Terrorismo Ambiental, Marquetagem Eleitoreira e Má Gestão dos Bens Públicos

A notícia abaixo, do Diário do Pará de 30 de janeiro, que só encontrou repercussão na Band (ver link abaixo), merece transcrição integral pelos motivos que, ao final, serão mencionados.  Antes, vale dizer que “boi pirata” é um slogan.  No Brasil de hoje, a política eleitoreira é constituída de slogans.  Assim, por exemplo, Posto de Saúde, o mínimo que se pode oferecer à população em matéria de atendimento primário de saúde, agora é UPA.

http://maisband.band.com.br/v_48090_produtores_rurais_acusam_o_ibama_de_abuso_de_poder_no_para.htm

A Band mostrou mas não comentou a ilegalidade e o autoritarismo do cerceamento da liberdade de imprensa.

“Boi Pirata”: armas e prisões em Novo Progresso

A população de Novo Progresso, no oeste do Pará, parou para ver, entre perplexa e revoltada, a operação “Boi Pirata 2”, executada pelo Ibama com apoio da Força Nacional de Segurança. Sob exibição de metralhadoras e outras armas pesadas, o saldo da operação foi de mil cabeças de gado apreendidas por 100 agentes federais que ainda se encontram na região. O trabalho foi concentrado na Floresta Nacional do Jamanxim, uma das áreas mais atingidas por desmatamento ilegal. O governo decidiu que helicópteros do Ibama farão incursões regulares pela região.

Uma equipe de televisão contratada pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA) foi detida na quarta-feira pelos militares, ficando sem seus equipamentos quando fazia imagens da operação na Flona do Jamanxim. O repórter Walteno de Oliveira, o cinegrafista Franco, o auxiliar de câmera Élio e o presidente da Associação de Produtores de Novo Progresso, Luiz Relfinchtain ficaram presos por mais de quatro horas na sede do Ibama e tiveram seus equipamentos confiscados. “Os militares disseram que não podíamos fazer as imagens, embora o local seja público”, protestou Oliveira.

O coordenador-geral de fiscalização do Ibama, Bruno Barbosa, disse que o objetivo das apreensões de gado “é causar efeito psicológico sobre todos aqueles pecuaristas que mantêm suas criações em áreas desmatadas ilegalmente, para que saibam que correm o risco de perder seu patrimônio”.

Durante a escolta do gado apreendido, moradores de Novo Progresso viram pelas ruas da cidade uma ostensiva exibição de armamento pesado da Força Nacional de Segurança. “Foi uma operação de guerra e os moradores eram vistos como bandidos”, queixou-se o vaqueiro Sebastião de Jesus Silva. Quando perguntado sobre por que tantas armas apontadas para a população, um dos militares respondeu que estava cumprindo ordens do governo federal.  (Diário do Pará)

O valor do gado retirado não supera R$ 300 mil, enquanto o custo da operação carnavalesca – já que poderia ter sido feita por um grupo de policiais locais – ultrapassa R$ 2 milhões, do bolso do contribuinte.

Enquanto isso, as unidades de conservação continuam abandonadas, sem regularização fundiária, sem vias de acesso e instalações para receber visitantes que desejem maior convívio com a natureza.  E a qualidade das águas dos rios das regiões sul e sudeste continua se deteriorando quando se trata de poluição industrial.  E muito, muito mais.  Sem metas e prazos para que elas sejam atingidas.  Tudo evidenciando a inexistência de políticas públicas  consistentes de gestão ambiental.  Nada muito difererente de uma fila do SUS ou do sistema de educação pública, mas com potencial para a mobilização do imaginário dos jovens (que pouco se importam com os outros dois temas citados).

Esse circo não seria necessário se as autoridades ambientais tivessem demonstrado competência para dar prosseguimento ao programa de concessão das florestas nacionais à iniciativa privada para a sua utilização sustentável!  Mas não.  No Brasil do autoritarismo ambientalóide não se quer a iniciativa privada em concessões sequer para pousadas e áreas de camping em parques nacionais ou estaduais – ainda que essa turma adore ver os parques nacionais de outros países nos Discovery Channels da vida -, e assim a terra fica lá, no imaginário, com significativas perdas econômicas e de oportunidades de educação ambiental através do convívio com a natureza.

