Por que a atual proibição de sacolas plásticas ainda não resolve nada

Por Raquel Valentini

Em 2009, no Rio de Janeiro, promulgou-se uma lei que proíbe o uso de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais do estado, determinando a coleta e a substituição dessas sacolas por outras de material reutilizável. A mesma lei está sendo pensada por outras cidades e estados. Seria uma boa iniciativa se fosse acompanhada de intenções honestas e aplicáveis à realidade brasileira e a favor do meio ambiente brasileiro.

Mas e os outros produtos feitos também de plástico? Muitas pessoas aplaudem a iniciativa, mas continuam consumindo, e a maioria não promove um descarte correto… de PLÁSTICO. E aquele monte de embalagem… de PLÁSTICO, de produtos alimentícios em geral, bebidas, produtos de higiene, brinquedos, utensílios domésticos, objetos de decoração,  que hipocritamente serão carregados em sacolas que não são mais da sua espécie. E como as embalagens e o lixo serão descartados se a separação e reciclagem de lixo ainda não é praticada pela maioria dos brasileiros?

Por trás disso, está a venda das sacolas de lixo biodegradáveis que já são vendidas em muitos estabelecimentos. Acontece que o que chamam de sacolas biodegradáveis (exceto as de origem vegetal, raras de encontrar) são aquelas sacolas plásticas que se fragmentam em pequenos pedaços no meio, deixando de serem visíveis, mas que continuam fazendo os mesmos danos à fauna e a flora por causa da sua composição.

Essa iniciativa não protege os ambientes líquidos (pedaços menores serão ingeridos por animais e sufocarão plantas e animais), mas beneficia o bolso das empresas desses tipos de sacolas graças ao lobby efetuado com sucesso.

Mas o problema que este artigo quer abordar, entre os inúmeros que o envolvem, é o descarte do lixo, literalmente falando:

No Brasil, o sistema de coleta de lixo ainda depende de sacolas. Até mesmo em prédios que possuem seus latões, cada apartamento joga seu lixo em sacolinhas. Diferente de alguns países em que é obrigatório fazer a separação em casa e disponibilizada nas calçadas, em dias marcados, em lixeiras próprias para cada tipo de lixo (amarelo para papeis, caixas, etc., azul para orgânico). Esse é só um exemplo entre inúmeros que existem nos países europeus.

O preço para comprar sacolas de lixo é alto para a esmagadora maioria dos brasileiros que já sofrem com a falta de educação (conscientização) e outros serviços públicos. Para eles resta a alternativa de utilizar sacolas de papel recebidas nos supermercados, e no comércio, como as de pão, que não resistem à umidade até a chegada do caminhão de lixo.

Mas até para a minoria que pode comprar sacos “biodegradáveis” de lixo – quando eles existirem no mercado -,  a falta de educação (ou conscientização) ainda prevalece: abra um saco de lixo alheio e veja quantos outros plásticos, papéis , caixas, embalagens diversas, papel higiênico, lâmpadas, etc. estão sendo jogados fora junto com o lixo orgânico, para ser separado pelos catadores.

A lei é benéfica, no momento, para uma minoria consciente que, enquanto não for modificado o sistema de coleta de lixo, pode aderir à prática de jogar lixo (antes da invenção das sacolinhas) em sacos de papel (desde que sejam resistentes) como era feito antes, em lugar de beneficiarem o lobby das sacolas plásticas biodegradáveis.

Publicado por

Luiz Prado

Quando estudante de Economia, já no segundo ano da faculdade, caiu-me nas mãos o relatório Limites para o Crescimento, encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. Para quem não sabe, o Clube de Roma era um encontro anual de dirigenes de grandes corporações para dividir mercados. No período anterior, Agnelli propôs que discutissem, também, fontes de suprimento de matérias-primas. Como não tinham as informações, encomendaram o estudo sobre o tema ao MIT. Limites para o crescimento era algo impensável na teoria econômia! - e os economistas ainda continuam medindo o mundo pelo tal crescimento do PIB! Daí para apaixonar-me por recursos naturais foi um pulo. E passei a vida trabalhando sobre o tema.

11 comentários sobre “Por que a atual proibição de sacolas plásticas ainda não resolve nada”

  1. Luiz,
    Acho que partes destas sacolas de plástico poderiam ser substituídas nos Supermercados pelas caixas de papelão que embalam os produtos comprados pela empresa, esta faltando um pouco de bom senso dos empresários e também dos consumidores.
    Me parece que já se encontra em tramitação no Congresso, alguns projetos que dizem respeito a coleta seletiva de lixo, esta é uma matéria de suma importância de deveria ser mais debatida, não pode existir demonstração de maior subdesenvolvimento do que lixões a céu aberto.
    Se contarmos o valor comercial destes produtos quando separados, certamente viabilizara os projetos, mesmo que em parte estes sejam subsidiados, se levarmos em conta a questão ambiental e os empregos gerados, certamente este subsídio compensara para toda sociedade.

