Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA e o Blá-Blá-Blá da Compensação de Emissões de Carbono

O jogo de cena montado em poucos dias em torno das emissões de carbono da Companhia Siderúrgica do Atlântico “rendeu” tal visibilidade no jornal O Globo  que permite questionar a isenção ou a competência jornalística desse órgão de imprensa nesse episódio.

O CO2 nunca foi sequer considerado um poluente atmosférico – e, portanto, essas emissões não são regulamentadas, no Brasil, nos EUA ou em outros países.  Não existe tecnologia para a captura durante os processos de queima de combustíveis fósseis ou outros.

A preocupação com essas emissões – decorrentes de qualquer processo de queima – surgiu depois da constatação de sua importância para as mudanças climáticas e alguns países desenvolvidos que aderiram ao Protocolo de Kyoto estabeleceram metas de redução nacionais que poderiam ser atendidas através de grandes avanços tecnológicos na área da eficiência energética ou da adoção de fontes renováveis.

Mas essas metas não eram obrigatórias para economias periféricas, como é o caso do Brasil, que nunca teve qualquer política consistente para a redução das emissões de CO2 além de esforços para a re

Muito se falou na compensação das emissões de carbono da CSA sem que fosse feita qualquer referência ao inventário das emissões industriais no estado do Rio de Janeiro, cuja liderança nesse campo está, sem sombra de dúvidas, com a Petrobras, tanto na Refinaria Duque de Caxias – REDUC quanto em suas operações de extração de petróleo na bacia de Campos.

Além disso, tampouco foi feita qualquer referência a outras aciarias, como a unidade da Votorantim, em Resende, a outras grandes fontes de emissão de carbono na mesma atividade industrial, como a fábrica da Companhia Siderúrgica da Guanabara – COSIGUA, do Grupo Gerdau, situada na mesma bacia aérea da CSA.

Da mesma forma, nada se falou das futuras emissões do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, erroneamente localizado em Itaboraí.

Vale ressaltar que, dessas, a única estrangeira é a CSA, do grupo Thyssen Krupp, alemão.  As grandes fontes de emissão de carbono de propriedade de grupos brasileiros não foram sequer mencionadas durante o bater de tambores de cartas marcadas.

É interessante, ainda, notar que todo o processo de licenciamento da CSA foi “transparente” – já que precedido de estudo de impacto ambiental (EIA) em tese amplamente divulgado e precedido de audiência pública formalmente participativa – como acontece, há muito, com todo o sistema de EIA-RIMA ou de audiências públicas no Brasil.

Com ou sem a transparência ideal sobre o processo de licenciamento dessa indústria, todas as irregularidades envolvidas já eram conhecidas em 2007, valendo uma visita ao seguinte link: 

www.pacs.org.br/uploaded_files/20090703144344_printed_outras_UEFDU19lc3R1ZG8gZGUgY2Fzby5wZGY=.pdf

Nele, entre outras coisas é possível saber que já em 2007, encontravam-se na Justiça (a) sete ações cíveis em andamento contra a empresa e o órgão ambiental que emitiu a licença, (b) uma ação civil pública por danos ao meio ambiente ajuizada MP estadual, (c) um inquérito criminal em andamento no Ministério Público federal contra o IBAMA, os órgãos ambientais estaduais e a prefeitura do Rio de Janeiro acusando-os de “cúmplices e sócios da poluição”, e (d) uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do trabalho contra a vinda de um grande contingente de chineses para trabalhar nas obras da empresa (tudo com o aval do governo federal, que concedeu os vistos de trabalho em detrimento de profissionais brasileiros de igual qualificação, mas sem a validação prévia do CREA).

Serão essas as razões ocultas do súbito ataque à CSA?  Será que se encontram adormecidos nas gavetas do Judiciário e do MP todos esses processos ou há “riscos” de um iminente de uma condenação de todos os réus?

Passando ao largo dessas dimensões eleitoreiras e judiciais, a secretária de estado Marilene Ramos foi a única entrevistada que, com profissionalismo, mostrou cautela ao falar na exigência de compensações para as emissões de carbono (apesar do excelente trabalho que vem fazendo, o perfil da secretária não inclui a badalação na mídia).

