Monthly Archive for dezembro, 2009

Energias Limpas e Liderança Tecnológica – A China Dá o Seu Recado – II

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Em 2010, a China tornou-se o terceiro país do mundo em capacidade instalada de geração de energia eólica, com 20 GW.  Segundo o Conselho Mundial de Energia Eólica, com o atual ritmo de crescimento nessa área, já ao final de 2011 a China assumirá a liderança mundial nessa fonte de energia.  Os EUA temem, hoje, que turbinas eólicas chinesas invadam o seu mercado e os republicanos chegam a pedir o fim dos subsídios a essa fonte de energia.

A China, hoje o país que mais emite gases causadores de mudanças climáticas tem como meta atingir 15% de seu consumo de energia provenientes de fontes renováveis até 2020 (a meta européia é alcançar 20% naquele ano).  Mas a redução proposta pela China em suas emissões pode ser muito superior.  De fato, a China vê o assunto como uma oportunidade de avanços tecnológicos, de exportação de produtos e tecnologias, e de geração de emprego.

Hoje,  70% da eletricidade do país são provenientes da queima de carvão.  Assim, excetuada a alternativa da substituição dessas fonte de energia pela nuclear, resta a alternativa da rápida modernização das usinas térmicas e da incorporação de tecnologia de gaseificação do carvão, uma área em que o desenvolvimento tecnológico chinês já supera o norte-americano.  A eficiência média da conversão do carvão em energia nas unidades de geração térmicas mais antiquadas é de 25% ou menos, enquanto unidades mais modernas, que incorporam tecnologias avançadas, alcançam eficiência de até 55% na conversão do carvão, com uma redução proporcional das emissões de CO por unidade de eletricidade gerada, segundo a Agência Internacional de Energia.

Sistemas de gaseificação de carvão já existem há décadas, mas o seu preço era tão alto que a sua aplicação em larga escala os tornava inviáveis.  Os sistemas de gaseificação chineses já custam 1/3 dos seus equivalentes fabricados pela GE e pela Shell, e são mais eficientes.  E a China já está licenciando tais sistemas para empresas de geração térmica norte-americanas.  A gaseificação – um processo de queima com temperatura e pressão muito mais elevadas - aumenta em muito a eficiência energética e reduz significativamente a emissão de dióxido de carbono.

Esse e outros assuntos relacionados à liderança mundial no campo das energias renováveis foram motivo da visita de Obama a Pequim em novembro deste ano, depois de cinco visitas sucessivas à China feitas pelo subsecretário norte-americano de energia para políticas e assuntos internacionais – em apenas cinco meses.

Ao final desse encontro do G-2, Hu-Jintao, o presidente chinês, deixou claro que o seu país não pretende arcar com os altos custos da acelerada implantação de usinas térmicas mais modernas, equipadas com sistemas de gaseificação do carvão e ciclo-combinado, sem o auxílio financeiro dos países mais ricos enquanto a renda per capita chinesa for de apenas cerca de 1/7 da renda per capita nos EUA.  Ponto final.

Os grandes avanços tecnológicos da China têm uma origem algo prosaica.

“Em 3 de março de 1986, quatro dos mais importantes cientistas chineses – todos veteranos nas áreas de mísseis e do programa espacial – escreveram uma carta a Deng Xiaoping, então presidente da China.  A carta continha um alerta: décadas de concentração de esforços na área militar haviam debilitado o desenvolvimento científico civil do país.  A China deveria se unir ao xin jishu geming, a nova revolução tecnológica em andamento no mundo.  (…)  Deng Xiaoping concordou e rabiscou num canto da carta: ação deve ser iniciada nesse campo imediatamente.”

A partir daí, desencadeou-se uma política de envio massivo de chineses para fazer doutorado nas mais avançadas universidades do mundo.  A política de educação básica já estava consolidade e não havia tempo para esperar pelo avanço tecnológico interno convencional.  Aquele foi o ponto de partida, também, para uma política de massivos investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento.  Os investimentos públicos nessa área cresceram mais do que em qualquer outro país do mundo, a uma taxa média anual de 20%, atingindo 70 bilhões de dólares em 2008.

