Desmatamento na Amazônia e Redução das Emissões de Carbono – Verdades e Mentiras

Enquanto o governo brasileiro – leia-se, Lula e Dilma – patina na tomada de decisões sobre metas de redução de emissões de gases causadores de mudanças climáticas, a China se posiciona oficialmente pela manutenção dos princípios do Protocolo de Kyoto, de acordo com o qual os países desenvolvidos devem assumir as responsabilidades, enquanto os demais – incluindo a própria China e a Índia, que parecem estar de acordo sobre esse ponto – ficam isentos de ter metas obrigatórias até 2020, pelo menos.

Metas obrigatórias no Brasil dependeriam de estudos sobre a viabilidade da redução das emissões por setores de atividades econômicas, e esses estudos simplesmente não existem.  Assim, apenas como exemplo, na área de transportes urbanos, a decisão de impor pelo menos um aumento progressivo e definido de ônibus híbridos – já fabricados no Brasil e exportados -, seria fácil avaliar a redução nas emissões nessa área.  E assim, em muitas outras.  Mas não, o samba de uma nota só reduz-se a compensar emissões com o plantio de florestas.

Enquanto isso, a China investe massivamente em tecnologias de energias renováveis e em eficiência energética.  Os compressores eletrônicos de alta eficiência utilizados nos aparelhos de ar condicionado brasileiros, por exemplo, são todos fabricados na China.

É literalmente impossível falar em desmatamento zero na Amazônia quando até o final de 2010 deverão ser regularizadas 500.000 posses!  Mas, que importa?  Esse é assunto para as próximas administrações.  O que pesa agora é o lero-lero político.

Além disso, vale lembrar que (a) apenas 60% das florestas amazônicas estão em território brasileiro (os 40% restantes estão no Perú, Colômbia, Venezuela, Ecuador, Bolívia, Suriname Guiana e Guiana Francesa), (b) as florestas amazônicas representam apenas 50% das florestas tropicais úmidas remanescentes no mundo (as demais, na Ásia por exemplo, estão sendo rapidamente substituidas por plantações de dendê para a produção de biocombustíveis) e, (c) o que tem sido guardado em segredo, as florestas boreais estocam quase o dobro do carbono contido nas florestas tropicais úmidas!

Aos costumes!

No Canadá, apenas 8% dessas florestas são protegidos, enquanto 50% foram concedidos a empresas florestais para corte raso.   Simples assim!  Cerca de 80% das árvores de florestas boreais nativas cortadas no Canadá são exportados para consumo e processamento nos EUA para fazer desde produtos madeireiros até papel higiênico.  E a maioria dessas empresas concessionárias desse corte raso nas florestas boreais do Canadá exporta madeira “certificada” por organizações impostoras como o Forest Stewardship Council (FSC).

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC recomendou, em 2007, que as florestas boreais fossem totalmente protegidas e o Canadá nem piscou.  Nele encontram-se a maior extensão de florestas nativas do mundo.  As florestas boreais cobrem 15% da superfície terrestre do planeta e estocam 30% do carbono de todos os biomas.

Uma boa parte dessas florestas está no Alasca – em território dos EUA -, mas os cientistas dos países altamente industrializados e as suas ONGs que tudo sabem e tanto falam sobre as emissões das florestas amazônicas ainda estão “pesquisando” as emissões decorrentes do corte raso das florestas boreais.  Sobre as emissões decorrentes do desmatamento na Amazônia as ONGs tipo WWF enchem o peito para fazer afirmações certeiras, em casas decimais.

Esses “segredinhos” talvez valham como subsídios para as decisões do presidente Lula.  Mas valem, sobretudo, para abrir os olhos dos brasileiros que vivem nas cidades e se alarmam com as manipulações de informações dos Greenpeaces da vida.

Essas informações podem ser encontradas em

http://news.mongabay.com/2009/1112-hance_boreal.html

e em http://www.whrc.org/borealNAmerica/index.htm, em inglês.

Não se defende, aqui, que as florestas amazônicas brasileiras sejam deixadas ao léu.  Apenas, tenta-se esclarecer como atuam os grupos de interesse e com que tipo de responsabilidade moral para com a humanidade outros países se comprometem.

De qualquer forma, vale perguntar, até quando a turma – os ingleses, o governo brasileiro, essas ONGs que fazem teatro de guerrilha – vão continuar fingindo que (a) a Amazônia é a coisa mais importante do mundo para conter as mudanças climáticas e (b) o Brasil só tem esse caminho para reduzir as emissões de gases causadores dã emissões de dióxido de carbono.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários em “Desmatamento na Amazônia e Redução das Emissões de Carbono – Verdades e Mentiras”

  1. Pois é! Enquanto o mundo (China, Índia, USA, Espanha, Austrália entre muitos outros) investe pesado em sistemas energéticos a partir de calor solar, por aqui ninguém fala nada á respeito. Por exemplo: Uma tecnologia gerando energia limpa, sem pegada de carbono, que a Acquaway considera formidável é a das “chaminés solares”. Para ilustrar, a Austrália investe em planta solar de 200MW. O leitor que tiver interesse entre no “link” http://www.youtube.com/watch?v=0tWlP0knKQU .
    O referido “link” mostra uma montagem virtual! Como é óbvio, ninguém vai colocar um Projeto Técnico, ativo de expressivo valor comercial, na Internet para os “curiosos” apenas criticarem, nada fazendo de pró ativo a respeito, bem a moda “Tupiniquim”. Pior ainda! No Brasil, seja por falta de recursos suficientes para Pesquisas e Desenvolvimento, seja por “travamento político”, seja por pressão de “lobbies” empresariais, surgem ensaios “estranhos” de chaminés solares, completamente inadequados do ponto de vista de Projeto Técnico, não contemplando nem mesmo conceitos de Física básica, de nível colegial. Por aqui, o importante mesmo é projetar usinas hidrelétricas e térmicas acionadas a carvão, diesel, ou gás natural (naturalmente onde houver distribuição de gás)e considerar tais térmicas como exemplos de Planejamento eficaz de geração de energia limpa na malha elétrica nacional. Como penso já ter colocado em outros “blogs” anteriores, não desejo tergiversar sobre hidrelétricas “baratas” e “limpas” (SIC), porém incapazes de gerar mais do que 10W/m² (em média, por cima) de área inundada (!!!), sem incluir custos de implantação e manutenção de “longas” linhas de transmissão, fora vastas redes de distribuição regionais. Peço aos leitores, considerar “apagões” como assunto a parte, fora do contexto deste comentário. Abraço. Fernando.

  2. Em acréscimo, qualquer usina térmica solar, além de poder ser implantada no local de demanda de energia elétrica, não necessita de “linhas de transmissão” e alcançam 100W/m². Sem a menor dúvida, usinas térmicas comuns geram bem mais que 100 W/m². Entretanto, os insumos (carvão, diesel, gás)custam bem mais do que energia solar, ainda de graça, sendo que os gases produzidos por tais usinas estão destruindo o planeta! Quem viver os próximos 30 anos comprovará o que virá a ser o “EFEITO ESTUFA” da época. O tempo hábil para começar a reparar os danos sócio-econômicos e ambientais já se esgotou. Chega de blá, blá, blá, em todo mundo! Resta confiar em Deus e torcer para que as pessoas e governantes que representem seus interesses nacionais, incluindo o próprio Planeta Terra, em Copenhagem, neste final de 2.009 também pensem assim. Fernando

O que você pensa a respeito?