Monthly Archive for setembro, 2010

Transporte Marítimo Internacional – A Inglaterra Flagrada na Sonegação de Informações

Email This Post Email This Post

“O total das emissões do setor de transporte naval oriundo e proveniente da Inglaterra vinha sendo calculado de maneira errada, já que considerava apenas o combustível vendido nos portos ingleses vinha sendo considerado nos cálculos.  De acordo com o novo estudo, essa base de cálculos levou a números errados, já que a maioria dos navios que têm a Inglaterra como destinação se abastecem em portos situados nas proximidades, como em Rotterdam, na Holanda, onde os preços dos combustíveis são menores.”

Essa informação consta de um estudo agora divulgado pelo Centro Tyndall para a Pesquisa Sobre Mudanças Climáticas, que alerta para o fato de que as emissões inglesas no setor devem ter como base de cálculo o total das emissões resultantes das importações e exportações da Inglaterra, e não apenas com base na venda de combustíveis feita nos portos ingleses.

Com base em novos cálculos, cientistas da Universidade de Manchester mostram que o total de dióxido de carbono emitido pelo comércio marítimo inglês é muito superior ao que vinha sendo estimado.

As emissões do comércio marítimo representam, atualmente, 3% das emissões globais mundiais, e tendem a crescer em decorrência da globalização.  A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) vem discutindo um acordo para controlar essas emissões, mas os avanços tem sido muito lentos e a União Européia já anunciou que tomará medidas unilaterais se para limitar as emissões do setor se não houver uma acordo na IMO até 2011.

O relatório integral divulgado pelo Centro Tyndall, na versão original em inglês, pode ser encontrado para download aqui.

A Inglaterra é líder absoluta nas tentativas de responsabilizar o desmatamento como fonte de emissões causadoras de mudanças climáticas sem cumprir as suas próprias metas de redução de emissões. Da mesma forma, a transferência de tecnologias destinadas à disseminação das tecnologias relacionadas às energias renováveis e à eficiência energética é algo visto como um negócio convencional, orientado para o lucro de suas empresas.

Da mesma forma, pergunta-se: quando o Brasil exporta ferro, aço, soja e outros produtos de baixo valor agregado destinados ao consumo, ao lucro e à melhoria da qualidade de vida dos países desenvolvidos, as emissões resultantes desse comércio marítimo devem ser somadas às emissões brasileiras de comércio internacional ou à conta dos países destinatários?  De quem é a responsabilidade pelas emissões quando alemães ou chineses instalam, aqui, siderúrgicas para o abastecimento de seus mercados internos e nos devolvem produtos de alta tecnologia, cujo transporte requer menos espaço e frete?

***

O Greenpeace ainda não se pronunciou sobre a falsificação de informações pelo governo da Inglaterra.

Eco-fascismo – Infecção Perigosa no Movimento Ambientalista

Email This Post Email This Post

No início deste ano, o cientista inglês James Lovelock propôs medidas radicais e autoritárias para as mudanças climáticas sob a alegação de que a democracia não possibilita a adoção de políticas efetivas para fazer face ao problema: “eu tenho a sensação de que as mudanças climáticas são um evento tão grave quanto uma guerra; talvez seja necessário suspender a democracia por algum tempo”, afirmou.

Por ter sido o primeiro cientista a detectar as origens dos problemas relacionados à camada de ozônio, Lovelock merece um respeito que não se estende necessariamente às suas opiniões políticas.

Mais recentemente, a tradução para o inglês do livro de um pescador e “filósofo da ecologia” finlandês deixou claro que na ampla gama do ambientalismo há propostas ainda bem mais radicais. O autor, Penti Linkolla, até então desconhecido fora de seu país, propõe o estabelecimento de um regime autoritário para suprimir o consumo de maneira implacável: “uma catástrofe está acontecendo e a solução é a disciplina, a proibição (do consumo), a imposição de regras severas e a opressão”.

E não hesita em avançar em direção ao eco-fascismo: “a única chama de esperança é o governo centralizado e o controle estrito dos cidadãos”. Quem sabe com ele próprio na posição de ditador ambiental?

De fato, Linkola tem mesmo um “programa político” que inclui: “um ponto final na liberdade para ter filhos, abolição total dos combustíveis fósseis, revogação de todos os acordos de livre comércio, proibição do tráfego aéreo, demolição dos subúrbios das cidades e reflorestamento das áreas de estacionamento de veículos”.

Quanto àqueles que ele julga responsáveis pelo crescimento da economia, a proposta é mais contundente: eles seriam enviados para ecogoulags (campos de concentração) nas montanhas para serem reeducados.

Nada mal. Só resta perguntar quando ele assumirá o poder e se o fará através de eleições ou de golpes de estado.

No Brasil, esse tipo de eco-fascismo não ousa se expressar tão abertamente: prefere agir nos bastidores, nos tapetões, tentando dar a impressão que são muitos e representam muitos mais.  O mesmo eco-fascismo se faz presente, também, nos órgãos governamentais como quando, por exemplo,  criam-se unidades de conservação envolvendo áreas privadas e não são feitos os devidos procedimentos de desapropriação.  E em muitas outras situações.  Mas esse é outro assunto.

