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A ANEEL e o Programa de Conservação de Energia – PROCEL e as concessionárias de energia também podem agir, inclusive direcionando recursos destinados à eficiência energética para esse objetivo.  Afinal, já é hora do Ministério de Minas e Energia assumir alguma responsabilidade pela formulação e pela implementação de políticas de combate às mudanças climáticas.

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A decisão de nomear Steven Chu para o cargo de Ministro da Energia dos EUA é uma demonstração de como funciona um governo sério: nada de indicações meramente políticas para um cargo dessa importância!

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

5 comentários sobre “Novas Visões do Combate ao Aquecimento Global: Telhados Brancos”

  1. Luiz Prado,
    Isto sim é uma boa nova! Ainda bem que temos blogs para nos trazer tais informações.
    Cesar Campos

  2. Eu acho que essa idéia daria certo e seria bastante interessante quanto ao resfriamento das cidades, mas eu não sei se isso refletiria no clima global.

    Entretanto aumentar a reflexão das ondas curtas vindas do Sol, ou seja aumentat o albedo, poderia causar aumento nos índices de queimaduras de pele, como se estivéssemos sob a areia da praia, moradores de apartamentos poderiam receber as ondas refletidas dos telhados ao estarem na varanda ou na janela. O uso de filtros solares seria obrigatório.

    Porém a idéia é boa e aplicavel, mas deve ser bem planejada.

    Douglas, Biólogo UFF!

  3. Uma grande iniciativa! Quem sabe as pequenas e grandes cidades, juntamente com o apoio do Poder Público – pricipalmente com ele -, adotam essa iniciativa. Seria bom demais ver todos os telhados brancos na luta contra o aquecimento Global.
    Alguem tem que assumir a mudança e começar de verdade a cuidar de quem há tempos cuida de nós.
    E viva a TERRA!

  4. Depois do post, o próprio secretário de energia dos EUA afastou-se da proposta, talvez pelas dificuldades práticas em implementá-la.

O que você pensa a respeito?