Mudanças Climáticas – Boas Notícias nos Países Sérios

“Os cidadãos gerando a sua própria energia” – esse é o lema de uma exposição e de uma série de palestras/apresentações sobre micro-geração de energia que se realizará em Bruxelas nos próximos dias.

Não se trata de uma idéia mágica, nascida ontem, ou de um factóide “ambientalista” ao estilo brasileiro, mas da continuidade das estratégias de redução das emissões de gases  causadores de mudanças climáticas e de aumento da eficiência energética de acordo com diretrizes já definidas pela União Européia em 2007 e que determinaram a formulação de planos concretos para alcançar o que lá ficou conhecido como 20-20-20: 20% na redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas e 20% de participação de energias renováveis na matriz energética, além de 10% de energias renováveis nos combustíveis utilizados pelos meios de transporte, metas a serem alcançadas até 2020.

A Europa quer, também, garantir a sua segurança energética, importando menos combustíveis.

E, como os países sérios não estão brincando de ambientalistas, os planos acima referidos enfatizam que o apoio a essas tecnologias criará um mercado lucrativo de produtos, materiais e exportações, com a criação de empregos liderada pelo setor privado.  Os cálculos indicam investimentos de € 8 bilhões por ano até 2020 resultarão na economia de € 25 bilhões anuais.  Nada mal.Em 2020, 0 Brasil estará, então, entre os países importadores dessas novas tecnologias e materiais de alto valor agregado e elevada eficiência econômica.Na Europa, as edificações residenciais e comerciais consomem 40% da energia utilizada e são responsáveis por 36% de suas emissões de gases causadores de mudanças climáticas.  Os governos europeus apoiarão pequenas e médias empresas locais, já que os investimentos em eficiência energética demandarão uma imensa quantidade de projetos de renovação das edificações.

A União Européia já havia decidido investir em construções de baixo consumo de energia, de consumo zero, e em construções que geram energia para a rede (como já ocorre amplamente na Alemanha).

Além de todos os avanços na área dos materiais de construção e isolamento térmico, os europeus estão apostando na massiva implantação de uma tecnologia conhecida como “bombas de calor” (heat pumps), que combinando a geração de eletricidade e de energia térmica (calor/frio) reduzem em pelo menos 30% o consumo de uma residência ou prédio comercial típicos.

Já os EUA avançam rapidamente em direção ao uso da energia geotérmica associado às bombas de calor.

Por energia geotérmica entendia-se, até o presente, o já difundido uso da temperatura constante – independente das estações do ano – da água do lençol freático de pequenas profundidades para o aquecimento e a refrigeração das edificações.  Agora, na era Obama, o governo norte-americano já se prepara para iniciar a implantação da primeira grande unidade de geração utilizando a temperatura da água em maiores profundidades.

O  MIT já produziu o seu primeiro relatório sobre esse tipo de tecnologia – denominada “mineração de calor” – ainda na era Bush.  Lá, encontrar soluções para os grandes problemas ambientais é assunto de cientistas, e não apenas dos políticos que miram os eleitores com o simplismo da dualidade bem X mal, “eixo do mal”, ambientalista bonzinho X ruralista mal e similares.  A diferença é que, lá, a atual administração ouve o que os cientistas têm a dizer.

O relatório completo do MIT está disponível para os mais interessados em inglês, em http://web.mit.edu/newsoffice/2007/geothermal.html.  Vale a leitura do Sumário Executivo, já que o relatório completo envolve temas científicos de maior complexidade – como sismologia – e tem cerca de 400 páginas.

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Quando as empresas norte-americanas e européias, com o apoio massivo de seus governos, dominarem totalmente essas novas tecnologias, seguramente assinarão os tratados internacionais sobre mudanças climáticas.  E as exportarão para os países periféricos, ainda reféns das energias sujas, como o petróleo.

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No Brasil, o que é mesmo que fazem o Ministério de Minas e Energia e a ANEEL para aumentar a eficiência energética do país.  Nada, ou quase nada.  Para enfrentar as mudanças climáticas, ainda ficamos no eterno e monótono lenga-lenga sobre o desmatamento na Amazônia e o governo de pires na mão pedindo dinheiro para manter a floresta em pé, apesar de toda a falação vazia e, também, de excelentes estudos feitos pela EMBRAPA  sobre a exploração econômica sustentável das florestas amazônicas (mas que não encontraram os caminhos para a sua disseminação).

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Mudanças Climáticas – Boas Notícias nos Países Sérios”

  1. As empresas dominarão a tecnologia, os governos assinarão os tratados, elas exportarão para os países periféricos e imporão restrições a importações dos países que não usam massivamente energia limpa. O de sempre…..

O que você pensa a respeito?