Em 2010, a China tornou-se o terceiro país do mundo em capacidade instalada de geração de energia eólica, com 20 GW. Segundo o Conselho Mundial de Energia Eólica, com o atual ritmo de crescimento nessa área, já ao final de 2011 a China assumirá a liderança mundial nessa fonte de energia. Os EUA temem, hoje, que turbinas eólicas chinesas invadam o seu mercado e os republicanos chegam a pedir o fim dos subsídios a essa fonte de energia.
A China, hoje o país que mais emite gases causadores de mudanças climáticas tem como meta atingir 15% de seu consumo de energia provenientes de fontes renováveis até 2020 (a meta européia é alcançar 20% naquele ano). Mas a redução proposta pela China em suas emissões pode ser muito superior. De fato, a China vê o assunto como uma oportunidade de avanços tecnológicos, de exportação de produtos e tecnologias, e de geração de emprego.
Hoje, 70% da eletricidade do país são provenientes da queima de carvão. Assim, excetuada a alternativa da substituição dessas fonte de energia pela nuclear, resta a alternativa da rápida modernização das usinas térmicas e da incorporação de tecnologia de gaseificação do carvão, uma área em que o desenvolvimento tecnológico chinês já supera o norte-americano. A eficiência média da conversão do carvão em energia nas unidades de geração térmicas mais antiquadas é de 25% ou menos, enquanto unidades mais modernas, que incorporam tecnologias avançadas, alcançam eficiência de até 55% na conversão do carvão, com uma redução proporcional das emissões de CO por unidade de eletricidade gerada, segundo a Agência Internacional de Energia.
Sistemas de gaseificação de carvão já existem há décadas, mas o seu preço era tão alto que a sua aplicação em larga escala os tornava inviáveis. Os sistemas de gaseificação chineses já custam 1/3 dos seus equivalentes fabricados pela GE e pela Shell, e são mais eficientes. E a China já está licenciando tais sistemas para empresas de geração térmica norte-americanas. A gaseificação – um processo de queima com temperatura e pressão muito mais elevadas - aumenta em muito a eficiência energética e reduz significativamente a emissão de dióxido de carbono.
Esse e outros assuntos relacionados à liderança mundial no campo das energias renováveis foram motivo da visita de Obama a Pequim em novembro deste ano, depois de cinco visitas sucessivas à China feitas pelo subsecretário norte-americano de energia para políticas e assuntos internacionais – em apenas cinco meses.
Ao final desse encontro do G-2, Hu-Jintao, o presidente chinês, deixou claro que o seu país não pretende arcar com os altos custos da acelerada implantação de usinas térmicas mais modernas, equipadas com sistemas de gaseificação do carvão e ciclo-combinado, sem o auxílio financeiro dos países mais ricos enquanto a renda per capita chinesa for de apenas cerca de 1/7 da renda per capita nos EUA. Ponto final.
Os grandes avanços tecnológicos da China têm uma origem algo prosaica.
“Em 3 de março de 1986, quatro dos mais importantes cientistas chineses – todos veteranos nas áreas de mísseis e do programa espacial – escreveram uma carta a Deng Xiaoping, então presidente da China. A carta continha um alerta: décadas de concentração de esforços na área militar haviam debilitado o desenvolvimento científico civil do país. A China deveria se unir ao xin jishu geming, a nova revolução tecnológica em andamento no mundo. (…) Deng Xiaoping concordou e rabiscou num canto da carta: ação deve ser iniciada nesse campo imediatamente.”
A partir daí, desencadeou-se uma política de envio massivo de chineses para fazer doutorado nas mais avançadas universidades do mundo. A política de educação básica já estava consolidade e não havia tempo para esperar pelo avanço tecnológico interno convencional. Aquele foi o ponto de partida, também, para uma política de massivos investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento. Os investimentos públicos nessa área cresceram mais do que em qualquer outro país do mundo, a uma taxa média anual de 20%, atingindo 70 bilhões de dólares em 2008.
Feliz do país em que o presidente e a administração pública lêem. E lêem cartas de cientistas com base nas quais tomam decisões com tal nível de repercussão sobre o futuro da nação.
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Este artigo foi escrito com base em notícia do Le Monde de hoje e numa publicação bem mais ampla do The New Yorker intitulada Carta da China – O Gigante Verde – O Acelerado Programa de Pequim para Energias Limpas. O artigo foi enviado pelo leitor Jaime Francisconi e pode ser encontrado em www.newyorker.com/online/blogs/evanosnos.
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Os rumos do G-2 são decisivos para o futuro climático e econômico da humanidade, já que o terceiro pilar, a União Européia, há muito optou por definir metas próprias.
No Brasil, a turma continua brincando de “Dia da Árvore” em escala nacional.



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