Mudanças Climáticas e o Naufrágio Antecipado de Copenhaguem

Hoje, no encerramento da reunião ocorrida ao longo desta semana em Barcelona, representantes do governo inglês afirmaram que são mínimas as possibilidades de que se chegue a um acordo global no próximo mês, em Copenhaguem.  As divergências de posições são tão grandes que mais provavelmente qualquer decisão será deixada para dezembro de 2010, no México, ou até depois.

O sincero reconhecimento de que são desprezíveis as chances de um acordo com algum nível de impacto significativo sobre a redução dos gases é, também, uma confirmação de que os interesses nacionais superam os assim chamados interesses globais da humanidade, já que ao longo de dois anos cerca de 10.000 representantes de 192 países trabalharam e estiverem presentes a um grande número de reuniões internacionais tendo em mente o prazo do encontro que se realizará em Copenhaguem.

De um lado, países industrializados como Canadá e Rússia recusam-se a aceitar metas de redução de emissão de carbono.  No senado dos EUA, avança a passos de cágado o projeto de lei de segurança energética e redução das emissões (os norte-americanos sempre enfatizam a própria segurança e independência no que concerne a decisões que possam impactar a sua economia).  E outros países desenvolvidos, como o Japão, já deixaram claro que não pretendem meter a mão no bolso para apoiar o processo de redução das emissões em países em desenvolvimento.  Os demais querem ter segurança sobre os valores e, mais do que tudo, dos mecanismos que assegurem a destinação desses recursos financeiros na forma decidida por eles.

Assim, vai para o brejo o sonho do pagamento internacional por “serviços ambientais” e da constituição de um “fundo amazônico” que possa realmente impactar a qualidade de vida dos “povos da floresta”.

Enquanto isso, a Inglaterra e a Europa em geral continuarão importando óleo de dendê proveniente da Malásia, da Indonésia, das Filipinas e de outras áreas desmatadas em países africanos para poderem dizer que reduziram as suas emissões.

No Rio de Janeiro, só o início das operações de uma aciaria alemã – a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) – aumentará em 14% as emissões de carbono no estado.  E isso sem computar o início das atividades de outra aciaria em Resende – Votorantim – e do Complexo Petroquímico em Itaboraí, liderado pela Petrobras e pessimamente localizado.

No mesmo dia, fingindo seriedade, a ONU “exige” que o Brasil apresente as suas metas de redução do desmatamento.  E, o que é pior, o Brasil achando se enrolando nessa questão, como se não existissem pelo menos 5 milhões de pessoas vivendo nas florestas amazônicas (fora dos centros urbanos).

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Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Mudanças Climáticas e o Naufrágio Antecipado de Copenhaguem”

  1. 1. a comunidade cientifica não está fechada quanto a ideia de que o aquecimento ou a mudança são de origem humana, cresce o numero dos que discordam da origem humana;
    2. se o dito aquecimento, ou a mudança, como preferirem, não for de origem humana e isso ficar provado amanhã muitos lucros previstos deixarão de ser realizados por quem está especulando com as novas tecnologias e com os possiveis mecanismos de “desenvolvimento limpo” que não tem nada de limpo;
    3. todo esse fuzuê só tem servido pra uma coisa: para empresas venderem tecnologia a peso de ouro e para alguns zé manés sem prestigio viverem vida de nababo da ciencia ambiental, viajando, comendo banquetes, etc, etc.
    4. do lado da mesma sala onde figurões e figurinhas discutem as saidas para o aquecimento e formas de “governança global climatica”, estão outros, em outra sala, falando de pré-sal, de refinarias e aciarias, de jazidas do Artico, de disputa pelas jazidas da Asia Menor, etc. É coisa de maluco.

O que você pensa a respeito?