Monthly Archive for outubro, 2009

Captura de Carbono – Pesquisadores Brasileiros Anunciam Avanços Decisivos

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tecnologia de baixo custo que pode reduzir as emissões de carbono pela queima de combustíveis fósseis em 40%, com possibilidades de expansão para 60%.  Trata-se de um dispositivo de cerâmica de pequenas dimensões que pode ser colocado em sistemas de exaustão.

E, o que é igualmente notável, a tecnologia, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com uma empresa privada, possibilita a recuperação do carbono para a fabricação de tecidos e plásticos.

A tecnologia, já patenteada, começa a ser comercializada para uso pela iniciativa privada, mas a implantação ainda demandará alguns estudos de engenharia para adaptação a cada tipo de fonte de emissão de carbono.

Se as autoridades federais brasileiras e a Petrobras estiverem atentas e se decidirem a apoiar massivamente o desenvolvimento comercial dessa tecnologia sem as usuais politicagens eleitorais, e sem ficar regateando participação nos lucros ou soterrando os pesquisadores com burocracias, o Brasil poderá assumir a liderança mundial no mais crítico assunto do momento: as mudanças climáticas.

Enviando os melhores cientistas brasileiros para avaliar o real potencial da tecnologia, o Brasil poderá chegar a Copenhaguem com uma importante contribuição para a humanidade e sem se ater a monotonia do tema do desmatamento.

A conferir – já que todas as tecnologias testadas até agora para captura de carbono se mostraram economicamente inviável.

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Vale notar que esse tipo de avanço não significa que os países possam cruzar os braços em relação à inviabilidade da atual sociedade de consumo e de crescimento econômico exponencial.

Mudanças Climáticas – Relatório Causa Perplexidade na Austrália

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Um relatório divulgado nesta semana pelo parlamento australiano, resultado de 18 meses de trabalho, afirma que com as mudanças climáticas em curso – as já visíveis mudanças nos regimes das marés (marés mais altas) e o aumento da força dos ventos – o governo deverá forçar o abandono de centenas de milhares de casas ao longo de de mais de mil quilômetros da costa.

A população reagiu com perplexidade quando o presidente do Comissão Sobre Mudanças Climáticas do parlamento afirmou, na última terça feira, que “na realidade resta muito pouco de nossa costa; ela só existe em decorrência de estruturas de proteção artificiais do tipo quebra-mar ou meros sacos de areia; é um desastre”.

O relatório, intitulado O Momento de Agir é Agora, pode ser encontrado em www.aph.gov.au/house/committee/ccwea/coastalzone/report.htm#chapters.  Uma de suas recomendações é a demarcação de uma linha costeira além da qual se proiba qualquer novo desenvolvimento, além de uma retirada progressiva planejada.

Expressando o seu apoio ao relatório, o secretário-executivo da Grupo de Trabalho Sobre Mudanças nos Oceanos baseado em Sidney afirmou que algumas áreas costeiras são tão vulneráveis às mudanças climáticas que “não há qualquer garantia de que as pessoas possam continuar a viver nelas com um mínimo de segurança”.

Ainda assim, o governo australiano jamais aprovou qualquer acordo acordo internacional ou plano nacional lde emissão da redução de gases causadores de mudanças climáticas.

No Brasil, um relatório similar produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE dorme desde 2006 nas gavetas do governo, e certamente merece uma atualização.  Esse relatório pode ser encontrado em www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf e os interessados podem ir diretamente às conclusões, nas páginas 135 e subsequentes.  O Brasil sequer esboçou qualquer tentativa de ter uma plano estratégico de adaptação às mudanças climáticas.

A turma prefere garantir contrato de empreiteira e fazer Angra III à beira-mar ou discutir se plantações de maçã existentes há tempos podem continuar nas encostas que o CONAMA, embriagado com uísque paraguaio e extrapolando largamente de suas competências legais, trasformou em áreas de preservação permanente.

