Mudanças Climáticas – Novos Indicadores de Aumento de 6 Graus na Temperatura Média da Terra

O mundo caminha a passos firmes para o pior cenário previsto até hoje pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC: um aumento médio de 6 graus até o final do século, com elevações muito maiores nos pólos.  Em consequência, grandes extensões do planeta se tornarão inabitáveis.

As conclusões são de um programa de monitoramento da Antártica denominado British Antartic, Survey – www.antarctica.ac.uk – que tem uma equipe própria de 400 pessoas e opera 5 bases na Antártica com dois navios oceanográficos e cinco aviões, além de envolver uma rede de 40 universidades inglesas e 120 colaboradores em todo o mundo.  Nada mal.

As medições do British Antarctic Survey indicam que as emissões de CO2 aumentaram em 29% entre os anos 2000 e 2008 (o último ano para o qual os números se encontram disponíveis), com emissões anuais três vezes maiores do que aquelas que ocorreram entre 1990 e 2000.  Os pesquisadores estimam que haverá um pequeno decréscimo em 2009 em decorrência da recessão mas que as emissões voltarão a crescer a partir de 2010.

No total, as emissões decorrentes da queima de combustível fóssil aumentaram em 41% entre 1990 e 2008.  O Protocolo de Kyoto estabelece que os países altamente industrializados deveriam  reduzir suas emissões abaixo dos níveis de 1990.

Pela primeira vez, os cientistas detectaram que a capacidade natural da Terra de absorver mais carbono decorrente das atividades humanas está falhando.  Ainda havendo dúvidas sobre a capacidade dos oceanos de absorver esse carbono, há evidências de que já estariam ocorrendo feedbacks positivos, com o aumento das emissões levando ao aumento da temperatura que começa a resultar na liberação de mais dióxido de carbono para a atmosfera.  Ou seja, o aumento previsto da temperatura não será lento e gradual, mas exponencial, e o já surrado “até 2.100” passa a ser, nitidamente, apenas uma referência.

Além disso, os cientistas afirmam que, pela primeira vez desde os anos 1960, as emissões provenientes da queima de carvão mineral superaram as emissões decorrentes da combustão de derivados do petróleo.  A maior parte desse aumento da queima de carvão ocorreu na China e quase a metade do crescimento dessas emissões chinesas resultou da fabricação de produtos que são exportados.

Voltamos à questão de saber se tais emissões devem ser levadas à conta do país onde são fabricados os produtos ou à conta dos países onde eles são consumidos, já uma profunda mudança nos padrões de consumo deve ser parte de qualquer estratégia global de redução das emissões de dióxido de carbono.  Isso, para não falar nas emissões per capita.

Há os que acreditam numa revolução tecnológica que se dissemine rapidamente, até mesmo pelo caminho do livre mercado.  Outros acreditam na responsabilidade ambiental das grandes corporações.  Mas os números e os efeitos observados nos últimos pelos cientistas acima citados não são otimistas e nem pessimistas.  São apenas constatações. 

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É interessante notar que no extenso artigo sobre o Protocolo de Kyoto na versão em inglês da Wikipedia não há sequer referência ao Brasil, exceto numa listagem de países, como se pode ver em http://en.wikipedia.org/wiki/Kyoto_Protocol.

Agora, de um dia para o outro, o país tenta aparecer como uma liderança no assunto, ainda que suas políticas para a área de energias renováveis e de eficiência energética sejam tímidas e claudicantes.  Não há políticas para a área de transportes – onde se originam emissões significativas -, nada de veículos híbridos; as iniciativas relacionadas a aterros sanitários com captação de metano são esparsas; arrastam-se as propostas para a adoção massiva de energia fotovoltaica, da micro-geração, do sistema de tarifação reversa conhecido como feed-in tariff,  da energia nuclear (em lugar das termelétricas sujas), e por aí afora; nada, absolutamente nada, sobre as linhas de transmissão e de distribuição inteligentes – smart grids -, ignoram-se as possibilidades de uso de B-100 fabricado a partir de produtos nativos da Amazônia nas comunidades isoladas, e por aí afora.

A única novidade é a inclusão do sequestro de carbono decorrente da rápida disseminação das práticas de conservação dos solos no Brasil conhecidas como Plantio Direto, que respondem por algo em torno de 5% da proposta que o Brasil levará a Copenhaguem.  Mas os “zambientalistas” não gostam de falar nisso, porque é coisa de produtor rural.

E, o que é mais importante, o Brasil continua sem qualquer projeto de adaptação às mudanças climáticas, como já ocorre em todos os países sérios!

E o Brasil apostando o seu futuro no intangível pré-sal!

Quase tudo política eleitoral, sem conteúdo real.  Mas os jovens jornalistas não sabem perguntar e a mídia prefere notícias rápidas, facilmente palatáveis, ao estilo twitter.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?