“Florestas Tropicais – Uma Solução para a Agricultura dos EUA”

O título deste artigo pode ser encontrado numa campanha desencadeada pelo agro-negócio norte-americano para evitar a competição de produtos agrícolas importados de países como o Brasil e cuja página na internet pode ser visitada em http://www.adpartners.org.  Aí, rasga-se a fantasia da grande fraternidade dos países ricos com os nobres objetivos da proteção das florestas tropicais como fator de redução das mudanças climáticas.

Na página de mais essa “máfia” que finge ter interesses legítimos na proteção das florestas tropicais há um relatório contundente onde se pode ler:

“A destruição das florestas tropicais para a produção agrícola, de gado e de madeira levou a uma dramática expansão da produção de commodities que competem diretamente com produtos dos EUA. A proteção das florestas tropicais aumentará a renda dos produtores norte-americanos em US$ 221,3 bilhões.  Neste relatório podem ser encontrar dados estado por estado, e por setores do agronegócio tais como carne, soja, óleos vegetais, madeira, e etanol.”  O relatório pode ser baixado clicando-se em sua capa em http://adpartners.org/agriculture/.  O título é “Fazendas Aqui, Florestas Lá – Desmatamento nos Trópicos e a Competitividade do Agronegócio e da Indústria Madeireira dos EUA”.  É o jubileu do cinismo”

No vídeo,  que pode ser visto em http://adpartners.org, para o qual infelizmente não há subtítulos ainda que a página na internet mencione como parceiros vários atores de outros países, encontra-se uma farsa que se já se tornou usual: a responsabilização das queimadas em florestas tropicais para as mudanças climáticas utilizada como forma de ocultar as elevadíssimas emissões dos países altamente industrializados como os EUA. 

Entre essas emissões, as provenientes da produção agrícola totalmente mecanizada e dependente de insumos derivados de petróleo, desde os combustíveis até os fertilizantes.

Mas o resumo do que é dito no vídeo que serve de âncora para a campanha é simples, demasiadamente simples:

“As queimadas em florestas tropicais são responsáveis por mais emissões do que aquelas geradas pela totalidade dos carros, caminhões, aviões e navios” – afirma a peça publicitária do agro-negócio norte-americano.

 “Você sabia que salvando as florestas podemos economizar bilhões de dólares para os consumidores norte-americanos? Você sabia que salvando as florestas empregos nos EUA serão protegidos? Que salvando as florestas criam-se oportunidades de trabalho nos EUA?”

As imagens de queimadas nas florestas são sucedidas de imagens de americanos felizes dirigindo os seus tratores!

E continua a publicidade impostora: “não são necessárias novas tecnologias, não são necessários novos sistemas”.  E aí, imagens do Congresso norte-americano, como instância que pode proteger o agronegócio dos EUA.

Esses são apenas alguns dos grupos de interesse que sempre impediram que os EUA subscrevessem ao Protocolo de Kyoto ou adotasse qualquer meta de redução da emissão de gases causadores de mudanças climáticas e que agora lutam para que não seja aprovada a lei sobre o assunto que se encontra parada no Senado norte-americano.

Entre os parceiros dessa iniciativa são listadas algumas ONGs dos EUA que atuam no Brasil. Agora é possível saber quem financia quem no jogo de lobbies em torno do Código Florestal brasileiro. 

Ninguém de bom senso acredita que o inverso seria possível, isto é, que ONGs brasileiras ou financiadas por brasileiros possam fazer lobby junto a congressistas norte-americanos e dar palpites em questões de política interna sem terem as suas fontes de receita vasculhadas pelo FBI e pela CIA.

***

Vale evitar a demagogia “ambientalista” em torno de um debate sereno sobre o Código Florestal no Congresso Nacional.  Até porque os profissionais, pesquisadores e cientistas altamente qualificados que trabalham diariamente no controle da poluição nos órgãos estaduais de meio ambiente, os da EMBRAPA, os do INPE, e outros, não são otários e não se auto-denominam “ambientalistas”.  Os ambientalistas sérios não ficam por aí fazendo teatrinho de guerrilha para dar a impressão de que são muitos.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

2 comentários em ““Florestas Tropicais – Uma Solução para a Agricultura dos EUA””

  1. Luiz, parabéns pela postagem, merece ser enviada uma copia para cada um dos congressistas brasileiros, aos poucos estas ONGs ambientais estão sendo desmascaradas.

    Já estou achando que a votação do novo código deveria ser adiada, deveríamos dar mais tempo para que a verdade tenha chance de aparecer, acho que a maioria da população e mesmo grande parte dos parlamentares estão opinando sem saber a verdade dos fatos, estou com medo deste novo Código Florestal ser aprovado baseado na mentira e em interesses contrários ao do Brasil.

  2. Muito bom artigo … importante denúncia pública dessa vergonha …

    Você faz bem em lembrar que é grande (enorme) a emissão de gases em função da produção agrícola e em desmistificar essa históra de que a maior responsável pela emissão de gases são queimadas de florestas tropicais …

    Penso ser importante lembrar, também, que existe a pecuária, responsável por 18% da emissão mundial de gases poluentes, concorrendo com 13% da indústria/grandes cidades … Logo, o ‘furo’ parece ser ‘mais embaixo’ e a discussão deveria ser ‘passar’ por tal caminho …

    Quanto aos órgãos como EMBRAPA e INPE, não sei muito para falar .. nem mesmo sei se são sérios … Mas penso que se o fossem, talvez tivessem o dever de propor, há muito tempo, alternativas eficazes e/ou denúncias importantes que não vejo outros, senão aqueles que fazem ‘teatrinhos’ gritarem mundo afora ….

    E veja bem .. não faço nenhuma defesa nem do código nem das pessoas que fazem o ‘teatro, nem dos ‘técnicos sérios’ de tais órgãos … apenas coloco o assunto em pauta … esses são os órgãos que analisam e decidem/decidiram muito de nosso destino ambiental e que estão nos órgãos estatais … Logo estamos nessas condições ambientais por quê? Obviamente, não adianta ser um ’sério’ ambientalista, estando submetido à uma política que não tenha interesses sérios em relação ao tema …

O que você pensa a respeito?