Mudanças Climáticas e Produção Agrícola – Prejuízos na China e o Panorama Brasileiro

A China se defronta com um número crescente de episódios de secas e de tempestades seguidas de inundações que criam graves problemas para a sua produção agrícola. Essas ocorrências tendem a aumentar no futuro próximo em decorrência das instabilidades atmosféricas e as mudanças climáticas podem estar na sua origem.

A afirmação foi feita pelo mais respeitado especialista em previsão do tempo do Centro Meteorológico Nacional da China, e não por “ambientalistas” de algibeira do tipo que tentou atribuir as enchentes de Santa Catarina à remoção das matas ciliares sem qualquer vaga indicação de uma correlação entre os dois fenômenos e que agora silenciam diante das enchentes na Amazônia.

Segundo um representante do Ministério do Assuntos Civis da China, os prejuízos anuais decorrentes de climatológicos “extremos” passaram de R$ 50 bilhões em média na década de 1990 para R$ 69 bilhões em 2004.

Os produtores rurais buscam as mais variadas formas de reduzir os prejuízos às colheitas, sem muito sucesso. Números da Agência de Controle de Cheias e Alívio das Secas do Governo indicam que as perdas agrícolas praticamente duplicaram nos últimos 15 anos. Sun Jisong, chefe do departamento de previsão do tempo do Centro Meteorológico de Pequim fez a ressalva que parte desse aumento pode se dever ao aperfeiçoamento do sistema de informações, mas alertou para a necessidade de investir maciçamente na proteção das áreas de cultivo de arroz.

No Brasil, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) há muito vem alertando as autoridades governamentais sobre as consequências das mudanças climáticas para a agricultura, sem quase nenhum sucesso. Também a EMBRAPA vem desenvolvendo variedades de sementes mais adaptadas às novas condições climáticas, sem muito apoio.

Como o Brasil é o maior exportador de soja do mundo – boa parte dela para alimentar animais -, talvez já seja hora de proibirem-se as exportações do grão de maneira a assegurar o beneficiamento aqui mesmo, com aumento dos postos de emprego, do valor agregado e do controle sobre essas exportações, hoje controladas por duas tradings estrangeiras.

O Ministéro da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário parecem ainda perdidos nas questões triviais, apesar de recentes manifestações de apoio formal do primeiro aos agricultores que aplicam técnicas de conservação dos solos e das águas.

Nessa hora, ficar esbravejando contra a Confederação Nacional da Agricultura é uma bobagem, e tentar polarizar qualquer debate entre pequenos e grandes produtores é uma atitude simplória que substitui as necessárias alterações nas políticas públicas por políticas eleitoreiras.

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O Brasil não tem um sistema que permita a contabilização das perdas econômicas decorrenetes das mudanças climáticas, exceto o “olhômetro”, ainda que a EMBRAPA já tenha começado a fazer as estimativas relacionadas à redução da produção agrícola.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?