O Mito do Paraíso Perdido e o Ambientalismo Urbano

Email This Post Email This Post

O mito do paraíso perdido – uma origem na qual o ser humano vivia sem conflitos com a natureza – está presente nas religiões em geral.  Todas elas têm um relato da origem do universo, e nessa cosmogonia houve um momento de harmonia.  Essa ruptura fundamental do ser humano com o Cosmo se expressa com freqüência no sonho de reencontrar o paraíso perdido, atualmente concentrado na mística da Amazônia e da estruturação de um improvável desenvolvimento sustentável.

 A descoberta do Brasil está marcada por essa noção de um reencontro com um paraíso perdido.  E aqui, vale rever a genial e deliciosa obra de Sérgio Buarque de Holanda intitulada justamente A Visão do Paraíso, pai do já mestre Chico Buarque de Holanda e um dos maiores historiadores brasileiros.

Nesse livro, os fatos são revistos com vivacidade característica do autor.  “A crença na realidade física e atual do Éden parecia então inabalável.”  Sérgio Buarque de Holanda chama a atenção para os impactos dessa “secularização de um tema sobrenatural” sobre a História das Américas.

“Do desejo explicável de atribuir-se, nas cartas geográficas, uma posição eminente ao Paraíso Terreal, representado de ordinário no Oriente, de acordo com o texto da Gênesis,  é bem significativo o modelo de mapa-múndi mais correntemente usado.”  (…) o Senhor Deus, tendo criado o homem, em quem insuflou o fôlego da vida e o fez assim alma vivente, plantou para a sua habitação um horto da ‘banda do Oriente’.  Ali espalhou, por toda parte, plantas agradáveis à vista e boas para a comida: no meio destas achava-se a árvore da vida, cujos frutos dariam vida eterna, e a ciência do bem e do mal, única expressamente defesa ao homem, sob pena de morte.”

Desde a Idade Média, buscava-se localizar onde ficava esse paraíso terreno, e as grandes descobertas do Novo Mundo permitem à mística portuguesa o sentimento de que finalmente ele havia sido encontrado.  Gente que não tinha o pecado original e por essa razão não sentia necessidade de esconder as suas “vergonhas”, e que vivia em harmonia com a natureza.  Como era de se esperar, gente igualmente boa para ser escravizada e passada aos milhões – como fizeram os espanhóis com os Maias – ao fio das espadas para que revelassem onde estava o ouro.  Fatos que mais tarde resultariam num inevitável – ainda que vago – sentimento de culpabilidade e tentativa de reparação.  Amor, ódio e reparação, o mito do eterno retorno,e temas similares já exaustivamente estudados.

A leitura da fluente descrição contida na obra de Sérgio Buarque de Holanda – permite o melhor entendimento de algumas das motivações dos movimentos ambientalistas e até mesmo dos esforços para internacionalizar a gestão da Amazônia, agora com a sua “compra” através de doações que nunca chegam, até porque os doadores não sabem exatamente se preferem mantê-la como um Jardim do Mundo ou se é melhor estarem atentos aos minérios que lá podem ser encontrados nesse ainda sobrevivente Eldorado.

Não é à toa que esse “ambientalismo” urbano prefere a Retórica e evita a Lógica ou mesmo a Dialética no momento de debater o novo texto sagrado do Código Florestal.   “A Retórica não visa a distinguir o que é verdadeiro ou certo mas sim fazer com que o próprio receptor da mensagem chegue sozinho à conclusão de que a ideia implícita no discurso representa o verdadeiro ou o certo.”  Nos dias de hoje, a Retórica já assumiu desde a forma midíática do grande evento de meia dúzia de pessoas até as mensagens curtas do twitter que não permite muito mais do que uma centena de caracteres.  A expectativa é de que uma mentira mil vezes repetida torne-se verdade.  Até a descoberta da próxima mega-jazida de alguma coisa que dê muito dinheiro e resulte em boas “compen$ações ambientai$”.

Produtores Rurais e Proteção Ambiental – Desmontando Mitos

Email This Post Email This Post

As duas notícias abaixo foram publicadas no boletim da Organização das Cooperativas de Santa Catarina – OCESC, da qual partiu a iniciativa da realização de grande número de encontros e levantamentos que resultaram no anteprojeto de lei que, depois de toda a tramitação legal, deu origem ao Código Estadual de Meio Ambiente de Santa Catarina, promulgado em abril de 2009.  O Código, que introduz interessantes conceitos de remuneração por serviços ambientais, foi, à época, “jurado de morte” por organizações ambientalistas urbanas e até pelo Ministério de Meio Ambiente.  Apesar de inúmeras ações judiciais e de inconstitucionalidade, o Código continua em vigor.