De fato, O Globo e as personalidades que se manifestaram favoravelmente às compensações pelas emissões de carbono da CSA não tiveram o cuidado de calcular que área de florestas seria necessário plantar para fixar uma quantidade de carbono equivalente àquela emitida apenas pelo conjunto de indústrias acima relacionadas.  Não é improvável que o reflorestamento de toda a área rural do estado fosse suficiente para assegurar tal compensação.  Esse cálculo é, de fato, imprescindível para qualquer tomada de decisão.

Já se disse, aqui, que há muito os países altamente industrializados exportam para os países “emergentes” ou de economias periféricas as indústrias intensivas no consumo de energia, como é o caso das siderurgias.  Não o fazem por questões ambientais – ainda que as normas brasileiras de emissão de poluentes estejam, há muito, ultrapassadas.  Fazem por razões de mercado, pura e simplesmente.  São produtos de baixo componente tecnológico e pouco valor agregado, do tipo que caracteriza as exportações brasileiras.

Com tanto blá-blá-blá em torno de uma única fábrica, vale comparar as emissões da indústria de aço de cinco países de economia emergente.  Ainda com dados de 1995 – ano seguinte ao último inventário oficial de fontes de emissão de gases causadores de mudanças climáticas no Brasil -, o quadro não deve ter mudado muito.

steel-in-emerging-countires.jpg 

Tanto a Índia quanto a China já manifestaram a sua intenção de não assinar qualquer acordo internacional sobre a redução desses gases na forma atualmente proposta.  Líderes de ambos os países já se manifestaram favoráveis a mudanças profundas nos padrões de consumo dos países altamente desenvolvidos e à adoção do conceito de pegada carbônica dos produtos finais consumidos em cada país.

Se fosse fácil resolver esses problemas, bastaria uma gritaria generalizada de “ambientalistas” para que todas fontes de emissão de gases causadoras de mudanças climáticas do planeta fossem obrigadas a fazer as tais “compensações” e o mundo não estaria empacado nas negociações em torno do assunto.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

13 comentários em “Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA e o Blá-Blá-Blá da Compensação de Emissões de Carbono”

  1. Muuuuu, conversa para boi dormir, assim como no caso da CSA, os ministerios publicos possuem centenas de denuncias e inqueritos contra predadores do ambiente, da qualidade de vida, muitos deles resolvidos com TACs, que são formas do ministerio publico fazer papel de tribunal, só para ficar nesta critica. Para O Globo falar contra a CSA é porque tem algum interesse da Globo contrariado.

  2. Sr Luiz Prado, eu estive em todas as trez audiencias públicas do referido processo de licenciamento e não vi em nenhuma algo para que o senhor diga que foram transparentes, o que, obviamente não foram. Foi sujo, foi manipulado, foi excludente, foi viciado. Nós estamos falando de uma empresa gerida por criminosos, que, se utilizam até de milicia armada pra ameaçar pescadores da baia de Sepetiba, inclusive já amparados por programa de proteção federal à testemunhas. Outrossim, é preciso saber que interesses lhe movem pra publicar nota defendendo esse grupo de empresários criminosos que provocou o maior desastre ambiental desta região recirculando todo passivo ambiental da falida cia Ingá acumulado em 40 anos e, o fizeram em apenas um ano.

    O Sr. não merecia nem resposta a tanta besteira dita sem conhecimento das vítimas que já existem por conta desse insano empreendimento chamado TKCSA.

    Vá escrever sobre moda ou culinária, que, certamente não vai lhe remunerar como obviamente a TKCSA, mas, tem assunto todo dia pra se debater sem a exigência de muito conhecimento.

    Eu sou um dos mais de 8 mil pescadores da Baia de Sepetiba prejudicados por esta empresa.

    Passar bem.

    Resposta do autor,

    Prezado Marcos,

    Como não estive nas audiências, nada pode dizer. Mas perdoe-me se me expressei mal. Eu queria realmente dizer que as “lideranças ambientalistas” que apareceram protestando com veemência n’ O Globo sabiam mais do que perfeitamente tudo o que estava acontecendo durante o tempo todo.