Feliz do país em que o presidente e a administração pública lêem.  E lêem cartas de cientistas com base nas quais tomam decisões com tal nível de repercussão sobre o futuro da nação.

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Este artigo foi escrito com base em notícia do Le Monde de hoje e numa publicação bem mais ampla do The New Yorker intitulada Carta da China – O Gigante Verde – O Acelerado Programa de Pequim para Energias Limpas.  O artigo foi enviado pelo leitor Jaime Francisconi e pode ser encontrado em  www.newyorker.com/online/blogs/evanosnos.

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Os rumos do G-2 são decisivos para o futuro climático e econômico da humanidade, já que o terceiro pilar, a União Européia, há muito optou por definir metas próprias.

No Brasil, a turma continua brincando de “Dia da Árvore” em escala nacional.

Trens de Alta Velocidade e Mudanças Climáticas – A China Dá o Seu Recado

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Depois de ter sido acusada de contribuir de maneira decisiva para o naufrágio anunciado do encontro sobre mudanças climáticas de Copenhagen, a China esfregou hoje – dia 26 de dezembro – na cara do mundo a inauguração de mais um trem de alta velocidade unindo duas grandes cidades situadas a 835 quilômetros uma da outra: Wuhan e Guangzhou.  A viagem que antes demandava cerca de 10 ½ horas pôde ser feita em menos de 3 horas, a uma velocidade media de 350 km/hora e uma velocidade máxima de 390 km/h.

A China concluirá a implantação de 42 novas ferrovias de trens de alta velocidade nos  próximos três anos, com o total de 12.000 quilômetros adicionais, disponibilizando assim esse meio de transporte para cerca de 90% da população.  O tempo de viagem ferroviária entre Hong-Kong e Pequim cairá de 23 para 8 horas.

O programa chinês de investimentos em trens de alta velocidade é ambicioso e quando concluído, em 2020, a China terá o maior, mais rápido e mais avançado tecnologicamente sistema de trens do mundo.  Em 2009, o país investiu 50 bilhões de dólares nesse tipo de transporte e o investimento total previsto até 2020 é de 300 bilhões de dólares.  A geração de emprego é imensa e só a ferrovia Xangai-Pequim gerou 110.000 postos de trabalho.

As autoridades chinesas já prevêem uma significativa redução da demanda de transporte rodoviário e, sobretudo, aéreo a partir desses avanços.

Foram necessários 23 anos para elevar a velocidade média dos trens na China de 43 km/hora – em 1978 – para 100 km/hora – em 2001, e apenas 9 anos para mais do que triplicar essa velocidade para os atuais 350 km/h.  A velocidade media dos trens na Alemanha é de 232 km/h, no Japão é de 243 km/hora no Japão e na França de 272 km/hora.

As diferenças de consumo de energia entre os diferentes meios de transporte foram estimadas pelo Departamento de Transportes nos EUA em 1995 e os números encontrados ainda podem servir como referência.

Transportar uma tonelada de carga por uma distância de um quilômetro consome 221 quilojoules de energia por via férrea, 225 quilojoules por via aquática, 2.000 quilojoules se utilizados caminhões e 13.000 quilojoules por via aérea.

Ou seja, o transporte ferroviário nos EUA (que não são um país avançado em matéria de trens de alta velocidade mas têm padrões estritos para a eficiência de motores auto-veiculares) consome pouco mais de 10% da energia utilizada pelo transporte rodoviário.

Se alguém quisesse aplicar o critério da redução das emissões de dióxido de carbono num programa de implantação de ferrovias desse tipo – que é um programa de eficiência econômica e energética -, os países altamente desenvolvidos teriam que pagar um bocado de dinheiro à China pela redução das emissões de carbono.  Evidentemente, ninguém quer desembolsar dinheiro para que a China acelere ainda mais o seu avanço científico, tecnológico, econômico, social e, como se não bastasse, na área da redução das emissões de gases causadores de mudanças climáticas. 