Código Florestal – Ênfases e Desleixos do Poder Público

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Os esforços para assegurar a inviável aplicação da colcha de retalhos em quem se transformou o Código Florestal brasileiro servem para ocultar um grande número de outras mazelas da gestão ambiental encontradas em todos os níveis da federação, bem como nas ações do Ministério Público.  Da mesma forma, a cortina de fumaça do zoneamento ecológico-econômico (sem a participação dos setores econômicos) também oculta a omissão das autoridades em relação a um artigo do Código que tem como finalidade assegurar alguma margem de segurança alimentar a nível local: a reserva de áreas para a produção de alimentos básicos e pastagens em cada município onde houver florestas plantadas.

 

Isso porque, de fato, o Código foi editado num período em que ainda não existiam as mais vagas preocupações ambientais como hoje entendidas – 1965, quando a primeira conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento foi em 1972 -, mas quando ganhavam impulso os abundantes incentivos fiscais para o plantio de florestas homogêneas.  O Código tinha o nítido objetivo de proteger os solos, e isso está dito em seu Art. 1, cuja leitura é útil para os “ambientalistas” que queiram um debate sério.  E, por essa razão, o temor de que a produção de alimentos básicos perecíveis de consumo local perdesse espaço para a produção de madeira destinada à produção de papel e celulose controlada por grupos estrangeiros e orientada para a exportação.

 

Na verdade, essas restrições deveriam ter sido estendidas, posteriormente, à produção de cana de açúcar e de soja, bem como a qualquer monocultura.  Mas não foi isso o que aconteceu, e o Código começou a ser enxertado com Medidas Provisórias propostas apenas pela área ambiental, sem qualquer tipo de consulta ao Ministério da Agricultura e à EMBRAPA.

A preocupação com a formação de cinturões verdes para assegurar a produção de perecíveis nas proximidades dos centros consumidores – até para evitar o seu encarecimento pela necessidade do transporte por longas distâncias – sempre foi comum em países europeus que sofreram escassez de alimentos decorrentes de prolongadas guerras.  Com a perspectiva de mudanças climáticas, essa noção de autonomia alimentar local voltou à ordem do dia nos países sérios e foi adotada até mesmo no Texas, coração das petroleiras norte-americanas, onde foram desapropriadas áreas antes ocupadas por monoculturas e “importadas” milhares de famílias de vietnamitas para cultivar perecíveis.

 

Mas o Brasil não tem, ainda, sequer um esboço de um conjunto de políticas de adaptação às mudanças climáticas, que serão um dos principais eixos do encontro que em breve se realizará em Copenhaguem. 

 

Por que será que no Brasil o Artigo 46 do Código Florestal, que determina esse outro tipo de “reserva legal”, foi completamente esquecido?  Em decorrência da força do lobby das grandes produtoras de madeira agora indevidamente denominadas de “certificadas”?   Seria simples verificar se o mencionado artigo do Código Florestal é aplicado, por exemplo, no Município de Aracruz, no Espírito Santo, sede da Aracruz Celulose, controlada por um norueguês com fortes laços com a família real daquele país que tanto fala em doar fundos para o controle do desmatamento da Amazônia.

 

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Já que Lula fala da necessidade da Vale investir na agregação de valor ao minério exportado – fala mas não faz -, poderia também começar a taxar a exportação de celulose de maneira a que o Brasil passasse a ser um grande exportador de papel, e não apenas um minerador de recursos naturais – solos agrícolas e água.

Esse problema logo vai se tornar mais agudo, já que imensas extensões de terra estão adquiridas por grupos estrangeiros para a produção de madeira para exportação sob a forma de briquetes e de carvão de maneira a ampliar o uso de energias renováveis nos países que são os maiores emissores de carbono.

Código Florestal – Aumentam as Chances de Conflitos na Área Jurídica

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As sucessivas mudanças, emendas e remendos feitos no Código Florestal depois de 1965 deram origem a grandes conflitos sociais e econômicos.  Agora, as posições defendidas pelo Ministério do Meio Ambiente, pelo Poder Público em geral, e por ambientalistas tornaram-se ainda mais questionáveis e vulneráveis do ponto de vista jurídico e administrativo.

De fato, num seminário sobre sustentabilidade ambiental realizado há dias, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que no caso do Código Florestal a lei não pode retroagir em detrimento dos produtores.  A fala do ministro pode ser vista em http://cirosiqueira.blogspot.com/2009/10/marco-aurelio-melo-se-manifesta-sobre-o.html.