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A apreensão de equipamentos de filmagem e a detenção de jornalistas não deveria ser ilegal num regime que se pretende democrático?  Essa tal de  Guarda Nacional não tem o treinamento ou não tem mesmo nada de sério para fazer?  O coordenador da operação por parte do IBAMA mostrou-se um cínico despreparado ao declarar que “isso só aconteceu porque eu não estava aqui.” – como se essa fosse uma justificativa para o abuso de autoridade. 

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A informação, juntamente com os links para as notícias regionais, encontra-se no excelente blog do engenheiro agrônomo Ciro Siqueira, que vale subscrever:

http://cirosiqueira.blogspot.com/2010/01/terrorismo-verde.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FiJLZ+%28C%C3%B3digo+Florestal+Brasileiro%29

Dois dias depois, Ciro publicou a seguinte notícia:

“A Agência de Defesa Sanitária do Estado do Pará (ADEPARA) proibiu a saída dos bois “piratas” do Minc do Estado. O gado não tem os necessários atestados sanitários de brucelose e tuberculose e não pode ser transportado para fora do Pará sem eles. A parte do rebanho que já foi levada para Santarém no Pará, para ser distribuído para as comunidades quilombolas (que não fazem mal ao ½ ambiente, segundo Minc) está na mesma condição sanitária. Há o risco de disseminação de doenças por todo o país.”

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Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

7 comentários sobre “Terrorismo Ambiental, Marquetagem Eleitoreira e Má Gestão dos Bens Públicos”

  1. Um dos grandes problemas reside no nível de conscientização da sociedade; ou está alienada da discusão ou pode estar fazendo parte dela mas sem condições para tal; vide o relato (real) abaixo:

    MUDANÇAS CLIMÁTICAS, CONSCIENTIZAÇÃO DA SOCIEDADE E A FAMÍLIA

    Segue relato de conversa ouvida em uma fila de banco.
    – “Meu amigo, tudo bem”?
    – “Desagradável apenas este calor”.
    – “Mas você sabe; isso é culpa de uma tal de Mudança Climática”.
    – “Eu sei; é a redução do número de estações do ano de quatro (primavera, verão, outono e inverno) para apenas duas (chuva e verão)”.
    – “E é verdade mesmo, pois na estação do verão, dado o calor excessivo, há muita evaporação de água que acaba caindo (acima do esperado) na estação das chuvas”.
    – “Sabe que você conseguiu explicar este processo com muita clareza, pois vinha ouvindo muita coisa sobre este tal de Aquecimento Global e não estava entendendo nada”.
    – “Amigo; não use o termo Aquecimento Global, pois ele não está correto. Realmente na estação do verão o tempo esquenta muito, mas na estação das chuvas as coisas esfriam, logo não há um efeito global, mas sim distribuído entre as duas estações”.
    – “Já ouvi comentários que esta tal de Mudança Climática irá afetar muito a agricultura e vai obrigar muita gente se deslocar de uma região para outra?”.
    – “Bobagem; a tecnologia está aí para resolver este problema. Basta coleta a água na estação das chuvas e usá-la como irrigação na estação do verão. Já tem até projeto de transbordo de um rio para o outro para resolver o problema da seca no Nordeste”.
    – “Então esta estória de economizar o uso da água é bobagem, pois a captação da água na estação das chuvas irá resolver o problema da falta de água na estação verão”.
    – “Mas falam que o homem é culpado de tudo isso?”.
    -“ É verdade; sem estar por dentro das coisas como realmente são, acaba ficando assustado, sem necessidade, lendo e ouvindo coisas que um dia se mostram como tremendos problemas e no dia seguinte vem alguém é diz que o falado não é verdade”.
    – “E este inverno absurdo da Europa e América do Norte?”
    – “Na estação das chuvas em um lugar muito frio, ao invés da água evaporar ela vira gelo, o que explica este monte de gelo nessas regiões. Mas, não se preocupe, pois a natureza é sábia. Quando precisa de água ela descongela o gelo ou derrete um pouco da neve no pólo da Terra”.
    – “Mas há quem diga que a população está crescendo; isso não afeta esta tal de Mudança Climática?”
    – “Claro que não. A população vem crescendo desde o início do mundo e esta tal de Mudança Climática só apareceu agora”.
    – “Li que estão discutindo uma tal de redução de emissão de COdois; isso tem alguma relação com o problema?”
    – “Tem, mas não tem solução. Li em um livro de Química que toda vez que se queima um combustível há obrigatoriamente a emissão de COdois. Como não há como reduzir o consumo de combustível no mundo, pelo contrário, o consumo tende a crescer, não há como pensar em reduzir a emissão deste tal de COdois”.
    -“Amigo; foi bom ter falado com você. Aprendi em poucos minutos um assunto que vinha me preocupando há muito tempo.