    Longe de mim a idéia de defender essa empresa no que se refere a todos os aspectos mencionados por voce e alguns mais. Referi-me apenas e unicamente à farsa dos que fingiram se surpreender com o fato de que ela emitiria tanto dióxido de carbono – em vez de falar deses outros assuntos que voce menciona. Mas, permita-me enfatizar que citei o grande número de processos contra a empresa, processos que permanecem inconclusos.

    Fora o que, há muito penso em escrever sobre o fato do conjunto de Estudos de Impacto Ambiental e de audiências públicas terem se transformando, há bastante tempo, no Brasil, em meras farsas.

    Finalmente, mas não menos importante, como qualquer um de bom senso desaprovo em 200% a localização dessa aciarida naquele local que deveria ser voltado para a pesca e o turismo – como ocorre em qualquer país sério que fez o seu ordenamento costeiro, nunca feito no Brasil apesar de lei que assim determina em vigor há cerca de 20 anos. Nesses países sérios, só ficam no litoral aquelas coisas que inevitavelmente têm que ficar no litoral, e isso não inclui usinas nucleares e nem aciarias.

    Aceite as minhas desculpas se não fui claro quando afirmei que houve trasnparência quando na verdade queria dizer que essas lideranças ambientalistas que agora protestam tinha total conhecimento de tudo. Peço-lhe que aceita, também, a minha solidariedade aos pescadores e à população local. Certamente, ninguém do povo foi consultado de maneira apropriada -nem aí e nem em Itaboraí, onde será implantado o Complexo Petroquímico da Petrobras. E, o que é mais grave, os acadêmicos se omitiram!

    Cordialmente,

    Luiz Prado

  3. Bem, a única “liderança ambientalista” (?)que se mostrou muito surpreendida com as notícias sobre a poluição da CSA foi o ministro Minc. Ou houve outros?

    Resposta do autor do blog:

    Fernando – Houve o Alfredo Sirkis, também. Mas o surpreendente mesmo foram outras coisas: (a) a ignorância – ao menos aparente, até mesmo por parte dos jornalistas – de que é literalmente impossível existir combustão sem emissão de dióxido de carbono e, mais ainda, inexistir qualquer possibilidade de produção de aço sem muita emissão de dióxido de carbono, já que o carvão mineral é usado como redutor no processo industrial (e isso é assim no mundo inteiro), (b) não ser feita qualquer referência à siderúrgica da Votorantim, em Resende, que acaba de ser inaugurada, dando a impressão de uma notícia/matéria “plantada”, (c) ninguém – nem mesmo os jornalistas – mencionar que durante a implantação da indústria houve um grande número de outras irregularidades graves, inclusive na área ambiental, irregularidades que geraram as ações judiciais que menciono no texto, e (d) a meu ver, a maior de todas as irregularidades, permitir-se a LOCALIZAÇÃO dessa indústria naquela área (como a da siderúrgica da Votorantim às margens do Paraíba do Sul).

    Em nenhum lugar do mundo se permite, há muito, um geringonça desse tamanho na zona costeira! Como é evidente para os que querem ver, a LOCALIZAÇÃO desses complexos é parte essencial de seu processo de licenciamento, mas não tem sido assim no Brasil. Os grandes se localizam onde bem entendem, como a Audi, em Curitiba, nas áreas de preservação permanente dos mananciais que abastecem a região metropolitana, ou o Complexo Petroquímico de Itaboraí, ali em fase de implantação porque ali decidiu a Petrobras (só para não levar para Campos, interiorizando o desenvolvimento e a urbanização, por “implicâncias” políticas”?)

    Será que os “zambientalistas” sabem que não é possível fabricar aço sem emitir MUITO dióxido de carbono? Ou será que eles acham que farão as tais “compensações ambientais” de todas as aciarias do Rio de Janeiro e mais a REDUC e similares plantando florestinhas verdinhas? Porque se essa for a idéia, será necessário remover a população do estado! Ou então, a proposta é ter curral eleitoral de jovens ingênuos! Se fosse fácil assim, não haveria necessidade de encontros de turismo em Bali e Copenhaguem!