E como foram abundantes as alterações introduzidas no Código Florestal em 1989 e em 2001 – incluindo a ampliação da reserva legal das propriedades situadas na Amazônia de 50% para 80%  -, os decretos presidenciais impondo a reconstituição das reservas legais só se aplicará a um conjunto limitado de propriedades, dificílimo de ser definido.  A aplicação do Código em toda a Amazônia Legal – muito mais ampla do que Amazônia “florestal” – também foi introduzida em 2001.

Em 1989, foi suprimido do Código o dispositivo que permitia o cômputo conjunto de áreas florestadas e de fruticultura de porte arbóreo nas propriedades entre 20 e 50 hectares para efeito da caracterização das reservas legais.  Em 2001, foi ampliada a reserva legal em áreas de Cerrado de 20 para 35%.

Também as faixas marginais de proteção dos rios foram drasticamente ampliadas em 1989, passando de 10 para 30 metros de largura no caso de cursos d’água com menos de 10 metros de largura, de metade da largura dos rios de até 200 metros para 50 metros no caso dos rios com largura entre 10 e 50 metros e para 100 metros com rios de largura entre 50 e 200 metros, e muito mais.

O fuzuê feito no Código Florestal ao longo dos anos pode ser visualizado em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4771.htm.

Evidentemente, a palavra do ministro Marco Aurélio Mello não é uma sentença do Supremo Tribunal Federal, mas suas referências a princípios fundamentais do Direito indicam que os decretos presidenciais e as iniciativas do MP nesse campo deverão ser mais cuidadosos.

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Já é mais do que passada a hora do Ministério das Cidades e os prefeitos interferirem nesse debate de maneira em que a falsa polarização entre “ruralistas” X “ambientalistas” não fique circunscrita a esse campo, e a aplicaçao do Código Florestal às áreas urbanas seja claramente suprimida de seu texto.

Mudanças Climáticas – Cientistas Ingleses Mostram Indicadores Mais Alarmantes

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Se persistir a emissão de gases causadores de mudanças climáticas, a temperatura do planeta pode se elevar em 4º C até 2060, afirmaram cientistas ingleses num encontro realizado na Universidade de Oxford, com a presença de 130 especialistas e representantes de governos de diversos países.

De acordo com o estudo, esse aumento médio de temperatura em todo o planeta – incluindo os oceanos – resultará em aumentos muito superiores em  áreas terrestre e regiões polares: 15-16º C na região Ártica, 8º C na Amazônia, 7º C na África e em partes dos EUA, 5º C na Ásia.  Isso implicará na redução de 70% nas chuvas e na vazão dos rios na região do Mediterrâneo, no sul da África e em grande parte da América do Sul, entre outras.

O aumento dos incêndios florestais espontâneos, a escassez de alimentos e o aumento do nível dos oceanos, com os óbvios impactos nas áreas costeiras foram tópicos considerados na nova avaliação dos cientistas ingleses, baseadas na constatação de que a emissão de gases causadores de mudanças climáticas continuou aumentando após o Protocolo de Kyoto.

A notícia, publicada pelo The Independent, porde ser encontrada em http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/government-launches-map-to-highlight-global-warming-threat-1807237.html e inclui um mapa mostrando as regiões mais vulneráveis, entre as quais a Amazônia.

Enquanto isso, a turma do governo brasileiro brinca de capturar fatias do eleitorado com uma irrelevante disputa em torno de “reservas legais”, uma cortina de fumaça para esconder a inépcia em relação à resolução dos problemas ambientais básicos já há muito superados nos países sérios – e que não têm qualquer dispositivo legal similar às Áreas de Preservação Permanente – APP e às tais reservas legais, ou sequer “códigos” florestais.

Mudanças Climáticas – Amplia-se a Farsa na Inglaterra

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A polícia inglesa voltou a baixar o sarrafo nos cidadãos que participavam de uma manifestação contra a implantação de uma nova usina térmica à carvão.  Silêncio por parte da turma do antiquado teatro de guerrilha do Greenpeace e o impostor príncipe Charles – que tanto falam na importância de conter o desmatamento nos países subdesenvolvidos (para que eles possam lançar mais carbono na atmosfera). Como não se pronunciam sobre o fato da Inglaterra, entre outros, não ter alcançado as metas do Protocolo de Quioto é nem mesmo as metas posteriores da União Européia no que se refere à redução das emissões de carbono, ou sequer aquelas que o próprio ministério das mudanças climáticas estabeleceu para si.

