Mudanças Climáticas – As Mentiras da Inglaterra e os "Chutes" Brasileiros

Algumas centenas de manifestantes acamparão hoje na entrada de empresas e escritórios do governo em Londres.  Trata-se de uma demonstração contra aqueles que são considerados os maiores responsáveis pela emissão de gases causadores de mudanças climáticas e denominados “Os Doze Condenados” – nome de um filme guerra de Robert Aldrich – pelos organizadores da manifestação.  Os alvos serão empresas de petróleo como a Shell e a BP, bem como a alemã E On.  A organização do evento utiliza a denominação “criminosos do clima” para falar dessa turma.

A BP (British Petroleum) já gastou rios de dinheiro em publicidade tentando convencer o distinto público que a sua sigla poderia significar Beyond Petroleum – Além do Petróleo – e que havia se transformado numa empresa de energia.  Publicidade enganosa pura e simples.  Nada diferente do que faz a Petrobras.

Entre os alvos dos manifestantes estão, também, o Aeroporto de Heathrow, o Banco da Inglaterra, o Tesouro – equivalente ao nosso Banco Central –, o Departamento de Transportes, e o próprio Departamento de Energia e Mudanças Climáticas, dirigido pelo cínico Ed Miliband, que tanto fala sobre a necessidade de preservação da Amazônia.  Os organizadores do protesto acusam Miliband de não estar fazendo quase nada para cumprir o seu “alegado mandato”.

Desorientado – ou adotando uma clara orientação repressiva -, o governo inglês já decidiu intimidar os manifestantes determinando à polícia que os fotografe para posteriormente vasculhar as suas vidas pessoais.  Ou seja, o governo já começa a tratar os próprios cidadãos ingleses como fazia com os “súditos” nos tempos imperiais.

Enquanto isso, por aqui, o governo se mostra totalmente perdido entre um discurso sobre a necessidade de assumir responsabilidades sobre as mudanças climáticas para dar a impressão de que é um país “desenvolvido” e, do outro lado, a badalação eleitoreira da exploração do  “pré-sal” para a qual as tecnologias não se encontram ainda totalmente desenvolvidas e os custos de exploração não podem ser, portanto, estimados.

A afirmação de que a agricultura brasileira é responsável por 1/3 das emissões de gases causadores das mudanças climáticas no país é um desses chutes dados ao acaso que fará que o Brasil perca a oportunidade de contabilizar os significativos índices de fixação de carbono e de nitrogênio decorrentes da rápida disseminação das práticas de plantio direto entre os produtores rurais de todos os portes que, sem o apoio do governo, colocam o Brasil entre as lideranças mundiais de conservação dos solos e dos recursos hídricos.

A sintonia fina dos números dessa importante contribuição dos produtores rurais à fixação de carbono e nitrogênio está sendo finalizada por pesquisadores brasileiros ouvidos com atenção crescentes pelos meios científicos internacionais – inclusive no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – mas tratados com descaso pelas autoridades do governo brasileiro.  Mera ignorância ou conveniência política que faz com que seja preferível ter um único alvo – os “ruralistas” – para o ambientalismo eleitoral?

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Com as excessões de praxe, os “ruralistas” são produtores de alimentos e estão muito mais avançados na proteção ambiental em todo o Sul do Brasil e em grande parte do Cerrado do que os órgãos governamentais de gestão ambiental.  Quem se interessar pelo assunto, vale uma visita aos links abaixo.

www.febrapdp.org.br/  e www.apdc.org.br

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Mudanças Climáticas – As Mentiras da Inglaterra e os "Chutes" Brasileiros”

  1. Com os governos que temos, dá até medo imaginar que possam decidir apoiar uma causa, por mais justa que ela seja. Os oportunistas, os lobistas, os fraudadores, sempre vêem em cada novo front uma oportunidade promissora para encherem os bolsos e as urnas. Se os produtores rurais estão avançando sem o apoio oficial, talvez seja melhor continuar assim.

    Glauco,

    Fiquei rindo com o seu olhar arguto sobre a realidade política brasileira. Só mesmo no Brasil é que produtores de comida são vistos como inimigos, “ruralistas”, e que se tenta fazer regras diferentes para pequenos e grandes com fins meramente eleitoreiros. No noroeste do Paraná, grandes, médios e pequenos já adotaram a técnica de plantio direto na palha que contribui muito mais para a conservação até mesmo dos recursos hídricos do que essa baboseira da faixa marginal de proteção definida em lei e que desconsidera as peculiaridades regionais. Vi gente com alta produtividade em solos que há uma década eram considerados praticamente improdutivos.

O que você pensa a respeito?