Mudanças Climáticas – Diferenças de Percepção Sobre Responsabilidades e "Metas"

A China anunciou metas de redução das emissões de dióxido de carbono superiores àquelas alardeadas pelo governo brasileiro.  O Brasil não tem uma avaliação concreta das possibilidades e do que deverá feito, e nem de como fazer ou dos custos envolvidos para atingir as suas metas.  Nada muito diferente dos muitos países que subscreveram ao Protocolo de Kyoto, tinha metas e não as cumpriram (com honrosas exceções, como a Alemanha).

A China, no entanto, adota critérios próprios para falar em redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas: deixa de lado as metas absolutas e refere-se a um percentual de redução por unidade de produto interno bruto – PIB.

De fato, não tem absolutamente nenhum sentido afirmar que o Brasil é o quinto maior responsável pelas emissões mundiais desses gases – o Brasil gosta de ser grande em tudo, até nisso -, se não se toma em consideração a emissão per capita ou por unidade de riqueza.  Um país pode ser considerado um grande emissor ou um pequeno emissor dependendo do critério adotado.

O critério aqui utilizado não levará em conta o desmatamento em qualquer lugar do mundo – Canadá, Rússia ou Brasil -, mas apenas as emissões decorrentes da geração da energia para a produção de bens e transporte.  Não desmatar tem o sentido oposto – deixar de produzir para não emitir (o que pressupõe a adoção de outros valores, inclusive morais, com os quais a maioria dos países não está nem um pouco preocupada).

Aos fatos (ainda que eles possam variar ligeiramente em função das fontes)!

Conforme publicação da Agência de Informações Sobre Energia dos EUA em junho de 2009 com base na Energy Review – 2008, os dez maiores emissores anuais de dióxido de carbono – em milhões de toneladas métricas, são:

China – 6.017
EUA    – 5.902
Rússia – 1.704
Índia – 1.293
Japão – 1.246
Alemanha –   857
Canadá – 614
Inglaterra – 585
Coréia do Sul – 514
Iran – 471

Somados, esses países são responsáveis pela emissão de 19.203 milhões ou 66% das emissões mundiais.

Já se considerada a emissão per capita, a coisa muda completamente de figura e o ranking passa a ser o seguinte (em toneladas métricas por habitante):

EUA – 19,05
Austrália – 18,78
Canadá – 16,47
Rússia – 11,14
Alemanha – 10
Coréia – 9,87
Japão – 9,41
Nova Zelândia – 8,99
Inglaterra – 8,84
Grécia – 8,44

China, Índia e Brasil vêm MUITO atrás, com menos de 5 toneladas métricas de dióxido de carbono per capita.   Entende-se, assim, por que a China está falando em redução das emissões por unidade do produto interno bruto, da mesma forma que poderíamos – e deveríamos falar em redução das emissões per capita .  O que não se entende é por que o Brasil está falando em reduções absolutas, que parecem demasiadamente simplórias.

Mesmo a redução das emissões per capita seriam, para o Brasil, difíceis, já que o país se consolidou como exportador de matérias-primas de baixo valor agregado cuja produção requer o uso intensivo de energia, o que se contrapõe ao tipo de PIB dos países altamente industrializados, com altos índices de valor tecnológico agregado (aço ou alumínio X micro-processadores, por exemplo).

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

O que você pensa a respeito?