  2. Eu nunca entendi essa guerra às sacolas plásticas, justamente por causa do lixo. Se eu não recebo sacola de plástico com as compras do supermercado, vou comprar sacolas para botar o lixo. A quantidade consumida permanece a mesma. Não acho que acabar com as sacolas vai salvar o mundo, como parecem querer dizer. Ah, os lobistas estão por trás. Deve ser isso mesmo.

  3. Sim, há lobbistas fabricantes de plásticos biodegradáveis – uns mais e outros menos biodegradáveis. Nenhum ainda fabricado no Brasil, mas como uma ou outra fábrica já em implantação. Precisam de mercado cativo…

  4. Neste, e como em vários outros casos, o bom senso faz parte da noção de responsabilidade de cada um. Há cidades brasileiras que já disponibilizam a coleta seletiva, mas não é para toda a cidade. E esperar que algum membro de qualquer governo faça alguma coisa, para mim, é se entregar ao comodismo. Conhecimento sobre reciclagem é o que não falta hoje em dia. O que falta são as pessoas se mexerem, aplicarem seus conhecimentos, cobrarem soluções para a sociedade, etc. Afinal, as revoluções partiram dos cidadões comuns, não dos governantes. E querer uma resolução grandiosa é se julgar muito. O simples ato de cada um fazer a sua parte (não interessa se o outro não está fazendo)é que resolve. Felizmente, há empresários, governantes, líderes, cidadões comuns que tem a iniciativa de fazer algo, mas eles são só alguns fazendo, comparando com o comodismo da maioria. A Alemanha tem exemplo magníficos de responsabilidade tanto da indústria, do comércio e do consumidor. Podemos fazer nossa parte baseado nas experiências que dão certo.
    No Brasil existem muitos locais de coleta que são administrados pelos próprios catadores (a única ação que governo municipal faz é ceder terreno, NADA MAIS). Aqui no Nordeste, além deles terem que fazer toda a negociação com compradores, eles tem que fazer o trabalho das cidadãos de fazer a separação (a maioria dos sacos que vão parar nesses locais estão cheio de matéria orgânica, entre outros) e a coleta usando seu próprio corpo como veículo.
    O problema está na maioria dos cidadãos(?) que só falam e nada fazem.
    E os espertos como lobistas, governantes e empresários desonestos só tem a ganhar com o comodismo.

  5. temos que”copiar” o sistema de outros paises desenvolvidos, o lixo deve ser reciclado, a coleta tem que ser seletiva, dentro de casa ja deve haver a separação:vidro, papel, plastico, para cada residuo um tipo de saco, onde deverá ser adquirido em postos especializados determinados pelas prefeituras. só assim conseguiremos algo. sacolas ecologicas é o mais correto, a famosa sacola de feira, claro que,mais adequada, reutilizável.
    Regina

  6. Peço sua autorização para inserir as informações abaixo que podem ser de alguma valia. Obrigado. Eduardo Van Roost – RES Brasil – http://www.resbrasil.com.br

    Inicialmente gostaria de informar que a biodegradabilidade ou não de um material não está relacionada a sua origem. E sim pela facilidade ou não de ser biodegradada por microorganismos.

    Plásticos oxi-biodegradáveis são normalmente testados segundo a ASTM D6954-04 – Guia Padrão de Exposição e Testes de Plásticos – que degradam no meio ambiente por combinação de Oxidação e Biodegradação.
    Os testes de acordo com a ASTM D6954-04 informam à indústria e aos consumidores o que eles precisam saber – se o plástico é (a) degradável (b) biodegradável e (c) não eco-tóxico.
    Por: Gerald Scott, Professor Emeritus of Polymer Science at Aston University, UK; chairman of the BSI Committee on Biodegradability of Plastics; and chairman of the Scientific Advisory Board of the Oxo-biodegradable Plastics Association
    Fonte: http://www.packagingtoday.co.uk:80/story.asp?sectioncode=42&storycode=60706&c=3
    Outras informações sobre o assunto:
    http://www.rapra.net/consultancy/biodegradable-plastic.asp
    Aditivos oxibiodegradáveis estão em conformidade com as resoluções da ANVISA ( parecer da ANVISA em nosso poder ) e também da norte americana FDA e União Europeía e podem ser utilizados nas embalagens plásticas para contato com alimentos, medicamentos e cosméticos.
    Plásticos oxibiodegradáveis são recicláveis e são reciclados todos os dias no Brasil e no mundo. Além deste fato, laudos mostram a total reciclabilidade deste tipo de plástico sem qualquer prejuízo à cadeia de reciclagem de polímeros plásticos.