Como a primeira notícia faz referência ao SICOOB, sigla ignorada pela esmagadora maioria dos ambientalistas urbanos, vale dizer que esse é o maior sistema de cooperativas de crédito rural do Brasil, com o total de 1,7 milhões de associados ao final de 2009.  Um “raio X” do SICOOB pode ser encontrado em http://www.sicoob.com.br/site/numeros_do_sicoob.load e conhecê-lo pode ser bastante útil para aqueles que tentam, com grande esforço, acreditar que todos os agricultores são iguais e que nenhum deles se interessa pela proteção dos recursos naturais.

Isso, enquanto as indústrias que poluem a água, o ar e o solo das cidades enchem o peito para falar em responsabilidade social e ambiental quando, apesar de não terem uma gestão minimamente eficiente de suas emissões de poluentes, doam uns trocados para alguns projetos que tendem a ter muito mais a função de maquiagem verde do que de efetiva transformação dos padrões de comportamento das próprias indústrias. O simplismo marqueteiro da luta de um pequeno grupo “do bem” contra os poderosos “do mal” não se sustenta nas pernas quando se chega para mais perto do campo, em particular na região Sul do Brasil.

Em caso de dúvida, vale visitar o site www.febrapdp.org.br e vsculhar os seus números e documentos.  Evidentemente, o que lá está não agrada aos grupelhos urbanóides cujos salários depende de sua capacidade de cafetinar o assunto.

SICOOB SÃO MIGUEL É DESTAQUE EM RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL

O Sicoob São Miguel obteve os 2º e 3º lugares do Prêmio Concred Verde, nas categorias Responsabilidade Social e Ambiental, respectivamente. A premiação, uma iniciativa da Confebras, ocorreu pela primeira vez durante o 8º Congresso Brasileiro de Cooperativismo de Crédito. A cooperativa conquistou o 2º lugar com o projeto “Responsabilidade Ambiental na preservação de cursos de água no extremo-oeste catarinense” e o 3º lugar com o projeto “Sicoobito, gibi educativo sobre responsabilidade social”.

O projeto de preservação de cursos de água permitiu a instalação de viveiro de mudas de espécies nativas para recompor a mata ciliar do município de Palma Sola e construção de cercas de arame para isolamento das áreas recuperadas nos municípios de Paraíso, Bandeirante, Guaraciaba, Guarujá do Sul, Princesa, Dionísio Cerqueira e Anchieta. As comunidades pertencentes ao projeto contam com 359 famílias beneficiadas que protegem um total de 40,5 quilômetros de extensão de áreas de vegetação ciliar.

Segundo o presidente do Sicoob São Miguel, Edemar Fronchetti, “as famílias que fazem parte do projeto são empreendedoras do meio rural e, com a sua ação, beneficiam muitas outras famílias na extensão dos mananciais”. O viveiro produz 20 mil mudas por ano, que são destinadas à reposição da mata ciliar com o apoio de alunos e de seus familiares. “Os alunos, ao participarem dessas ações, recebem lições de cooperação, educação ambiental, responsabilidade social e ambiental, e aprendizado interdisciplinar”, destacou Fronchetti.

O Sicoob São Miguel também conquistou o 3º lugar do Prêmio Concred Verde na categoria Responsabilidade Social, com o projeto Sicoobito, um gibi educativo com 32 páginas, que contempla duas histórias em quadrinhos (Cooperando pelo futuro e Lição de economia). Na revista também há brincadeiras como o jogo dos sete erros, mensagem oculta, caça-palavras, labirinto e espaço para colorir.

“Cooperando pelo futuro trata do problema do lixo e do meio ambiente e lição de economia procura conscientizar sobre a importância de poupar”, informa o presidente Edemar Fronchetti. Foram distribuídas 14.300 revistas para alunos de 6 a 12 anos de toda a rede escolar nos 14 municípios em que a cooperativa possui postos de atendimento aos cooperados. A ação envolveu mais de 1.300 professores, com reuniões, palestras e debates sobre o projeto. Cada escola também recebeu a cartilha Cooperativismo ao Alcance de Todos da OCESC e do Sescoop/SC. (Sicoob São Miguel)

SANTA CATARINA RURAL – MICROBACIAS 3

O Senado aprovou por unanimidade a operação de crédito externo para Santa Catarina, no valor de US$ 90 milhões, a fim de custear o Programa Santa Catarina rural. O projeto tem um orçamento global de US$ 189 milhões, sendo que US$ 90 milhões do Banco Mundial e US$ 89 milhões de contrapartida do Governo do Estado. O projeto será executado de 2010 a 2016 e tem como objetivo aumentar a competitividade das organizações dos agricultores familiares catarinenses.

Para sua viabilização ocorrerão investimentos em 500 projetos para a implantação de agroindústrias de processamento de leite, carnes, frutas, pescados entre outros; melhoria dos respectivos sistemas de produção; agregação de valor aos produtos agrícolas e conexão de internet. Estes projetos poderão captar recursos, também, para a melhoria de estradas municipais e para a atividade de turismo rural.

Segundo o gerente técnico do Programa, Valdemar de Freitas, na área ambiental as ações visam o fortalecimento da gestão de recursos hídricos e a implantação de uma experiência pioneira no Brasil: a estruturação dos Corredores Ecológicos da Bacia do Rio Timbó e do Rio Chapecó. (SAR)