  4. As lideranças comunitárias/ambientais de sepetiba agiram e vem agindo há muitos anos, com DEZENAS DE PROCESSOS NA JUSTIÇA FEDERAL, contra o Cia Docas-RJ(Porto de Sepetiba) , C.S.A e outros vilões do meio-ambiente. Sugiro que acessem o PORTAL DE SEPETIBA http://www.portaldespetiba.com.br para se inteirarem dos movimentos comunitários e quem sabem somar-se a nós???????

    Prezado Flávio,

    Não há a menor sombra de dúvida de que a simples localização dessas indústrias na zona costeira é uma agressão ao meio ambiente e ao bom senso que há MUITO TEMPO não é tolerada nos países sérios. No litoral, considerado – inclusive pela lei brasileira – um local privilegiado, só ficam as atividades que TÊM QUE ESTAR no litoral, como portos, estaleiros, pesca e piscicultura e turismo (e, nos países sérios, a definição das áreas apropriadas para cada uma dessas atividades já foi feita na década de 70! Indústrias, sistemas de estocagem/tancagem de óleo e outras maluquices dessas podem e devem ficar mais para o interior.

    Saudações!

    Luiz

  5. Para os que pensam que o povo de sepetiba não briga pelo meio ambiente abaixo um dos processos contra a CIA DOCAS RJ

    IV – APELACAO CIVEL ( AC / 386560 )

    AUTUADO EM 13.11.2006

    PROC. ORIGINÁRIO Nº 200351010223860 JUSTIÇA FEDERAL

    RIO DE JANEIRO VARA: 6CI

    APTE : CIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO

    ADV : FREDERICO AUGUSTO DE ALMEIDA

    FERREIRA E APDO : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL

    ADV :

    RELATOR : DES.FED.SERGIO SCHWAITZER – 7A.TURMA ESPECIALIZADA

    LOCALIZAÇÃO : SUBSECRETARIA DA 7A.TURMA ESPECIALIZADA – 2º ANDAR

    PROCESSO ORIGINÁRIO: 2003.51.01.022386-0 6006 – ACAO CIVIL

    PUBLICA/IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

    Autuado em 01/10/2003 – Consulta

    Realizada em 17/03/2008 às 17:28

    AUTOR : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL

    PROCURADOR: ANAIVA OBERST CORDOVIL

    REU : CIA/ DOCAS DO RIO DE JANEIRO E OUTROS

    ADVOGADO : OCTAVIO BLATTER PINHO E OUTROS

    06ª Vara Federal do Rio de Janeiro – FABIO TENENBLAT Juiz – Sentença: FABIO TENENBLAT

    Objetos: MEIO AMBIENTE: PARALISE AS OBRAS DE DRAGAGEM DO CANAL DE JAGUANUM

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    Concluso ao Juiz(a) FABIO TENENBLAT em 08/03/2006 para Sentença SEM LIMINAR por JRJMLS

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    SENTENÇA TIPO: A – FUNDAMENTAÇÃO INDIVIDUALIZADA LIVRO II/2006 REGISTRO NR. 000026/2006 FOLHA 04/14

    Custas para Recurso – Autor: R$ 0,00

    Custas para Recurso – Réu: R$ 1915,38

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    (…)Ante o exposto:

    a) em relação à ré Companhia Docas do Rio de Janeiro, julgo parcialmente procedente o pedido, condenando-a a: a.1) despejar o material a ser retirado nas obras de dragagem para ampliação do canal de acesso ao Porto de Sepetiba em mar aberto, a pelo menos 6 milhas da costa, em local determinado a partir de estudos técnicos;

    a.2) realizar as obras propostas como compensação para o dano decorrente do assoreamento das praias (fls. 743 a 758), na ordem de prioridade expressa no documento de fls. 895, bem como implementar as medidas mitigadoras dos problemas ambientais existentes na Baía de Sepetiba elencadas às fls. 882 a 892;

