Continuam estáveis os monótonos sinais vitais do lero-lero sobre as mudanças no arqui-ultrapassado Código Florestal brasileiro, já que os deputados insistem em ficar com um olho na realidade e outro no eleitorado urbano que já pensa que a comida nasce em envelopes de alumínio de barras de cereais, entre outras formas de alimento industrialmente processados.
Respiram – ainda que com a ajuda de máquinas e periféricos urbanóides ao estilo Greenpeace e Fundação SOS Mata Atlântica – os mesmos conceitos desgastados da unidade de preservação permanente definidos de cima para baixo e sem levar em conta as especificidades do mundo real, como a geologia, a topografia, as características dos solos e tantas outras.
Para aliviar a monotonia de tanta tolice, vale ver algumas lindíssimas fotos do Corcovado antes que nele fosse colocado o Cristo Redentor, quando ali já existia um ponto de visitação então conhecido como Mirante do Chapéu.
Atualmente, não seria possível fazer nesse local um mirante, para não falar da enorme obra que é o Cristo Redentor e seus acessos, com trens sobre cremalheiras para subir um declive mais acentuado do que o permitido pelo Código Florestal e sua regulamentação inconstitucional e otária.
A “especificidade local” é que o Corcovado e o Pão de Açucar são formações rochosas sem qualquer risco de “deslizamento de encostas”, não havendo, portanto, qualquer vaga razão para serem considerados como “áreas de preservação permanente” por lei federal.
O atual Código Florestal é um caso grave de desrespeito à diversidade da natureza mesmo no que se refere às formações geólogicas e ao convívio harmioso entre os ser es humanos e o meio ambiente.


Faz alguma proposta então…onde deveriam ser mantidos os regimes de APP e onde deveriam ser liberados? Faltam propostas concretas que não sejam criticas abertas ao Código e sim, um esforço de especificar melhor as áreas explicitadas como de proteção, de forma a acomodar as exceções, como é o caso do Cristo Redentor. Não adianta nada criticar onde o exemplo citado é a exceção e não a regra…
Prezada Daniela – O Cristo Redentor é UMA das excessões. O plantio de vinhedos em São Gonçalo e de cafezais em Minas Gerais também ocorrem em áreas de “topo de morro” e não são exatamente “excessões”. Se há necessidade de uma regra geral, essa deve se limitar à definição das áreas sujeitas à erosão com base nas diversas formações geológicas e das medidas tomadas para evitar a erosão através do plantio em curvas de nível e/ou do terraceamento, de maneira a evitar o assoareamento dos rios. Ela deve fornecer diretrizes e não ser baseada na definição genérica do que é ou não morro em função apenas de sua altura. Topos de morro foram frequentemente ocupados em toda a Alemanha, no passado, com a construção de fortalezas sem que isso impedisse que esse país se tornasse em referência mundial de gestão ambiental. Topos de morro foram também ocupados no Brasil – veja-se o Pelourinho e Santa Teresa – sem que isso tenha resultado em impactos ambientais negativos. Diretrizes mais do que regras estritas para diferentes configurações geológicas, topográficas e outros é uma excelente solução a ser implementada regionalmente. Até porque, afinal, o que é um morro se não uma mera elevação do terreno?
Estes Xiitas Ambientaloides me fazem pensar no período da Santa Inquisição, triste período que ocasionou grande atraso para a humanidade, por vários séculos, quem tivesse novas teorias apoiadas em pesquisas cientificas eram queimados na fogueira.
E o Povo dava apoio e aplaudia em praça publica.
Prezado Luiz Henrique,
O movimento ambientalista teve a sua importância e a sua época, mas só no Brasil, onde não são ouvidos órgãos como a EMBRAPA não são ouvidos ainda que detenham a melhor qualificação em sistemas agro-silvo-pastoris na Amazônia, por exemplo. Marina Silva falava tanto na necessidade da “transversalidade”, isto é, da incorporação das dimensões ambientais nas várias áreas de administração governamental, mas na prática limitou a sua própria proposta ao comportar-se como se as demais áreas do governo tivessem apenas que “obedecer” as diretrizes emanadas do MMA, sem o necesssário diálogo. Na verdade, a “transversalidade” já se deu há muito – quem entende de mudanças climáticas é o INPE; quem entende de medidas para a contenção da erosão dos solos são os produtores rurais e os órgãos de agricultura do Paraná (IAPAR e EMATER), entre outros. Mas eles não são ouvidos e tampouco se auto-intitulam ‘ambientalistas”. O Serviço de Conservação dos Solos dos EUA foi criado em 1935; as associações de usuários de águas da Alemanha existem desde o inicio do século XX. Ou seja, a tal da “transversalidade” já ocorre há muito tempo e a gestão dos recursos naturais é descentralizada: nos EUA, a EPA não se mete nos parques nacionais e eles funcionam perfeitamente com base em planos de gestão claramente definidos. Enfim, os especialistas na gestão de recursos naturais estão em todas as áreas, e não apenas num ministério ou secretaria de estado, que usam a necessidade de proteção da Amazônia como cortina de fumaça para desviar a atenção para o fato de que a poluição dos rios é crescente e ocorre fundametalmente nas cidades.
É isso aí, Luiz. Se o código florestal valesse quando o Cristo foi construído nós não teriamos uma das maravilha do mundo.
Ciro,
E olha a pérola que é a descrição do trem que dá acesso ao topo do Corcovado:
“Inaugurado em 1884 pelo Imperador D. Pedro II, o Trem do Corcovado já levou Papas, Reis, Príncipes, Presidentes da República, artistas e cientistas.
É também um passeio ecológico. O trem atravessa a maior floresta urbana do mundo: o Parque Nacional da Tijuca, um pedaço da mata atlântica que é considerado um exemplo de preservação da natureza.
E quem viaja pela Estrada de Ferro do Corcovado ajuda a manter a floresta: o trem é elétrico e, por isso, não polui; além disso, parte da arrecadação da bilheteria é destinada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para conservação da mata.”