    Por que será que a mídia não explica essas coisas de forma tão fácil; todos entenderiam e deixariam de se preocupar desnecessariamente com a Mudança Climática”.

    A conversa se encerrou neste ponto; cada amigo foi para um lado.

    Como produto dessa conversa fica apenas um aumento significativo da preocupação em relação à necessidade de esclarecer a sociedade o que realmente é o processo das Mudanças Climáticas. E o mais importante, esta discussão exige o amplo envolvimento de uma sociedade presente e esclarecida.

    Em tempo: a família (por enquanto) vai bem, obrigado.

    Roosevelt S. Fernandes
    Coordenador do Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA

  2. A respeito do aquecimento global, e desmatamento, alguns itens:

    1- A temperatura na terra é cíclica, com os tempos sempre variou e sempre variara, o tamanho da calota polar nunca foi constante, isto esta diretamente ligado ao eixo da terra, fases do sol e movimento e muitas variações que independem da vontade e obra do homem., na natureza, nada sempre existiu e nada sempre existira.
    2- Com respeito ao efeito estufa e desmatamento, é claro que parte do carbono armazenado pelas arvores e florestas estarão retidos, em um movimento cíclico de morte e nascimento, com um desmatamento existe um movimento temporário só de morte, com grande emissão de CO2 para atmosfera. Com a introdução da agropecuária, ano a ano, parte deste CO2 será capturado, por experiências, já sabemos que quanto maior o CO2 contido na atmosfera, maior será o crescimento vegetal e maior será sua produção e parte desta carbono será incorporado ao solo e parte será deslocado na forma de alimentos, daí as demonstrações de estudos, de que uma lavoura tira mais do que põe CO2 na atmosfera, enquanto uma área em mata, este fica apenas armazenado.
    3- O que realmente causa o efeito estufa, é a queima de combustíveis fosseis, este carbono esta armazenado no subsolo, com a queima fica na atmosfera e não volta.
    4- Quando falarmos em conservação florestal, esta é importante e primordial, para a conservação de espécies animais, vegetais, insetos, fungos, bactérias, vírus, etc, etc, etc, mas não tem nada a ver com aquecimento Global e efeito estufa.

    Obs- Estou aberto a ouvir e ver novos estudos e novos pensamentos, sem paixões xiitas e ideológicas.

  3. Caro Luiz Prado,
    Conheci seu blog recentemente e estou acompanhando-o agora com frequência.
    Parabenizo-o pelo trabalho, acho que há uma tentativa grande de se criminalizar o agronegócio que estou também tentando combater firmemente em meus textos (no blog e nos artigos que envio à Scot Consultoria).
    Acho que deveríamos unir esforços com gente como o Ciro Siqueira para divulgar mais a realidade do campo e da floresta no Brasil.
    Você tem meu email aí, vamos trocar algumas idéias.
    Abraço

    Fernando Sampaio

  4. É absolutamente impossível deter a avalanche de demagogia. O problema é que apesar dos inúmeros acertos o governo não gosta de crítica, e quem critica aparece como uns otários isolados diante dos índices de aprovação das pesquisas. Estão construnindo uma praça de negócios para a burguesia de estado (a turma que está lá no governo nas prevs da vida) e não uma nação.

  5. Alô Luiz Prado, hoje voltando de férias fui ler as materias, gostei muito do assunto em epígrafe que nos remete através do Ciro Siqueira a uma reflexão sobre o que o meu Pai sempre falava: “Esta terra está cheia de aprendiz de feiticeiro”, e “Em terra de cego quem tem um olho é rei.” Algumas questões são discutidas sem embasamento científico, apenas baseadas em pesquisas localizadas. No entanto as questões ambientais envolvem todo um contexto que precisa ser analisado, estudado e pesquisado.A natureza se ajusta as suas adversidades, talvez o homem não. Julio Stelmach Acadêmico de Gestão Ambiental.

  6. Nosso grupo está iniciando na Região da Grande Vitória (ES) uma pesquisa de avaliação da percepção ambietnal da sociedade frente à problemática (causas, efeitos, prós e conteas) das Mudanças Climáticas. Nosso grupo não tem fins lucrativos – Núcelo de Estudos em Percepção Ambietnal / NEPA – e teria interesse em contatar outros grupos interessados em desenvolver pesquisas semelhantes.
    roosevelt@ebrnet.com.br

O que você pensa a respeito?