Junho – O Mes Mais Quente da Terra Desde 1860

Artigo de John Vidal – publicado no The Guardian de 16 de setembro de 2010

Junho de 2010 foi o mês mais quente da Terra e o quarto mês consecutivo em que a temperatura combinada da terra e do mar bateu recordes de elevação, informou o Centro de Dados Sobre o Clima do governo dos EUA.

Os números divulgados ontem à noite pela Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) indicam que 2010 tende a ser o ano mais quente da história desde 1880, quando os registros de temperatura se iniciaram. A tendência a um mundo mais quente é agora inquestionável.

Segundo a NOAA, junho foi o 304o mês consecutivo em que a temperatura combinada da terra e do mar ficou acima da média do século XX. A última ocorrência de temperatura abaixo da média se de deu em fevereiro de 1985.

Todos os meses com a temperatura global mais elevada desde 1880 ocorreram nos últimos 15 anos, com o período mais quente anterior tendo ocorrido na primeira metade de 1998.

Temperaturas anômalas ocorreram na Espanha, com o mais frio mês de junho desde 1997, e em Guizhou, no sul da China, que teve o mais frio inverno registrado. De acordo com O Centro do Clima de Pequim, a Mongólia Interior, Heilogjiang e Jilin tiveram os meses de junho mais quentes desde o início dos registros, em 1951.

Os cientistas expressaram a sua surpresa com o fato da temperatura da terra exceder o recorde anterior em 0,11 graus centígrados.

“Essa grande diferença na área terrestre contribuiu muito para o total da anomalia da temperatura combinada da terra e da água” – afirmou John Leslie, um porta-voz da NOAA.

Medições de outro satélite, processados pelo Centro Nacional de Dados Sobre Neve e Gelo, no Colorado, mostram que a extensão do gelo no Ártico foi a menor, neste mês de junho, desde que essas medições começaram, em 1979.

A capa de gelo do Oceano Ártico cresce a cada inverno e diminui no verão, chegando à sua menor extensão em setembro. A média mensal em junho de 2010 foi 10,87 quilômetros quadrados.

A cobertura de gelo estava diminuindo a uma taxa média de 88.000 quilômetros quadrados por dia no mês de junho.

Em mais uma possível indicação do aquecimento global, a geleira Jokobshavn Isbrae, uma das maiores da Groenlândia, perdeu 2,7 milhas quadradas de gelo e recuou uma milha entre os dias 6 e 7 de julho, uma das mais elevadas reduções do glacial já registradas. O glacial, que é uma extensão da cobertura de geral da Groenlândia, reduziu-se 6 milhas desde o ano 2000 e 27 milhas desde 1850.

Acredita-se que essa geleira é a maior fonte de contribuição para a elevação do nível do mar no hemisfério norte. A cobertura de gelo da Groenlândia é uma grande placa de gelo antigo com 1.700 quilômetros quadrados está se reduzindo atualmente a taxas mais elevadas do que há poucas décadas.

Calcula-se que desde o ano 2.000 essa cobertura de gelo perdeu cerca de 1.500 km cúbicos de água, o suficiente para elevar o nível do mar em 5 milímetros.

Se toda essa camada de gelo se transformasse em água, o oceano subiria cerca de 6 metros. Os glaciologistas demonstraram surpresa com a velocidade das fraturas do glacial: “Isso não é usual, já que ocorre depois de um verão quente durante o que nenhum gelo se formou na baía… e nos leva a acreditar na teoria de que o aquecimento dos oceanos é responsável pela perda do belo observada na Groenlândia e na Antártida”, afirmou Thomas Wagner, cientista da NASA.

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A leitura dessas informações nos leva a refletir sobre as razões pelas quais os países altamtente desenvolvidos não se enpenham em transferir tecnologias de energia renovávais e de eficiência energética – incluindo os marcos regulatórios e os esquemas de financiamento – para os países em desenvolvimento.

Ao contrário, como se viu no artigo anterior, concedem créditos de carbopno mas novas usinas termelétricas a carvão que utilizam as tecnologias por eles desenvolvidas.  Business as usual.  Enganam apenas os trouxas e os ingênuos quando afirmam que estão verdadeiramente interessados no bem estar geral da humanidade.  Eles têm as suas políticas de segurança energética e alimentar, os seus programas de adaptação às mudanças climáticas, e os menos desenvolvidos se quiserem e puderem devem pagar pelas novas tecnologias;

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

One thought on “Junho – O Mes Mais Quente da Terra Desde 1860”

  1. Enquanto os brasileiros não aceitarem empreender para sí, aceitando “Capital de Risco” e trabalhando duro com os “Riscos de Mercado”, vão continuar apenas a receber esmolas fingindo que trabalham de forma árdua nas multinacionais, ou nos reversos da mesma moeda, nas respectivas Estatais, sob calorosos aplausos dos Sindicatos de Classe. A estrutura religiosa, política e social criada pelo homem no mundo há séculos mantém o perfil de mercado citado em seu artigo: “Business as usual”. Enganam apenas os trouxas e os ingênuos quando afirmam que estão verdadeiramente interessados no “bem estar geral da humanidade”.

O que você pensa a respeito?