O lobby do carvão de lá tem o governo no bolso com a mesmo desembaraço que as empreiteiras manipulam o poder público no Brasil.

A farsa inglesa não se limita à violência policial contra cidadãos que se opõem à geração de mais energia ultra-suja.  Recentemente, os tribunais ingleses proibiram a publicação pelo The Guardian de publicar informações sobre o tráfico internacional ilegal de resíduos altamente tóxicos pela empresa Trafigura, cujas relações com importantes membros do Parlamento já tinham sido divulgadas.  Nada diferente do que aconteceu aqui com a censura imposta ao Estado de São Paulo por um judiciário que optou pelo corporativismo em detrimento da liberdade de imprensa e dos interesses da naçao.  Foram necessárias cinco semanas para que o The Guardian fosse legalmente autorizado a publicar mais evidências da criminalidade ambiental consciente e premeditada de altos executivos da Trafigura que contaminaram milhares de pessoas na Costa do Marfim.

Talvez seja o caso de incluir a Inglaterra nessas ridículas listinhas norte-americanas apontando o dedo sujo de sangue para países em que há violações de direitos humanos e da liberdade de imprensa (nunca incluindo as muitas Guantánamos que criam, com manuais de tortura sacramentados pela Casa Branca, além das usuais invasões e bombardeios de populações civis).

Em dois meses essa corja estará dizendo que não foi possível alcançar um acordo em Copenhaguem porque Brasil e Índia não se comprometeram com metas claras de redução do desmatamento em troca de alguma esmola.  Logo a Inglaterra que, como ironizou Noel Rosa, inventou a “dívida flutuante”.  Eles se propões a dar uns trocados ao Brasil desde que haja severa fiscalização sobre a redução do desmatamento, mas não querem que ninguém os fiscalize quanto ao cumprimento dos acordos que sempre desrespeitam. 

Substâncias Tóxicas Persistentes – O Risco Que Saiu de Moda?

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Cerca de 82.000 substâncias químicas sintetizadas pelo ser humano são utilizadas nos EUA e na maioria dos países “desenvolvidos”.  Apenas 200 foram testadas em relação à segurança para a saúde humana.  A lei norte-americana de controle de segurança das substâncias químicas é de 1976, proibindo a sua produção ou importação sem esses testes de segurança.

Agora, cientistas suíços constataram que grandes quantidades de substâncias altamente tóxicas e persistentes – isto é, que não se degradam no curto prazo – estão sendo liberadas pelo derretimento do gelo nos Alpes, onde haviam ficado retidas por décadas depois de totalmente proibidas.

Esses poluentes foram depositados na região por via atmosférica, através de chuvas.  Analisando as camadas de gelo, os cientistas comprovaram que dioxinas e DDT e dioxinas liberadas pela indústria ou por usos agrícolas já estavam se acumulando num lago desde o início da década de 50 e as quantidades continuaram crescendo nas décadas de 60 e 70, quando os chamados poluentes tóxicos persistentes eram produzidos em grandes quantidades.

Quando constatado que o DDT e substâncias do mesmo grupo acumulam-se na cadeia alimentar e atingem altas concentrações no leite materno e na placenta, essas substâncias começaram a ser proibidas, já na década de 80.  Elas ainda podem ser encontradas até mesmo na gordura de ursos polares que não tinham sequer nascido nessa época e que vivem a milhares de quilômetros das regiões onde foram liberadas.

Na mesma época, também foi proibida a produção e uso do asbesto, que se decompõe em microfibras que permanecem no ar por longos períodos antes de serem inalados e ficam retidos nos organismos vivos – entre os quais estão os humanos -, causando câncer num período que varia entre 10 e 30 anos depois.  Só recentemente os nobres parlamentares brasileiros, sempre atentos ao interesse público, proibiram o asbesto, que foi banido depois de um período em que o ágil judiciário meteu o bedelho.  Nenhuma política para remover o asbesto já utilizado foi sequer formulada – como ocorreu nos países sérios.

