Ártico – Aberta, Finalmente, a Rota para a Navegação Comercial

Nos próximos dias, pela primeira vez na história, dois cargueiros completam uma viagem através do mar Ártico, numa rota que reduz em 6.500 quilômetros a ligação entre o Atlântico e o Pacífico.  As empresas de navegação estão celebrando a expectativa de que agora tenham sempre, no verão, uma alternativa para as tradicionais passagens pelos canais de Suez e do Panamá.

O comandante da empresa proprietária dos cargueiros afirmou que essa não é considerada uma viagem experimental, e que já foram assinados vários contratos de transporte de carga da Ásia para a Sibéria através da nova rota do Ártico, resultante das mudanças climáticas.

Uma grande vitória para as empresas de transporte, uma grande derrota para a humanidade.

Exploradores tentaram fazer essa rota desde o século XVI, sem sucesso.  Um porta-voz do ministério dos transportes russos tem na região diversos navios nucleares quebra-gelo apenas para apoiar a navegação costeira, declarou que nos últimos 20 anos só muito raramente a passagem encontrou-se completamente fechada.  Em 1983, um navio russo foi literalmente esmagado nessa região por um dos muitos blocos de gelo que constantemente se desprendem do “continente” Ártico.

Agora, a rota já é considerada segura e o cinismo das companhias de transporte marítimo faz com que celebrem a economia de US$ 100.000 dólares só em combustível por viagem, fora o tempo da viagem.

E celebram!  Não é improvável que empresa de navegação, Beluga, com sede em Bremen, na Alemanha, talvez tenha todos os certificados de responsabilidade social e ambiental usualmente comercializados por auditores altamente qualificados.  Afinal, essa é a lógica de nossa civilização.

***

Com as enchentes no sul e as imensas perdam da agricultura, logo aparecerão os usuais ambientalistas de algibeira para dizer que os produtores agrícolas são os grandes vilões do meio ambiente. Ainda que produzam a comida que nos alimente a todos, talvez possam ser responsabilizados pelos ventos de 100 km/hora e muito mais.

Mas o grande vilão do meio ambiente no Brasil continua sendo o governo, já que o país tem baixíssimos índices de coleta e ainda menos de tratamento de esgotos, coleta de lixo insuficiente e aterros sanitários que podem ser contados nos dedos.  Além de uma legislação ambiental que nunca resulta em melhoria da qualidade das águas dos rios.  Isso para não falar do grande número de parques de papel, unidades de conservação nunca de fato implantadas.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?