O impacto das emissões do setor de transportes nas mudanças climáticas e na economia é imenso, o que levou o Parlamento Europeu a decidir por elevados investimentos no setor ferroviário.

No caso do Brasil, isso só ocorrerá se for superada a fase do samba de uma nota só do desmatamento e a monopolização do assunto pela área ambiental, que termina eximindo outras áreas do governo de suas responsabilidades no campo das mudanças climáticas.

Até lá, o governo continuará a se render ao lobby das empreiteiras e da indústria (estrangeira) de caminhões, dando prioridade ao transporte rodoviário mesmo nos investimentos a serem feitos na Amazônia, que afirma querer proteger.

Vale ressaltar: a China está implantando seu sistema de trens de alta velocidade com tecnologia própria!

E o Brasil patinando no lero-lero midiático sobre um trem de alta velocidade com tecnologia estrangeira ligando o Rio de Janeiro a São Paulo.  Uns, reduzem as emissões com grandes avanços tecnológicos; outros, propondo o congelamento da realidade, ainda quando os cientistas prevejam a transformação de 30 a 40% da Amazônia em savanas até 2050 em conseqüência do aquecimento global, com ou sem a canoa furada da reserva legal.

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O mais divertido é que o Brasil exporta minério de ferro para a China e importa o produto sob a forma de trilhos.  Como se não bastasse, há alguns meses o governo do Rio de Janeiro anunciou, em junho de 2010,  com grande orgulho, que importaria da China 30 trens elétricos por US$ 165 milhões.  Logo depois, anunciou-se a aquisição de 114 novos vagões do mesmo fabricante chinês para o metrô do Rio.  O minério sai daqui, a geração de emprego e de valor é feita lá.  E a turma ainda celebra.

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Imagens dos novos trens chineses e do terminal recém inaugurado dão uma idéia dos avanços tecnológicos do país, em contraste com o  que ocorre nessa área no Brasil.

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A China não precisa de bolsa-família porque mesmo com uma população que já supera 1,3 bilhão de habitantes já resolveu os seus problemas de educação em todos os níveis, bem como de habitação e saúde pública.

Copenhague – O Discurso de Obama e o Jornalismo de Cabresto com Grife

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Ao contrário da tendenciosa cobertura de O Globo, que superestimou o papel – até mesmo potencial – do Brasil na reunião de Copenhague e subestimou o discurso de Obama, este  último merece alguns comentários.

Antes de mais nada, Obama não é maluco falar em assinar acordos internacionais depois de aprovar um projeto de lei sobre emissões de carbono na Câmara e estar fazendo enormes esforços para driblar os lobbies do petróleo que ainda impedem a aprovação do projeto pelo Senado.

O discurso de Obama em Copenhague foi muito mais avançado do que os jornalistas mais tendenciosos – de grife – ou superficiais transmitiram para o público brasileiro.

Em primeiro lugar, há um imenso avanço na posição dos EUA com o reconhecimento de que as mudanças climáticas existem, são causadas pelo uso de combustíveis fósseis e colocam o mundo em risco.

O segundo ponto mais importante foi o reconhecimento da significativa parcela de responsabilidade dos EUA e o anúncio de que com ou sem acordos internacionais os EUA avançarão de maneira decisiva na área de energias renováveis e de eficiência energética.    Trata-se de uma questão de segurança energética do país e de assegurar a sua presença entre as lideranças tecnológicas internacionais, com a resultante criação de emprego e renda.

Em terceiro lugar, enfatizou metas de redução de emissões norte-americanas em 17% até 2020 e em mais de 80% até 2050, de acordo com a legislação que espera que o Congresso aprove em breve.  (O tendencioso jornalismo tupiniquim só ressaltou a meta inicial).

Prosseguindo, deixou claro que os EUA estão dispostos a dar acesso às informações sobre as suas emissões, e que essa deverá ser uma obrigação de todos que aderirem a um acordo sem que isso seja considerada uma intromissão nos negócios internos dos países. 