Estudos realizados nos EUA indicam já no nascimento as crianças têm em seus corpos variadas substâncias químicas sintetizadas pelo ser humano.  Lá, os procedimentos para a descontaminação de áreas onde foram despejadas substâncias tóxicas não foram interrompidos, ainda que se arrastem há cerca de três décadas.

E aqui?  Apenas o estado de São Paulo tem um inventário de áreas contaminadas, mas não há notícias de um programa consistente de descontaminação – apenas casos isolados.  Que quantidades dessas substâncias químicas altamente tóxicas e não degradáveis (persistentes) se encontrarão nos sedimentos de fundo dos rios que passam nas principais regiões industriais brasileiras, para não falar dos lixões?

Inglaterra – Adaptação a Mudanças Climáticas e Controle de Inundações em Áreas Urbanas

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Cientes de que as mudanças climáticas não são coisa para o futuro, mas já estão acontecendo, as autoridades inglesas começam a agir para reestruturar os sistemas de drenagem de águas pluviais do país.  Trata-se de reduzir os riscos de enchentes (que ao contrário do que alguns tentam fazer acreditar aqui, não tem qualquer relação com o desmatamento dos topos de morro, mas com essas mudanças no regime de chuvas e com os altos índices de impermeabilização das cidades.

Curiosamente, entre as soluções consideradas – não há uma, mas várias, que serão aplicadas de maneira conjunta – encontra-se explicitamente citado um exemplo dos trópicos: a drenagem superficial pelas sarjetas, tão difundida nas cidades amazônicas, onde as chuvas intensas se concentram em curtos períodos de tempo.

(O divertido é que, aqui, uma dessas leis mal paridas em Brasília, durante muito tempo exigiu que loteamentos tivessem redes de drenagem de águas pluviais em todo o território nacional, incluindo o semi-árido nordestino, o que desestimulou sobremaneira a implantação de loteamentos para a população de baixa renda.)

Os engenheiros ingleses já alertaram para o fato de que os atuais sistemas de canalizações subterrâneas não serão suficientes para evitar as enchentes nos próximos anos.  As coisas mudaram, e as enchentes já não se dão apenas e nem principalmente pelo transbordamento dos rios, mas pelos níveis de impermeabilização das áreas urbanas, bem como pela insuficiência dos sistemas de drenagem para dar vazão a “tipos de chuvas” que antes não aconteciam no país.

Com o escorrimento superficial e sem caminhos para escoar, essas chuvas criam o que aqui os especialistas chamam de “ressonância”, aquela turbulência que é possível ver nos trechos alagados das cidades durante os temporais e que, pela força da energia que não se dispersa, forma ondas que retornam, espalham-se em várias direções, e acabam por tornar qualquer salvamento quase impossível.

Mas lá, ao contrário daqui, as autoridades ouvem os especialistas.  Então, já começaram a trabalhar e um relatório analisando todos os aspectos do assunto e contendo alternativas de adaptação será entregue no próximo ano.

Das duas outras propostas – além do modelo tropical de escoamento pela sarjeta -, uma é muito interessante: o uso de um “asfalto poroso”, uma pavimentação que permita a infiltração de pelo menos uma parcela do escorrimento superficial das águas de chuva.

A outra, bastante mais simples e já usada no Brasil – mas que precisa ser rapidamente difundida – é a contenção dessas águas em tanques de espera suficientes para assegurar a sua retenção parcial e infiltração gradativa em muitos locais das cidades.

O relatório que está sendo preparado menciona especificamente os grandes estacionamentos, coisa que as grandes cidades brasileiras já deveriam ter tornado obrigatório há algum tempo.  Mas não à base de leis genéricas feitas por políticos assessorados por parentes, mas chamando meteorologistas, hidrólogos, especialistas em engenharia hidráulica e similares.

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A Inglaterra do chatérrimo príncipe Charles, que clama pela defesa de florestas tropicais mas silencia quando o seu país não consegue atingir metas de redução de emissões nem mesmo do próprio ministério de Energia e Mudanças Climáticas, tem estranhas peculiaridades.  Uma delas, a repressão violenta a manifestantes contrários à implantação de novas usinas de carvão. 

