Código Florestal X Cristo Redentor

Continuam estáveis os monótonos sinais vitais do lero-lero sobre as mudanças no arqui-ultrapassado Código Florestal brasileiro, já que os deputados insistem em ficar com um olho na realidade e outro no eleitorado urbano que já pensa que a comida nasce em envelopes de alumínio de barras de cereais, entre outras formas de alimento industrialmente processados.

Respiram – ainda que com a ajuda de máquinas e periféricos urbanóides ao estilo Greenpeace e Fundação SOS Mata Atlântica – os mesmos conceitos desgastados da unidade de preservação permanente definidos de cima para baixo e sem levar em conta as especificidades do mundo real, como a geologia, a topografia, as características dos solos e tantas outras.

Para aliviar a monotonia de tanta tolice, vale ver algumas lindíssimas fotos do Corcovado antes que nele fosse colocado o Cristo Redentor, quando ali já existia um ponto de visitação então conhecido como Mirante do Chapéu.

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Atualmente, não seria possível fazer nesse local um mirante, para não falar da enorme obra que é o Cristo Redentor e seus acessos, com trens sobre cremalheiras para subir um declive mais acentuado do que o permitido pelo Código Florestal e sua regulamentação inconstitucional e otária.

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A “especificidade local” é que o Corcovado e o Pão de Açucar são formações rochosas sem qualquer risco de “deslizamento de encostas”, não havendo, portanto, qualquer vaga razão para serem considerados como “áreas de preservação permanente” por lei federal.

O atual Código Florestal é um caso grave de desrespeito à diversidade da natureza mesmo no que se refere às formações geólogicas e ao convívio harmioso entre os ser es humanos e o meio ambiente.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

4 comentários em “Código Florestal X Cristo Redentor”

  1. Faz alguma proposta então…onde deveriam ser mantidos os regimes de APP e onde deveriam ser liberados? Faltam propostas concretas que não sejam criticas abertas ao Código e sim, um esforço de especificar melhor as áreas explicitadas como de proteção, de forma a acomodar as exceções, como é o caso do Cristo Redentor. Não adianta nada criticar onde o exemplo citado é a exceção e não a regra…

    Prezada Daniela – O Cristo Redentor é UMA das excessões. O plantio de vinhedos em São Gonçalo e de cafezais em Minas Gerais também ocorrem em áreas de “topo de morro” e não são exatamente “excessões”. Se há necessidade de uma regra geral, essa deve se limitar à definição das áreas sujeitas à erosão com base nas diversas formações geológicas e das medidas tomadas para evitar a erosão através do plantio em curvas de nível e/ou do terraceamento, de maneira a evitar o assoareamento dos rios. Ela deve fornecer diretrizes e não ser baseada na definição genérica do que é ou não morro em função apenas de sua altura. Topos de morro foram frequentemente ocupados em toda a Alemanha, no passado, com a construção de fortalezas sem que isso impedisse que esse país se tornasse em referência mundial de gestão ambiental. Topos de morro foram também ocupados no Brasil – veja-se o Pelourinho e Santa Teresa – sem que isso tenha resultado em impactos ambientais negativos. Diretrizes mais do que regras estritas para diferentes configurações geológicas, topográficas e outros é uma excelente solução a ser implementada regionalmente. Até porque, afinal, o que é um morro se não uma mera elevação do terreno?

  2. Estes Xiitas Ambientaloides me fazem pensar no período da Santa Inquisição, triste período que ocasionou grande atraso para a humanidade, por vários séculos, quem tivesse novas teorias apoiadas em pesquisas cientificas eram queimados na fogueira.
    E o Povo dava apoio e aplaudia em praça publica.

    Prezado Luiz Henrique,

    O movimento ambientalista teve a sua importância e a sua época, mas só no Brasil, onde não são ouvidos órgãos como a EMBRAPA não são ouvidos ainda que detenham a melhor qualificação em sistemas agro-silvo-pastoris na Amazônia, por exemplo. Marina Silva falava tanto na necessidade da “transversalidade”, isto é, da incorporação das dimensões ambientais nas várias áreas de administração governamental, mas na prática limitou a sua própria proposta ao comportar-se como se as demais áreas do governo tivessem apenas que “obedecer” as diretrizes emanadas do MMA, sem o necesssário diálogo. Na verdade, a “transversalidade” já se deu há muito – quem entende de mudanças climáticas é o INPE; quem entende de medidas para a contenção da erosão dos solos são os produtores rurais e os órgãos de agricultura do Paraná (IAPAR e EMATER), entre outros. Mas eles não são ouvidos e tampouco se auto-intitulam ‘ambientalistas”. O Serviço de Conservação dos Solos dos EUA foi criado em 1935; as associações de usuários de águas da Alemanha existem desde o inicio do século XX. Ou seja, a tal da “transversalidade” já ocorre há muito tempo e a gestão dos recursos naturais é descentralizada: nos EUA, a EPA não se mete nos parques nacionais e eles funcionam perfeitamente com base em planos de gestão claramente definidos. Enfim, os especialistas na gestão de recursos naturais estão em todas as áreas, e não apenas num ministério ou secretaria de estado, que usam a necessidade de proteção da Amazônia como cortina de fumaça para desviar a atenção para o fato de que a poluição dos rios é crescente e ocorre fundametalmente nas cidades.

  3. É isso aí, Luiz. Se o código florestal valesse quando o Cristo foi construído nós não teriamos uma das maravilha do mundo.

    Ciro,

    E olha a pérola que é a descrição do trem que dá acesso ao topo do Corcovado:

    “Inaugurado em 1884 pelo Imperador D. Pedro II, o Trem do Corcovado já levou Papas, Reis, Príncipes, Presidentes da República, artistas e cientistas.

    É também um passeio ecológico. O trem atravessa a maior floresta urbana do mundo: o Parque Nacional da Tijuca, um pedaço da mata atlântica que é considerado um exemplo de preservação da natureza.

    E quem viaja pela Estrada de Ferro do Corcovado ajuda a manter a floresta: o trem é elétrico e, por isso, não polui; além disso, parte da arrecadação da bilheteria é destinada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para conservação da mata.”

O que você pensa a respeito?