Etanol de Segunda Geração – Boas Notícias na Área de Energias Renováveis

O sonho brasileiro de exportar etanol começa a ir para o ralo: inicia-se em breve, na Dinamarca, a produção de etanol de segunda geração, fabricado a partir dos resíduos agrícolas.  Assim, evita-se a competição entre o uso do solo para a produção de alimentos e de biocombustíveis. É uma boa lição para o Brasil e uma oportunidade de desmascarar a história da globalização, do livre mercado, da Organização Mundial do Comércio – OMC com as suas proibições de subsídios aos produtos.  De fato, nos países sérios os subsídios governamentais são massivamente direcionados para o desenvolvimento científico e tecnológico, depois repassados à iniciativa privada.  Além disso, CRIAM-SE mercados a partir de contratos como o que agora foi anunciado entre a Statoil – a empresa petrolífera da Dinamarca – e a Inbicon, uma empresa privada que atua no ramo dos biocombustiveis (www.inbicon.com).  A Statoil comprou, por antecipação, a produção quase total da fábrica da Inbicon ainda em construção – 5 milhões de litros.  Ou seja, os mercados não são figuras etéreas, produtos apenas da teoria econômica, mas mecanismos da dinâmica econômica que podem e devem ser influenciados por iniciativas das sociedades.  A Dinamarca sai, assim, do estágio da pesquisa aplicada para uma fábrica-piloto da Inbicon que pretende demonstrar a viabilidade econômica da produção do etanol de segunda geração em escala industrial.  Essas são boas notícias para os que se interessam por políticas públicas efetivas e inovadoras na área da gestão ambiental.  Mas, evidentemente, destinam-se a resolver os problemas relacionados à segurança energética dos países altamente desenvolvidos.

Muito provavelmente, no futuro próximo países como o Brasil estarão pagando royalties para usar essas novas tecnologias.

No entanto, a produção de etanol a partir dos resíduos agrícolas é apenas uma solução parcial, já que o eixo da conservação dos solos e dos recursos hídricos – em particular da recarga dos aqüíferos subterrâneos – é o plantio direto que deixa esses resíduos recobrindo os solos depois das colheitas.  Essa é uma prática bastante difundida no Brasil pelos próprios produtores rurais de médio e grande porte, os tais “ruralistas” que estão servindo de bode expiatório para a incompetência dos “ambientalistas” (mas esse é outro assunto).  Quando os resíduos agrícolas são removidos, o solo fica exposto às chuvas e sujeito à erosão; a água não é retida para infiltração lenta. 

Fora o que, o plantio direto retém mais carbono nos solos agrícolas, oportunidade que as autoridades ambientais brasileiras têm ignorado ou subestimado ou desconsiderado, já que os “ruralistas” – e não o governo – colocaram o Brasil entre as lideranças mundiais desse prática que além de conservar os solos e aumentar a produtividade, reduz de maneira significativa o aporte de adubos químicos e de pesticidas.

A ver quais os próximos passos do novo conflito entre conservação dos solos e produção de etanol de segunda geração.  Nada pode ocultar que o planeta ficou pequeno demais para a sua atual população, que continua crescendo, e não á qualquer alternativa para um desenvolvimento sustentável global, exceto nos países altamente desenvolvidos que estão cada vez mais fechando as suas fronteiras.

De toda forma, os países altamente desenvolvidos já se posicionaram contra o uso de etanol de primeira geração por entenderem que ele concorre com a produção de alimentos, e não o importarão, em especial quando a FAO estima que em 2009 o número de desnutridos do planeta será superior a 1 bilhão de pessoas.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?