Aí é que se dá a divergência com as posições da China, da Índia e do Brasil, que até falam em metas mas se recusam a aceitar metas obrigatórias e mecanismos de monitoramento, como definiu o Protocolo de Quioto para os paises em desenvolvimento.  Obama demoliu, assim, com a farsa das economias emergentes que só aceitam “metas” não obrigatórias.

“Eu não sei como se pode ter um acordo internacional sem que se tenha um mecanismo confiável de monitoramento que assegure que todas as partes envolvidas estão cumprindo com os compromissos assumidos.

“Nós nos comprometemos a nos engajar num esforço global de mobilização de recursos financeiros que cresçam até US$ 100 bilhões por ano em 2020 SE, E APENAS se isso for parte de um acordo maior que envolva os mecanismos de monitoramento antes mencionados.

“Redução das emissões, transparência e financiamento constituem-se numa fórmula clara que envolve os princípios de responsabilidades comuns ainda que diferenciadas em função da capacidade de cada um.

“Há países em desenvolvimento que querem ajuda financeira sem compromissos com a transparência em relação às responsabilidades assumidas. E há países desenvolvidos que acham que os países em desenvolvimento não têm condições de absorver o apoio financeiro.

“Todos nós sabemos as falhas da linha de acordos internacionais em vigor e que só levaram a uma aceleração das mudanças climáticas.

“Nós podemos aceitar esses fundamentos de um acordo global, refinar e construir esse acordo ou voltar à mesma situação que fez com que não ocorressem avanços efetivos até o presente. 

“Os EUA fizeram a sua escolha, definiram a sua direção, assumiram os seus compromissos, nós faremos o que dizemos. Estamos prontos para fazer isso HOJE. Desde que as partes envolvidas  assumam as suas responsabilidades com os seus povos e com o futuro do planeta.”

O discurso completo de Obama – com o seu estilo tranquilo – pode ser visto em www.youtube.com/watch?v=yZ-SMqh7q3o

Ele tem razão.  O Protocolo de Kyoto foi um fracasso e repeti-lo seria muito ruim.  Agora, as coisas estão claras.  Os países que avançarem tecnologicamente e que formularem as melhores políticas públicas de adaptação as mudanças climáticas estarão muito melhor posicionados para enfrentá-las do que os demais.

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Só alguém totalmente desinformado chegou à Copenhague acreditando numa vaga possibilidade de acordo.  Venderam a Lula a bandeira errada, a imprensa fez drama para vender notícia, mas o fato é que não havia chances de acordo.

Desde que minutas das propostas de acordo vazaram para a imprensa inglesa semanas antes, estava claro que os burocratas da ONU, do Banco Mundial e todos os demais que foram aos encontros preparatórios estavam MUITO longe de algum consenso.  Sugere-se a leitura dos seguintes artigos aqui publicados sobre esse naufrágio antecipado.

www.luizprado.com.br/2009/09/29/mudancas-climaticas-minuta-de-novo-acordo-e-confusa-e-vaga-i

www.luizprado.com.br/2009/10/04/mudancas-climaticas-minuta-de-novo-acordo-e-confusa-e-vaga-ii

www.luizprado.com.br/2009/11/06/mudancas-climaticas-e-o-naufragio-antecipado-de-copenhaguem/

Copenhague – Razões do Fraco Desempenho do Brasil

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O Brasil teve um fraco desempenho em Copenhague como decorrência do excesso de ênfase dada à redução do desmatamento e à necessidade de recursos externos para atingir metas nessa área.

Essa miopia – ou mania – segundo a qual os pobres só são pobres porque os ricos são ricos não corresponde à realidade, servindo apenas para incentivar as tensões sociais e encobrir a inépcia do poder público para dar aos cidadãos aquilo que levou os países altamente industrializados e realmente “emergentes” à posição em que se encontram: serviços e políticas públicas de qualidade para as áreas de educação, habitação, saúde e saneamento.  E, na área de educação, também o amplo apoio à pesquisa e ao desenvolvimento científico.