As imagens que podem ser vistas no link abaixo – da prisão de duas manifestantes – não são novas, mas só agora foram liberadas para a imprensa.

http://www.guardian.co.uk/environment/video/2009/jun/21/fit-watch-kingsnorth-arrests

Zeitgeist – O Espírito de Nossa Civilização

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Reverter o processo que conduz às mudanças climáticas seria, hoje, a prioridade número 1 da humanidade.  Mas como essa reversão não é mais possível – e há consenso sobre isso -, a comunidade científica propõe cortes drásticos nas emissões de carbono de maneira a que o aquecimento global não seja superior a 2 graus Celsius, o que já causará problemas bastante graves em áreas costeiras e à produção de alimentos.

Acelerar a conversão da matriz energética para as fontes não poluentes não será tão fácil assim se mantidos as atuais taxas de crescimento populacional e o “modelo” de sociedade na qual o consumo é o motor da economia e o paradigma do “sucesso”, da felicidade, do reconhecimento social.

Aí reside uma importante questão de natureza filosófica, histórica, sociológica, antropológica, e mesmo biológica: a história da humanidade é uma história de guerras e conquistas mesmo quando elas eram totalmente desnecessárias.  Similar ao processo de adaptação para chegar ao “topo da cadeia alimentar”.

Talvez o “poder” tenha uma raiz biológica, uma simetria com o impulso de expansão da vida que o ser humano levou a extremos, sem nunca, de fato, reconhecer “uma humanidade”.  Matar os outros em guerras e invasões nunca foi considerado crime, e algumas das maiores barbáries foram sancionadas tanto pelo direito quanto pelas religiões.

De acordo com essa mesma lógica, os países mais fortes – ou mais altamente industrializados – já tratam as questões de mudanças climáticas como relacionadas à segurança nacional.  Se possível, do planeta; mas sem descuidar de suas próprias prioridades nacionais… ou tribais.

O acesso aos recursos naturais já é, há muito, um business como qualquer outro, envolvendo invasões e lucros; agora, os problemas mais especificamente ambientais também já se tornaram um business comum – business as usual -, sujeito a lobbies, grupos de interesse políticos e econômicos, e a estratégias militares.

Como no próximo encontro internacional sobre mudanças climáticas, em Copenhague, é mais provável que não se tome nenhuma decisão relevante, as tensões em torno dos recursos naturais e da segurança territorial tendem a crescer.  Então, para entender um pouco melhor os poderes que movem o mundo em que vivemos, vale assistir Zeitgeist, legendado em português (ou fazer o download, se a velocidade da conexão for baixa, ou ainda transcrevê-lo para um DVD, caso o software para fazê-lo esteja disponível), em

http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024&ei=at7PSs2LEJOerALDwuj_Ag&q=zeitgeist&hl=pt-BR#

Zeitgeist, em alemão, significa espírito de época, espírito do tempo. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

O filme está dividido em três partes de aproximadamente quarenta minutos cada, que podem ser vistas separadamente após o download.  A primeira – que se inicia depois de alguns poucos minutos com imagens de guerras - descreve as origens e consequências atuais do cristianismo como estrutura de poder.  A segunda, contendo evidências de que o atentado de 11 de setembro às torres gêmeas foi planejado e executado pelo próprio governo norte-americano, avança na análise das técnicas de manipulação da percepção política dos povos.  A terceira parte é sobre o capitalismo financeiro e sobre como incentivou e ganhou dinheiro com as guerras.

Ao que parece, o documentário Zeitgeist foi simplesmente proibido no Brasil, ainda que na surdina.

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Clicando no primeiro ícone à esquerda do símbolo Google situado na parte inferior direita do documentário, é possível assistí-lo em tela cheia.

Mudanças Climáticas – Minuta de Novo Acordo É Confusa e Vaga – II

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Toda a estratégia de redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas dos países desenvolvidos fundamenta-se no desenvolvimento tecnológico.  Trata-se de um amplo conjunto de avanços que depois serão vendidos aos países em desenvolvimento com bons lucros.  Isso é o que já acontece, por exemplo, com o silício que o Brasil exporta e que depois recompra por um preço dezenas de vezes mais elevado sob a forma de painéis de energia solar.  O Brasil não tem produção autônoma de painéis fotovoltaicos.

