Um relatório divulgado nesta semana pelo parlamento australiano, resultado de 18 meses de trabalho, afirma que com as mudanças climáticas em curso – as já visíveis mudanças nos regimes das marés (marés mais altas) e o aumento da força dos ventos – o governo deverá forçar o abandono de centenas de milhares de casas ao longo de de mais de mil quilômetros da costa.
A população reagiu com perplexidade quando o presidente do Comissão Sobre Mudanças Climáticas do parlamento afirmou, na última terça feira, que “na realidade resta muito pouco de nossa costa; ela só existe em decorrência de estruturas de proteção artificiais do tipo quebra-mar ou meros sacos de areia; é um desastre”.
O relatório, intitulado O Momento de Agir é Agora, pode ser encontrado em www.aph.gov.au/house/committee/ccwea/coastalzone/report.htm#chapters. Uma de suas recomendações é a demarcação de uma linha costeira além da qual se proiba qualquer novo desenvolvimento, além de uma retirada progressiva planejada.
Expressando o seu apoio ao relatório, o secretário-executivo da Grupo de Trabalho Sobre Mudanças nos Oceanos baseado em Sidney afirmou que algumas áreas costeiras são tão vulneráveis às mudanças climáticas que “não há qualquer garantia de que as pessoas possam continuar a viver nelas com um mínimo de segurança”.
Ainda assim, o governo australiano jamais aprovou qualquer acordo acordo internacional ou plano nacional lde emissão da redução de gases causadores de mudanças climáticas.
No Brasil, um relatório similar produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE dorme desde 2006 nas gavetas do governo, e certamente merece uma atualização. Esse relatório pode ser encontrado em www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf e os interessados podem ir diretamente às conclusões, nas páginas 135 e subsequentes. O Brasil sequer esboçou qualquer tentativa de ter uma plano estratégico de adaptação às mudanças climáticas.
A turma prefere garantir contrato de empreiteira e fazer Angra III à beira-mar ou discutir se plantações de maçã existentes há tempos podem continuar nas encostas que o CONAMA, embriagado com uísque paraguaio e extrapolando largamente de suas competências legais, trasformou em áreas de preservação permanente.
É realmente impressionante a reação, ou melhor, a inércia “racional” do homo sapiens. De certa forma toda esta cultura e desenvolvimento humano adquiridos não nos servirá para nada. E segue a tendência do caldeirão que irá ferver sem que os sapos tenham saltados antes.
Impressionante!!!