    Comentário do autor do blog – Esses fatos são conhecidos mas irrelevantes para o teor do artigo de Raquel Valentini. No entanto, já que o comentário foi feito, vale a réplica: sim, ficou muito claro na tramitação da lei o peso do lobby dos fabricantes de plásticos oxi-biodegradáveis.

  7. Quando implantarem a coleta seletiva no meu bairro, aí sim eu vou separar o lixo. Agora não adianta se o caminhão mistura tudo, é perda de tempo.

  8. Cara Raquel Valentini: Com essa “estória” de sacolas recicláveis, somente dois segmentos serão realmente beneficiados: – a poderosa indústria de plásticos e principalmente as grandes redes de supermercados. Senão vejamos: a indústria de plásticos ganhara duplamente; com a venda das sacolas ditas “biodegradáveis” para que os supermercados embalem as compras efetuadas pelos seus clientes, e pela venda de sacos plásticos “COMUNS”

  9. Com essa “estória” de sacolas recicláveis, somente dois segmentos serão realmente beneficiados: – a poderosa indústria de plásticos e principalmente as grandes redes de supermercados. Senão vejamos: a indústria de plásticos ganhara duplamente; com a venda das sacolas ditas “biodegradáveis” para que os supermercados embalem as compras efetuadas pelos seus clientes, e pela venda de sacos plásticos “COMUNS” que são colocados à venda em suas lojas, cujas essas vendas aumentarão, SIGNIFICATIVAMENTE, visto que os cidadãos não mais poderão acondicionar seus resíduos sólidos (lixo) residenciais nas sacolinhas, as quais serão fornecidas “à gosto do freguês” em contrapartida de pagamento que vão variar de R$ 0,30 a R$ 1,50 cada uma.
    Também os supermercados ganharão em duplicidade visto que lucrarão com a venda das sacolas ditas “biodegradáveis” sendo que, assim como as sacolinhas “vilãs”, o seu custo já está incluso no preço das mercadorias que compramos.
    Que lobby poderoso!!! Mais uma vez somos nós, os cidadãos comuns, os brasileiros pagadores de impostos é que iremos pagar a conta do “politimante correto”. É a antiga história do “rabo abanando o cachorro”, já ocorrida anteriormente quando do “estatuto do desarmamento” . Tira-se a condição primeira do cidadão de efetuar a sua legítima defesa, mas deixa o bandido, armado, “importando” as armas livremente via fronteiras cucarachas. Penso que, as sacolinhas são, dentre os vários produtos plásticos existentes hoje, as que mais são reutilizáveis, depois de sairem dos supermercados.
    Elas servem não somente para acondicionar o lixo doméstico que serão enviados aos aterros sanitários (quando existem), mas tem inúmeras outras serventias, como invólucros para transporte de pequenos objetos e inúmeros outros. É o que penso. Saudações de um Brasileiro apolítico-partidário!

  10. Simples:
    Para se cortal um mal, deve-se ir combater a raiz.
    Neste caso estamos cobatendo as folhas que estão caidas.
    Porque não combater a PETROBRÀS e a BRASKEM que produz o polietileno????
    Sem o polietileno não teremos o plástico não é certo???
    A sacolinha virgem deveria ser banida SIM.
    Incentivo de todas as formas para a SACOLINHA E SACOS DE LIXO RECICLADOS. Seria a forma ideal de diminuir os séris danos que este material causa ao meio abiente.
    Deveriamos sim cobrar do governo, medidas urgentes na EDUCAÇÃO PRIMÁRIA, ou seja colocar no curriculo escolar desde o primário as materias relacionadas ao meio ambiente, assim como, coleta seletiva, conhecimento de materiais reciclaveis, os danos causados pelo descaso ambiental, o que fazer com materias descartados em nossas casas e enfim EDUCAÇÂO.
    Isto sim é a forma de combater em favor da vida e do ambiente em que vivemos.
    Proibição é a pior forma de agir. O que faremos com o plástico que embalam nossos bens de consumo???
    Todos ou quase todos vem ebalados com plástico, lembram disto??? Que faremos com estas embalagens???
    Eu acho que devemos RECICLAR, REUTILIZAR….
    e VOCE O QUE ACHA???
    CONTINUO PENSANDO EM EDUCAÇÃO.
    Pena que este tema não dá IBOPE, a mídia não trabalha em favor. Mas EDUCAR é a forma correta para diminuir os males que causamos ao nosso meio ambiente.
    Abraços
    Juarez

  11. O interesse é dos supermercados que querem agilizar a passagem pelo caixa, vai desempregar os embaladores, e a moça do caixa vai atirar tudo no seu sacolão, pass as uvas pelo leitor eletrônico em seguida, as cocas colas, depois os ovos em seguida as bananas e quando você chegar em casa de ônibus, terá o suco de uva, omelete. As sacolinhas estão cada vez mai oxi-degradáveis já se degradam em poucos dias, vamos deixas elas quietas.

O que você pensa a respeito?