De fato, a superação do problema das mudanças climáticas é vista pelos países desenvolvidos como um problema de aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico.  A manutenção das florestas existentes é, para eles, importante como uma ponte para chegar ao estágio necessário para consolidar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia que não entrem em competição com a produção de alimentos num mundo em que a população continua a crescer.  Eles estão apostando, também, na  aceleração da disseminação de medidas de eficiência energética.

Um bom exemplo disso pode ser encontrado nas apresentações feitas em Copenhague pela Agência Internacional de Energia – IEA, na sigla em inglês.  Para se ter uma idéia do que está sendo feito nos países mais avançados – e são muitas as iniciativas nas mais diversas áreas – vale citar a utilização de sistemas de captação de energias oceânicas. Para tanto, sugere-se ver um curto vídeo em www.iea-oceans.org (em inglês) e até fazer o download da versão completa do vídeo no link logo abaixo da tela do mesmo (há necessidade de “registro” que não leva mais do que um minuto, já que apenas o nome, o país, a organização e um endereço eletrônico são solicitados).

No vídeo maior, há exemplos das mais diversas formas de captação de energias oceânicas: marés, correntes, ondas, diferenciais de gradientes de salinidade e de temperatura.  Entre elas, uma que pode produzir, além de energia, água doce. Entre os desenvolvimentos mais fascinantes encontra-se a planta piloto recém inaugurada nas proximidades de Oslo, Noruega.  Para sair da mesmice dos serviços ambientais das florestas em pé – que não resolvem o problema da geração de energia – vale visitar a página da empresa que desenvolveu a tecnologia e está testando o protótipo em www.statkraft.com/energy-sources/osmotic-power.  

Outro exemplo notável é o da Coréia do Sul, que está finalizando a implantação de uma unidade de energia oceânica que a permitirá economizar um milhão de barris de petróleo por ano.  Não é muito? E daí?  Quem ganha mais?  Com isso, a Coréia ficará não apenas com os créditos de carbono, mas com a energia limpa e, sobretudo, com a tecnologia.

O curto documentário preparado pela Agência Internacional de Energia lista, ao final, 25 países que estão trabalhando no desenvolvimento de energias oceânicas.  Entre eles, o Brasil!  O documentário enfatiza, ao final, que a indústria precisa de vultosas quantias para colocar essas tecnologias de verdade no mercado, e não pode ficar dependente de recursos esporádicos.   

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Ao final de outubro deste ano, o governo dos EUA concedeu incentivos de 3,4 bilhões de dólares para a instalação de medidores de eletricidade inteligentes.  Esses medidores, que transmitem informações em tempo real tanto para as concessionárias quanto para os consumidores, já se encontram em uso em boa parte da Europa e permitem importantes avanços na área da eficiência energética.

Incentivos fiscais estão sendo considerados para a instalação de “bombas de calor”.  Trata-se de bombear água de poucos metros de profundidade cuja temperatura é estável ao longo do ano todo e de maneira a reduzir drasticamente o uso de eletricidade com a refrigeração e o aquecimento das edificações.  Esse é um sistema que se difunde rapidamente em países europeus e já atende a 600.000 edificações nos EUA, onde o crescimento anual de seu uso tem sido da ordem de 10%.

A lista de novas tecnologias é tão diversificada que o mote das florestas em pé perde importância num encontro mundial desse tipo e parece bem pouco para um país que se pretende uma potência econômica emergente. 

Se vier dinheiro para florestas, ele será cuidadosamente monitorado, até para que chegue às mãos dos proprietários de áreas privadas onde existem florestas.  E isso parece difícil num país que não consegue sequer a regularização fundiária de seus parques e outras unidades de conservação.

Há importantes desenvolvimentos tecnológicos em curso no país que merecem mais apoio.  A transferência de tecnologia poderia e deveria ter sido mais enfatizada pelo Brasil em Copenhague.

Código Florestal em Áreas Urbanas – A Prefeitura do Rio de Janeiro Enfia o Pé na Jaca

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A aplicação do Código Florestal brasileiro às áreas urbanas é, evidentemente, absurda e inútil, uma tolice absoluta.  Termina por gerar favelas e ocupações ilegais.