    a.3) pagar ao fundo a que se refere o art. 13 da Lei n( 7.347/1985 valor correspondente à diferença entre o que seria gasto para a retirada do material já depositado no bota-fora e o despendido para o cumprimento dos subitens anteriores (a.1 e a.2);

    b) em relação a ré FEEMA, julgo parcialmente procedente o pedido, condenando-a à obrigação de fazer mencionada no item IV do pedido formulado na inicial, ou seja, a fiscalizar eficazmente a obra e acompanhar a execução dos projetos de compensação e recuperação acima mencionados, a serem levados a cabo pela Companhia Docas do Rio de Janeiro;

    c) em relação ao réu Eduardo Turano, julgo improcedente o pedido. Deixo de condenar a FEEMA ao pagamento de valores em favor do fundo destinado à recuperação dos danos.(…).

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    Publicado no D.O.E. de 20/04/2006, pág. 82/83 (JRJJZC).

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    Disponível para Réu por motivo de Recurso A contar de 20/04/2006 pelo prazo de 15 Dias (Simples).

    Devolvido em 15/05/2006 por JRJRBB

  6. É incrível o que esta empresa (CSA) vem fazendo com a Baía de Sepetiba. Pescadores, amigos meus estão sem condições de trabalho (com dignidade). Outrora, a força do capital da empresa com medidas compensatórias divide a classe de pescadores, tendo uns que defendem a empresa e outros que não, infelizmente. O melhor caminho, creio nesse momento é pelo viéis cultural, ou seja, trabalhar a educação, para que os futuros cidadãos vejam essas empresas não como fruto do modelo de desenvolvimento capitalista, mas como um cavalo de tróia. Sou professor, acadêmico e apóio a luta dos pescadores. Existem acadêmicos nessa luta sim.

    Observação do autor do blog – O artigo é específico sobre as políticas públicas relacionadas às emissões de carbono, com ênfase no fato de que ou aplica-se uma regra geral que inclua outras indústrias altamente poluentes em todos os campos, como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Refinaria Duque de Caxias, ou vão apenas arrumar um bode expiatório.

    No que se refere ao comportamento da indústria alemã em relação ao ecossistema local e aos pescadores, é mais do que evidente que os prejuízos serão elevadíssimos. Em NENHUM país sério do mundo seria permitida a instalação de uma indústria desse porte tão próximo ao litoral. Além do que, é impossível entender por que não beneficiam o minério nas proximidades das minas em vez de ficar transportando grandes quantidades de escória por longas distâncias. Inexistindo políticas públicas, o caótico processo de localização dessas indústrias é seguramente danoso aos interesses maiores dos cidadãos.

  7. Gostaria de saber que tipo de doença pode causar a poluição nos moradores das vzinhanças.

    Resposta

    Doenças bronco-pulmonares e reações alérgicas.
    Além da devastação para equipamentos eletro-eletrônicos.

  8. As estradas para transporte rodoviário apenas interessam mais aos empreiteiros que mandam no governo (no sentido amplo) e à indústria automobilística estrangeira aqui instalada. Como não temos a tecnologia para os trens de alta velocidade, ficamos na inércia, saciados com a enxurrada de investimentos estrangeiros.

  9. Acho engraçado este blablabla dos defensores do meio ambiente. Todas as obras grnades no Brasil são criminosas e pactuam com o governo? Acho que falta habilidade a ambientalista no sentido de definir planos diretores, avaliações ambientais estratégicas e estudos (junto com a academmia) de forma a nortear a localização mais correta e a tipologia de indústrias a cada local.
    Por outro lado, a ocupação de matas urbanas é tratada como infeliz problema social, para o qual a solução é sempre um estímulo a sua ocupação, com favelas-bairro, criando uma periferia pobre nestas áreas e só ampliando a ocupação de encostas sem nenhum ordenamento.
    Ainda por um outro lado, triste ver PARCELA de “pescadores” que visam benefícios a cada acidente ou obra de maior porte. Já estive com inúmeras comunidades de pescadores, sérios e conscientes e organizados. Do mesmo modo, já estive com vários “pescadores” que não pensam 2 vezes na hora de reduzir o tamanho da malha, pescar em época de defeso, querendo obter mais e mais lucros. Na época do acidente da Petrobras a quantidade de “pescadores” candidatos a um reembolso cresceu assustadoramente.
    Ou seja,certo estava o francês…. este país não é sério…
    O importante é aparecer na mídia, ser destaque…. quem sabe para se candidatar a um cargo público e fazer parte da partilha deste país entre poucos.

