Acelera-se o Recuo das Geleiras nos EUA

O departamento de pesquisa geológica do ministério do Interior do governo dos EUA  indicou que o recuo das geleiras situadas no país vem se acelerando nos últimos 10-15 anos.

Três glaciais que vem sendo medidos pelos cientistas do USGS nos último 50 anos através de fotografias  e demarcações feitas em campo foram escolhidos como indicadores do que está acontecendo nos demais.  A pesquisa demonstrou que a aceleração do degelo se deu no mesmo  período apesar da distância entre eles – cerca de 2.500 quilômetros – e de serem formações que ocorrem em diferentes regimes climáticos.

Num dos casos, o recuo da geleira subiu de 1 metro por ano para 1,75 a 2 metros por ano.

Esse fenômeno já tinha sido detectado por cientistas que trabalham para o governo da Califórnia, influindo de maneira decisiva na decisão de elaborar o plano de adaptação às mudanças climáticas objeto do artigo anterior deste blog.  O acelerado recuo das geleiras já resultou em significativa diminuição da vazão dos rios para os quais elas contribuem e no aumento dos períodos de seca no estado.

Trata-se de radical mudança em relação ao que acontecia na administração de George W. Bush: o retorno da liberdade de expressão dos cientistas que trabalham para o governo (algo que não ocorre no Brasil).  Agora, com as informações sendo disseminadas, tanto esse fenômeno quanto o aumento do nível do mar já detectado em várias regiões são claramente atribuídos às mudanças climáticas em curso.

Mesmo para quem não é fluente em inglês, vale uma visita à página onde o estudo se encontra, ao menos para ver as imagens, em http://pubs.usgs.gov/fs/2009/3046.

Uma visita à página u US Geological Survey – www.usgs.gov – é extremamente útil para os que buscam conhecimentos científicos organizados sobre os mais diversos impactos das mudanças climáticas, tanto físicos quanto sobre a biodiversidade e a saúde humana.

Além disso, há notícias sobre um novo programa de cooperação entre os EUA e o Canadá visando o mapeamento da fundo dos oceanos na região Ártica objetivando aumentar o controle sobre os recursos da plataforma continental dos dois países.  As informações podem ser encontradas em http://www.usgs.gov/newsroom/article.asp?ID=2276.

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E a turma aqui funcionando como as florestas amazônicas e as regiões costeiras fossem imunes às mudanças climáticas – apesar dos alertas do INPE em contrário.  O prazer de captar a atenção do eleitorado incauto com base na simbologia ambientalista mais rastaquera e seus slogans de fácil absorção são mais importantes do que a admissão da necessidade e da inevitabilidade das mudanças.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?