Essa aplicação vale para quando se trata de um cidadão comum.  Aí, não importa se o rio está canalizado e se às margens existem calçadas, pistas de rolamento, iluminação pública, ou se é apenas um terreno com edificações de ambos os lados e atrás.  Diligentemente, o Ministério Público notifica o Executivo municipal para que não conceda alvará de obras – algumas vezes nem mesmo para reformas de maior vulto -, abre inquérito, processa, desconsidera o bom senso e o Plano Diretor Urbano, processa, inviabiliza o único patrimônio do pobre coitado.

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Pouco adiante, um revendedor que bem representa a responsabilidade sócio-ambiental da Chevrolet expõe veículos num cais sustentado por pilotis cravados dentro da lagoa.

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No lado oposto, há um pequeno cais de atracação, que poderia ser ótimo se servisse a um maior número de pessoas do que apenas àquelas que privatizaram a orla do complexo lagunar em sua quase totalidade.  A foto mostra bastante bem o estado de manutenção que lhe é dado pela prefeitura da cidade.

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De fato, o acesso público à orla do complexo lagunar da Barra da Tijuca é muito mais importante do que o fingimento de que suas margens são áreas de preservação permanente.  Num país sério, esse complexo lagunar seria uma fonte inesgotável de lazer, com vegetação, áreas de caminhada, ciclovias, decks de atracação de pequenos barcos e pranchas de windsurf.  Uma imensa atração turística, também.

Apenas uma questão de bom senso….

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O melhor projeto brasileiro de recuperação e ocupação das margens de um rio vem sendo executado em São Paulo e dele se pode ter uma idéia em www.parquevarzeasdotiete.com.br.

A Secretaria de Estado do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro vem conduzindo com granda habilidade e inteligência algo semelhante, ainda que de porte bastante menor.

Em nenhum dos dois casos pensou-se em ater-se ao texto da lei no que se refere às áreas de preservação permanente das faixas marginais de proteção.  Com bom senso, os projetos ativeram-se ao uso adequado dessas áreas, onde necessário com obras de contenção de cheias.

Poluição Atmosférica – A Inglaterra para Inglês Não Ver

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A União Européia recusou o pedido de Londres para adiar o prazo para cumprir metas de qualidade ambiental e agora são altas as chances de que a região metropolitana de Londres venha a ser multada.  Esses ingleses são uma piada!  Não conseguem resolver problemas de qualidade do ar que expõem a saúde pública dos cidadãos de sua própria capital a sérios riscos, mas toleraram aquele patético príncipe Charles falando em dar um trocado para proteger as florestas amazônicas.

Aos fatos!

As primeiras diretrizes da União Européia para a qualidade do ar nas cidades dos países membros datam de 1980.  Em 1996, foram estabelecidos princípios básicos para o monitoramento e gestão dos principais poluentes atmosféricos.  A primeira diretriz com padrões e prazos entrou em vigor em 1999 e estabeleceu metas para dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, chumbo e material particulado (conhecido como PM 10 no jargão técnico para o particulado pequeno o suficiente para atingir os pulmões humanos).  A segunda diretriz foi adotada no ano seguinte e incluiu monóxido de carbono e benzeno.  A terceira, que entrou em efeito em 2001, estabeleceu padrões para ozônio ao nível do chão.  Evidentemente, os países mais avançados da União Européia já tinham padrões para esses poluentes havia muito tempo. 

As diretrizes estabeleceram prazos que poderiam ocasionalmente ser prorrogados por tempo limitado e dentro de uma margem de tolerância se os países ou cidades que não atingissem os padrões demonstrassem que haviam feito um esforço sério e consistente para fazê-lo.

Aqui, vale dizer que o Brasil sequer tem padrões de qualidade do ar para alguns desses poluentes e muito menos prazos para que eles sejam atingidos.

O prazo inicial para PM 10 (material particulado) era 2005.   Agora, a Comissão Européia recusou o pedido de Londres para uma extensão de prazo por entender que a cidade não atendeu aos requisitos mínimos para tanto.  Alguns comentaristas estimam que o valor da multa pode atingir 450 milhões de dólares.