Não há como ter um monitoramento efetivo do fracasso ou do maior ou menor grau de sucesso dessas estratégias nacionais para os países desenvolvidos, que ainda dependem de fatores imponderáveis na área do desenvolvimento científico e tecnológico, bem como da comercialização e da disseminação das novas tecnologias.  Essa é a razão pela qual eles preferem esquecer o naufrágio do Protocolo de Quioto!

Por outro lado, a estratégia para a redução da emissão dos mesmos gases que vem sendo imposta ao Brasil – e que o governo brasileiro ameaça nos fazer engolir – consiste em receber um trocado para assegurar o desmatamento zero debaixo de severo monitoramento externo.  A mesma velha posição de pedintes agora disfarçada com o nome de fantasia de “compensações por serviços ambientais” (um conceito válido quando aplicado de maneira mais específica e de interesse regional).

Ou seja, de um lado avança-se rapidamente no caminho de tecnologias que podem assegurar um processo de adaptação menos doloroso para os países desenvolvidos e, de outro, faz-se o engessamento do país cuja sobrevivência das florestas não depende inteiramente de suas próprias ações – já que as mudanças em curso alterarão o clima na Amazônia com ou sem a intervenção do governo brasileiro.

O chiclete com banana consolidado na minuta do novo acordo de Copenhague é vago quando se trata de assegurar punições para os países desenvolvidos que não cumprirem metas, mas preciso quando se refere à imposição de que o trocado pela manutenção e ampliação das áreas florestadas, que só será devido se os países monitorarem e atingirem essas metas de engessamento.  O objetivo de transformar a Amazônia num imenso Xapuri encontra apoio entre lideranças políticas brasileiras cujos eleitorados preferem o simplismo dos slogans ao estilo twitter, com no máximo 140 caracteres.

Cerca de 50% das florestas amazônicas já são unidades de conservação (federais, estaduais e municipais) ou reservas indígenas (não consideradas as áreas de preservação permanente).  Se o governo tiver competência – como nunca teve – para cuidar do desmatamento nessas áreas ou pelo menos nas unidades de conservação já será bom demais.

O fraseado sobre essa transformação das florestas brasileiras numa imensa reserva dos países que não têm e nem se propõem a recompor um percentual equivalente de suas coberturas florestais originais mantém o tom assistencialista do Banco Mundial (nenhum país jamais se desenvolveu com apoio dessa turma!), e pode ser encontrado a partir da página 106 do documento cujo link já foi fornecido no artigo anterior sobre o tema (ver abaixo).  Ou seja, iPhones para eles e apitos para os silvícolas.

http://unfccc.int/documentation/documents/advanced_search/items/3594.php?rec=j&priref=600005444#beg

Essa abordagem é agravada pelo fato dos fervorosos defensores do desmatamento zero – a Amazônia sem esses incômodos amazônidas seria bem melhor! – recusarem-se a sequer reconhecer a existência – para não falar da imensa superioridade – da EMBRAPA quando se trata de práticas de desenvolvimento sustentável das florestas amazônicas, sobretudo por medo de ter que ouvir os seus excelentes profissionais também no que se refere às mudanças no Código Florestal.

Trata-se da ignorância voluntária.  Voluntária e oportunista.  É fácil ter uma idéia da quantidade de propostas mais sérias – aliás, as únicas sérias – de desenvolvimento sustentável da Amazônia passando os olhos no link abaixo.

http://livraria.sct.embrapa.br/liv2/consultaCategoria.do?metodo=listar&codigoTipoCategoria=1&codigoCategoria=300 

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Lula agora diz que “o Brasil terá meta e cobrará do mundo”.  Ele é divertido.  Mas, será que a meta brasileira ficará só no tal desmatamento zero ou se estenderá às emissões da geração de energia – que contempla novas usinas térmicas – e, sobretudo, às emissões da exploração do petróleo no pré-sal, entre outras, industriais e na área de transportes?