  10. O Ministério Público já ajuizou ação criminal contra os dirigentes da CSA. Agora, virá a ação civil.

    Não se trata de siderúrgica ou não siderúrgica – se fosse tão simples, seria fácil -, mas de uma só pergunta: essa turma faria isso na Alemanha?

  11. AdvoNews
    Portal dos Advogados

    MP do Rio denuncia Companhia Siderúrgica do Atlântico por crimes ambientais – Advogado News
    03/12/2010

    RIO – O Ministério Público do Rio informou nesta quinta-feira (2) que denunciou por crimes ambientais, a Thyssenkrupp CSA Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), o diretor de projetos da companhia, Friedrich-Wilhelm Schaefer, e o gerente ambiental Álvaro Francisco Barata Boechat.
    De acordo com a a ação ajuizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a CSA vem gerando desde junho do ano passado poluição atmosférica em níveis capazes de provocar danos à saúde humana, afetando principalmente a comunidade vizinha da usina, em Santa Cruz.
    O coordenador do Gate-Ambiental, promotor Daniel Lima Ribeiro, disse que uma usina siderúrgica do porte da CSA não pode deixar de adotar tecnologia de controle adequada, capaz de prever e captar qualquer emissão de poluentes atmosféricos ou hídricos.
    Em caso de condenação, a empresa pode ser punida também com multa, suspensão total ou parcial de atividades e interdição temporária de direitos, como proibição de contratos com o Poder Público, receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios e participar de licitações, pelo prazo de cinco anos.
    O MP recebeu também a denúncia da suposta atuação de uma milícia que faria a segurança privada da companhia. A informação está sob investigação pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE).

    Fonte: Globo Online

  12. Prezado Vinicius,
    Isso foi amplamente noticiado pelos jornais. Foi uma bela iniciativa, ainda que me pareça ainda insuficiente.
    Outros “bonecos” lá dentro talvez devessem, também, ser indiciados.
    Penso que a própria localização da CSA foi errada, e nisso ela contou com o consentimento e a permissividade do poder público.
    A empresa trouxe para o Brasil a parte de maior consumo de energia, maior emissão de gases causadores de mudanças climáticas, e menor valor agregado. E, se bobear, ainda ganhou créditos de carbono lá no páis de origem. Deve ser isso que eles chamam de “responsabilidade sócio-ambiental”.
    Ainda falta a ação civil, não?
    VAmos ver no que dá e se o MP avança na direção de outros gigantes que estão em situação igual ou até pior!
    Luiz
    Luiz

  13. Só pode tudo porque a população é omissa e não se organiza para passar informações para importantes setores da imprensa que ainda falam – como a próprio Globo, que tem dado excelente cobertura quando se trata de apontar os desmandos da CSA. É praticamente impossível encontrar alguém na sociedade que fale sem ser procurado pela imprensa – e mesmo assim, raros. Se estão intimidados por milícias ou são mansos mesmo, ninguém sabe. Vale um estudo de antropologia urbana e outro de relações internacionais. Afinal, a CSA e a Vale conseguiram créditos de carbono pela redução das emissões de gases lá quando optaram por fazer essas emissões aqui.

    Fora isso, a CSA afronta, cinicamente, os interesses da sociedade na qual se inseriu, com fortes diferimentos de impostos sem os devidos juros e correção monetária. Aliás, por que é mesmo que indústrias bilionárias de países muito ricos têm os diferimentos de impostos que não são dados aos demais cidadãos? Será por mera gentileza dos governantes?

O que você pensa a respeito?