Como com a sua delinqüência ambiental, Londres se colocou ao nível de países mais pobres da União Européia, como a Bulgária.  Mas, afinal, a Inglaterra nunca soube muito bem se queria ser um país membro da União Européia ou mera província dos EUA, de modo que a notícia foi logo abafada pela imprensa local.

Não há informações de que o Greenpeace tenha se pronunciado sobre o assunto.  E ambos – Inglaterra e Greepeace – ainda tentam falar grosso em Copenhaguem.  Só rindo.

Um Bilhão de Árvores Para a Amazônia…. e o Primeiro Deserto Verde do "Bioma"

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“Um Bilhão de Árvores para a Amazônia” – foi o nome comercial do “maior programa de recomposição florestal do mundo” lançado pelo presidente Lula e pela governadora Ana Júlia Carepa.  Terminado o jogo de cena e silenciados os tambores midiáticos, com o assunto caindo no esquecimento, delegou-se à Secretária de Estado de Meio Ambiente a tarefa de informar, muito discretamente, que 65% desse reflorestamento serão feitos com eucalipto.

A justificativa é simplória: não existe a disponibilidade de sementes para plantar espécies nativas.  Ah – ninguém, então, havia pensado nisso no momento do anúncio do número mágico – um bilhão?  Mas, que importa?  Números sem projetos por trás criam manchetes na imprensa apressada e imprensada no jogo de interesses dos grandes anunciantes – entre os quais o governo e suas estatais.

A meta do governo do Pará – ou, melhor dizendo, da Vale e similares -, agora, continua sendo atingir 20 dos 100 milhões de hectares previstos para o plantio de espécies nativas até 2013.  Mas não são claras as informações sobre que áreas serão plantadas com que tipo de árvores – ou seja, o objetivo é criar uma cortina de fumaça.

E continua o silêncio sobre a produção de mudas de essências nativas e outros “detalhes”, exceto quando se afirma que 80 mil hectares de paricá – árvore também conhecida como guapuruvu – já foram plantados no sul do estado.  A justificativa é de uma lógica econômica impecável: “o paricá é leve, usado para a obtenção de lâminas de madeira, uma vez que é perfeitamente torneável”.

Essa criação de um deserto verde no tal “bioma amazônico” talvez pudesse ter sido evitada se os “ambientalistas” – incluindo o IBAMA – tivessem sido mais abertos ao diálogo quando em 2005 foi apresentado ao Congresso um projeto que autorizava a recomposição de 30% da reserva legal com palmáceas – em especial dendê e babaçu – para a produção de biodiesel.

De fato, em particular para a juventude que mora nas cidades e acha que comida é coisa que se encontra em prateleiras de supermercados, nunca é demais lembrar que poucos anos antes FHC elevou a reserva legal na região de 50% para 80% por Medida Provisória, numa canetada, apenas para dar satisfações à imprensa estrangeira e ONGs paulistas.  Com isso, desde Brasília colocou na ilegalidade, de um dia para o outro, todo o conjunto de propriedades produtivas no “bioma” amazônico.

Pontificar e legislar sobre “biomas” se neles não existissem pessoas dá nisso!

Agora, é hora de refletir.  Se esse tipo de imunidade ao diálogo ao estilo “exército da salvação” continuar no processo de inevitável revisão do Código Florestal, o máximo que acontecerá será um novo pacote de remendos vindos de cima para baixo ou por “acordos de lideranças”, em detrimento dos interesses da nação.

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Aqui, vale o parêntese: a China abandonou há cerca de um ano um projeto lançado em 2002 que previa o reflorestamento de 440 milhões de hectares (bem maior do que o maior do mundo).  O projeto colidiu com a necessidade de áreas para a produção de alimentos para uma população de 1,3 bilhão de chineses.  Apesar disso, os projetos de reflorestamento econômico num total de 38 milhões de hectares para a indústria de papel e celulose, bem como para a indústria madeireira, continuam.