Substâncias Cancerígenas – Aumentam os Riscos de Exposição Humana

Enquanto naufragam (com trocadilho) as tentativas de controlar o mega-vazamento de óleo no Golfo do México e o governo americano inventa atentados terroristas feitos com fogos de artifício para distrair a atenção do povo norte-americano, ganha pouco espaço na imprensa um novo relatório sobre a importância da massiva presença de produtos químicos não regulados no meio ambiente e as suas conseqüências para a disseminação do câncer.

O novo relatório do Painel Presidencial Sobre o Câncer pode ser encontrado, em sua versão original, em inglês, que se encontrava disponível para download, parece ter sido removido, intencionalmente, pelas autoridades norte-americanas que não devem ter gostado nada do fato dos maiores oncologistas norte-americanos terem atribuído a atual “epidemia de câncer” naquele país a causas ambientais (alimentação, exposição ocupacional e outras a substâncias tóxicas, e outras do gênero).  Mas informações sobre o relatório podem ser encontradas aqui.

Um relatório período 2008-2009 ainda encontra-se disponível, mas o relatório original de 2010 simplesmente “desapareceu”.

Não se trata de um estudo preparado por ambientalistas ou vegetarianos, mas sim por renomados especialistas, com o timbre Instituto Nacional do Câncer e do Ministério da Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA.

Alguns trechos do Sumário Executivo do relatório dizem mais do que qualquer tentativa de narrar o seu conteúdo.

“A despeito da redução na mortalidade, (…) 41% dos norte-americanos terão um diagnóstico de câncer em algum momento de suas vidas e 21% morrerão de câncer.”

“O crescimento da incidência de câncer, inclusive aqueles mais comuns entre as crianças, não pode ser explicado.  (…) Entre os fatores que impedem o controle dos riscos do câncer encontra-se (…) a baixa efetividade da regulamentação da presença de substâncias químicas no meio ambiente e outras formas perigosas de exposição.

“A abordagem regulatória do governo norte-americano é reativa e não adota o princípio da precaução.  Ou seja, em lugar de adotar medidas preventivas quando existem incertezas sobre o dano potencial de uma substância química, o risco deve ser comprovado sem controvérsias antes que medidas sejam tomadas para reduzir a exposição.  Mais do que tudo, em lugar de exigir da indústria ou de qualquer proponente de uma nova substância química que a sua segurança seja comprovada, recai sobre a população o peso da prova de que a exposição ambiental de um composto químico é danoso.  Apenas algumas centenas das mais de 80.000 substâncias químicas em uso nos Estados Unidos foram testadas no que se refere à sua segurança para a saúde.

“Algumas dessas substâncias químicas são encontradas no sangue, na placenta e no leite materno.  Dessa forma, tais substâncias químicas estão passando de uma geração para a outra.

“ A fabricação de produtos e os processos industriais introduzem um grande número de riscos ocupacionais e exposições ambientais experimentadas pelos norte-americanos.  (…)  Numerosas substâncias químicas integram os produtos industriais ou neles permanecem como resíduos.  Além disso, no esforço para fabricar produtos industriais e de consumo de maneira mais efetiva, novas substâncias químicas estão sendo criadas ou utilizadas em outras aplicações.

“A totalidade da população norte-americana encontra-se exposta diariamente a substâncias químicas de uso agrícola, algumas das quais são também utilizadas em residências ou no meio urbano.  Muitos desses compostos químicos são comprovadamente ou potencialmente cancerígenos, ou tem propriedades danosas para o sistema endócrino.  Pesticidas (inseticidas, herbicidas e fungicidas) aprovados pela Agência de Proteção Ambiental contem cerca de 900 ingredientes ativos, muitos dos quais são tóxicos.”

A tradução desse relatório para o português pode ser uma bela iniciativa da ANVISA, do Conselho Federal de Medicina, do Ministério da Saúde ou do Instituto Nacional do Câncer, entre outros órgãos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

3 comentários sobre “Substâncias Cancerígenas – Aumentam os Riscos de Exposição Humana”

  1. Realmente …
    Um assunto preocupante há décadas
    e que se agrava a cada dia, sem que nenhuma providência
    efetiva seja tomada …
    E isso que os norte-americanos já possuem produtos
    proibidos em seu país, sendo os mesmo permitidos em diversos
    outros …
    Há que se pensar seriamente em uma ação global em torno do tema.

  2. Agradeço imensamente pelos artigos e informações divulgadas de forma tão séria, ativa e eficaz. Farei o possível para divulgar e espero acompanhar o seu blog. Que sorte existem pensadores sérios que saem do clichê Ambientalista e que dessa forma realmente possam fazer diferença! Fantástico! Parabéns!
    Gratidão!

  3. Prezada Helena,
    Emocionou-me o seu comentário e, logo a seguir, a visita à página da massala.org, ao seu blog, e ä página da chácara, bem como a beleza e a sua gratidão à vida.
    A enganação dos clichês ambientalistas – que já tiveram razão de ser nas décadas de 60 e 70 – já perdeu o sentido há muito tempo, e em muitos casos apodreceu. Nos paíes sérios – aqueles que pensam além do final do mês -, as grandes corporações já abandonaram o termo “ambiental” e até mesmo “sustentabilidade”; substituindo-os por “resiliência” ou, no caso dos governos, por “sociedade de transição”, “adaptação” a uma nova realidade, e similares.
    Certamente manteremos contato!
    Gratidão em reciprocidade! Namastê!
    (Increva-se no blog para receber atualizações)

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