Amazônia – Desfaz-se o Mito do Peso do Desmatamento nas Emissões Brasileiras

Finalmente – parabéns, até que enfim! -, outras áreas do governo brasileiro começam a se pronunciar sobre as emissões de gases causadores de efeito estufa, tema que até agora vinha manipulado pelo Ministério do Meio Ambiente e dos assim chamados “ambientalistas”.  O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, cujos cientistas fizeram o único estudo sério e consistente sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil até hoje publicado, acaba de declarar que o desmatamento na Amazônia é muito inferior aos percentuais que os “ambientalistas” tentaram fazer o país engolir até agora para justificar os seus tambores e o seu ideário capenga de acordo com o qual existem florestas e biomas, nunca seres humanos.

Esse percentual pode ser ainda bem menor quando consideradas outras fontes – cujo cálculo é mais difícil -, tais como as emissões de metano em lixões, forma predominante de disposição final de resíduos urbanos no Brasil.  O país não tem um inventário confiável de outras fontes, o que dá maior destaque à Amazônia. 

Em palavras simples, o Brasil também necessita políticas públicas de eficiência energética e de energias renováveis se quiser diminuir as suas emissões totais.

Há alguns meses, ao final de um encontro técnico-científico realizado na Amazônia, Gilberto Câmara, diretor-geral do INPE, declarou que os cálculos das emissões provenientes do desmatamento na Amazônia feitos pelo IBAMA eram um “chutômetro”.  Agora, o pesquisador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do INPE, Jean Ometto, cravou os percentuais acima citados, com base na redução do desmatamento, no significativo aumento  das outras fontes de emissão, e num argumento sempre intencionalmente abandonado pelo sensacionalismo de algibeira: “o desmatamento não faz as árvores virarem fumaça; parte da madeira se transforma em móveis, casas, portas, e com isso o carbono fica estocado por anos; há, ainda, o fato de eu parte das áreas desmatadas é substituída por pastos à base de forrageiras como a braquiária – reconhecidamente seqüestradoras de carbono, além de cana-de-açúcar e grãos, que também contribuem para neutralizar emissões”.

Um aspecto importante da tomada de posição do INPE é a retirada definitiva do bastão de conhecimentos e preocupações com o meio ambiente do Ministério do Meio Ambiente e dos “ambientalistas”.  De fato, vale lembrar que nos países sérios há muito a resolução das  questões ambientais não é assunto apenas e nem sequer prioritariamente pelos órgãos de meio ambiente e pelos “ambientalistas”.  As políticas públicas de gestão de águas, por exemplo,  são formuladas com base no parecer de engenheiros civis, sanitaristas, hidráulicos e outros, além de hidrólogos, biólogos, geólogos e outros especialistas.  E lá, os juristas OUVEM esses outros especialistas, em lugar de tentar formular regras sem fundamento no mundo real.  E os rios estão limpos!

Outro aspecto importante dessa tomada de posições pode ser encontrado no que podemos denominar de “o paradoxo Marina Silva”.  De fato, durante a sua passagem pelo Ministério de Meio Ambiente, Marina clamou pela “transversalidade” no enfrentamento das questões ambientais – usando essa palavra que comum entre filósofos e psicanalistas franceses na década de 80.  Transversalidade significando que as diversas áreas do governo tinham que incorporar as questões ambientais na formulação de políticas públicas, sem o que nenhum avanço significativo seria feito.

Afirmação verdadeira, mas não colocada em prática.  Na visão de Marina, como em geral do IBAMA e do Instituto Chico Mendes, a transversalidade era apenas a imposição dos pontos de seus pontos de vista sobre as demais áreas do governo.  Isso fica evidente, por exemplo, no fato de que o Decreto 5.795/06, que trata, entre outras coisas, de “florestas e formações sucessoras para uso alternativo do solo” (sic), foi assinado apenas por José de Alencar e por ela própria, não trazendo a assinatura do ministro da agricultura.  Na opinião de Marina, ao que parece, o único uso digno dos solos era o de dar suporte às florestas, já que os demais usos são classificados como “uso alternativo”.

Enfim, parabéns ao INPE.  Quem sabe agora nos debates sobre o Código Florestal venham a ser ouvidos pelo menos os profissionais da EMBRAPA Florestas e outros segmentos dessa instituição, além dos agrônomos, o Ministério das Cidades e outros interessados.  Mas o ideal não é que eles fiquem esperando um convite para serem ouvidos, mas que, à exemplo do INPE, tomem a iniciativa de se fazerem ouvir.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários sobre “Amazônia – Desfaz-se o Mito do Peso do Desmatamento nas Emissões Brasileiras”

  1. É, esse negócio da emissão de caborno virou mesmo mais uma indústria lucrativa… como a indústria da desertificação, entre inúmeras nesse país. Parabéns ao INPE! E que sigam seu exemplo!

  2. É curioso como na véspera da reunião de Copenhagen, 30 anos após a intuição do James Lovelock sobre Gaia, 20 após que o próprio cientista confirmou e publicou como o planeta funciona como um gigante eco-sistema homeostatico, 10 após as explicações claras dadas por José Lutzemburgo sobre a mesma, ainda há tanta confusão sobre Amazonas.

    Lutzemberg explicou muito bem a coisa que hoje tornou-se óbvio: “como mostrou Salati, as chuvas que caem nas faldas orienais dos Andes estão constituidas de água que, em seu caminho,desde as primeiras nuvens dos ventos alíseos na costa Atlântica, caiu e voltou à nuvens entre cinco e sete vezes.. . . . . Ora, estas grandes florestas, para o clima global, são gigantescas aparelhos de ar condicionado .. . . Onde a floresta desaparece e é substituida por solo nu ou capoeira rala, no lugar de evapotranspiração, o solo torrado produz ventos ascensionais quentes. As chuvas se dissolvem, deixa de cair chuva mais adiante. . . ”

    Eu recebi uma demonstração prática como a relação entre arvore e chuva não é coisa para a próxima generação, é imediato e real: Aconteceu o efeito contrário num sítio onde um pasto tinha sido formado por “limpar” a mata de uma encosta com forte inclinação. Em menos de três anos após remover o gado da área, plantar algumas arvores e ver a vegetação nativa começar a se restabelecer, o nascente perene que havia secado voltou a produzir com fartura no ano inteiro. O efeito é rápido e no caso da Amazonas irreversivel a curto prazo.

    A conversa da importância estrategica, ou extrativista, ou política, tira a atenção da imensa vantagem de conviver com a floresta, e o imenso perigo de desprezá-la.

O que você pensa a respeito?